Archive junho 2009

Correndo soltos no deserto… 32

jun27

Preciso agradecer a todos que escreveram, elogiaram e comentaram o primeiro vídeo do blog, sinceramente não imaginava que teria uma repercussão tão boa. O número de visitantes mais que quadruplicou e não tive como responder a todo mundo, faltou tempo e sobrou cansaço, até o pessoal da Nikon Brasil está gostando…mas aproveito esse post para dizer do fundo do coração: obrigado!! Vocês não tem idéia de como fico empolgado, a cabeça está pirando com tantas idéias!

Depois de alguns dias em Petra, fomos gravar novas cenas da novela bem no meio de um vale desértico no sudoeste da Jordânia, o Wadi Rum, cenário de filmes como Lawrence da Arábia, Planeta Vermelho e Transformers. Não há melhor comparação a se fazer: em menos de uma hora de viagem pisávamos na superfície de Marte, mas com o Sol de Mercúrio torrando as nossas cabeças. Acho engraçado ver, no novo vídeo, guarda-chuvas andando para lá e para cá e uma bandeira preta de iluminação sendo disputada por 4 dos integrantes da equipe.

Novo cenário, novos figurinos, logo, novas fotos.

O vídeo desse post mostra 2 dias de gravação no deserto, só que desta vez, não havia a menor chance de montar os tripés Nano 001b e, muito menos, colocar as sombrinhas translúcidas na cabeça adaptadora da Manfrotto.

O motivo é simples: apesar da excelente qualidade, durabilidade e leveza do conjunto, uma simples brisa transforma as sombrinhas em grandes velas que podem espatifar um SB no chão, e ver um “cão” aos pedaços no início da viagem não era uma decisão sensata.

Carregar na mochila 3 quilos de chumbo como contrapeso também não…rsrsrs.

A solução foi pedir que uma alma caridosa segurasse os flashes para mim, tarefa que foi muito bem executada pela minha “flash holder” oficial, Val, produtora do Video Show (Obrigado, Val!).

Novamente eu me encontrava lutando contra um adversário poderoso, o Sol jordaniano, mas se em Petra eles deram conta do recado, no deserto, sem as sombrinhas, eles voltavam a ter vantagem.

A velocidade do obturador foi a mesma do post anterior, 1/250 seg, mantendo toda a potência dos flashinhos. Encontrei a abertura da lente (variou de f/10 a f/14) dando uma ligeira subexposição de 1 ponto, para que o azul do céu ficasse um pouco mais escuro que o normal e programei os SBs para funcionar em TTL no modo remote.

Mesmo sob o sol intenso e, como no caso da foto da Taís Araújo no topo do monte, a uma distância razoável do assunto fotografado, o flash embutido da D200 disparou os remotes sem falha alguma.

A cada dia que passa eu me espanto com o que esse sistema pode fazer: simples de usar e confiável ao extremo.

Nas fotos do post anterior, em Petra, o sol foi colocado como contraluz e os flashes eram a luz principal. Agora, nesse novo vídeo, eles também funcionam como uma luz lateral, ajudando a recortar os atores do fundo e preencher as sombras provocadas pelo sol.

Espero que vocês curtam e qualquer dúvida é só escrever, a viagem está próxima do fim, a rotina voltará ao normal, mas ainda tem uma nova parada e um outro vídeo, desta vez em Paris!

Boa sorte e muito obrigado!

Os cães estão latindo em árabe… 31

jun15

Caso seja recém-chegado aqui, não se assute: o assunto não é adestramento canino. “Cachorros eletrônicos”, ou simplesmente “cães”, foi a forma carinhosa que eu encontrei para me referir a um acessório tão criticado e desconhecido: os flashes portáteis.

Eu penso que usar números e letras para descrevê-los, como em SB-800 ou 580 EXII, só aumenta a distância entre o conhecimento e a prática, como se tivéssemos que programar um R2D2 ou o C3PO a cada tentativa de uso.

