Tag gel

Não faça fotos, crie imagens! 20

Em muitos posts eu comento sobre a possibilidade de “estabelecer relações” com a luz natural como uma das várias vantagens de usar um flash, mas acho que nunca consegui ilustrar todas as etapas do processo.

Alguns comentários que recebi mostram que algumas dúvidas interessantes ainda persistem, principalmente sobre medição da luz, e tive a chance de encontrar a situação perfeita para tentar eliminá-las na semana passada, durante uma pauta de divulgação do programa “Aline” da Rede Globo.

A gravação acontecia na praia de Copacabana, perto da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, que vem sendo constantemente depredada desde que ali foi instalada (humm..rimou!…rsrrs…)

O que leva um imbecil a destruir uma escultura colocada em uma das praias mais conhecidas do mundo ainda é um mistério para mim, provavelmente deve odiar o Rio de Janeiro e ser incapaz de fazer uma rima simples, mas fiquei feliz em fazer fotos que seriam usadas em uma campanha de concientização da população.

Detalhe: a gravação acontecia às 5 da manhã e mesmo detestando acordar cedo, aquele nascer do sol me fez agracer a Deus por morar em uma cidade abençoada e simplesmente magnífica. Lotada de problemas, é verdade, mas magnífica!

Bom, voltando ao trabalho:

Ainda faltavam fotos que mostrassem os três protagonistas juntos e como o Sol subia rapidamente no horizonte, a gravação corria em ritmo frenético, tempo era tudo o que eu não dispunha. Aproveitei uma mudança de equipamento e a presença dos três atores na cena e corri atrás do meu retrato.

Uma dica rápida: acostume-se com o fato das imagens não existirem ainda, elas serão criadas por você.

A foto que existe na sua cabeça muitas vezes não está diante dos seus olhos e como sua câmera é bem menos sensível que o seu cérebro, sozinha ela não poderá te ajudar.

Quando você entende que sua câmera não passa de uma ferramenta limitada, aprende que as infomações que ela fornece são apenas sugestões. Você está no comando.
Nascer do Sol, Copa[15]

Esse era o nascer do sol em Copacabana às 5:47 da manhã. Uma foto relativamente fácil de fazer, o único problema era que estava ali para fazer fotos de 3 atores contra esse cenário:

Bernardo, Maria e Pedro, contraluz[11]

Todo manual de fotografia comenta que o melhor da luz se encontra nas primeiras horas da manhã e no final da tarde. É verdade; porém, nem sempre a melhor luz está na posição ideal.

De onde estava eu conseguia enxergar todos os detalhes da cena, desde os rostos dos atores até a explosão solar atrás deles. Nossos olhos são muito tolerantes com grandes variações de contraste, mas sua câmera não…

Ao travar a exposição no nascer do sol, ela jogou todo o restante da foto em densas sombras. Se não fosse pelo refletor à direita (fora do quadro), mal se distinguiria um ator do outro.

Faça a leitura da luz na sombra e descubra que a razão de você estar ali às 5 da matina se transformou em um fundo branco estourado e sem graça.

Você está perdido: não pode mexer a sua posição, a dos atores e muito menos a do Sol, sua câmera não acompanha a sensibilidade dos seus olhos e seu chefe não vai gostar da piadinha: “eu só fotografo com luz natural”, ao receber a sua foto tecnicamente perfeita, porém, inútil.

Usar um filtro como o densidade neutra graduada (ou até mesmo um polarizador) reduz a quantidade de luz da foto, diminuido o alto contraste da cena, mas te joga no mundo das baixas velocidade de obturador…você está sem tripé e os atores não param de se mexer.

A única solução disponível é “jogar” luz nas áreas de sombra, revelando o rosto dos atores e mantendo o obturador em velocidades tranquilas para segurar a câmera na mão.

