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Um flash, uma capa 27

Semana passada estava na cidade cenográfica de Araguaia com a incumbência de fazer um retrato dos atores Julia Lemmertz e Thiago Fragoso para um suplemento de TV do jornal Estado de São Paulo. O tempo estava nublado, não havia uma nesga de Sol e uma luz difusa e densa cobria a locação. Como a gravação estava chegando ao fim e os atores teriam que dar uma entrevista, resolvi buscar um fundo que servisse para a imagem. Encontrei uma casa cenográfica bem ao lado da gravação, com paredes de madeira na cor neutra e bem próximo dos refletores usados na cena. Um deles estava bem posicionado e era só virá-lo para a casa que eu teria uma luz boa iluminando o casal.

Conversei com os iluminadores e pedi que quando a gravação acabasse o refletor fosse mexido, eles prontamente concordaram. Fiquei tranquilo durante um tempo, parte da cena foi gravada e o casal de atores veio em nossa direção, atrás deles ecoou a voz do diretor de fotografia; “Leva esse refletor aí para fazer o close dentro do carro”. Fiquei tranquilo por pouco tempo, lá estava indo embora a minha luz querida…

Eu estava com uma D3s e um SB-900 e fazer a foto dos atores com o flashão estourando direto neles não era uma boa opção. Embora a D3s seja a melhor câmera digital que eu já tenha usado ( é assutadora!) , ela não conta com um flash embutido, o que me obriga a carregar 2 SB-900, um ajustado para “Master” e outro em “Remote”. Nesse caso eu só tinha o “Master”…que não parava de me olhar como quem dissesse: “não te falei para levar ajuda?”.

Nossa assessora se vira para mim e fala: “Renato, faz as foto agora que depois eles se concentram só para a entrevista”…”Ok, Ok”, respondi com a cabeça pensando em várias soluções…

Essa é a foto feita sem flash:

ISO 100, f/4@1/250

Eu não tinha visto os atores antes de escolher a casa como fundo, os tons da foto toda estavam parecidos, mas o que me incomodava mais eram as sombras nos olhos, sabia de antemão que o papel onde a foto seria impressa escureceria ainda mais aquela área, o que não era nada agradável. Dá para tratar no Photoshop, mas a foto seria enviada momentos depois para São Paulo, não havia tempo de tratamento extra e o pensamento “depois eu trato no Photoshop” não contribui em nada para seu aperfeiçoamento como fotógrafo, alguns detalhes podem ser corrigidos na hora, de forma simples e rápida, com resultados melhores. Tudo o que eu precisava naquele momento era de um segundo flash…e ele veio de carrinho elétrico em cima da D90 do fotógrafo do site da novela.

“Fábio, vc vai usar esse SB-900 agora? Pode me ajudar a rebater uma luz?”

“Lógico!” E lá fomos eu e Fábio para perto da casa, no caminho arrumei um isopor grande e ajustei o 2 flash para “REMOTE”, programando aquele que eu carregava para “MASTER”, no modo TTL. A grande vantagem dos tons pastéis da casa e da roupa dos atores é que eles estavam bem próximos de um cinza médio, facilitando muito a medição TTL. Veja a mesma foto acima em preto e branco:

ISO 100, f/4@1/250s

Aponte sua câmera e o flash em TTL (respeitando os limites de alcance do SB) e não há como errar em uma foto assim. Pedi ao Fábio que ficasse do meu lado, segurando o flash dele voltado para o rebatedor de isopor e disparei, repare a diferença:

ISO 100, f/4@1/250s

Em poucos segundos a foto foi melhorada, o isopor gerou uma luz mais suave e posicionado acima dos atores obrigou as sombras a desaparecerem atrás deles, evitando a sombra característica (e horrorosa) do flash no topo da câmera. Note que nas 2 fotos a exposição permaneceu inalterada, o flash só cumpriu seu papel. Ponto para os cães! De novo!

Foi só voltar à redação, eviar para São Paulo e esperar o Domingo chegar:

Capa TV Estadão

A sessão não demorou mais do que 5 minutos e em alguns cliques eu mudei o WB da câmera para dar uma “aquecida” nas fotos, a capa acima mostra um exemplo disso, não teve “depois eu coloco um filtro amarelo no Photoshop”. Os cães fazem mágica!

Eu atualizei a agenda do blog com as datas do WS I LOVE MY JOB de Flash Criativo, não perca a oportunidade de entender o que seu flash é capaz de fazer.

Rio: 22/23 JAN

Cuiabá: 05/06 FEV

Brasíla:12/13 FEV

Clique aqui para se inscrever e veja o vídeo com os depoimentos dos participantes do último WS em Vitória aqui.

