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5 mulheres, 4 cães, 2 dias, 1 capa 65

Era uma quarta feira de Fevereiro, dia 24, eu voltava para a sala da redação após terminar as pautas e dei de cara com a Roberta, assessora de Viver a Vida, vindo em minha direção. Mal abri a porta de vidro e ela disparou:

Renato, precisamos fazer uma foto para a capa do canal Extra com 5 atrizes de idades diferentes em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.”

Quando ela disse “capa” o cansaço desapareceu:  “ok, quando?”

Com toda a calma do mundo ela respondeu: ” Na quinta-feira a Lica Oliveira grava no estúdio J, na sexta pela manhã a Lilia Cabral estará junto com a Paloma Bernardi no estúdio A e de tarde a Giovanna Antonelli faz algumas cenas com a Clara Castanho no estúdio F. Clica 3 vezes e juntamos tudo depois. Tenho que mandar as fotos na própria sexta, você consegue montar uma luz móvel que aproveite o tempo entre as cenas?”

O cansaço voltou bem rapidamente ao me imaginar voando com quilos de equipamento durante dois dias pelos corredores dos estúdios, mas uma violenta mordida na altura do meu rim me trouxe de volta à Terra: cães luminosos! Um deles estava repousando na câmera que trazia pendurada no ombro. Ouviu toda a conversa. Só que dessa vez eu iria precisar da ajuda de uma pequena matilha.

O olhar esbugalhado do SB-900 que mordia a minha pele me dizia que eles estavam loucos para entrar em ação. Naquela noite eu dormi com 4 cães na minha cama, todos carregados e muito bem intencionados…

Na quinta feira à tarde eu montei um fundo branco nos corredores do estúdio J enquanto esperava o término da gravação da atriz Lica Oliveira. Eu gosto de pensar que uma fotografia é uma seqüência de escolhas corretas, faça uma diferente e a imagem que havia na sua cabeça desaparece. A primeira escolha que fiz foi determinar a qualidade da luz para aqueles retratos. Uma vez determinada, ela deveria se manter constante em todos os outros cliques já que todas as fotos seriam montadas em uma só imagem e luzes diferentes iriam denunciar a montagem. Como fotografava mulheres de 10 aos 50 anos, optei por uma luz suave em toda a foto. Posicionei 2 SB-800 adaptados em grandes soft-boxes de 120 cm x 90 cm a 45 graus da atriz.  Esse arranjo de luz pode deixar a foto totalmente sem graça se os dois flashes dispararem na mesma potência, uma forma perfeita de se fotografar um quadro, por exemplo, mas eu ainda queria sombras no corpo da Lica para dar uma sensação de volume, logo, um dos flashes disparava na carga correta e o outro 1 ponto abaixo, só para “abrir” as sombras. Na foto abaixo, o SB na esquerda dispara a 1/2 carga e o da direita em 1/4.

D200 em ISO 100, f/5.6 - 1/250s

Dois SBs ainda rosnavam na bolsa loucos para iluminar aquele fundo, mas como a foto seria recortada (não por mim, rsrrs), acabei deixando-os quietos.

Como eu ainda não sabia qual posicionamento daria aos flashes nas fotos das outras atrizes, cliquei mais algumas vezes a Lica com o esquema invertido, o da direita agora disparava em 1/2 carga e o da esquerda em 1/4, garantindo fotos com sombras na mesma direção qualquer que fosse o arranjo nas outras fotos (o que não adiantou muito como veremos logo no final).  Por questão de praticidade e espaço eu colocarei aqui as fotos que foram escolhidas pelo jornal para montar a capa. Eu fiz uma pequena edição não muito criteriosa para aumentar as chances de sucesso da montagem, mas sinto uma falta danada do braço direito da atriz na foto escolhida…

Abaixo um pequeno vídeo mostrando o esquema e alguns cliques da sessão, espero que gostem, porque ainda estou levando uma”pequena surra” do IMovie:

Fim da primeira sessão, hora de pensar no segundo dia: Como teria que juntar 5 mulheres de alturas completamente diferentes e uma delas ainda era uma criança,  pensei em acomodar as duplas seguintes de atrizes em um sofá que mantemos na sala de imprensa. Haveria espaço para dividir as atrizes em áreas específicas (facilitando a união das fotos) e ainda deixaria um pedaço vazio para o logotipo do suplemento do jornal. Como a Lica fora fotografada em pé poderia entrar atrás do sofá, deixando margens para possíveis ajustes posteriores.

