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Fotografia de Gestantes no Criadouro 2

Anota na agenda!

Sábado, dia 8 de Fevereiro, de 9h às 18h, tem a segunda edição do Curso de Fotografia de Gestante com a fotógrafa paulista Fernanda Giarato.

No final de 2013 ela esteve pela primeira vez no Criadouro e o curso foi um sucesso!

participantes praticam com a modelo

participantes praticam com a modelo

Turma cheia, duas gestantes como modelos e a Fernanda soube explorar todas as possibilidades de iluminação natural da casa, criando fotos incríveis.

Há dois álbuns de fotos no facebook, ficou bem legal o resultado, clique aqui  e aqui para ver! Vale a pena, agora com novos jardins e outros cantinhos fotográficos o curso promete!

A idéia é mostrar todo o processo, desde o primeiro contato com a grávida, contratos, iluminação natural, produção, poses, direção, tratamento e montagem do álbum, para quem está começando ou tem dúvidas de como entrar nesse ramo, é uma oportunidade excelente

A turma é pequena, novamente teremos duas grávidas para fotografar e o investimento pode ser parcelado em até 18x diretamente no aplicativo Facileme dentro da página do Criadouro, clique no link abaixo para mais informações:

https://www.facileme.com.br/app/p/312110

Galera prestando atenção

Galera prestando atenção

Para quem mora fora do Rio, o Criadouro tem parceria com três pousadas/hotéis distantes 5 minutos do estúdio, cujas diárias começam em R$ 70,00, mande um email ou comentário que indico os links.

É isso, espero vocês aqui! ( e em breve: curso de Diagramação e Iluminação Profissional no Criadouro, em Março! Aguardem!

Fotógrafos são pessoas felizes!

Fotógrafos são pessoas felizes!

 

Boa Luz e Boa Sorte!

 

 

 

 

“Reflexos” no Código Da Vinci 25

Eu sei, eu sei, eu sei…prometi a resposta ao mistério do quadro apresentado no post “O Código Da Vinci” para o dia 30 de Abril, mas de lá até agora aconteceram tantas coisas na minha vida que dariam vários posts, pena que não sobre fotografia…Eu peço desculpas pelo atraso, mas vou tentar responder hoje. E vai ser difícil entregar a camisa a um só leitor porque foram várias as participações, muitos falaram apenas em rebatedor, o que está “quase” correto, mas só um deles falou primeiro exatamente o conceito descrito aqui, o nome do ganhador está no final do post….

Para aqueles que não o leram eu recomendo que o façam agora, clicando aqui e aproveitem para ver o complemento da discussão no post seguinte, “Olhe nos olhos, quero ver o que você diz”, assim a resposta tende a ficar mais clara.

Tudo começou quando comentei sobre o quadro de Leonardo Da Vinci, “Lady with an Ermine”, de 1489, mostrado abaixo:

Lady with an Ermine, 1489-1490 - Leonardo Da Vinci

Eu perguntava se Da Vinci havia mesmo usado uma luz apenas na pintura e , se isso fosse verdade, como poderia surgir um brilho de intensidade maior que a própria fonte luminosa na linha da maxila da modelo, justamente em uma área de sombra, como se pode ver no detalhe abaixo:

Muitos comentaram que provavelmente havia um espelho refletindo a luz original e outros fizeram abstrações curiosas sobre um comportamento tão corriqueiro da luz e explorado à exaustão na publicidade que mostra como podemos viciar nossos olhos e deixar de percerber detalhes importantes para profissionais que trabalham com iluminação.

A resposta pode ser vista em qualquer final de tarde e originalmente eu iria fazer um vídeo simples usando o Sol como referência, mas como não para de chover aqui no Rio e o blog fala sobre flashes, resolvi, então, usar apenas um SB-900 montado em um softbox médio para ilustrar o conceito e sua poderosa utilização. Vamos aos detalhes, sigam as fotos abaixo, por favor:

f/5.6 @ 1/250s com 1/16 do SB-900

Essa é Daniela, sendo iluminada por um SB-900 em 1/16 da carga, colocado à direita da foto, distante 1,4 m dela. A exposição correta para essa distância seria f/8, mas como o softbox rouba potência, tive que abrir um stop no diafragma para evitar uma subexposição. Não se preocupe em anotar esses valores, o importante é entender o conceito que será mostrado na seqüência, ok?