E aproveito para desejar “BOA LUZ e BOA SORTE”em 2011 para todos vocês

“Olhe nos olhos, quero ver o que você diz” 18

(para quem chegou aqui agora: esse post é uma continuação do artigo anterior, O Código Da Vinci, que vale a leitura, rsrsr).

Eu preciso aprovar os comentários antes que eles apareçam no post, peço um pouco de paciência porque tenho que fazer isso no tempo livre (tempo livre? o que é isso mesmo?? rsrsrs), mas todos são aprovados em ordem cronológica, não se preocupem.

Muitos disseram que o que gera aquele brilho no queixo da Cecília é a luz rebatendo no ferret branco e no colo da modelo. Vocês são rápidos….mas como uma luz rebatida pode brilhar se ela está em menor intensidade do que a principal? Não é uma luz de “preenchimento”?

Olhem a foto abaixo:

Lulli Muller, atriz

Como no quadro de Da Vinci, só há uma luz na cena e também uso um rebatedor para iluminar o rosto (não olhem para esses olhos por muito tempo, são de se apaixonar) da Lulli. Por que o rosto dela não está brilhando?

E lá está o maldito filete no contorno do rosto….mas esse é fácil de explicar: como estou expondo a cena pela intensidade da luz rebatida no rosto é normal que a luz do Sol “estoure”  e brilhe no contorno da face.

Então aqui vai uma provocação luminosa:

uma porta na esquerda, uma janela na direita e um buraco no telhado

Esse retrato foi feito dentro de um barraco durante as gravações da novela “Duas Caras”no Recife. Há um buraco no telhado que permite que a luz do sol atinja o rosto do pequeno ator. Lá fora uma parede branca reflete a luz solar através de uma porta na esquerda e uma janela na direita da foto, ou seja, a exposição da foto foi feita pela luz do Sol no rosto do moleque, ela está em uma intensidade maior do que a luz rebatida.

Como essa luz rebatida consegue brilhar mais do que a luz pricipal?

“it’s all right, it’s allright, she moves in mysterious ways…”

Obrigado pela participação!

Boa luz e boa sorte!!

(lembrem-se: respostas para o mistério nos comentários do post anterior, tá valendo uma camiseta!!)

Jogando um cão na parede! 12

Uma boa dica para ampliar as possibilidades de divulgação durante uma viagem, é tentar produzir fotos “neutras”, que não façam referência ao local onde a novela está sendo gravada. Fotos com Paris ao fundo acabam sendo usadas em reportagens sobre as gravações em Paris.É um tanto estranho, mas aos poucos você se acostuma com o fato de ter que produzir boas fotos com prazo de validade bem curto. As imagens também envelhecem…

Uma das gravações acontecia nas margens do Sena, na ponte onde o músico do último vídeo toca o seu saxofone.

José Mayer e TaísPara alcançá-la era necessário passar por uma passagem subterrânea baixa e estreita, toda feita de blocos bem claros de concreto. Eu não sabia, mas eles seriam os rebatedores mais pesados que já utilizei.

Eu fotografava o ensaio de dentro da passagem, em cima de uma caixa de madeira, com uma teleobjetiva fechada nos atores. Virei-me para trocar a lente e me deparei com a imagem abaixo:

escada

Da forma como estava iluminada, a escada que dava acesso à passagem formava um padrão de listras muito interessante. Olhei para o figurino do José Mayer e pensei: “Hummm, que tal juntar tudo isso?”

Problema: o interior daquele pequeno túnel era completamente escuro…

Solução: ouvir os latidos dos cães…rsrsrs

Os atores teriam que passar por onde eu estava, então, pedi que nossa assessora Roberta segurasse um SB-800 para mim, já programado no modo REMOTE.

Como a foto teria que ser rápida, não poderia usar tripé nem a sombrinha, mas não queria uma luz dura iluminando o rosto de ninguém.

Enquanto o José Mayer caminhava de volta em direção à escada, ajustei o flash embutido da D200 para commander mode, programei o SB para funcionar em TTL mesmo, com um aumento de potência de +1 ponto.

-“Zé, posso fazer um retrato seu aqui mesmo? Coisa rápida!”

-“Claro!”

Eu não tinha total certeza de que aqulo iria funcionar, mas não custava tentar. Pedi que a Roberta girasse a cabeça do flash na diração da quina entre o teto e a parede da passagem e disparei, rezando para que ninguém descesse a escada naquele momento e que o aumento da carga fosse suficiente para compensar a perda de luz rebatida.

Uma olhada no monitor da câmera mostrou que Alguém Lá em Cima me atendeu:

José Mayer

Ponto para os cães!

Fico por aqui, boa sorte!!

