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Da Noite para o Dia 28

Vou demorar mais tempo para escrever esse artigo que fazer a foto que o originou, mas vamos lá, eu estava com saudades de escrever aqui!

Passei o dia de Domingo, 14 de abril, testando as possbilidades do estúdio que estou montando no Criadouro, chamei a minha equipe, a modelo Luana Nasck e montamos algumas situações interessantes de foto.

A casa tem janelões e portas amplas, proporcionando uma iluminação natural muito boa, com o sol que faz aqui no Rio de Janeiro a chance de se ter boa luz é quase certa. Quase.

Naquele domingo, chovia canivetes.

A luz caiu rapidamente e uma das produções pedia um dia ensolarado entrando pelas janelas: uma pin-up estilizada fotografada na chuva e quase sem luz não pegava bem.

Já estava escuro quando a Luana ficou pronta e se você é daqueles românticos que adora dizer que só fotografa com iluminação natural, teria que se contentar com isso:

corredor sem flash

ISO 6.400, f/4@1/100s

 

Sensacional né? Câmera em ISO 6.400, objetiva em f/4 e velocidade de obturador em 1/100s.

Por mais que o algoritmo anti-ruído de sua câmera seja eficiente, a imagem já surge degradada.

Ah, claro! Você pode rebater o flash, tanta parede e teto brancos devem ajudar:

ISO 6.400, f/4@1/100s

Sábia decisão: clarear ainda mais algo que já estava ruim, a exposiçao não mudou nada, o flash só realçou detalhes que se queria esconder e a qualidade da imagem continua na sarjeta.

Você começa a empacotar as coisas e pede uma pizza de presunto para apaziguar os ânimos do pessoal e de repente dois latidos ecoam no corredor:  são dois SB-800 carregando filtros CTO voando escada abaixo!!

Bons garotos! A pizza vai ficar para depois..

Um deles foi correndo para fora da porta, exatamente onde a tampa do ar condicionado foi estrategicamente retirada ( para que radio-flashes, não é mesmo? rs).

O próximo passo foi aniquilar a iluminação local, reduzindo a sensibilidade do sensor para ISO 100, mantendo o f/4 e usando uma velocidade de 1/250s.

Por que essa exposição? Porque eu quero, não dependo mais da iluminação local, posso escolher onde, quanto e como usar a iluminação que eu quiser.

Programei esse flash para REMOTE no canal 1 e no grupo A, coloquei uma sombrinha difusora e ajustei o commander mode da D800 para TTL, o resultado é esse:

ISO 100, f/4@1/250, flash remoto fora da porta

Opa! As coisas começaram a mudar, para melhor, mas eu ainda queria um tom mais quente na foto, então coloquei um gel CTO – aquele filtro laranja que acompanha o seu flash – para reduzir a temperatura de cor do flash (para entender de uma vez por todas o que é White Balance, clique aqui)

Veja a diferença no resultado:

ISO 100, f/4@1/250s, flash fora com CTO

 

Estamos chegando lá! Agora tinha o tom que queria na imagem, resolvi colocar outro SB-800 com o mesmo CTO na parte de cima da escada, funcionando como um contra-luz para a Luana, no mesmo grupo A e canal 1, ambos funcionando em TTL. O resultado final pode ser visto abaixo:

E aí São Pedro, tudo bem?

Não se esqueça: eram 8 horas da noite, um breu total e chovia muito lá fora, apenas dois flashes fora de fabricação e com sombrinhas de R$ 50 foram usadas na foto.

Eu sei que te fizeram acreditar que fotos boas só são possíveis em horas mágicas e com acessórios caríssimos, mas isso não é verdade, você já nasceu com o melhor equipamento. Use-o!

P.S: como os flashes já estavam prontos, a pizza ficou fria..rsr, veja o que rolou mais tarde:

Luana no Criadouro, ISO 100, f/4@ 1/250s

 

Luana no Criadouro, 4 Sbs

Mande um email para renatorochamiranda@gmail.com e venha fazer sua foto conosco! Estou te esperando!

Boa Luz e Boa Sorte!

Número-Guia (NG): o mito 47

A situação é sempre a mesma em qualquer local que eu vá: o fotógrafo com seu flash portátil reclamando de que precisa de um equipamento mais “potente” para ser usado em externas durante o dia.

“Que vença o Sol, Renato, que tenha um Número-Guia grande…”.