Para vencer a Física, a Estética solta os cachorros!
Bernardo, Maria e Pedro, contraluz Flash 14

A foto acima é, na verdade, uma sobreposição de 2 “camadas”: uma com o fundo exposto corretamente e os atores na sombra, e a outra com a área iluminada somente pelo flash.

É a velocidade do obturador que junta tudo. E o flash que separa…

Sua nova exposição terá as 2 variáveis de sempre, obturador e abertura, mas controladas por equipamentos distintos.

A velocidade do obturador dirá quanto da iluminação natural aparecerá na foto, o diafragma, por sua vez, quanto de luz incidirá na área que vc quer iluminar.

Brinque com esses valores e inúmeras opções surgem, não é mais o humor de São Pedro, mas seu gosto pessoal que determina qual a melhor delas.

I Love My Job

Na foto que abre esse post, a minha única preocupação inicial foi a abertura do diafragma. Queria uma que garantisse o foco nos atores e ainda mostrasse detalhes do fundo. Escolhi f/7.1 com a D200 em ISO 800.

Com a abertura ajustada, medi a luz na área iluminada do céu, evitando incluir o sol no enquadramento.

O fotômetro zerou no 1/250s, fiz um clic de teste e achei o céu muio escuro, diminui a velocidade para 1/125 e encontrei o tom que me agradava.

Liguei o SB-800, o LCD me indicava que os atores estavam dentro do alcance do flash para a abertura escolhida, mudei para o modo REMOTE em TTL e pedi que um amigo o segurasse.

Em 1/125 com f/7.1, fiz a foto. Coloquei um gel 1/2 CTO no focinho do cão para dar uma aquecida geral na foto, como se pode ver abaixo:

BernardoMariaePedrocontraluzflash14tCTO[11]

Aquela foi apenas uma das possibilidades de imagem, uma ligeira mudança no obturador altera a luz do fundo, uma variação na abertura (ou diminuíndo a potência do flash) controla a luz do primeiro plano.

Criatividade. Liberdade. Independência. Ponto para os cães. De novo.

Aproveite a comunidade aberta no Orkut para obter respostas e conhecer gente nova, coloque sua dúvida lá, já temos 75 (ops!! 77!)pessoas querendo ajudar, e o número não para de crescer.

Boa sorte!

A Arte Suave. 14

Semana passada eu ouvi o pedido de um amigo:

“Eu queria usar os ensinamentos e as técnicas do Jiu-Jitsu para ajudar pessoas na sua vida pessoal e profissional. Acho que a luta tem muito a ensinar sobre superação de problemas, valorização da auto estima, concentração, alimentação e respeito. Vou fazer um blog onde mostrarei tudo o que eu aprendi até hoje, mostrando também que um lutador não é um irresponsável, muito pelo contrário, é alguém que conhece seus limites e a forma de superá-los. Me ajuda com as fotos?”

Eu conheço o Mauro Verry, ou Maurinho para os íntimos, desde que eu era criança, sua história dá crédito ao seu propósito e chegar aos 50 anos com a disposição de um garoto não é para qualquer um. Ponto para o Jiu-Jitsu.

Quando escutaram a palavra fotos, os cachorros eletrônicos começaram a latir dentro da bolsa e, para ser sincero, não costumo dizer “não” para alguém que amarra seu quimono com uma faixa marrom…rsrsrs.

Coloquei 2 SB-800, 1 SB-600 e 1 SB-80dx no carro e rumei até a academia Pontal Fitness, no Recreio, onde ele treina aqui no Rio de Janeiro.

Encontrei exatamente o que esperava:

ACADEMIA

Atrás de mim e na minha direita, espelhos…na minha esquerda, uma parede branca repleta de acessórios de ginástica, logo acima, luz fluorescente, sobrou o janelão que aparece na foto. Fechei as cortinas para que a luz natural não contaminasse o ambiente e tratei de encontrar uma exposição que eliminasse a presença da luz fluorescente, essa sim, um horror em qualquer caso.

