Archive março 2009

Divirta-se! 3

A luz nunca mostra a mesma montanha.

É a dica número 84 das “100 Dicas para Melhores Fotos”, do blog do Stefano. Entre muitas interessantes, encarei essa como o desfecho de uma série de coicidências que ocorreram nas duas últimas semanas.

Quando decidi criar o meu site, optei por usar o mínimo de texto, queria que as imagens falassem mais do que a minha história pessoal. Tudo o que fiz no passado está escrito nelas, para todo mundo entender.

Caminho ds ÍndiasAchei curioso que alguns fotógrafos comentaram que sentiram falta de legendas. Eu respondi que elas deveriam ser criadas pela mente de quem vê as imagens, acredito que a fotografia deve ser uma viagem a partir da realidade.

Embora trabalhe em uma fábrica de sonhos, a rotina de fotografar  tudo o que é sonhado ali não é das mais fáceis. A velocidade e a precisão com que o processo é feito limita o tempo para ensaios mais demorados com os atores, e esperar pelo momento certo pode levar um bom tempo.

É aqui que entra a dica que está lá em cima, no título do artigo: divirta-se!

Você carrega no pescoço mais do que uma ferramenta, é um passaporte. A novela “Caminho das Índias” conta com uma cidade cenográfica que reproduz com perfeição as ruas indianas, com o mesmo trânsito caótico e profusão de gente que se vê por lá. Diversos figurantes, vestidos perfeitamente de acordo com as várias etnias do país, chegam até você e pedem uma foto daquele momento…Ainda tem muito tempo no relógio, a câmera está na tua mão…

Caminho das Índias

-“Pode ser naquela porta ali?

Pronto! a viagem começou…

Seria um crime ter tudo o que desejou bem na frente dos seus olhos e não apertar os botões certos, na máquina e na mente.

Duas semanas depois do site e das fotos na “Índia”, recebo um email da Kogut, editora do Segundo Caderno do jornal O Globo, com uma pergunta: “Renato, não tem nada interessante aí para mim, não?”

Caminho das Índias

Pensei nas legendas e viagens e mandei algumas daquelas imagens, dizendo: “feitas na Índia, para a novela”

-“Lindas, mas queria alguma coisa coisa diferente…”

-“Kogut, essa Índia é em Jacarepaguá!”

Para ver mais fotos da viagem, clique aqui ou no meu Flickr.

Boa sorte, boa viagem e divirta-se!

Caminho das Índias

Um flash, duas luzes. 11

Tinha chegado cedo ao Projac para resolver uns assuntos na internet (me mudei há pouco e estava sem conexão em casa). Toca o telefone do departamento, a ligação era para mim.

-“Oi Renato, aqui é da Arte da novela Caras e Bocas, precisamos de uma ajuda sua…temos que fazer uma foto da atriz que vai representar a personagem da Flávia Alessandra adolescente. Eu tenho uma foto de referência aqui. Você pode nos ajudar?”

-“Tô descendo, me encontra na porta do estúdio…”.

Adeus internet, adeus tempo livre.

A foto de referência era essa:

Flavia Alessandra

Uma reengenharia no processo revela o modo como a foto foi feita: sol como contraluz e um rebatedor no lado esquerdo.

Básico, tranquila de se fazer…

Encontrei a produtora de arte e a atriz, o único que resolveu não aparecer foi o Sol. A produtora sacou: “Tinha que ficar igual à foto, é para um quadro. Sem sol dá para resolver, agora?”

O SB-800 olhou para mim e sorriu. “Dá”.

Pedi um isopor no estúdio enquanto calculava a potência correta do SB, com o flash a 2 metros de distância das costas da atriz, ASA 100, f/4, o valor foi de 1/32 da carga total. Eu aumentei para 1/16 para ganhar um pouco mais da luz que rebatia no isopor.

Posicionei a atriz Thalita Ribeiro na frente de um fundo neutro, nosso estagiário Thiago segurava o flash lá atrás, na distância correta, e a produtora segurava o isopor bem próximo do rosto. O flash estava em “REMOTE”, com o zoom fechado em 105mm, para concentrar o facho de luz bem nos cabelos.

Com a D200 em commander mode, cliquei:

Thalita Ribeiro

Voilá…um sol portátil que não queima o bolso do colete!

Boa sorte!

De volta ao básico… 2

Sem dúvida, um flash bem usado é capaz de aprimorar a iluminação de suas fotos, mas o que fazer quando se está sem ele?

Voltar ao tempo onde só se contava com a luz natural e procurar por quem fez o máximo com o mínimo: os mestres da pintura.

Dispor do melhor equipamento não o fará um ótimo fotógrafo, mas gastar sola de sapato em corredores de museu ajuda a aumentar o arquivo de referências visuais que a sua mente necessita, além de entregar de bandeja a solução para várias situações de luz.