O diagrama de luz abaixo pode ajudar a entender a disposição da luz:

clique para aumentar

Uma vez encontradas a abertura, a potência e a distância do flash, mantido o raio de 1,4 m a exposição de minha foto deve ser a mesma sempre, certo? CERTO? Bem, veja a foto abaixo, dessa vez com o SB-900 colocado ligeiramente atrás dela, e com a mesma exposição:

f/5.6@1/250s, 1/16 do SB-900, ISO 100

veja o diagrama de luz, para entender onde o SB-900 está (lembre-se de que as fotos estão sempre na mesma exposição:

clique para aumentar

A primeira foto mostra o tom da pele e a camisa preta da Daniela corretamente expostas, mas bastou uma mudança no posicionamento da luz para que um “brilho intenso” em sua face aparecesse, mesmo a exposição sendo a mesma nas duas fotos. O que está acontecendo aqui?

Há uma lei simples na Ótica que afirma o seguinte:

O ângulo de incidência da Luz é igual ao ângulo de reflexão.”

Isso explica o brilho misterioso na foto, o que você está vendo é o reflexo da fonte luminosa na superfície em que ela está incidindo, a imagem abaixo exemplifica essa lei de forma bem evidente:

f/5.6@1/250, 1/16 do SB-900, ISO 100

Bastou a Daniela colocar um óculos escuros para que o softbox aparecesse refletido na lente, como é a reflexão da própria fonte de luz, aquele trecho tem uma exposição maior que a abertura da objetiva consegue suportar sem superexpor a imagem, causando o “estouro” na lente do óculos e na face. Esse tipo de “brilho” se chama reflexão especular (ou specular highlight, em inglês).

Um outro aspecto interessante que deve ser levado em consideração é que mesmo que eu reduza a carga do flash “acidentalmente”, o brilho especular ainda aparece, como na foto abaixo, onde reduzi de 1/16 para 1/32 a carga do SB-900, veja o resultado:

f/5.6@1/250s, ISO 100 FLASH EM 1/32 DA CARGA!!!

Exatamente por ser um reflexo de uma fonte luminosa cuja exposição é muito maior, um erro na abertura ou na carga do flash ainda produz o efeito do brilho, esse posicionamento em flashes em TTL pode salvar algumas fotos….

Espero que a essa altura o leitor já esteja fazendo uma pergunta bem interessante: “Renato, se o angulo de incidência da luz deve ser igual ao de reflexão”, na primeira foto da Daniela o brilho especular não deveria aparecer, já que daquele angulo o softbox também não produziria o mesmo efeito?

Vamos rever a primeira foto da Daniela, porque a pergunta é importante:

f/5.6 @ 1/250s com 1/16 do SB-900

Sim, desse ângulo onde está posicionado, parte da luz do softbox reflete na pele e deveria produzir um brilho intenso, não? Mas pense comigo: a pele humana necessita da luz para realizar algumas reações químicas, como a produção de melanina e de vitamina D, por isso ela tem um baixo índice de reflexão, a pele absorve muito mais luz do que reflete e é por isso que mesmo que você esteja no Japão, Portugal ou qualquer canto do planeta sabe que esse material é “pele humana”, porque a lei da Ótica ainda se manifesta aqui:

f/5.6@1/250s, ISO 100, SB-900 em 1/16 da carga

Mesmo que você não tenha me acompanhado na produção dessa imagem e viva do outro lado do mundo, consegue perceber que é um retrato de um ser humano usando um óculos com armação de metal e lentes de plástico. Essa é a vantagem de se tirar proveito do brilho especular: ele revela a textura da superfície daquilo que o fotógrafo está iluminando. Pare um segundo agora e pegue qualquer revista e veja como fotos de comida, nús, carros abusam do reflexo especular para provocar seus sentidos de um jeito sutil, inconsciente..é a luz posicionada de uma maneira que mexa poderosamente com seu cérebro.