Montei o sofá na diagonal para facilitar a penetração da luz e evitar que uma atriz produzisse sombra na outra e posicionei 2 flashes, um SB-600 em REMOTE e outro SB-80 DX (que não participa do sistema CLS da Nikon, mas dispara em conjunto graças a uma fotocélula embutida) bem próximos ao painel bordô escolhido como fundo da foto.

Corri nos estúdios A e F e comentei com as atrizes que já estava com tudo pronto para as fotos, assim que elas terminassem a gravação poderiam me encontrar lá pronto para clicar. Eu e os cães! os mesmos SBs-800 do dia anterior já estavam em seus tripés com os softboxes. A mesma configuração do dia anterior: ASA 100, f/5.6 e 1/2 carga em um e 1/4 da carga em outro. Como a posição em que ficariam não iria mudar, não precisaria remanejar o esquema de luz.

Lilia Cabral e Paloma Bernardi foram as primeiras a aparecer, coloquei uma delas sentada e outra por trás do sofá, usando o recosto como banco de apoio. A foto escolhida pelo jornal foi essa:

Lilia Cabral e Paloma Bernardi

Tudo estaria certo se não fosse por um detalhe: ao pressionar o braço contra o corpo e jogar todo o peso em cima da mão esquerda, um volume nada agradável se formou na altura do tríceps da Paloma. Sim, há o “Liquify” no Photoshop, mas porque não corrigir tudo na hora do clique com um simples pedido: “Paloma, descansa o peso no outro lado do corpo, por favor?”

E aqui fica uma pergunta óbvia: “Se eu notei a imperfeição, porque enviei a foto?” Tsc..tsc..tsc…A Lei de Murphy já é implacável e você ainda dá um mole desses…

Bom, faltava  a Giovanna Antonelli e a Clara Castanho e  sobrava o lado direito do sofá, adivinha onde elas ficaram:

Giovanna Antonelli e Clara Castanho

Bem…e após um furioso tratamento no Photoshop (reclamações com o jornal, por favor), a capa ficou pronta:

Ponto para os cães!! Novamente! E se você chegou até aqui e ficou com vontade de fazer o mesmo com os seus SBs não perca a oportunidade de participar do Workshop de Flash que acontecerá nos dias 24/25 Abril, aqui no Rio.

Corra! Ainda há vagas, mais informações aqui.

Abraços

Boa Luz e Boa Sorte!

Uma capa em 15 minutos. 81

Eu estava pedindo meu almoço na praça de alimentação do Projac quando, ao olhar para trás, reparei que a Adriana segurava um rádio e sorria estranhamente para mim:

“Que bom te encontrar Renato, preciso de uma foto para a capa do CD de Viver a Vida até amanhã às 14 horas…”

Adeus, almoço!  Perguntei como o Jayme queria a foto e com um clique no rádio eu ouvi a resposta dele:

Solar!”

Enquanto caminhava em direção ao estúdio A, o SB-800 arfava no meu peito, mas dessa vez iria precisar de uma ajuda do arsenal luminoso dentro dos estúdios de gravação.

Para a minha tranquilidade o cenário montado simulava uma pousada em Búzios. A associação foi imediata: pousada, Búzios, praias, sol…”SOLAR”! Tinha encontrado o ambiente certo para as fotos!

Enquanto procurava o fundo ideal, acertava com o iluminador do estúdio todos os detalhes da foto. Tudo estranhamente se encaixava: A Taís Araújo chegaria no dia seguinte às 11 h, tinha uma hora para maquiagem, cabelo,  figurino e de meio dia a uma da tarde eu clicaria a capa, liberando o estúdio para as gravações. Perfeito!

Mas para sobreviver no mundo da TV, você deve esperar pelo inesperado!

