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Da Noite para o Dia 28

Vou demorar mais tempo para escrever esse artigo que fazer a foto que o originou, mas vamos lá, eu estava com saudades de escrever aqui!

Passei o dia de Domingo, 14 de abril, testando as possbilidades do estúdio que estou montando no Criadouro, chamei a minha equipe, a modelo Luana Nasck e montamos algumas situações interessantes de foto.

A casa tem janelões e portas amplas, proporcionando uma iluminação natural muito boa, com o sol que faz aqui no Rio de Janeiro a chance de se ter boa luz é quase certa. Quase.

Naquele domingo, chovia canivetes.

A luz caiu rapidamente e uma das produções pedia um dia ensolarado entrando pelas janelas: uma pin-up estilizada fotografada na chuva e quase sem luz não pegava bem.

Já estava escuro quando a Luana ficou pronta e se você é daqueles românticos que adora dizer que só fotografa com iluminação natural, teria que se contentar com isso:

corredor sem flash

ISO 6.400, f/4@1/100s

 

Sensacional né? Câmera em ISO 6.400, objetiva em f/4 e velocidade de obturador em 1/100s.

Por mais que o algoritmo anti-ruído de sua câmera seja eficiente, a imagem já surge degradada.

Ah, claro! Você pode rebater o flash, tanta parede e teto brancos devem ajudar:

ISO 6.400, f/4@1/100s

Sábia decisão: clarear ainda mais algo que já estava ruim, a exposiçao não mudou nada, o flash só realçou detalhes que se queria esconder e a qualidade da imagem continua na sarjeta.

Você começa a empacotar as coisas e pede uma pizza de presunto para apaziguar os ânimos do pessoal e de repente dois latidos ecoam no corredor:  são dois SB-800 carregando filtros CTO voando escada abaixo!!

Bons garotos! A pizza vai ficar para depois..

Um deles foi correndo para fora da porta, exatamente onde a tampa do ar condicionado foi estrategicamente retirada ( para que radio-flashes, não é mesmo? rs).

O próximo passo foi aniquilar a iluminação local, reduzindo a sensibilidade do sensor para ISO 100, mantendo o f/4 e usando uma velocidade de 1/250s.

Por que essa exposição? Porque eu quero, não dependo mais da iluminação local, posso escolher onde, quanto e como usar a iluminação que eu quiser.

Programei esse flash para REMOTE no canal 1 e no grupo A, coloquei uma sombrinha difusora e ajustei o commander mode da D800 para TTL, o resultado é esse:

ISO 100, f/4@1/250, flash remoto fora da porta

Opa! As coisas começaram a mudar, para melhor, mas eu ainda queria um tom mais quente na foto, então coloquei um gel CTO – aquele filtro laranja que acompanha o seu flash – para reduzir a temperatura de cor do flash (para entender de uma vez por todas o que é White Balance, clique aqui)

Veja a diferença no resultado:

ISO 100, f/4@1/250s, flash fora com CTO

 

Estamos chegando lá! Agora tinha o tom que queria na imagem, resolvi colocar outro SB-800 com o mesmo CTO na parte de cima da escada, funcionando como um contra-luz para a Luana, no mesmo grupo A e canal 1, ambos funcionando em TTL. O resultado final pode ser visto abaixo:

E aí São Pedro, tudo bem?

Não se esqueça: eram 8 horas da noite, um breu total e chovia muito lá fora, apenas dois flashes fora de fabricação e com sombrinhas de R$ 50 foram usadas na foto.

Eu sei que te fizeram acreditar que fotos boas só são possíveis em horas mágicas e com acessórios caríssimos, mas isso não é verdade, você já nasceu com o melhor equipamento. Use-o!

P.S: como os flashes já estavam prontos, a pizza ficou fria..rsr, veja o que rolou mais tarde:

Luana no Criadouro, ISO 100, f/4@ 1/250s

 

Luana no Criadouro, 4 Sbs

Mande um email para renatorochamiranda@gmail.com e venha fazer sua foto conosco! Estou te esperando!

Boa Luz e Boa Sorte!

Raw Raica 61

Era uma noturna de sexta-feira e eu me encontrava dentro da boate da cidade cenográfica da novela Insensato Coração, em uma das cenas os personagens de Lázaro Ramos e Guilherme Leme se encontram com a modelo Raica Oliveira e lá estava na minha pauta: “fazer uma bonitona da Raica”.

Não há muito o que se  falar sobre o termo “bonitona”: fazer a foto mais bonita possível para posterior divulgação nos jornais. Eu curto fazer “bonitonas”, elas normalmente aparecem na coluna do Ancelmo Gois, do Jornal “O Globo” de Domingo, é uma forma gostosa de começar bem o dia.