Uma das grandes vantagens de usar uma luz artificial e controlável na sua foto é a possibilidade de estabelecer relações com as outras fontes luminosas. Variando a velocidade do obturador, controla-se a quantidade de luz ambiente e a abertura do diafragma segura a potência do flash. Todo o controle na sua mão, não é mais São Pedro ou a OSRAM que ditam o caminho a seguir, são seus neurônios.

Bem, além de controle, conforto total: quando você imaginou fotografar em ISO 100, f/8 e 1/250 s dentro de uma sala, sem tripé, a qualquer hora do dia? Ponto para os flashes.

Hora se soltar a matilha:

Eu concentrei as fotos no janelão da esquerda (com 3 painéis), era o fundo mais “neutro” que eu poderia usar. Um dos SB-800 ficou na frente, apoiado em um tripé Manfrotto Nano01 com uma sombrinha translúcida, o outro 800 foi para trás, fazendo par com o SB-600, recortando quem fosse fotografado. Sobrou o 80DX, que por não fazer parte do sistema CLS da Nikon, só é usado em uma emergência. Como ele também tem uma fotocélula, pode ser disparado remotamente, mas não pode ser controlado diretamente na câmera.

A idéia era fazer retratos do Mauro, de 2 de seus alunos e de todos juntos. Montei uma disposição que criava uma luz com boa dramaticidade e versátil para qualquer situação.

O esquema pode ser mostrado aqui:

esquema principal

Repare que os dois flashes de trás garantem uma luz de recorte qualquer que seja a posição do “modelo” (na foto, o flash da esquerda não disparou, tinha entrado em stand by), a luz principal, na sombrinha, me dá uma luz suave que pode ser movida conforme o retratado varia a posição do corpo. Com pouco mais de 1 Kg, é fácil e rápido mudar o tripé de lugar. Se tivesse apenas que fotografar o Mauro, teria chegado esse tripé para muito mais perto dele, assim evitava que o fundo fosse iluminado, mas como iria fotografar também um grupo de 3 pessoas, deixei o conjunto pronto para todas as situações. Como o fundo será recortado no PS, não me preocupei muito (mentira, como verão mais abaixo..rsrsr…e só por curiosidade, o fundo da foto que abre esse post é o original, sem tratamento).

Já tinha a exposição que eu queria,  f/8 com 1/250s, bastava encontrar a potência correta dos flashes, distantes 2 metros de onde as pessoas ficariam, o próprio SB-800 é capaz de fazer isso sem sustos: 1/8 da potência total, longa vida para as baterias!

Todos os três flashes estão no canal 1 e no grupo A…eu sei…tem um SB-600 lá atrás que tem um número guia quase 30% menor que seu irmão mais velho, o 800, como ele pode estar no mesmo grupo dos demais?

Bom, NAQUELA posição, ele funciona como uma luz especular, que nada mais é do que um reflexo da fonte luminosa, mesmo em uma potência menor (ou maior), ele gera o mesmo brilho que o flash ao lado. A luz tem seus mistérios…

Tudo pronto, é só fazer a fila:

grupo 1

Nessa foto do grupo, tive que juntar o Mauro, os lutadores Athos Guimarães e Lívia Huber (que saiu da Áustria para treinar no Brasil) bem próximos um do outro para evitar o espaço entre as cortinas, usei um dos painéis como fundo e coloquei uma pequena tira de gel CTO para dar uma aquecida, era só um teste…

A disposição do grupo evitou que a luz da direita chegasse nas costas do Mauro, mas pelo menos ganhei um fundo limpo que não precisava ser recortado no PS.

grupo 2

Não há uma posição mágica que garanta a melhor luz, o que existe é o correto posicionamento dos retratados em relação à luz utilizada, como se pode ver na foto ao lado. Com o esquema de luz definido, só tive que ajustar a posição de cada um na foto para que cada flash fizesse seu trabalho de recorte e preenchimento

Espero que vocês lembrem que um dos flashes ainda estava descansando na bolsa, um SB-80 DX, junto com algumas gelatinas coloridas.