Quando entrei no estúdio na manhã seguinte, em vez de uma solar pousada em Búzios, encontro um frio hotel no Rio, tão gelado quanto a minha cara de espanto. Uma alteração de última hora havia mudado o roteiro de gravação e me colocado em maus lençóis…Procurei pela Taís e ela já estava praticamente pronta e eu ainda sem lugar para fotografar. Pensei em fazer a foto no nosso estúdio fotográfico, mas outro fotógrafo estava lá, corri para fora do prédio e dei de cara com o SB deitado embaixo de uma árvore, se protegendo do sol escaldante do verão carioca. Ele sorria descaradamente para mim, quase dizendo “eu te avisei, né?”

A árvore onde ele estava proporcionava uma grande área de sombra, bloqueando a luz dura do Sol do meio-dia e garantindo uma iluminação indireta e suave vinda de todos os lados e ainda poupava alguns litros de suor da Taís.

Embora confortável, aquele ambiente era uma sinuca de bico fotográfica: fotometre na sombra e ganhe um fundo estourado, fotometre o fundo e veja uma silhueta de Taís na capa de um CD…

Procure por uma exposição intermediária e o resultado pode ser conferido abaixo:

Taís Araújo

D200, ISO 100, f/5.6 e 1/80 s, o mundo é visto por uma 70-200 f/2.8

É a luz que excita sua vista, a leve explosão luminosa atrás da atriz ganha a guerra pela atenção dos seus olhos, mas você quer exatamente o oposto. A Taís está lá, mas perde para um arbusto em chamas.

Há 2 soluções aqui: diminuir a intensidade luminosa do fundo ou despejar mais luz na área de sombra. “Mais luz” foi a senha para o SB pular para um tripé Manfrotto.

D200, ISO 100, f/5.6 e 1/80 s, ainda com a 70-200

Câmera, lente, distância focal, abertura, obturador e a pose e enquadramento são os mesmos nas duas imagens e ainda assim, elas são completamente diferentes. É a luz fazendo seu trabalho (e como amo esse trabalho…rsrsr).

A segunda imagem mostra o volume do corpo e cabelo, a textura da pele e do vestido, destaca a atriz do fundo e ainda confere um brilho nos olhos dela. Coitado do arbusto em chamas…

Durante o workshop de flash eu comentei que havia feito essa foto com 2 SBs, mas o hábito me levou a um erro: a luz principal é um flash Atek a bateria, um Shine 500, montado em uma sombrinha branca difusora. Ele foi posicionado logo a minha direita, bem no eixo do rosto da Taís. Nosso fotógrafo paulista Zé Paulo Cardeal está agachado abaixo do quadro segurando um rebatedor prata para diminuir as sombras no pescoço.

O SB-800 (Com um gel 1/2 CTO) está lá atrás, funcionando como uma contraluz e sendo disparado pelo Atek. Esse é outro trunfo dos SB’s: no modo SU-4, eles podem ser disparados por qualquer outro flash, desde a mais simples Cybershot da vida até o mais poderoso flash de estúdio. Qualquer flash, de qualquer marca. Os cães não te abandonam!

Nikon SU-4

o SU-4 da Nikon é, na verdade, um disparador remoto (vendido separadamente) que pode ser usado em alguns flashes e câmeras antigas da marca, mas tanto o SB-800 como o 900 têm um módulo desses embutido.

PARA PROGRAMAR O MODO SU-4 NO SB-800:

página de configuração do SB-800

1-Com o flash no modo normal de operação, mantenha apertado o botão central “SEL” por aprox. 3 seg. O SB entra na página de configuração, na esquerda do painel há 2 colunas com ícones de função, procure pelo ícone que mostra um “raio” entrando e saindo de um flash.

2-Com o ícone selecionado, pressione “SEL” por 1 seg. Use os botões “+” e “-” para navegar entre as opções a sua direita: OFF, MASTER, MASTER RPT, REMOTE E SU-4. Escolha o SU-4 e aperte novamente o “SEL” por mais 3 seg para ativar a escolha.

3-Nesse modo, use o botão “MODE” para alternar entre o modo AUTO e o MANUAL.