Quando eu pergunto qual a razão para querer um valor muito alto, invariavelmente vem a gracinha: “isso é papo de quem tem número-guia pequeno, cara”

Brincadeiras à parte, a questão é quase fálica mesmo, mais uma das ingratas consequências da associação da sensação de potência com um valor cujo significado passa longe disso, como se o fotógrafo se tornasse um super-homem quando comprasse uma “Big Light”.

Na verdade, dependendo da situação, ele pode até ficar limitado. Espero que as duas situações descritas abaixo e as quatro perguntas decorrentes ajudem a entender melhor esse conceito.

Acompanhe o raciocínio:

 

2 flashes de NG diferentes situados a mesma distância da “modelo”

Eu estou dentro de um estúdio e quero fazer um retrato usando apenas um flash, na esquerda da foto eu tenho um Zulmman Exo Power Mega Omni Ultra Higher Light Package Mini 2e, cujo Número Guia chega a inacreditáveis “200″ enquanto que na direita da foto está o seu flash portátil, um pequeno e versátil “cão”, de número-guia de apenas “40″. Trocando em miúdos: o Zulmman é 5 vezes mais “potente” que o seu flash portátil, correto?

Ambos estão posicionados a 2 metros da nossa modelo tailandesa chamada Linda. OPS!

“MOMENTO Tymothy Wilson: FOTÓGRAFO ROMÂNTICO E LEVEMENTE RETARDADO”

Oi Turminha! eu estou nesse estúdio lindo fazendo lindas fotos da nossa linda modelo chamada Linda! Que incrível! eu não entendo como ninguém teve a idéia de fazer uma sessão fofa de fotos com uma linda modelo chamada Linda! Seria uma linda concidência, não é mesmo?

A Linda me disse que está muito satisfeita de fotografar aqui no Brasil, ela acompanha inúmeros fotógrafos pelo Facebook e se impressiona como nenhum deles fotografa pessoas chatas, noivas esquizôfrênicas, crianças inquietas, grávidas inseguras. Todos são abençoados nessa terra!

Vou pegar minha camisa Abercrombie & Fitch na lavanderia e volto logo, posto uma foto no Instagram quando chegar lá, tá? Bjs grandes

“FIM DO MOMENTO Tymothy Wilson: FOTÓGRAFO ROMÂNTICO E LEVEMENTE RETARDADO

Bom, como eu ia dizendo, os flashes estão posicionados a 2 metros da modelo e a câmera está ajustada ( ISO 100) para 1/250s em f/5.6.

PERGUNTA 1:

Qual deve ser a quantidade de energia ( não a carga) que o Zulmman 200 deve disparar na cena para expor corretamente a foto para a abertura dada?

A- 5 vezes menor que o flash portátil

B- 35 vezes maior ( 200/5.6)

C- rigorosamente a mesma que o flash portátil

 

Reflita bem e vamos para a segunda situação:

Se um Número Guia alto já mexe com os brios de um fotógrafo, imagine quando ele descobre que pode “overpower the Sun” com o flash!

Para quem não sabe, o significado de “overpower” é:  subdue by force, ou em bom português: subjugar pela força.

Que super-homem que nada, você agora é um Deus!!

Graças ao flash adquire-se o poder de diminuir ou eliminar a presença da luz natural e você não fica mais surpreso ao assistir no Youtube fotógrafos americanos ou europeus com seus caríssimos flashes de estúdio subexpondo a luz natural vinda quase do Círculo Polar Ártico.

É um tanto irônico que eles chamem aquela bola amarela tênue que corre deitada no horizonte de “Sun” e colocar o flash às 6 da tarde a 50 cm do rosto das modelos de “overpower”.

Vá ao meio dia para a Linha do Equador e descubra o que é “Sun” e o trabalho que ele dá para “subdue by force”.

E é exatamente essa a segunda situação: com a retirada do fundo, descobre-se que o estúdio fora montado em uma praia carioca ( é uma montagem grotesca, por favor, mas a idéia vale):

2 flashes na praia, f/8 e ISO 100

os flashes estão na mesma posição, 2 metros da modelo, a camera continua ajustada em ISO 100 e f/8 só que agora toda a potência do flash será usada para controlar aquela luz do fundo, produzindo uma imagem parecida com essa:

PERGUNTA 2:

Qual deve ser a quantidade de energia ( não a carga) que o Zulmman 200 deve disparar na cena para expor corretamente a foto para a abertura dada ?