Ter a Raica Oliveira na sua frente facilita muito o trabalho de se fazer uma “bonitona” e como o cenário da boate ajudava, eu tratei logo de encontrar um canto próximo da gravação onde pudesse ter a ajuda dos iluminadores sem atrapalhar o andamento das cenas.

Esse era o meu plano A: do lado de fora da boate, uma parede cercada de fotos, quadros e uma decoração interessante me serviria como um ótimo fundo, ainda não tinha visto a Raica nem seu figurino, mas tratei de deixar pronta uma luz salvadora porque o tempo seria inevitavelmente curto.

O cenário do Plano A era esse:

ISO 3200, f/3.5@1/250

Bolas de cerâmica iluminadas em primeiro plano, pinturas ao fundo, umas velas para dar clima e uma luzinha embaixo da mesa para realce, e o que era melhor, tudo ao lado de um refletor que não estava sendo usado. Perguntei se eles precisariam daquele refletor e se poderiam me emprestar um isopor. A galera da iluminação é boa demais e em segundos tudo estava montado, pensei em usar o refletor como contra-luz e rebatê-la no isopor para iluminar suavemente a Raica no meio do cenário. Uma figurante serviu de “stand-in” para testar o esquema de luz.

O plano A ficou assim:

ISO 3200, f/3.5@1/160s

Um pouco de luz vazava para o fundo, mas uma “bandeira” eliminaria isso na execução da foto e uns ajustes na modelo melhorariam a posição da luz e das sombras no rosto. Com uns acertos rápidos, nasceria ali a minha “bonitona”.

Chegou a vez da Raica fazer a sua participação, um lindo vestido preto cobria-lhe o corpo e cairia bem no cenário A, fazia as fotos de divulgação da cena já pensando no momento de clicar a “bonitona”.

A gravação foi rápida e eu me apresentei, dizendo que precisava de uma foto para divulgar a participação dela na novela, que não levaria muito tempo, pois já tinha preparado tudo e em poucos segundos ela estaria liberada.

“Lógico, vamos até lá! Vai ser um prazer”, ela disse gentilmente. “Não precisa nem andar muito”, eu disse brincando, “está tudo aqui do la….” e quando apontei para o cenário A ele não existia mais. Haviam retirado o refletor e o isopor no tripé desaparecido. E eu não tinha pensado em um plano B.

Fiquei olhando para a Raica alguns instantes, ela olhando para mim e eu pensando: “E agora, mané?” A gravação rolava solta no saguão, só me restava o segundo andar da boate para não atrapalhar o andamento das cenas.

“Vamos lá para cima, Raica? Ela topou. Eu não tinha a menor idéia do que havia lá “em cima”, luz eu tinha certeza que não e eu só contava com um flash SB-900 no topo da D3s. Aqui eu farei um comentário que pode parecer um pouco pedante de minha parte, mas a falta de um flash pop-up no corpo da D3s me faz uma falta danada, já que ter que carregar 2 flashes junto com o corpo da câmera e de duas lentes igualmente pesadas fazem com que eu pareça o corcunda de Notre Dame no final do dia. Junte tudo isso com a minha careta e o Quasímodo ganha facilmente de mim.

A foto abaixo mostra o que havia lá “em cima”: paredes e teto cobertos de preto, mesas pretas, lâmpadas dicróicas no teto e pequenas luminárias do tamanho de um azulejo médio em cima de cada mesa. Rebater o flash seria impossível com aquela profusão de preto em todos os cantos e estourar um flash direto em uma modelo como a Raica seria um crime.

“Se não há solução, solucionado está”, já dizia minha vó: eu tinha um fundo preto a minha disposição e uma modelo linda vestida de preto.

Precisava agora “soltá-la” daquele fundo e arrumar um jeito de iluminá-la da melhor maneira possível. Como não tinha “cão”, ia ter que caçar com gatos, olhem o tamanho dos “gatinhos”:

luminárias de mesa

Eu teria que me virar e uma das grandes vantagens da D3s é a superba qualidade de imagem em ISOs elevados. Perde-se de um lado, mas ganha-se muito de outro.