Agora vamos voltar ao toque genial de Da Vinci:

Sim, ele usou apenas uma luz na pintura toda. Observe a sombra no nariz e mãos da modelo e perceba que a luz vem de cima, ligeiramente atrás da garota, produzindo um brilho especular nas bochechas do rosto, nariz, testa e costas, revelando o “viço” de uma pele de uma menina de 16 anos e o furão branco está genialmente colocado de forma que a luz incida sobre sua cabeça e rebata na linha do maxilar da menina, produzindo outro brilho especular. É um rebatedor vivo, de 4 patas, mas que está cuidadosamente colocado, se sua cabeça estivesse em outra posição, ele continuaria a rebater luz para cima, mas não geraria o brilho. O genial desse detalhe é que esse especular serve como separador das áreas de sombra do rosto e do pescoço, sem ele, o admirador do quadro veria uma massa de pele em um plano só, o brilho serve para que o expectador da obra entenda que os volumes do rosto e do pescoço estão em planos diferentes, reproduzindo uma terceira dimensão em uma tela, que por definição, só pode ter duas: comprimento e largura. E como diria Bono Vox:  “It’s all right, it’s all right, she moves in mysterious ways…”

E a camisa I LOVE MY JOB com o patrocínio da Udênio do Brasil vai para Paulo Machado, que deu uma resposta mais completa: “É uma luz especular, gerada pelo angulo de incidencia da luz na região. A luz vindo tanto da janela quanto da porta mesmo tendo “potência” menor gera um brilho maior nas bordas por concentrar os raios de luz em uma única região, desta forma ela parece mais forte, mas nada mais é do que uma luz concentrada pelo angulo da superficie onde está refletindo”

E não percam a chance de conhecer mais sobre flashes e os mistérios da luz, há 4 WS de Flash I LOVE MY JOB em andamento, 2 aqui no Rio, 1 em Recife e outro em Vitória, maiores informações aqui:

http://www.ilovemyjob.com.br/blog/agenda/

abraços

Boa Luz e Boa Sorte!!

WS de Flash em Vitória 2

Antes de tudo quero agradecer à participação de todos no bate-papo de ontem no twitcast, foi simplesmente fabuloso, falamos sobre flash, iluminação, fotografia, equipamento e principalmente sobre os Workshops, acho que deu para tirar muitas dúvidas e empolgar muita gente. Esse post aqui vai servir para empolgar mais gente ainda, dessa vez os fotógrafos que moram no Espírito Santo: A Mosaico Imagens, dos fotógrafos Gabriel Lordello e Tadeu Bianconi, e o I LOVE MY JOB irão ministrar um WS I LOVE MY JOB de FLASH em Vitória, nos dias 11 e 12 de Dezembro (fim de semana).

Daqui a pouco eu coloco na AGENDA aqui do blog, onde todas as informações sobre os demais WS no Rio, em Recife e esse novo de Vitória podem ser obtidas, mas vocês podem tirar suas dúvidas e marcar as reservas diretamente com o Gabriel, no telefone: (27) 3227 5242 ou pelo email dele: glordello@gmail.com.

Não percam essa oportunidade, estou aproveitando as férias para impulsionar esses WS! Vamos agitar!

abraços

Boa Luz e Boa Sorte!

Os “cães” em TTL: INFERNO 125

Eu passei o finalzinho da noite de uma sexta-feira 13 em uma discussão impressionante sobre o modo TTL em flashes com alguns amigos que me acompanham no Twitter (@heidertorres, @wefers, @namuchila, @felipeschiavon)  e achei curioso como 3 letras tem o poder de colocar a cabeça de um fotógrafo dentro de um vespeiro furioso.