Não é mais uma questão de “Será que vai funcionar?”… Funciona!

Em Abril, um novo programa estréia na grade da Globo, “Tudo Novo de Novo”, e tive que fazer fotos dos atores durante os testes de figurino.

Detalhe: não me pergunte o motivo, mas eu estava sem flash.

Solução? A mesma de séculos, procurar uma janela grande o suficiente para iluminar suavemente um ator em corpo inteiro. Graças a Deus, o estúdio I do Projac tem janelões nos 2 lados do prédio, garantindo uma luz indireta e difusa qualquer que seja a posição do Sol

Cristina Costa Marina Ruy Barbosa

Eu não sei quem colocou as arandelas amarelas na parede, mas deixo aqui meu agradecimento…rsrsrs.

O corredor não era largo o suficiente pra o uso de uma teleobjetiva, o fundo não muito interessante, mas dá para ganhar uma guerra perdendo duas batalhas.

O primeiro a entrar no “estúdio” foi o ator Marco Ricca:

Marco Ricca

A foto está tecnicamente perfeita, tudo o que seu cérebro precisa para entender que um volume, e não um plano, está sendo fotografado está presente:

Um brilho especular na direita, atrás do ator, sombras na lateral e o tom correto de sua face na esquerda. Resumindo: contraste.

Mas há um problema: eu não sou pago para fazer fotos perfeitas. Meu trabalho é criar imagens que sejam divulgáveis em várias publicações diferentes e ter metade do rosto jogado nas sombras pode ser um transtorno quando o papel que irá reproduzir a imagem é ruim como o de um jornal.

Como não posso mexer na posição da luz, só me resta alterar a posição do rosto. A imagem no começo do artigo revela o “caminho das pedras”, Da Vinci já nos ajudava séculos atrás.

Mario Cardoso

Ao pedir que o ator Mario Cardoso movesse ligeiramente o rosto na direção da janela, permiti que a luz iluminasse uma parte maior , dessa forma, toda a área nobre da face está corretamente iluminada, mantendo a mesma relação de contraste da foto anterior.

Veja o resultado, desta vez em um close da atriz Marina Ruy Barbosa:

Marina Ruy Barbosa

O exercício de posicionar corretamente o fotografado em relação à luz deve ser levado para dentro dos estúdios fotográficos ou quando se usa luzes portáteis como um flash.

Não há uma posição mágica de luz que garanta um resultado satisfatório, o truque está em relacionar corretamente luz e o fotografado para se chegar ao objetivo desejado.

Acho que um exemplo mais do que conhecido pode resumir visualmente tudo o que está escrito aqui:

Monalisa, Leonardo da Vinci

Não é à toa que ele é o mestre dos mestres…Estude os clássicos!

Espero ter ajudado. Boa sorte!

“NO AR”!!! 1

Já tô na batalha há uns 10 anos, mas estava sentindo falta de um site próprio, o Flickr ficou tão cheio de fotos que acabou dificultando a visualização do meu trabalho.

Quando fazia as fotos da minissérie “A Pedra do Reino”, na Paraíba em 2006, eu sonhei com o logo acima durante três noites seguidas, cada dia era uma descoberta nova.

Não sou muito de confiar em sonhos, mas a insistência da parte de quem queria me mostrar algo acabou me convencendo..rsrsr.

É um site simples, do jeito que eu queria, sem textos explicativos, com espaço de sobra para a visualização das fotos e com margem para sua imaginação trabalhar.

O blog acabou vindo antes, mas site e blog vão andar juntos, um alimentando o outro. Lá ficou a parte estática (e estética), aqui eu me concentro na troca de experiências com mais dinamismo.

Sim, há uma câmera no logotipo, não deve ser vista como um atestado de supremacia de uma marca sobre outra (até porque eu tenho o mesmo logo em vermelho com uma Canon e outro em branco com uma Sony), mas sim, como um sinal de respeito e carinho pela ferramenta que permite que as imagens que estão na minha cabeça se tornem realidade. Uso Nikon porque o destino quis assim, foi a primeira câmera que caiu na minha mão, NUNCA usei uma Canon, mas sei que ela pode fazer o mesmo por mim e por meu trabalho. Não perca seu tempo com discussões inúteis sobre qual o melhor dos equipamentos…

Não é uma questão de equipamento, mas de dedicação e entrega.

O melhor dos equipamentos já nasce conosco: olhos, cérebro, coração e alma.

Acesse: www.ilovemyjob.com.br

Espero que gostem!

Boa sorte!

P.S: só um aviso irônico, cutucando minhas amigas assessoras:

Quem faz legendas é jornalista, fotógrafos roubam almas…

Snoot: porque menos é mais! 8

Uma das boas coisas na Fotografia é que palavras como “sempre”, “nunca” e “não”, perdem o sentido…

Bem diferente da Engenharia…

Bem, você tem um flash na bolsa e sabe que ele é suficientemente potente para iluminar toda a sua foto, isso não significa que tenha que despejar luz em toda sua imagem o tempo todo.