Um fundo cor “branco blargh” é mais do que uma razão para utilizá-lo, é uma ordem!

Iluminando o fundo, garanto contraste de luz e de cor ao mesmo tempo, como mostra o retrato da Lívia, abaixo:

Livia Huber

Você tem todo o direito de não gostar do fundo vermelho e eu tenho o dever de ter possibilidades na minha manga, com apenas outro pedaço de gelatina, eu posso dar o tom que quiser no fundo, como elas são pequenas, muito leves e dobráveis, cabem em qualquer lugar da bolsa. Adicionei um gel azul, em vez do vermelho, no retrato do Mauro, logo abaixo, desta vez com o quimono em vez do terno:

MAURO VERRY2

Eu encontrei um obstáculo pela frente: uma locação onde tinha todas as desculpas para não produzir nenhuma imagem interessante, mas com a ajuda de amigos eletrônicos e outros de carne e osso, muita concentração e gosto pelo que eu faço, consegui reverter a situação em meu favor, exatamente o propósito inicial do Mauro: as técnicas certas podem mudar um mundo…

Fico por aqui, boa sorte!

Selvagens cães de guerra. 8

Murilo abre2

Quinta feira, 8 da noite e eu tinha acabado com todas as minhas pautas do dia. Subi para descarregar o material e encontrei o computador sem ninguém…era um bom sinal, dali a meia hora já estaria em casa.

Nosso editor de fotografia, Paulo Marcos, se vira para mim e manda:

“Renato, acho que tem uma foto aqui que você vai adorar fazer, é um retrato do Murilo Benício para a capa do caderno de TV do Jornal Extra.”

“Que bom! Para que dia ela foi marcada?” respondi na inocência.

“Agora! Ele chega em 15 minutos para a noturna…”

Adeus cama quentinha e horas de sono!!

As gravações aconteciam no novo prédio, ainda em obras, do Centro de Pós-Produção do Projac. Enquanto subia as escadas até o set de gravação, vi que um refletor HMI de 20.000 watts despejava toneladas de potência pelas janelas laterais. Normalmente, quando se encontra um bicho grande desses, ele ilumina o fundo de suas fotos.

HMI

Eu alcancei o segundo andar preocupado: salas vazias, cobertas por folhas de fórmica cor de creme, nenhum móvel, paredes nuas e um set de gravação que simulava um hospital…perfeito para eles, terrível para mim. Corri para o corredor e minha observação do parágrafo anterior se confirmou: o refletor produzia um padrão interessante de listras nas paredes e no teto e as fórmicas brancas rebatiam suavemente a luz.

Se não tem solução, solucionado está: a foto seria ali, qualquer luz adicional seria um trabalho fácil para os cachorros eletrônicos que eu trazia no colete: dois SB-800. E eu estava disposto a soltá-los naquele corredor.

Meu amigo fotógrafo Isac Luz já estava fotografando as cenas, usei-o como “stand in” para as fotos, tentando encontrar a melhor posição no corredor.

Isac Luz, posição.

Isac Luz, contra luz.O grafismo das listras podia atrapalhar a visualização da foto, resolvi, então, usar uma luz de separação, para “soltar” o ator do fundo e atrair a atenção para seu rosto. Posicionei um tripé Manfrotto Nano 01 logo atrás da posição correta e calculei a exposição usando um dos SBs: 1/32 da carga total. As baterias agradeciam…

Já tinha quase tudo pronto: uma luz potente o suficiente para me permitir ajustar a sensibilidade da câmera para ISO 400 iluminando o fundo, produzindo um padrão de listras tanto no fundo como no teto e na lateral do corpo do ator. Essa mesma luz era rebatida e produzia uma luz suave que iria iluminar a lateral esquerda do rosto. Outra luz vinha de trás, do SB no tripé, dando um recorte na altura da cabeça do ator. Faltava uma outra luz, “abrindo” as sombras do lado direito do rosto.