A- 5 vezes menor que o flash portátil

B- 35 vezes maior ( 200/5.6)

C- rigorosamente a mesma que o flash portátil

PERGUNTA 3:

Qual deve ser o ajuste de energia para sub ou superexpor o fundo?

A- 1 ponto a mais

B- 1 ponto a menos

C- acho que a potência do meu flash não interfere no fundo…

Essas são situações que confundem muito a cabeça dos fotógrafos iniciantes e acho que se você pensou corretamente já deve estar se fazendo a inevitável…

…PERGUNTA 4:

Qual é uma das grandes vantagens de se ter uma “Big Light”? Por que eu preciso de um flash com NG bem alto?

 

Comentários são mais do que bem-vindos, espero que possamos debater Fotografia e não equipamento ou marcas, ando um pouco farto disso tudo, acredito mesmo que:

VOC6E JÁ NASCEU COM O MELHOR DOS EQUIPAMENTOS, APRENDA A USÁ-LO A SEU FAVOR!

Só lembrando:

agora em Setembro tem Workshop I LOVE MY JOB em São Paulo (22/23), no estúdio de um dos melhores fotógrafos do país: Gal Oppido. Não perca essa oportunidade!

Deixe seu comentário e quem gostou compartilhe!

abraços!

Boa luz e Boa sorte!

Isso É um fundo branco! 56

“Tá me achando com cara de Sandy?”

Foi assim que Cotta, Johnny Cotta, respondeu quando perguntei se poderia usá-lo como modelo para um novo post.  “Mas a luz é dura ou suave?”

Pronto, eu já tinha o modelo!

A idéia é a seguinte: você precisa fazer um retrato e possui apenas um flash para iluminar a cena, todo aquele esquema pensado de múltiplas luzes vai para o fundo da gaveta porque não há muito “equipamento” disponível.

Melhor se acostumar com a luz dura, sombras densas, esquecer do fundo e ralar para comprar um jogo de luzes decente.

Johnny Cotta se afasta uns dois metros do fundo branco…(sim, o fundo é branco!) e a câmera é ajustada em ISO 100, f/5.6 @ 1/250s. Usando o próprio SB-900 eu calculei a potência em 1/8 da carga para uma distância do flash de 1,8 metro do João.

A foto resultante está abaixo:

f/5.6 @ 1/250s, ISO 100

Previsível não? Posicionado à esquerda da foto, inevitavelmente o flash produzirá sombras duras no outro lado da imagem e como o João está distante, o fundo acaba saindo cinza, apesar de a parede ser totalmente branca.

As sombras podem ser controladas com um rebatedor, posicionei uma folha grande de isopor à direita da foto para “abrir” aquelas sombras ( elas não me incomodam, mas..), a nova foto fica assim:

f/5.6 @ 1/250s, ISO 100 (rebatedor à direita)

Ok..tudo indo bem..mas e o fundo? Como fazer aquele cinza “burro quando foge” virar branco com apenas um flash? Se ao menos eu tivesse mais dois “cães” para estourar naquela parede…Com mais equipamento eu seria um fotógrafo melhor…

Calma, tudo o que você precisa é usar a cabeça!

MOMENTO “TROCADILHO INFAME“:

A cabeça de efeito ou “grip head”

grip head e painel difusor

Um acessório poderoso e versátil, as grip heads são usadas no cinema, televisão e fotografia para fixação de scrims, bandeiras, braços extensores, booms e no caso da foto acima, uma armação de metal funcionando como um painel difusor. Por serem muito baratas vale a pena ter um punhado delas no seu arsenal pela precisão no controle e alteração da luz.

Esse tripé com o painel foi colocado entre o flash e o João e a luz que passava pelo material translúcido (um filtro difusor da Rosco, mas a frente destacável do seu softbox funciona também) perdia intensidade enquanto ganhava qualidade. A parte que vazava atingia o fundo da mesma forma que antes. Observe o resultado abaixo:

f/5.6 @ 1/250s, ISO 100, painel difusor

O fundo continua cinza, mas como não houve alteração em nenhum ajuste da câmera, o João está subexposto por cerca de 1,5 ponto que é a perda de luz causada pelo difusor. A única opção que resta é compensar essa perda abrindo 1,5 ponto na abertura, o que irá “levantar” tanto a exposição do João quanto a do fundo.