Quando terminamos de conversar me deu vontade de escrever esse post comentando sobre a mais badalada tecnologia presente nos flashes atuais, tida como a solução definitiva para qualquer tipo de foto, mas que na verdade confunde muita gente experiente. Ouso dizer que sua incompreensão é a causa de muito fotógrafo deixar de usar os flashes: “Meu Deus, se nem com isso eu consigo boas fotos, melhor fotografar sem eles”. Só que pensando assim, o fotógrafo limita sua atuação e diminui seus ganhos.

Sem dúvida a tecnologia envolvida no processo TTL (Through the Lens) é algo admirável, mas antes de tudo, faz-se necessário entender o que ocorre no momento do clique, mas como tudo se passa na velocidade da luz, nossos olhos tem dificuldade de compreender todas as etapas tanto na câmera quanto no flash.

A chave para entender o sistema TTL está justamente onde ele falha e para mostrar isso, vou fazer 4 experiências simples, que podem ser repetidas em qualquer lugar e aconselho que vocês as refaçam, porque uma vez entendido e praticado, as chances de erro caem a zero.

Para provar que a falha é do processo e não de modelos de câmera, todas as fotos abaixo foram feitas com uma arrasadora Nikon D3s, uma das melhores (e mais caras) câmeras disponíveis no mercado, a objetiva usada foi uma nova 24-70 f/2.8, tão arrasadora quanto a câmera.

O primeiro teste consiste em tirar uma foto de uma parede branca, sim, uma simples parede branca iluminada apenas pela luz natural, sem o uso do flash. Eu o chamarei de “O Teste da Parede Branca”, só para ficar mais dramático e imponente:)

O TESTE DA PAREDE BRANCA

O visor da câmera foi preenchido pelo tom branco e zerei a exposição “perfeita” recomendada pelo fotômetro, como se pode observar na foto abaixo:

f/4.5@1/500s, ISO 800

A imagem mostra claramente uma parede cinza médio e não um branco neve como a da minha sala. Foi o fotômetro que errou? Os japoneses da Nikon cochilaram em algum ponto na produção de uma câmera de mais de 5.000 dólares ou algo está acontecendo que eu não sei?

A resposta é: NÃO! Sua câmera e fotômetro estão corretos.

Nós, seres humanos, só conseguimos medir alguma coisa quando a comparamos com um padrão reconhecido e calibrado. Se a parede que fotografei tem 2 metros de altura, estou afirmando que o padrão reconhecido internacionalmente e chamado “metro” está se repetindo 2 vezes naquele comprimento.  O mesmo ocorre com o “segundo”, o “litro” e todas as demais unidades conhecidas. Sem elas não conseguiríamos viver em uma sociedade e nem fotografar, porque quando medimos a luz de uma cena, a estamos comparando com a reflexão que ela teria em um cartão cinza 18%

Ou seja, ao apontar minha câmera para a parede branca e zerar o “deus” fotômetro, eu pedi que o branco fosse transformado em cinza e foi isso que ela magistralmente fez (e é só isso o que ela sabe fazer). Espero que aqui o leitor compreenda que o fotômetro não é o senhor de suas fotos, ele só indica onde está o tom médio da sua imagem e que não há exposição perfeita, o fotógrafo é o dono da situação. Como eu não desejo uma parede cinza e sim branca, basta deixar que mais luz atinja o sensor. Provavelmente aquele livro “How to Take Great Pictures”, que descansa na sua estante, comenta que basta aumentar 1 stop para que o cinza se transforme em branco, mas isso não é verdade para todas as situações, vá para uma praia com areias claras ou uma montanha nevada e comece a lutar contra o fotômetro. Não há mais sentido em guardar regrinhas estabelecidas quando se pode olhar e julgar a exposição no monitor da sua câmera.