Eu pedi que a Raica se sentasse no canto da mesa, de tal forma que a luz dicróica embutida no teto servisse como um contra-luz no cabelo e em parte das costas. Essas duas luminárias de mesa estavam ligadas em um mesmo fio conectado a uma tomada no chão, um dos fios era mais longo que o outro o suficiente para iluminar na altura do rosto da modelo. Uma figurante que descansava por ali segurou a luminária para mim. O outro fio era pequeno demais, mas mesmo assim conseguia iluminar o corpo e o vestido da Raica pela altura da cintura, pedi que outra figurante segurasse o segundo “azulejo de luz”. Daquela posição eu conseguiria um brilho especular mesmo com uma luz de mesma potência, esse assunto já foi discutido aqui no blog.

O esquema de luz pode ser entendido melhor no diagrama abaixo:

Subi o ISO da D3s para 6400 e abri o diagragma da 24-70 f/2.8 para f/3,5, a velocidade do obturador batia em 1/125s. Eu mesmo não acreditava que aquilo era possível e a cara das figurantes mostrava o mesmo espanto. Cliquei algumas vezes na esperança de conseguir captar uma luz de boate que volta e meia aparecia no fundo, uma rápida olhada no monitor mostrou que eu havia conseguido. O resultado final está abaixo:

ISO 6400, f/3.5@1/125s

Eu ia terminar esse post dizendo: “ponto para os gatos”, mas na verdade é ponto para os “cães” novamente. A possibilidade de usá-los fora câmera permite que o fotógrafo entenda o comportamento da luz e suas conseqüências em uma foto e uma vez entendido, esse aprendizado pode ser levado para qualquer outro aparato de iluminação, facilitando a sua vida em situações extremas, como no caso acima. Um flash é muito mais que um acessório de iluminação, é um mestre na arte de entender a luz e usá-la com bom senso e beleza.

Ponto para os cães! Novamente

Boa Luz e Boa Sorte

P.S: não perca a oportunidade de fazer mais com o equipamento que vc já tem, haverá um WS I LOVE MY JOB nesse fim de semana (22/23) aqui no RJ e logo depois estarei em Cuiabá e Brasília, clique na agenda e se inscreva. E São Paulo está a caminho!

Correndo soltos no deserto… 32

jun27

Preciso agradecer a todos que escreveram, elogiaram e comentaram o primeiro vídeo do blog, sinceramente não imaginava que teria uma repercussão tão boa. O número de visitantes mais que quadruplicou e não tive como responder a todo mundo, faltou tempo e sobrou cansaço, até o pessoal da Nikon Brasil está gostando…mas aproveito esse post para dizer do fundo do coração: obrigado!! Vocês não tem idéia de como fico empolgado, a cabeça está pirando com tantas idéias!

Depois de alguns dias em Petra, fomos gravar novas cenas da novela bem no meio de um vale desértico no sudoeste da Jordânia, o Wadi Rum, cenário de filmes como Lawrence da Arábia, Planeta Vermelho e Transformers. Não há melhor comparação a se fazer: em menos de uma hora de viagem pisávamos na superfície de Marte, mas com o Sol de Mercúrio torrando as nossas cabeças. Acho engraçado ver, no novo vídeo, guarda-chuvas andando para lá e para cá e uma bandeira preta de iluminação sendo disputada por 4 dos integrantes da equipe.

Novo cenário, novos figurinos, logo, novas fotos.

O vídeo desse post mostra 2 dias de gravação no deserto, só que desta vez, não havia a menor chance de montar os tripés Nano 001b e, muito menos, colocar as sombrinhas translúcidas na cabeça adaptadora da Manfrotto.

O motivo é simples: apesar da excelente qualidade, durabilidade e leveza do conjunto, uma simples brisa transforma as sombrinhas em grandes velas que podem espatifar um SB no chão, e ver um “cão” aos pedaços no início da viagem não era uma decisão sensata.

Carregar na mochila 3 quilos de chumbo como contrapeso também não…rsrsrs.

A solução foi pedir que uma alma caridosa segurasse os flashes para mim, tarefa que foi muito bem executada pela minha “flash holder” oficial, Val, produtora do Video Show (Obrigado, Val!).

Novamente eu me encontrava lutando contra um adversário poderoso, o Sol jordaniano, mas se em Petra eles deram conta do recado, no deserto, sem as sombrinhas, eles voltavam a ter vantagem.

A velocidade do obturador foi a mesma do post anterior, 1/250 seg, mantendo toda a potência dos flashinhos. Encontrei a abertura da lente (variou de f/10 a f/14) dando uma ligeira subexposição de 1 ponto, para que o azul do céu ficasse um pouco mais escuro que o normal e programei os SBs para funcionar em TTL no modo remote.

Mesmo sob o sol intenso e, como no caso da foto da Taís Araújo no topo do monte, a uma distância razoável do assunto fotografado, o flash embutido da D200 disparou os remotes sem falha alguma.