Eu não queria que essa luz se espalhasse por todo o canto, contaminando o padrão listrado, usei, então, uma folha de cine-foil para estrangular o facho de luz do flash, concentrando toda a potência apenas no rosto do Murilo.

Com o Isac na mesma posição e a ajuda de um figurante como tripé humano segurando o segundo SB, fiz umas fotos de teste:

Isac, 2 flashes

Perfeito!

O White Balance da câmera está ajustado para 3.200 K, a temperatura de cor padrão dentro dos estúdios, por isso o tom azulado na foto e não era esse o enquadramento final, isso é só um teste.

Um corte mais fechado iria eliminar o reflexo do flash nas laterais e um posicionamento mais baixo daria à foto a dramaticidade que eu procurava. Se eu tenho listras, que sejam mostradas as listras, não há necessidade de mostrar piso, cabos e toda a perna do ator, o padrão que me chamou atenção está lá em cima.

Um detalhe: se eu usasse uma velocidade de obturador muito alta, perderia o padrão tanto no teto como no corpo do fotografado, como mostra a foto acima. A melhor velocidade que eu encontrei foi de 1/80s. Segura o suficiente para segurar a D200 na mão sem tremer.

Era  a vez, agora, do Isac servir de tripé humano enquanto eu fotografava o Murilo, como se pode ver na foto abaixo..rsrsr:

Isac e Murilo

Tudo ajustado, testado, só me restava aproveitar a folga de 15 minutos antes de ele voltar à gravação e clicar de todas as formas possíveis, respeitando o espaço para o título do suplemento na parte de cima das fotos e dos textos na lateral.

Quinta feira, meia noite e eu tinha terminado todas as minhas pautas…graças ao comportamento exemplar de dois cães eletrônicos que topam qualquer parada!!

Boa sorte!

Um gel, dois géis… 12


No meio da tarde de uma quinta-feira lotada de pautas, recebo um email de uma de nossas assessoras:

“Renato, preciso de uma foto que mostre os atores Daniel Dalcin e Mariana Rios mexendo no computador como se estivessem atualizando seus blogs. Dentro do estúdio H existe uma sala com computador, tenta fazer lá. Preciso para hoje, matéria no Extra.

Bjs, JU”

Ok…traduzindo em imagem o que está escrito no texto, aqui está a “sala com computador”:

sala

Uma luminária fluorescente (o tom verde da foto vem de lá) que teimava em aparecer no monitor, paredes brancas e nuas por todos os lados, mesa sem graça no canto e algo que já foi um computador sobre ela. Não é de se estranhar que a sala vivia trancada…

O método “tradicional” sugere que se rebata a luz do flash no teto ou nas paredes, mas isso só iria iluminar algo que eu queria, a todo custo, esconder.

Eu tinha 2 trunfos no colete e estava disposto a usá-los….

Primeiro passo: desligar a luz fluorescente, eliminando o reflexo na tela do monitor e o tom esverdeado. Fácil!

Segundo passo: encontrar a velocidade de obturador que congelava o movimento do canhão de elétrons que varre a tela dos monitores CRT, geralmente algo abaixo dos 1/30s já resolve.

A situação agora era essa:

sala escura

Terceiro passo: Usar os meus trunfos: 2 SB-800, e dois pedaços de gelatinas coloridas, uma laranja e outra vermelha.

Quarto passo: aproveitar a escuridão!

Um dos SB-800 foi parar atrás do monitor, para “soltá-lo” do fundo branco insosso. Estava no modo REMOTE, em manual e a 1/128 da carga total, me garantindo vida longa para as baterias e um tempo rápido de regarga.

O resultado já ficou mais interessante:

com um SB atrás do monitor

Com apenas um flash eu já garanti um contraste melhor na foto, adicionei o gel laranja para diferenciar uma imagem da outra, mantendo a mesma iluminação.