Voltando ao teste…eu refiz a foto, abrindo o diafragma (ou o obturador) para que mais luz atingisse o sensor.

f/2.8@ 1/320s, ISO 800

Observe a nova exposição, o fotômetro indica uma superexposição de 1 2/3 de stop acima da recomendada, se eu seguisse a regrinha do “aumente um stop e tenha branco” ainda não teria o branco. E para ser bem sincero, não me satisfiz com o resultado, poderia ter subido ainda mais a exposição, mas começaria a perder a textura da parede, então, parei por aí.

Estamos em um extremo da escala de contraste, no branco, será que na outra ponta ocorre algo parecido? É hora de fazermos um segundo teste, desta vez fotografando algo em um tom bem escuro, preto mesmo.

“O TESTE DO PANO PRETO”

Como não há paredes pretas aqui em casa (nem nunca haverá, pelo amor de Deus!) eu apenas fixei com fita crepe um tecido preto que tenho aqui em casa em uma parede e zerei o fotômetro com o pano enchendo o quadro. A foto resultante está aí embaixo:

f/2.8@ 1/25, ISO 6.400

Não é nem de longe a imagem de um tecido preto, mas de um cinza ( e só por curiosidade: compare com o cinza do teste anterior, veja como estão bem próximos!). Como falei no primeiro teste, o fotômetro de sua câmera só sabe fazer uma coisa: apontar-lhe qual será o tom médio de sua foto. Quando enchi o quadro com o tom escuro e zerei o fotômetro, novamente a câmera pensou que eu queria um cinza e não um preto, deixando que mais luz entrasse pela objetiva, “lavando”o preto até que se chegasse ao tom de cinza médio.

Nas páginas daquele mesmo livro “How To Take Great Pictures” há um outra dica: ao fotografar tons escuros, basta baixar 1 stop que o preto aparece…será mesmo? veja a exposição que tive que encontrar para ter o preto do tecido.

f/2.8@ 1/80s, ISO 6.400

Foram 2 pontos acima do valor recomendado pelo fotômetro. As fotos foram feitas em um dia nublado com grande variação de luz, ora abria um pouco de sol, ora voltava a nublar, daí a razão de alterações tão grandes, mas a idéia é apenas mostrar que o sistema TTL está totalmente baseado em uma comparação com um cinza médio e infelizmente várias situações que encontramos estão longe do tom padrão ( que tal noivas em vestidos brancos reluzentes e noivos em ternos pretos?)

Os dois testes acima foram feitos somente com luz natural, mas o que acontece quando não há luz disponível e dependemos do flash para iluminar corretamente nossas imagens? Hora de mais dois testes, usando a mesma parede e o mesmo tecido preto, só que dessa vez, eles serão iluminados por um SB-900 no topo da câmera.

“O TESTE DA PAREDE BRANCA ILUMINADA COM FLASH”

Nesse teste eu preciso eliminar a presença da luz natural, como escrevo essa parte do texto a noite, foi uma tarefa relativamente fácil: em ISO 100, com f/5.6@ 1/250 s, e ainda sem o flash ligado, a foto abaixo mostra a minha parede “branca”:

f/5.6@ 1/250s, ISO 100, SEM flash

Aqui não há erro algum de fotômetro, não houve foi tempo suficiente para a luz sensibilizar o sensor da câmera. O “cão” vai entrar em ação! Liguei o SB-900 no modo TTL, me certifiquei de que estava no alcance correto da luz e disparei mantendo a mesma exposição. Observe a imagem resultante:

f/5.6@ 1/250s, ISO 100, flash em TTL

Ok, esse disparo aconteceu na velocidade da luz, é aqui que muitos fotógrafos tropeçam, mas vou tentar explicar com palavras o diálogo entre flash e câmera:

(SB-900) – Sra. D3s, essa é uma parede branca, o que a senhora quer que eu faça?

(D3s) – Ora, Sr. Sb-900, a única coisa que eu sei fazer, mas não estou conseguindo por conta desses ajustes da exposição. O senhor poderia iluminar essa parede de forma que ela se pareça com um cinza 18%?

(SB-900) – Claro! Isso é moleza para mim!