Eles são poderosos, confiáveis e topam qualquer parada e, assim como nossos amigos de nariz frio e quatro patas, devem ser compreendidos para que toda a graça que há neles seja liberada.

Essa é a idéia do blog, e do vídeo aí de cima…

Comentei no último post que estou na Jordânia fazendo as imagens de divulgação da nova novela das 20h da Rede Globo, Viver a Vida, e antes do embarque, comprei uma Sony Cybershot W110, capaz de gravar vídeos em Full HD e pequena o suficiente para caber em qualquer espaço, para tentar filmar algumas sessões de foto. Uma imagem vale mais que mil palavras…

Uma viagem como essa gera uma pressão descomunal muito antes dela começar, são vários os pedidos de fotos para todos os jornais, sites e revistas do país, além do tradicional aviso: “Na sua folga, tente fazer ensaios dos atores conhecendo e visitando locais típicos da região para tentarmos emplacar na Caras, Contigo, Quem, etc…”.

Na minha “folga”? rsrsrsrs…

Assim que cheguei em Petra, tratei de produzir as fotos mais desejadas de todas: retratos dos personagens, mostrando quem são os atores, seus figurinos e o local onde estão gravando. O vídeo mostra os dois primeiros dias de gravação na trilha que leva até um monumento de pedra chamado Monastério, são apenas 854 degraus da base até o topo, com um calor que ultrapassava os 40 graus e que abriu uma ferida no topo da minha cabeça logo nas primeiras horas.

Era o Sol de Petra dando as boas vindas, mas uns latidos vindos de dentro da mochila me diziam que os “cães” queriam ir à forra…

A luz em Petra é dura boa parte do tempo, e com montanhas claras e um piso branco ao seu redor, chega a ser difícil manter os olhos abertos sem um bom óculos escuros, acho que o vídeo mostra bem toda a intensidade luminosa do local. Não havia dúvidas se deveria ou não usar um flash, a pergunta agora era: como ele iria ser usado.

Embora os SBs sejam capazes de sincronizar em qualquer velocidade de obturador, eles perdem muita potência acima do 1/250 s (vel. de sincronismo de flash da D200) e com um sol de meio dia a ser domado, potência era tudo o que eu não podia perder, portanto, a velocidade já estava escolhida: 1/250 s.

Com um valor como esse no obturador e uma luz intensa lá fora, eu já esperava aberturas pequenas e grande profundidade de campo. Todas as fotos mostradas no vídeo foram feitas com a 17-55 f/2.8 fechada em f/8. Não havia sentido em viajar para Petra e produzir retratos com o fundo todo desfocado, a idéia era justamente o oposto disso: mostrar o ambiente onde nos encontrávamos.

A parte numérica estava resolvida, restava trabalhar a luz:

A sessão com a Taís Araújo, a protagonista Helena da novela, dá uma boa dica para melhorar o controle do Sol quando se usa um flash: procure uma sombra…

Fácil de falar e difícil de encontrar, sombras eram disputadas a tapa por beduínos, camelos, burros, turistas ensopados e parte da produção da novela. Eu não acreditei quando vi um banco de pedra ao lado de um arbusto com flores rosadas sem ninguém por perto e longe o bastante de uma muralha rochosa.

Coloquei o SB-800 em um tripé e usei uma sombrinha difusora para gerar uma luz suave, contrastando com a iluminação dura do fundo. Contraste entre as luzes era uma forma de destacar a atriz do plano de fundo, e ao colocar o tripé na lateral, revelei volumes do corpo e texturas do figurino.

Conforme íamos subindo os degraus da trilha, as sombras desapareciam e o sol se tornava cada vez mais presente. Em vez de brigar com ele, transformei-o em um contra-luz, procurando fotografar os atores em algum local onde pudesse ter uma noção de profundidade, relativamente fácil de encontrar no meio daquela paisagem. Como iniciei com o flash na sombrinha, mantive-o assim até o final para ter um estilo de luz constante em todas as fotos.