O resultado, com o gel laranja, foi esse:

gel laranja

Note que ao adicionar o gel, houve uma redução na intensidade da luz, isso deve ser levado em consideração em casos específicos, mas nessa situação a perda não fazia tanta diferença para mim.

Hora de preparar a luz dos atores:

O flash atrás do computador estava ajustado para o grupo A e no canal 1, como era bem provável que a potência do segundo SB-800 seria diferente, programei-o para o canal B, assim tinha liberdade para  controlar todos os flashes separadamente.

Pedi ao nosso estagiário Thiago Prado Neris que se sentasse na cadeira no canto esquerdo da foto e deixei o segundo SB na moldura de madeira que apoiava a mesa. Eu queria ver como a sombra gerada iria se comportar.

Thiago

Nossa, que cara de malvado, hein, Thiago? rsrsrs

Esse segundo flash deveria iluminar apenas o rosto dos atores, evitando assim, uma confusão de luzes dentro da foto.

Sempre carrego no meu colete um pedaço de Cine-Foil, um papel alumínio preto fosco que controla rápida e facilmente vazamentos de luz. Envolvi na cabeça do flash e criei, em segundos, um snoot para o SB (que disparava a 1/32 da carga total).

Tudo pronto, era só chamar os atores! A primeira com tempo livre era a Mariana Rios, a Yasmim de “Malhação”.

Thiago agora segurava o flash à direita da câmera, espremido entre a mesa e eu. A foto agora estava assim:

yasmim

A sombra gerada pelo flash caía quase totalmente fora do quadro e o único inconveniente agora era o reflexo do flash embutido da D200 que aparecia no monitor. Poderia facilmente eliminá-lo se pudesse me mexer à vontade pela sala, mas com um tripé humano ao meu lado me impedindo os movimentos, deixei para fazer isso no photoshop.

Uma das fotos já estava feita, agora era esperar pelo outro ator. Enquanto Thiago o chamava, troquei o gel laranja pelo vermelho no flash atrás do monitor.

Ele se sentou e eu cliquei:daniel

Perdi mais tempo preparando as fotos do que clicando, mas a cada dia me surpreendo com as possibilidades que os flashes e um pouco de imaginação são capazes de criar.

Para quem se interessar: a Rosco tem uma amostra de filtros de iluminação que parecem aqueles mostruários de tintas, é gratuito e os pedaços se encaixam com perfeição na cabeça dos flashes, é pedir e se divertir!

Fico por aqui! Boa sorte!

“Be quick or be dead”… 7

Uma das vantagens do uso dos SB-800/600 é a rapidez com que eles ficam prontos para a “batalha”. Em questão de segundos consegue-se mudar da operação normal para “remote” e vice-versa.

Quando tudo no seu trabalho conspira contra você, velocidade se torna um grande trunfo.

Essa foto é um exemplo bem interessante. No início de toda novela, nós temos a obrigação de retratar todos os atores, seus pares, filhos, foto na vertical, horizontal, bastidores, cenas, viagens..resumindo: tudo que renda bons espaços de divulgação em jornais, revistas e sites. É uma verdadeira campanha de guerra! Lógico que nem sempre é possível, já que a gravação de uma novela obedece a regras típicas de uma linha de montagem, mas quando se fareja uma boa oportunidade, você tem que estar preparado.

Um espaço bem disputado é a coluna do Ancelmo Gois, do Jornal “O Globo”. Aos domingos ele publica o que nós chamamos de “Bonitona”: uma foto de alguma atriz ou apresentadora que esteja fazendo algo de relevante no cenário cultural. Se essa atriz/apresentadora for um belo exemplo do poder da miscigenação brasileira, as chances aumentam consideravelmente.

Era o caso da atriz Lucy Ramos, sem dúvida alguma, uma mulata de traços irretocáveis.