No modo AUTO, o flash calcula a potência correta baseado no disparo da unidade master. Funciona bem na maioria dos casos, mas eu prefiro deixar as coisas sob o meu controle, escolhendo sempre o modo MANUAL. Através das teclas “+’e “-” consegue-se mudar a potência do SB, o correto é usar um fotômetro para calcular a carga correta, mas no caso da foto acima, a pressa me fez confiar nos meus olhos e no LCD da câmera tanto para ajustar a potência do SB quanto a do Atek.

Uma dica: o que eu fiz foi uma estupidez. Use o fotômetro sempre e se afaste de quem diz que as digitais tornaram o uso desse equipamento dispensável. Confie nele, em um ambiente ensolarado como aquele é fácil ser confundido pelo LCD da câmera. Um fotômetro simples e barato é melhor que nenhum fotômetro. Compre um e mantenha-o sempre consigo.

PARA PROGRAMAR O MODO SU-4 NO SB-900:

SB-900 EM SU-4

1- Pressione o botão “OK” por 2 segundos, a página de configuração aparece.

2- Gire o “dial” até o quarto ícone, SU-4.

3- Aperte “ok” e selecione “ON” para ativar a função. Confirme com o botão “ok” novamente.

4-Aperte em “EXIT” na esquerda do painel.

Note que o flash volta a operação normal, mas ao mexer a alavanca a direita para o modo “REMOTE”, é o modo SU-4 que aparece.

Pronto, as portas da versatilidade foram abertas!

Depois de todos os ajustes necessários, cliquei o máximo que pude, gravei um DVD com as fotos em RAW e entreguei para o motoboy que já me esperava na portaria.

Depois de um tratamento básico no Photoshop (não feito por mim) e uma fusão de imagens no fundo, a capa ficou pronta:

Capa do CD Viver a Vida

Agora no trabalho temos a chance de filmar eventos interessantes graças à aquisição de um Nokia N85, um celular capaz de fazer vídeos em VGA com uma qualidade mais do que aceitável. Se você achava o trabalho fotográfico complicado depois do advento das digitais, imagine agora com a possibilidade de gravar e fotografar com o mesmo equipamento e com mídias que aceitam essa revolução. É melhor se preparar, pois nosso ofício acaba de entrar em uma nova fase: tudo ao mesmo tempo agora!!

Um pequeno vídeo da sessão fotográfica pode ser visto abaixo:

ou em caso de pane geral, clique aqui para ver o video na página da Rede Globo.

Eu estava com saudades disso aqui, desculpem pelo sumiço! A vida voltou ao normal!

Ponto para os cães! Sempre!

Boa sorte em 2010. Verdade e Coragem para todos!

abraços

Jogando um cão na parede! 12

Uma boa dica para ampliar as possibilidades de divulgação durante uma viagem, é tentar produzir fotos “neutras”, que não façam referência ao local onde a novela está sendo gravada. Fotos com Paris ao fundo acabam sendo usadas em reportagens sobre as gravações em Paris.É um tanto estranho, mas aos poucos você se acostuma com o fato de ter que produzir boas fotos com prazo de validade bem curto. As imagens também envelhecem…

Uma das gravações acontecia nas margens do Sena, na ponte onde o músico do último vídeo toca o seu saxofone.

José Mayer e TaísPara alcançá-la era necessário passar por uma passagem subterrânea baixa e estreita, toda feita de blocos bem claros de concreto. Eu não sabia, mas eles seriam os rebatedores mais pesados que já utilizei.

Eu fotografava o ensaio de dentro da passagem, em cima de uma caixa de madeira, com uma teleobjetiva fechada nos atores. Virei-me para trocar a lente e me deparei com a imagem abaixo:

escada

Da forma como estava iluminada, a escada que dava acesso à passagem formava um padrão de listras muito interessante. Olhei para o figurino do José Mayer e pensei: “Hummm, que tal juntar tudo isso?”

Problema: o interior daquele pequeno túnel era completamente escuro…

Solução: ouvir os latidos dos cães…rsrsrs

Os atores teriam que passar por onde eu estava, então, pedi que nossa assessora Roberta segurasse um SB-800 para mim, já programado no modo REMOTE.

Como a foto teria que ser rápida, não poderia usar tripé nem a sombrinha, mas não queria uma luz dura iluminando o rosto de ninguém.