É exatamente o que eu quero!

Agora, observe a mesma imagem com a abertura já em f/3,5:

Fundo branco e luz difusa…você já nasceu com o melhor equipamento.

Boa Luz e Boa Sorte!

Uma Carta de Girodet 45

Eu andei afastado do blog por uns tempos por causa das viagens com o WS I LOVE MY JOB, mas já estava acumulando idéias para novos posts quando uma mexida na minha caixa de correspondência revelou uma surpresa e tanto.

Misturado entre contas a pagar, propagandas inúteis e imãs de geladeira, um envelope branco chamava a minha atenção, pensei se tratar de um convite para um encontro de Fotografia, mas o selo de postagem indicava uma procedência um tanto quanto longe: França.

A grafia do nome deixava dúvidas sobre o gênero do remetente, mas a caligrafia mostrava certa habilidade artística. O fato de ter me enviado uma carta sugeria que não era muito afeito à tecnologias, com certeza um “old school”.

Podia jurar que o nome fora escrito à pena, a impressão não era jato de tinta, nem laser, havia falhas entre os movimentos das letras.

Dava certa dó abrir aquele envelope. O nome do remetente? Anne-Louis Girodet de Roussy-Trioson.

Endymion Asleep

Em uma rápida apresentação Girodet me relatava que seu trabalho como retratista estava rendendo frutos, sua obra vinha sendo aclamada e que sua vontade de inovar o levava a testar novas possibilidades, entre elas o uso dos flashes portáteis: “Minhas janelas são enormes, Renato, mas aqui na França o Sol não aparece a toda hora”.

Havia acabado de comprar uma Nikon D90 e estava com dificuldades de entender o funcionamento de um SB-900 fora da câmera e pelo teor de suas dúvidas acredito que as respostas podem ser úteis para muita gente. “Quero dominar meus chiens, pardon! Meus “cães” como você diz por aí”.

Sem dúvida, Girodet era um homem muito gentil, merecia ser ajudado.

No interior do envelope havia um DVD com seu portfólio e suas imagens demonstravam uma aptidão fora do normal com o uso da luz, certamente a dificuldade estava na programação do flash porque aquele francês era um mestre no uso da luz natural. Disse-me que ficaria grato se eu usasse suas imagens para ilustrar o texto, talvez elas pudessem inspirar os leitores.

Realmente as fotos eram tão lindas que pareciam pinturas e o tratamento no Photoshop perfeito! (ironia mode: on)

Psyche Asleep

Deixemos Girodet explicar:

Fui tentar um exercício:

- usar meu SB900 como luz principal, simulando uma fotografia still

- quis fazer como se eu precisasse de um fundo preto e não tivesse

- usei duas imagens de barro de negras africanas, com uns 40cm de altura

- meu fundo é a parede branca de meu quarto e a base a mesa cinza clara de estudos: quero tudo preto e a luz apenas nas estatuetas

- minha D 90 com a 50mm 1.8 estava a 1 metro das imagens

- meus primeiros testes foram com o SB900 sobre a camera

- as imagens estavam a uns 40cm da parede

- tendo apenas a luz fluorescente no quarto, consegui uma imagem totalmente preta com f/8 a 1/200 ISO 200 (natural da D90)

- passei a tentar o SB em TTL, mas tudo levava a imagem simplesmente a ficar lindamente e COMPLETAMENTE iluminada

- fechei o zoom do SB pra 105mm e aí é que estourou TUDO mesmo

- trabalhei aumentando a velocidade de obturador e toda a imagem escurece (1/200 1/400 1/800)

- trabalhei fechando o diafragma e toda a imagem escurece (f8  f13  f22)

Pergunta:

a- eu estou querendo algo POSSíVEL?

b- devo faze-lo em TTL ou Manual?

c- fonte de luz perto ou longe do objeto?

d- o objeto deve estar quão longe (ou perto) da parede branca para eu conseguir uma parede preta com as figuras iluminadas?

e- porque eu estou variando a velocidade e as fotos tem ficado SUBexpostas, se a velocidade não interfere no flash?

Girodet, os “cães” estão te arrancando pedaços, cara!