O SB-800 estava em “REMOTE”, programado para funcionar em TTL mesmo, como os intervalos para fotografar eram curtos, não tinha nem tempo de calcular a exposição do flash em Manual, era soltar os “cães” da mochila e clicar.

Bom, ainda tem material a ser mostrado aqui, mas com um Movie Maker que travava a cada 5 minutos, eu demorei mais do que o desejado para terminar o vídeo, espero que vocês gostem e que tenha ajudado bastante.

Ah! para os amantes da batida eletrônica: meu berço foi o rock´n roll, portanto, aumentem o som…é Rage Against The Machine mandando um cover do Pink Floyd.

Boa Sorte!

Viver a Vida, na Jordânia… 13

grande templo abre

Quero pedir desculpas pelo sumiço de mais de um mês, mas 2 razões, uma “administrativa” e outra profissional, me tiraram do ar por esse tempo: mudei recentemente para uma nova casa, ainda sem internet, e fui chamado para fazer as fotos de divulgação da nova novela das 20 h, “Viver a Vida”, dirigida por Jayme Monjardim e escrita por Manoel Carlos.

Tesouro

A dupla já mostrou todo seu talento em outras produções, mas os cenários desse novo desafio são encantadores: Petra, uma das 8 novas maravilhas modernas, e Paris, a cidade luz. Vou logo adiantando: é melhor preparar os olhos, porque a fotografia da novela é de Afonso Beato, uma fera quando o assunto é luz e câmera. Quem gostou de Maysa, vai pirar com “Viver a Vida”. Sinceramente, é um prazer ver Jayme e Afonso trabalhando juntos, aprende-se por osmose…

Eu viajei para Petra no sábado, dia 30 de Maio, no mesmo voo da Air France que despencaria no oceano um dia depois. Deu um certo pânico em todos na equipe ao sabermos da notícia porque um grupo de jornalistas brasileiros, entre eles, nossa assessora Roberta, poderia estar entre as vítimas, mas eles viajavam pela TAM…algo de errado acontece na aviação mundial quando se sente alívio por voar TAM, mas aproveito a oportunidade para deixar meus pêsames atrasados a todos que perderam parentes no acidente.

Esse post não tem nenhuma dica de flash, mas sim um pedido de paciência e um aviso para que esperem por novidades bem interessantes ao longo desse mês.

Já estou produzindo uns vídeos mostrando os “cachorros” em ação no meio de um deserto deslumbrante e diante de uns monumentos de pedra inacreditáveis. Por favor não esperem um documentário digno de um Oscar, se eu tivesse 2 colunas vertebrais eu teria trazido um equipamento de vídeo completo, mas minha espinha dorsal já está reclamando do peso excessivo da minha mochila. Aliás, esse é o tema do primeiro deles: Qual equipamento e como trazê-lo para uma situação como essa. Depois de assitirem eu acredito que entenderão porque tudo está sendo filmado com uma Sony Cybershot.

Alinne, Thiago e Taís Deixei o melhor para o final: eu pensei em fazer pequenas entrevistas com o Jayme, o Afonso Beato e o Fernando Torquato, que também está aqui maquiando e fotografando Taís Araújo, Alinne Moraes, Thiago Lacerda, Marcelo Valle e Rodrigo Hilbert, mas pensei que essa poderia ser uma ótima oportunidade para quem quisesse ter a chance de fazer suas próprias perguntas para esses craques todos, portanto, se vc chegou até aqui, pensa em algo interessante e pertinente e me escreva um email, renato.miranda@tvglobo.com.br, ou deixe um comentário com a pergunta aqui no blog.

Jayme Monjardim Por questões de tempo, acesso à internet e talvez de redundância, eu vou ter que filtrar algumas delas, nem todas serão respondidas, espero que vocês entendam que a correria que vivemos aqui pode atrapalhar muita coisa, mas a vontade que isso dê certo é muito grande, com a ajuda de vocês talvez fique mais fácil…

Eu fico por aqui! Esperem por ótimas novidades!

Boa sorte!

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