Enquanto o José Mayer caminhava de volta em direção à escada, ajustei o flash embutido da D200 para commander mode, programei o SB para funcionar em TTL mesmo, com um aumento de potência de +1 ponto.

-“Zé, posso fazer um retrato seu aqui mesmo? Coisa rápida!”

-“Claro!”

Eu não tinha total certeza de que aqulo iria funcionar, mas não custava tentar. Pedi que a Roberta girasse a cabeça do flash na diração da quina entre o teto e a parede da passagem e disparei, rezando para que ninguém descesse a escada naquele momento e que o aumento da carga fosse suficiente para compensar a perda de luz rebatida.

Uma olhada no monitor da câmera mostrou que Alguém Lá em Cima me atendeu:

José Mayer

Ponto para os cães!

Fico por aqui, boa sorte!!

Eles viraram poliglotas… 24

jul20

O vídeo deste post encerra as produções feitas durante a viagem de gravação da novela Viver a Vida. Falta colocar um ou dois posts comentando sobre uns retratos feitos com os cães, mas isso é rapidinho.

Agora já estou tentando produzir um novo material com as cenas feitas aqui nos Lençóis, o pouco que já consegui está bem legal, tem até carro debaixo d´água e manguezal com mais de 10 metros de altura. Eta, país porreta!!

Mais alguns dias e já tem coisa nova por aqui.

Algumas observações sobre o vídeo:

ele começa sem som mesmo…

É um tango eletrônico que ambienta as fotos, de um grupo argentino muito bom: Bajo Fondo.

Por que eu escolhi um tango se as cenas se passam em Paris?

Bom, Pierre, nosso motorista, me disse certa vez que adorava passar um tempo em Buenos Aires porque se sentia em casa: arquitetura parecida, bons vinhos, ótima comida e lindas mulheres.

-Você já esteve no Rio, Pierre?

Ele fez biquinho e disse: “No,no”.

Tadinho do francês…

Bom, deixando a brincadeira de lado:

-na cena com a Alinne Moraes na cadeira de rodas, é praticamente impossível perceber que existe um castelo atrás do lago, sua máquina fotográfica tem o mesmo problema: não consegue registrar uma variação tão grande de luz. Com os flashes eu coloco a luz natural onde quiser, é só variar a velocidade do obturador. Ponto para os cães!

-Olhe novamente revistas como a Caras e Contigo! e observe que a foto que abre a matéria SEMPRE tem o retratado no lado direito. Você vira a página e já dá de cara com a informação que precisa.

A Taís Araújo está no lado esquerdo da foto nos Jardins de Monet, mas um “flip” no photoshop resolve o problema.

Não dá para ver, mas sem o flash os jardins desapareceriam em uma superexposição. Os cães levam vantagem, de novo.

-Não perca tempo tentando aprender sobre posicionamento de luz em filmes ou séries de TV. Para mostrar o que acontece no meio da sessão, o diretor se vê obrigado a afastar as luzes das modelos, o que faz com que uma mega sombrinha de alguns milhares de euros da Broncolor acabe iluminando as costas da Taís Araújo.

Afaste a luz e troque potência por abrangência, iluminando o fundo de suas fotos. Quanto mais perto da modelo, mais controle você tem, é uma consequência da lei do inverso do quadrado, I=1/d2 (eu sei,eu sei..estou devendo um post sobre isso…)

-Mesmo com a mega sombrinha e uma modelo como a Taís, às vezes não dá tempo…vire-se com o que você tem disponível.

Nas fotos com a Taís e a torre Eiffel:

Eu recebi uma pergunta interessante no primeiro post sobre as gravações: “Como é o relacionamento em uma viagem quando outro fotógrafo divide o espaço com você?”

Resposta: estamos todos no mesmo barco, na sessão de fotos, eu recebo um auxílio luxuoso de Fernando Torquatto, ele é quem segura um dos cães para mim.

Veja novamente o vídeo e observe que quando a câmera mostra só a Torre Eiffel, o azul do céu aparece muito bem, enquanto ela viaja para mostrar a Taís Araújo em uma área de sombra, uma superexposição detona o céu.

Só um flash devolve o azul para você, no tom e intensidade que escolher. Ponto para os cães, novamente.