Vou tentar reproduzir a sua cena aqui em casa, vejamos: uma estátua de negra africana ( safadeeeeeenhoo!!!) com 40 cm de altura afastada meio metro da parede, uma D200 com uma 50mm f/1.4  fará o papel da sua D90 a f/8 com 1/200 s de velocidade de obturador.

Coloquei tudo na mesa de café da cozinha, não tenho uma parede branca, mas como procura um fundo preto, acho que dará no mesmo. O resultado pode ser conferido na foto abaixo, ainda com a luz fluorescente da cozinha:

ISO 800, f/2.5 @ 1/80 s (sem flash)

Em ISO 200 com a abertura em F/8 e o obturador em 1/200 s a cena fica assim:

Black Piano…não tem jeito, o flash é necessário para mostrar a boneca novamente e aqui começa o martírio:  como iluminar e não clarear a cena?

Com o flash em TTL no topo da D200 colocada a 1 m como no seu teste o resultado é o seguinte:

f/8@1/200, ISO 200, flash no topo da D200 a 1 m da boneca

A boneca e o fundo completamente “clareados”, como você mesmo mencionou. Não culpe o “cão”, ele está fazendo o que é programado para fazer: despejar luz para te safar de uma enrascada luminosa, mas como está sendo disparado no eixo da lente e está no dobro da distância da boneca para a parede, acaba contaminando o fundo também.

No painel traseiro do LCD do SB-900 consta que nessa exposição e com a cabeça em 50 mm o alcance de iluminação do flash varia de menos de 60 cm até 5,8 m, quando se ajusta a cabeça de zoom para 105 mm como foi feito por você, o novo alcance é de 60 cm até 7,3 m.

Os dois ajustes (50mm e 105mm) estão dentro da posição de onde se dispara o flash (1m), ele é capaz de variar a potência e ajustar a carga para essa variação de zomm em TTL, observe o resultado da mesma foto feita com o SB em 105mm:

f/8 @ 1/200s, ISO 200, Flash em 105mm

Em TTL a foto não deveria superexpor porque o flash tem capacidade de regular a carga dentro da distância em que você se encontrava, o mesmo não acontece em Manual. Quando se fecha o zoom da cabeça do SB, mais luz é concentrada no mesmo ponto, se não houver ajuste da carga ou da abertura, a foto sai superexposta.

Por exemplo, há 1 metro da boneca com a cabeça em 50mm, a carga correta é aproximadamente 1/32.

Flash em manual, 1 m da boneca, cabeça em 50mm

Ah! pela primeira vez azulejos brancos que parecem brancos e não cinzas, mas isso é outra história….Fechada em 105mm e mantendo a distância de 1m a foto sai dessa forma:

Flash em 105mm a 1 m da boneca

a carga correta para essa distância seria de 1/64, como não houve redução a foto está superexposta por 1 ponto. Estou assumindo que o flash estava em manual a partir de agora, ok?

Você se pergunta porque a imagem escurece quando a velocidade do obturador é alterada, haja vista que ela não está presente na fórmula que controla o flash e cita valores como 1/200, 1/400, 1/800…

O problema é que sem saber você entrou no modo de Sincronismo em Alta Velocidade (Modo FP) que faz com que seu SB funcione além da velocidade de sincronismo (1/200 na D90). Nesse modo ele dispara pequenos pulsos de luz que vão acompanhando a fresta que se forma no obturador, fazendo com que ele perca potência de forma considerável.

Veja como a foto fica com a velocidade ajustada para 1/800 s:

Minha câmera está com a função Auto FP sempre ligada, tenho que prestar atenção constantemente no ajuste da velocidade do obturador para não ter problemas na hora do clique. Você está livre de antigos limites, mas deve ficar atento.

Sua próxima dúvida bate de frente com a fórmula que controla o flash: “trabalhei fechando o diafragma e toda a imagem escurece (f8  f13  f22)”

Sim, a imagem vai escurecer porque a distância do flash à boneca e  a carga não mudaram, mas a abertura foi fechada várias vezes, reduzindo a quantidade de energia luminosa que atingia o sensor.

Veja como fica a imagem com o flash em 1/32 da carga a 1 metro da boneca, 1/200 s e f/16 (o correto seria f/8):

F/16 em vez de f/8

e antes que os “cães” jogassem uma pá de cal nos seus sonhos veio a pergunta:

Eu estou querendo algo POSSíVEL? Devo faze-lo em TTL ou Manual? Fonte de luz perto ou longe do objeto?