A cada dia que passa eu me espanto com o que esse sistema pode fazer: simples de usar e confiável ao extremo.

Nas fotos do post anterior, em Petra, o sol foi colocado como contraluz e os flashes eram a luz principal. Agora, nesse novo vídeo, eles também funcionam como uma luz lateral, ajudando a recortar os atores do fundo e preencher as sombras provocadas pelo sol.

Espero que vocês curtam e qualquer dúvida é só escrever, a viagem está próxima do fim, a rotina voltará ao normal, mas ainda tem uma nova parada e um outro vídeo, desta vez em Paris!

Boa sorte e muito obrigado!

Os cães estão latindo em árabe… 31

jun15

Caso seja recém-chegado aqui, não se assute: o assunto não é adestramento canino. “Cachorros eletrônicos”, ou simplesmente “cães”, foi a forma carinhosa que eu encontrei para me referir a um acessório tão criticado e desconhecido: os flashes portáteis.

Eu penso que usar números e letras para descrevê-los, como em SB-800 ou 580 EXII, só aumenta a distância entre o conhecimento e a prática, como se tivéssemos que programar um R2D2 ou o C3PO a cada tentativa de uso.

Eles são poderosos, confiáveis e topam qualquer parada e, assim como nossos amigos de nariz frio e quatro patas, devem ser compreendidos para que toda a graça que há neles seja liberada.

Essa é a idéia do blog, e do vídeo aí de cima…

Comentei no último post que estou na Jordânia fazendo as imagens de divulgação da nova novela das 20h da Rede Globo, Viver a Vida, e antes do embarque, comprei uma Sony Cybershot W110, capaz de gravar vídeos em Full HD e pequena o suficiente para caber em qualquer espaço, para tentar filmar algumas sessões de foto. Uma imagem vale mais que mil palavras…

Uma viagem como essa gera uma pressão descomunal muito antes dela começar, são vários os pedidos de fotos para todos os jornais, sites e revistas do país, além do tradicional aviso: “Na sua folga, tente fazer ensaios dos atores conhecendo e visitando locais típicos da região para tentarmos emplacar na Caras, Contigo, Quem, etc…”.

Na minha “folga”? rsrsrsrs…

Assim que cheguei em Petra, tratei de produzir as fotos mais desejadas de todas: retratos dos personagens, mostrando quem são os atores, seus figurinos e o local onde estão gravando. O vídeo mostra os dois primeiros dias de gravação na trilha que leva até um monumento de pedra chamado Monastério, são apenas 854 degraus da base até o topo, com um calor que ultrapassava os 40 graus e que abriu uma ferida no topo da minha cabeça logo nas primeiras horas.

Era o Sol de Petra dando as boas vindas, mas uns latidos vindos de dentro da mochila me diziam que os “cães” queriam ir à forra…

A luz em Petra é dura boa parte do tempo, e com montanhas claras e um piso branco ao seu redor, chega a ser difícil manter os olhos abertos sem um bom óculos escuros, acho que o vídeo mostra bem toda a intensidade luminosa do local. Não havia dúvidas se deveria ou não usar um flash, a pergunta agora era: como ele iria ser usado.

Embora os SBs sejam capazes de sincronizar em qualquer velocidade de obturador, eles perdem muita potência acima do 1/250 s (vel. de sincronismo de flash da D200) e com um sol de meio dia a ser domado, potência era tudo o que eu não podia perder, portanto, a velocidade já estava escolhida: 1/250 s.

Com um valor como esse no obturador e uma luz intensa lá fora, eu já esperava aberturas pequenas e grande profundidade de campo. Todas as fotos mostradas no vídeo foram feitas com a 17-55 f/2.8 fechada em f/8. Não havia sentido em viajar para Petra e produzir retratos com o fundo todo desfocado, a idéia era justamente o oposto disso: mostrar o ambiente onde nos encontrávamos.

A parte numérica estava resolvida, restava trabalhar a luz:

A sessão com a Taís Araújo, a protagonista Helena da novela, dá uma boa dica para melhorar o controle do Sol quando se usa um flash: procure uma sombra…

Fácil de falar e difícil de encontrar, sombras eram disputadas a tapa por beduínos, camelos, burros, turistas ensopados e parte da produção da novela. Eu não acreditei quando vi um banco de pedra ao lado de um arbusto com flores rosadas sem ninguém por perto e longe o bastante de uma muralha rochosa.