E velozmente cordiais, câmera e flash se ajustam para transformar uma parede branca em cinza. O SB-900 despejou menos luz do que era desejado….humm..a primeira experiência já nos mostrou a resposta para esse problema, basta abrir mais a abertura e eu volto a ter o branco, não é? NÃO É?

Pois bem, eu vou extrapolar e tentar uma nova foto, dessa vez com o diafragma 2 pontos mais aberto, em vez de f/5.6, vou usar f/2.8, eu quero um branco sem textura, veja o resultado na imagem abaixo:

f/2.8@1/250s, ISO 100, flash em TTL

Oh..oh…algo está errado! As duas fotos estão idênticas, mesmo eu tendo escancarado a abertura para deixar mais luz entrar no sensor….só que não há mais luz para entrar no sensor, sua foto depende exclusivamente da iluminação vinda do flash!!! Eis o que eles falaram no momento do disparo:

(D3s) – Senhor SB-900, nosso ilustre fotógrafo agora ajustou a abertura para f/2.8, o senhor poderia recalcular a sua potência para manter a parede cinza?

(SB-900) – Claro! Isso é moleza para mim!

Como eu ainda estou enchendo o quadro com um tom diferente do cinza médio, câmera e flash se ajustam mutuamente para manter o padrão sempre, qualquer que seja a abertura que se utilize. O SB sempre despejará uma intensidade menor do que a esperada. A solução mais básica é aumentar a intensidade diretamente no flash, já que é ele que está comandando a iluminação. Refiz as duas fotos, com as mesmas exposições, só que agora o flash estava ajustado em +1,7.

O Sb-900 se virou para a câmera e disse:

(SB-900) – Prezada senhora, nosso querido fotógrafo aumentou minha intensidade em +1,7, ok?

(D3s) – Ok, mas avise para ele que o resultado será algo bem próximo de um branco e não um cinza 18%…

(SB-900) – Mas acho que é isso que ele está querendo, vamos ver, vou recalcular minha potência para fazê-lo feliz, ok?

(D3s) – ok, infelizmente não há nada que eu possa fazer…

Veja o resultado das duas novas fotos com as mesmas exposições, só que com o flash ajustado para +1,7:

f/5.6@ 1/250s, ISO 100. Flash em +1,7

f/2.8@ 1/250s, ISO 100, flash em +1,7

O branco que eu desejava apareceu, vamos ver como se comportam câmera e flash quando utilizados para fotografar o mesmo tecido preto colado na parede.

“O TESTE DO TECIDO PRETO ILUMINADO COM FLASH”


Vou fazer as mesmas fotos com as exposições em f/5.6 e f/2.8, com o flash sem alteração alguma, veja o resultado abaixo:

f/5.6@1/250s, ISO 100, Flash em TTL

f/2.8@1/250s, ISO 100, flash em TTL

Nenhuma das duas fotos mostra o tom correto do tecido preto, estão ligeiramente estourados, o SB-900 usou uma potência maior do que deveria para iluminar a cena, tentando levar o preto próximo ao cinza. Vamos ver o que acontece quando diminuo em -1,7 a intensidade do flash, acompanhe as 2 imagens, feitas nas mesmas exposições anteriores:

f/5.6@1/250s, ISO 100, Flash em TTL -1,7

f/2.8@1/250 s, ISO 100, Flash em TTL-1,7

Agora sim! um tecido preto corretamente exposto com um leve ajuste de compensação diretamente feito no flash. Por mais que o fotômetro de sua câmera teime em trazer a imagem para um tom médio, a correção no flash desfaz o desentendido e corrije a exposição da cena.