Sim é possível, mas definitivamente deve-se soltar o flash do topo de sua câmera. Você quer controlar a distribuição de luz na sua foto e determinar a posição de onde ela é disparada é a melhor forma de se fazer isso.

vai catar coquinho né, Girodet?

Quanto mais afastada a luz estiver do assunto, maiores são as chances de contaminação do fundo (imaginando-se, claro, que haja um fundo próximo do motivo). É uma implicação direta da lei do Inverso do Quadrado da Distância (I= 1/d^2).

Como eu desejo um fundo totalmente escuro, devo aproximar a luz da boneca. Quanto? Ora, quem determinará isso será o tamanho do meu quadro.

Ao enquadrar a boneca verticalmente eu consigo aproximar bem o flash e usando qualquer direção de luz diferente do eixo da lente faço com que a iluminação não atinja a área do fundo que está sendo fotografada. É o fotógrafo controlando a luz da cena e não a espalhando indiscriminadamente pela foto.

Uma outra possibilidade para “forçar” a luz a não atingir o fundo é usar um modificador como uma colméia ou um snoot para controlar o tamanho do feixe de luz, na foto abaixo usei um cine-foil (ou uma cartolina preta) na cabeça do flash como bandeira. Veja o resultado:

Quando se trabalha em espaços pequenos o controle das áreas iluminadas é fundamental, nessa última foto até o disparo do “built-in” flash estava jogando luz no fundo, tive que colocar a mão na frente dele para evitar a “contaminação”.

Fico por aqui! Boa luz e Boa Sorte!

e siga o @i_lovemyjob no twitter para surpresas em breve!

Mademoiselle Lange As Venus

Raw Raica 61

Era uma noturna de sexta-feira e eu me encontrava dentro da boate da cidade cenográfica da novela Insensato Coração, em uma das cenas os personagens de Lázaro Ramos e Guilherme Leme se encontram com a modelo Raica Oliveira e lá estava na minha pauta: “fazer uma bonitona da Raica”.

Não há muito o que se  falar sobre o termo “bonitona”: fazer a foto mais bonita possível para posterior divulgação nos jornais. Eu curto fazer “bonitonas”, elas normalmente aparecem na coluna do Ancelmo Gois, do Jornal “O Globo” de Domingo, é uma forma gostosa de começar bem o dia.

Ter a Raica Oliveira na sua frente facilita muito o trabalho de se fazer uma “bonitona” e como o cenário da boate ajudava, eu tratei logo de encontrar um canto próximo da gravação onde pudesse ter a ajuda dos iluminadores sem atrapalhar o andamento das cenas.

Esse era o meu plano A: do lado de fora da boate, uma parede cercada de fotos, quadros e uma decoração interessante me serviria como um ótimo fundo, ainda não tinha visto a Raica nem seu figurino, mas tratei de deixar pronta uma luz salvadora porque o tempo seria inevitavelmente curto.

O cenário do Plano A era esse:

ISO 3200, f/3.5@1/250

Bolas de cerâmica iluminadas em primeiro plano, pinturas ao fundo, umas velas para dar clima e uma luzinha embaixo da mesa para realce, e o que era melhor, tudo ao lado de um refletor que não estava sendo usado. Perguntei se eles precisariam daquele refletor e se poderiam me emprestar um isopor. A galera da iluminação é boa demais e em segundos tudo estava montado, pensei em usar o refletor como contra-luz e rebatê-la no isopor para iluminar suavemente a Raica no meio do cenário. Uma figurante serviu de “stand-in” para testar o esquema de luz.

O plano A ficou assim:

ISO 3200, f/3.5@1/160s

Um pouco de luz vazava para o fundo, mas uma “bandeira” eliminaria isso na execução da foto e uns ajustes na modelo melhorariam a posição da luz e das sombras no rosto. Com uns acertos rápidos, nasceria ali a minha “bonitona”.

Chegou a vez da Raica fazer a sua participação, um lindo vestido preto cobria-lhe o corpo e cairia bem no cenário A, fazia as fotos de divulgação da cena já pensando no momento de clicar a “bonitona”.

A gravação foi rápida e eu me apresentei, dizendo que precisava de uma foto para divulgar a participação dela na novela, que não levaria muito tempo, pois já tinha preparado tudo e em poucos segundos ela estaria liberada.