Isso não é um fundo branco! 37

Sandy abre

A semi-final do quadro “Soletrando”, do Caldeirão do Huck, aconteceu nessa semana no Projac. Além do ótimo professor Sergio Nogueira, a cantora Sandy participou como jurada. Quando as assessoras souberam que ela estaria presente, eu escutei:

“Ah! Renato, aproveita essa chance e faz uma foto bonita dela, para a gente tentar emplacar em alguma coluna…Ela está no estúdio F…”

Como o estúdio fica próximo da nossa sala de imprensa, passei por lá e peguei uma sombrinha rebatedora grande e tratei de fazer a foto. Minha idéia era usar uma superfície metálica e aproveitar o brilho gerado pelo flash para criar um halo brilhante de luz atrás da cabeça da cantora. 2 efeitos diferentes com uma luz só, vinda do SB que eu trazia comigo.

A única porta grande o suficiente que encontrei ficava fora do estúdio, longe do camarim onde ela estava. Restava o pior dos trabalhos: convencê-la a ir até lá, fora do ar condicionado e próximo do público…Eu fui até o camarim e comecei a pensar em um plano B…

Encontrei a assessora da Sandy, Rogéria, e comentei sobre a minha idéia, ela rebateu de imediato: “não dá para fazer por aqui? Ela já está toda maquiada, pronta”. Olhou para os lados e me perguntou: “Não dá para fazer perto daquela parede de tijolos de vidro?”. O plano B apareceu como um estalo e eu brinquei: “qual parede, aquela branca?…”que parede branca? É aquela de tijolos”

“Pois é, para mim, ela é uma parede branca”. Olhei para o SB e ele piscou para mim, tinha entendido a brincadeira. Sabia que mais uma vez, iríamos tirar leite de pedra.

Aqui está o que a Rogéria, assessora, viu:

Sandy1

Ela está a minha esquerda, segurando o SB colado na sombrinha, sem tripé, sem nada.

A D200, com uma 17-55 f/2.8, funciona com ISO 400, abertura 3.5 e 1/100 s. O SB está em REMOTE, em TTL mesmo. O retrato tinha que ser feito em segundos, deixei o trabalho pesado para os japonesinhos dentro do flash…

A luz que ilumina os tijolinhos do fundo vem do Sol.

Resultado?

Uma foto sem a menor graça, contra um fundo que eu já devo ter fotografado umas duzentas vezes seguidas, que nunca me disse nada…

Acho que já escrevi aqui que se pode usar as sombras para esconder detalhes indesejáveis, ou usar a luz para lavá-los da foto e já disse, também, que a vantagem de usar um flash é a possibilidade de estabelecer relações com a luz natural.

Com a exposição do rosto garantida pela abertura correta e o flash, bastava variar a velocidade de obturador para “brincar” com aquela parede insossa.

Se eu fizesse uma subexposição, usando uma velocidade mais alta, sumiria com a luz natural nos tijolos, mas manteria a textura deles. Mas, e se eu GRADUALMENTE diminuísse a velocidade do obturador até que nenhuma textura aparecesse?

Os resultados estão aqui:

FUNDO

FUNDO meio

FUNDO BRANCO

Tudo o que fiz foi selecionar alguns valores mais lentos do que o 1/100 s iniciais e encontrar aquele que me desse o branco sem textura que eu procurava. Acho desnecessário indicar os valores corretos, por que dificilmente vocês vão encontrar a mesma condição de luz, o importante é o conceito por trás da técnica, até porque como os valores foram ficando baixos demais, subi a sensibilidade da câmera para ISO 800 no meio do processo.

Logo, em ISO 800, com f/3.2 (garantindo o foco apenas no rosto) e com 1/30 s, iluminei com o flash o rosto da Sandy e lavei com o sol a parede de tijolos irritantes. Lá estava a parede branca que a Rogéria não conseguia enxergar.

“A luz do sol é o melhor dos detergentes”

Sandy

Sem photoshop para recortar o fundo, apenas uma leve alteração de contraste no rosto

Simples, rápido e eficiente!

Fico por aqui…

Boa sorte!

Basta uma foto para eu ganhar o dia… 7

A descrição de como essa foto foi feita está aqui, mas eu jurava que ela não sairia no jornal…

Esse é um post rápido, apenas para fechar o que foi escrito na postagem original.

É certo que trabalhamos além do normal, mas acordar no domingo pela manhã e ver o resultado do seu esforço e criatividade estampado em milhares de jornais na cidade em que você vive, dá uma felicidade indescritível.

E pensar que há 9 anos atrás eu me perguntava se teria capacidade de desempenhar a minha profissão…

Acredite nos seus sonhos, mesmo que só você o sonhe!

Boa sorte!

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