Jonas, o fantasma.

A nova programação da Rede Globo estreia em Abril. Entre as atrações está uma série policial, “Força Tarefa”, que mostra um equipe de agentes que investiga a própria polícia. Trabalho não vai faltar…rsrsrs

Eu tinha que fazer os retratos dos atores durante uma gravação externa noturna. Sempre comento que essa não é a melhor hora para se fazer retratos, mas a impressão que eu tenho é que as assessoras acham que nós, fotógrafos, somos mágicos.

Elas estão certas: nós somos mágicos!

Embora trabalhe perto de uma equipe de iluminação que dispõe de caminhões abarrotados de equipamentos de luz, raramente consigo usar algum deles, tenho que me virar com o que consigo carregar: uma câmera, 2 objetivas e um flash. Qualquer coisa além disso já é lucro para mim, no caso da foto acima, o lucro foi um poste de rua.

Rogério Trindade interpreta o fantasma de Jonas, um oficial da aeronáutica que vai perturbar a consciência de Murilo Benício.

Atrás de mim a gravação corria solta, aproveitei que ele não participava da cena e pedi que possasse para um retrato. O flash em cima da câmera definitivamente não era a melhor opção, programei o SB para o modo remote (em TTL mesmo, ajustado para -1 ponto), pedi que um dos moradores locais o segurasse bem na altura da cabeça do ator e ajustei a posição para que o poste iluminasse parte da cabeça e das costas dele. Era o contraluz que eu procurava para separar sua figura do fundo negro logo atrás. Deixei o WB da D200 em “AUTO” e gostei do tom avermelhado que apareceu no fundo. Para um fantasma perturbador, nada melhor do que um vermelho “infernal”.

Infernais também eram as condições da cena: ISO 800, f/2.8 e 1/30 s de obturador. Extremos, extremos…

Hora de fazer alguns truques:

Algumas vezes eu gosto de pensar que o flash pode ser usado como uma lanterna, iluminando somente o que é necessário e deixando espaço para que a imaginação de quem vê a foto corra solta.

A maioria dos flashes atuais permite que se controle o tamanho do facho de luz, mas daquela distância mesmo se colocasse a cabeça do flash em 105 mm eu iria iluminar mais do eu precisava. Hora de “estrangular” o SB.

No post passado comentei sobre como um cinefoil pode ser usado para limitar o alcance da iluminação. Por ser dobrável, resistente e leve, cabe facilmente em qualquer canto do colete ou da bolsa.flash cinefoil

Basta envolver a cabeça do flash com o cinefoil e travar com um elástico. O tamanho da folha vai determinar o tamanho do snoot e pode se ajustar o diâmetro da “boca” com as mãos, variando o tamanho da área iluminada. Não tem um cinefoil por perto? Sem problemas: uma cartolina, um papelão fazem o mesmo efeito.

Um dos retratos tinha sido feito, faltava mais alguns, mas o “clima” para a sequência de fotos estava determinado.

Hermilla Guedes interpreta Selma, uma das agentes da força tarefa.  Enquanto o equipamento era transferido para outro ponto da gravação, ela esperava perto de um carro cenográfico da polícia. Ambiente ideal para a foto.

Hermilla Guedes

Ainda com o flash envolto no cinefoil, pedi que ela ficasse perto do carro, aproveitando a luz que vinha do farol para iluminar parte da calça e jogando luz apenas sobre seu rosto, evitando que sombras ou parte da luz refletissem no carro e no vidro.

A luz da polícia em cima do carro atrapalha alguma coisa? Eu acho que não, mas tem sempre alguém que te pede aquilo que você achou que não precisava fazer.Hermilla Guedes, sem luz

Na dúvida, faça uma segunda opção…

Um tripé com um refletor ajudava a fazer o contraluz na cabeça da atriz.

Quando fazemos retratos para divulgação, é importante garantir enquadramentos verticais e horizontais, não sabemos como será a diagramação da matéria. O horizontal eu já tinha, faltava o vertical.

Não tinha outro contraluz para aproveitar, só pedi que ela andasse um pouco para trás e tirei o carro do quadro. O resultado está aqui:

Hermilla vertical

O tom verde vindo do refletor combinava com o figurino em tons cinzas que ela usava. Pronto, era só disparar!!

A função mais básica do flash é diminuir o contraste de uma foto. Em alguns casos, criar contraste pode ajudar a chamar atenção para pontos interessantes na sua imagem.

“Não”, “Nunca” e “Sempre” não precisam andar na sua bolsa…o importante é se divertir.

Fico por aqui…boa sorte!

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