Coloquei o SB-800 em um tripé e usei uma sombrinha difusora para gerar uma luz suave, contrastando com a iluminação dura do fundo. Contraste entre as luzes era uma forma de destacar a atriz do plano de fundo, e ao colocar o tripé na lateral, revelei volumes do corpo e texturas do figurino.

Conforme íamos subindo os degraus da trilha, as sombras desapareciam e o sol se tornava cada vez mais presente. Em vez de brigar com ele, transformei-o em um contra-luz, procurando fotografar os atores em algum local onde pudesse ter uma noção de profundidade, relativamente fácil de encontrar no meio daquela paisagem. Como iniciei com o flash na sombrinha, mantive-o assim até o final para ter um estilo de luz constante em todas as fotos.

O SB-800 estava em “REMOTE”, programado para funcionar em TTL mesmo, como os intervalos para fotografar eram curtos, não tinha nem tempo de calcular a exposição do flash em Manual, era soltar os “cães” da mochila e clicar.

Bom, ainda tem material a ser mostrado aqui, mas com um Movie Maker que travava a cada 5 minutos, eu demorei mais do que o desejado para terminar o vídeo, espero que vocês gostem e que tenha ajudado bastante.

Ah! para os amantes da batida eletrônica: meu berço foi o rock´n roll, portanto, aumentem o som…é Rage Against The Machine mandando um cover do Pink Floyd.

Boa Sorte!

De volta ao básico… 2

Sem dúvida, um flash bem usado é capaz de aprimorar a iluminação de suas fotos, mas o que fazer quando se está sem ele?

Voltar ao tempo onde só se contava com a luz natural e procurar por quem fez o máximo com o mínimo: os mestres da pintura.

Dispor do melhor equipamento não o fará um ótimo fotógrafo, mas gastar sola de sapato em corredores de museu ajuda a aumentar o arquivo de referências visuais que a sua mente necessita, além de entregar de bandeja a solução para várias situações de luz.

Não é mais uma questão de “Será que vai funcionar?”… Funciona!

Em Abril, um novo programa estréia na grade da Globo, “Tudo Novo de Novo”, e tive que fazer fotos dos atores durante os testes de figurino.

Detalhe: não me pergunte o motivo, mas eu estava sem flash.

Solução? A mesma de séculos, procurar uma janela grande o suficiente para iluminar suavemente um ator em corpo inteiro. Graças a Deus, o estúdio I do Projac tem janelões nos 2 lados do prédio, garantindo uma luz indireta e difusa qualquer que seja a posição do Sol

Cristina Costa Marina Ruy Barbosa

Eu não sei quem colocou as arandelas amarelas na parede, mas deixo aqui meu agradecimento…rsrsrs.

O corredor não era largo o suficiente pra o uso de uma teleobjetiva, o fundo não muito interessante, mas dá para ganhar uma guerra perdendo duas batalhas.

O primeiro a entrar no “estúdio” foi o ator Marco Ricca:

Marco Ricca

A foto está tecnicamente perfeita, tudo o que seu cérebro precisa para entender que um volume, e não um plano, está sendo fotografado está presente:

Um brilho especular na direita, atrás do ator, sombras na lateral e o tom correto de sua face na esquerda. Resumindo: contraste.

Mas há um problema: eu não sou pago para fazer fotos perfeitas. Meu trabalho é criar imagens que sejam divulgáveis em várias publicações diferentes e ter metade do rosto jogado nas sombras pode ser um transtorno quando o papel que irá reproduzir a imagem é ruim como o de um jornal.

Como não posso mexer na posição da luz, só me resta alterar a posição do rosto. A imagem no começo do artigo revela o “caminho das pedras”, Da Vinci já nos ajudava séculos atrás.

Mario Cardoso

Ao pedir que o ator Mario Cardoso movesse ligeiramente o rosto na direção da janela, permiti que a luz iluminasse uma parte maior , dessa forma, toda a área nobre da face está corretamente iluminada, mantendo a mesma relação de contraste da foto anterior.

Veja o resultado, desta vez em um close da atriz Marina Ruy Barbosa:

Marina Ruy Barbosa

O exercício de posicionar corretamente o fotografado em relação à luz deve ser levado para dentro dos estúdios fotográficos ou quando se usa luzes portáteis como um flash.

Não há uma posição mágica de luz que garanta um resultado satisfatório, o truque está em relacionar corretamente luz e o fotografado para se chegar ao objetivo desejado.

Acho que um exemplo mais do que conhecido pode resumir visualmente tudo o que está escrito aqui:

Monalisa, Leonardo da Vinci

Não é à toa que ele é o mestre dos mestres…Estude os clássicos!

Espero ter ajudado. Boa sorte!

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