“Lógico, vamos até lá! Vai ser um prazer”, ela disse gentilmente. “Não precisa nem andar muito”, eu disse brincando, “está tudo aqui do la….” e quando apontei para o cenário A ele não existia mais. Haviam retirado o refletor e o isopor no tripé desaparecido. E eu não tinha pensado em um plano B.

Fiquei olhando para a Raica alguns instantes, ela olhando para mim e eu pensando: “E agora, mané?” A gravação rolava solta no saguão, só me restava o segundo andar da boate para não atrapalhar o andamento das cenas.

“Vamos lá para cima, Raica? Ela topou. Eu não tinha a menor idéia do que havia lá “em cima”, luz eu tinha certeza que não e eu só contava com um flash SB-900 no topo da D3s. Aqui eu farei um comentário que pode parecer um pouco pedante de minha parte, mas a falta de um flash pop-up no corpo da D3s me faz uma falta danada, já que ter que carregar 2 flashes junto com o corpo da câmera e de duas lentes igualmente pesadas fazem com que eu pareça o corcunda de Notre Dame no final do dia. Junte tudo isso com a minha careta e o Quasímodo ganha facilmente de mim.

A foto abaixo mostra o que havia lá “em cima”: paredes e teto cobertos de preto, mesas pretas, lâmpadas dicróicas no teto e pequenas luminárias do tamanho de um azulejo médio em cima de cada mesa. Rebater o flash seria impossível com aquela profusão de preto em todos os cantos e estourar um flash direto em uma modelo como a Raica seria um crime.

“Se não há solução, solucionado está”, já dizia minha vó: eu tinha um fundo preto a minha disposição e uma modelo linda vestida de preto.

Precisava agora “soltá-la” daquele fundo e arrumar um jeito de iluminá-la da melhor maneira possível. Como não tinha “cão”, ia ter que caçar com gatos, olhem o tamanho dos “gatinhos”:

luminárias de mesa

Eu teria que me virar e uma das grandes vantagens da D3s é a superba qualidade de imagem em ISOs elevados. Perde-se de um lado, mas ganha-se muito de outro.

Eu pedi que a Raica se sentasse no canto da mesa, de tal forma que a luz dicróica embutida no teto servisse como um contra-luz no cabelo e em parte das costas. Essas duas luminárias de mesa estavam ligadas em um mesmo fio conectado a uma tomada no chão, um dos fios era mais longo que o outro o suficiente para iluminar na altura do rosto da modelo. Uma figurante que descansava por ali segurou a luminária para mim. O outro fio era pequeno demais, mas mesmo assim conseguia iluminar o corpo e o vestido da Raica pela altura da cintura, pedi que outra figurante segurasse o segundo “azulejo de luz”. Daquela posição eu conseguiria um brilho especular mesmo com uma luz de mesma potência, esse assunto já foi discutido aqui no blog.

O esquema de luz pode ser entendido melhor no diagrama abaixo:

Subi o ISO da D3s para 6400 e abri o diagragma da 24-70 f/2.8 para f/3,5, a velocidade do obturador batia em 1/125s. Eu mesmo não acreditava que aquilo era possível e a cara das figurantes mostrava o mesmo espanto. Cliquei algumas vezes na esperança de conseguir captar uma luz de boate que volta e meia aparecia no fundo, uma rápida olhada no monitor mostrou que eu havia conseguido. O resultado final está abaixo:

ISO 6400, f/3.5@1/125s

Eu ia terminar esse post dizendo: “ponto para os gatos”, mas na verdade é ponto para os “cães” novamente. A possibilidade de usá-los fora câmera permite que o fotógrafo entenda o comportamento da luz e suas conseqüências em uma foto e uma vez entendido, esse aprendizado pode ser levado para qualquer outro aparato de iluminação, facilitando a sua vida em situações extremas, como no caso acima. Um flash é muito mais que um acessório de iluminação, é um mestre na arte de entender a luz e usá-la com bom senso e beleza.

Ponto para os cães! Novamente

Boa Luz e Boa Sorte

P.S: não perca a oportunidade de fazer mais com o equipamento que vc já tem, haverá um WS I LOVE MY JOB nesse fim de semana (22/23) aqui no RJ e logo depois estarei em Cuiabá e Brasília, clique na agenda e se inscreva. E São Paulo está a caminho!

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