Enquanto fotografava nos estúdios uma cena da nova novela “Paraíso”, vi que poderia tentar a bonitona daquela semana. Esperei a gravação terminar e perguntei se poderia fazer um retrato dela. “Lógico, mas tem que ser rápido porque preciso trocar esse figurino…”. Ela tinha um sorriso desconcertante. O assistente de estúdio me trouxe de volta à Terra com um grito: “Renatão, você tem 5 minutos!!!

Aprenda uma coisa: quando um assistente de estúdio diz “5 minutos”, você dispõe de apenas 2. O tempo voava…

As luzes internas do cenário já haviam sido desligadas, as únicas funcionando eram as que ficavam do lado de fora e simulavam a luz do sol entrando pelas janelas. A parte externa dos cenários não recebe acabamento, logo, a iluminação era rebatida em gigantescas pranchas de madeira crua, resultado: uma luz suave e com um leve tom amarelado, perfeita para a pele da atriz. Pronto! Eu já tinha a minha luz principal.

O problema estava lá atrás, no portão de saída do estúdio: negro como a noite…. Embora eu já namorasse essa porta como elemento de minhas fotos a um certo tempo, não queria que ela se fundisse com o cabelo da atriz. A reprodução no papel jornal iria piorar ainda mais a situação. Solução?Providenciar uma luz de separação!

Tirei o SB-800 da câmera e o coloquei no modo “remote” em menos de 5 segundos, programei a D200 para disparar o flash em TTL mesmo e pedi que o nosso estagiário de fotografia, Thiago Prado Neris, o segurasse atrás da atriz, fazendo um angulo de 45 graus.

Um fundo negro, uma atriz negra com uma blusa branca…hummm…um prato cheio para um erro do fotômetro da câmera, mas nem me preocupei com isso: no ângulo em que ele segurava, qualquer que fosse o “desacerto” do flash, se ele disparasse a +1, 0 ou -1, o resultado seria o mesmo: um brilho proporcionado pelo reflexo da fonte luminosa, uma luz especular. Era isso o que procurava…

A temperatura de cor dos refetores de estúdio é de 3.200 K, o WB da D200 estava ajustado para o mesmo valor, coloquei um gel “full CTO” (aquele “celofane” laranja que vem dentro da caixinha que acompanha o SB-800) para baixar a sua temperatura de cor, acionei o flash embutido e me lembrei de um detalhe importante: em ISO 800 e na distância em que eu me encontrava, mesmo ajustando o flashinho para “–” no commander mode da D200, o pré-flash era captado pelo sensor. Observe essa fora da atriz Luli Muller, feita na mesma lullisituação:  é possível notar uma sombra azulada na porta branca bem atrás dela,  típica de flash na câmera , resultado da falta de gel de correção no buil-in flash.

A luz frontal do flashinho embutido revelava detalhes do rosto que estariam escondidos pela sombra da luz principal, isso era bom, mas o tom azulado eu não teria como corrigir, não havia tempo de recortar um filete de CTO tão pequeno, por mais que houvesse vários rolos de CTO por todo o estúdio…o assistente já se dirigia para onde eu estava fotografando (ele tinha dito 5 minutos, não é?). O Photoshop iria resolver essa parada….

Pedi que ela se virasse para a luz principal, o Thiago levantou o flash, eu fechei o enquadramento da foto na cintura da atriz e cliquei algumas vezes. O primeiro clique ocorreu ás 15:43 h de uma quinta feira, 05/02, o último deles às 15:45 do mesmo dia….um recorde! rsrsrsrs…

O resultado final pode ser visto logo abaixo:

Lucy Ramos

Note como a luz do flashinho embutido “abriu” as sombras do rosto e como a falta de gel deu uma coloração azulada ao brilho dos olhos dela (e em toda a área de sombra do rosto).

Ok, ok, luz caretinha, mas que funciona sempre ( e vamos combinar: EU TINHA 2 MINUTOS!!!rsrsrs )

Ah! se eu emplaquei a “bonitona”?

Dá uma olhada aqui:

http://flickr.com/photos/800asas/3266815326/in/photostream/

Abraços e boa sorte!

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