Na foto do José Mayer e Taís Araújo:

Você será obrigado a fazer alguns “bonecos”: fotos dos atores olhando para a câmera como se fossem os personagens.

Enquanto isso não acontece, momentos de descontração e sorrisos genuínos passam rapidamente pela sua frente. Fique atento!

-Um vestido vermelho…uma atriz…um flash…a figurinista também está sorrindo.É contagiante…

-Fale com o fotografado. Ele não tem idéia do que você está fazendo. Nas fotos com o José Mayer, eu peço que ele movimente o rosto na direção da luz e ele pergunta: “É só o rosto, né?”

Não era…e uma mão fora do lugar pode arruinar a foto.

-Mesmo com os cães rosnando na bolsa, não substime a luz natural.

Fico por aqui, espero que tenham gostado. Boa sorte!!

Correndo soltos no deserto… 32

jun27

Preciso agradecer a todos que escreveram, elogiaram e comentaram o primeiro vídeo do blog, sinceramente não imaginava que teria uma repercussão tão boa. O número de visitantes mais que quadruplicou e não tive como responder a todo mundo, faltou tempo e sobrou cansaço, até o pessoal da Nikon Brasil está gostando…mas aproveito esse post para dizer do fundo do coração: obrigado!! Vocês não tem idéia de como fico empolgado, a cabeça está pirando com tantas idéias!

Depois de alguns dias em Petra, fomos gravar novas cenas da novela bem no meio de um vale desértico no sudoeste da Jordânia, o Wadi Rum, cenário de filmes como Lawrence da Arábia, Planeta Vermelho e Transformers. Não há melhor comparação a se fazer: em menos de uma hora de viagem pisávamos na superfície de Marte, mas com o Sol de Mercúrio torrando as nossas cabeças. Acho engraçado ver, no novo vídeo, guarda-chuvas andando para lá e para cá e uma bandeira preta de iluminação sendo disputada por 4 dos integrantes da equipe.

Novo cenário, novos figurinos, logo, novas fotos.

O vídeo desse post mostra 2 dias de gravação no deserto, só que desta vez, não havia a menor chance de montar os tripés Nano 001b e, muito menos, colocar as sombrinhas translúcidas na cabeça adaptadora da Manfrotto.

O motivo é simples: apesar da excelente qualidade, durabilidade e leveza do conjunto, uma simples brisa transforma as sombrinhas em grandes velas que podem espatifar um SB no chão, e ver um “cão” aos pedaços no início da viagem não era uma decisão sensata.

Carregar na mochila 3 quilos de chumbo como contrapeso também não…rsrsrs.

A solução foi pedir que uma alma caridosa segurasse os flashes para mim, tarefa que foi muito bem executada pela minha “flash holder” oficial, Val, produtora do Video Show (Obrigado, Val!).

Novamente eu me encontrava lutando contra um adversário poderoso, o Sol jordaniano, mas se em Petra eles deram conta do recado, no deserto, sem as sombrinhas, eles voltavam a ter vantagem.

A velocidade do obturador foi a mesma do post anterior, 1/250 seg, mantendo toda a potência dos flashinhos. Encontrei a abertura da lente (variou de f/10 a f/14) dando uma ligeira subexposição de 1 ponto, para que o azul do céu ficasse um pouco mais escuro que o normal e programei os SBs para funcionar em TTL no modo remote.

Mesmo sob o sol intenso e, como no caso da foto da Taís Araújo no topo do monte, a uma distância razoável do assunto fotografado, o flash embutido da D200 disparou os remotes sem falha alguma.

A cada dia que passa eu me espanto com o que esse sistema pode fazer: simples de usar e confiável ao extremo.

Nas fotos do post anterior, em Petra, o sol foi colocado como contraluz e os flashes eram a luz principal. Agora, nesse novo vídeo, eles também funcionam como uma luz lateral, ajudando a recortar os atores do fundo e preencher as sombras provocadas pelo sol.

Espero que vocês curtam e qualquer dúvida é só escrever, a viagem está próxima do fim, a rotina voltará ao normal, mas ainda tem uma nova parada e um outro vídeo, desta vez em Paris!

Boa sorte e muito obrigado!

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