Mas então em um casamento ou um show, por exemplo, onde os tons passam longe do cinza médio eu preciso ficar controlando a intensidade do flash a todo instante, isso não deixa o fotógrafo mais lento? De certa forma sim, mas há uma forma de contornar o problema que é usar o “spot meter” de sua câmera para travar a exposição no tom médio certo (existem outras formas, mas esse post é uma explicação geral, deixo a parte mais detalhada para um outro post, ok?) e todos os outros tons da imagem “caem” nos lugares certos. Eu fiz o seguinte: imprimi a imagem do cinza que apareceu lá em cima no primeiro teste e colei na parede branca, fotografei, aqui está o resultado:

f/5.6@1/250 s, ISO 100, Flash TTL, spot meter no centro do quadrado cinza

agora colei a mesma impressão no centro do pano preto e refiz a mesma exposição, todas as 2 fotos com a compensação do flash zerada, observe a foto resultante:

f/5.6@1/250 s, ISO 100, Flash TTL, spotmeter no centro do quadrado cinza

Como concentrei a exposição no centro do retângulo acinzentado graças ao modo “spot meter”, a comparação da luz da cena foi feita de acordo com o padrão cinza 18% de seu fotômetro interno e o flash foi disparado na intensidade correta, trazendo todos os tons restantes para seus respectivos lugares, sem qualquer ajuste no SB.

Praticamente todas as câmeras atuais trazem o “spotmeter” entre os modos de medição de luz e muitas delas ainda contam com um botão na traseira de seus corpos com a seguinte inscrição “AE-L/AF-L”.

Essas siglas significam: “Auto Exposure Lock/ Auto Focus Lock”, ou seja, uma vez apertado, ele trava a exposição e/ou o foco no tom que vc escolher, seu trabalho em um casamento, por exemplo, onde o flash é praticamente indispensável, é buscar o tom correto e travar sua exposição ali. Sim, você terá que apertar alguns botões a mais, mas garante um rendimento melhor de suas fotos e horas a menos na edição e tratamento sacais na frente de um computador.

Entender como sua câmera expõe uma foto é a chave para o domínio do flash. Os testes acima são facílimos de serem repetidos, eu aconselho que vocês treinem e entendam os conceitos antes de partirem para um trabalho específico. Você, seu equipamento, sua reputação e seus clientes agradecerão.

Sei que o texto foi longo, mas o assunto merecia, espero ter ajudado!

Boa Luz e Boa sorte!!

5 mulheres, 4 cães, 2 dias, 1 capa 65

Era uma quarta feira de Fevereiro, dia 24, eu voltava para a sala da redação após terminar as pautas e dei de cara com a Roberta, assessora de Viver a Vida, vindo em minha direção. Mal abri a porta de vidro e ela disparou:

Renato, precisamos fazer uma foto para a capa do canal Extra com 5 atrizes de idades diferentes em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.”

Quando ela disse “capa” o cansaço desapareceu:  “ok, quando?”

Com toda a calma do mundo ela respondeu: ” Na quinta-feira a Lica Oliveira grava no estúdio J, na sexta pela manhã a Lilia Cabral estará junto com a Paloma Bernardi no estúdio A e de tarde a Giovanna Antonelli faz algumas cenas com a Clara Castanho no estúdio F. Clica 3 vezes e juntamos tudo depois. Tenho que mandar as fotos na própria sexta, você consegue montar uma luz móvel que aproveite o tempo entre as cenas?”

O cansaço voltou bem rapidamente ao me imaginar voando com quilos de equipamento durante dois dias pelos corredores dos estúdios, mas uma violenta mordida na altura do meu rim me trouxe de volta à Terra: cães luminosos! Um deles estava repousando na câmera que trazia pendurada no ombro. Ouviu toda a conversa. Só que dessa vez eu iria precisar da ajuda de uma pequena matilha.

O olhar esbugalhado do SB-900 que mordia a minha pele me dizia que eles estavam loucos para entrar em ação. Naquela noite eu dormi com 4 cães na minha cama, todos carregados e muito bem intencionados…

Na quinta feira à tarde eu montei um fundo branco nos corredores do estúdio J enquanto esperava o término da gravação da atriz Lica Oliveira. Eu gosto de pensar que uma fotografia é uma seqüência de escolhas corretas, faça uma diferente e a imagem que havia na sua cabeça desaparece. A primeira escolha que fiz foi determinar a qualidade da luz para aqueles retratos. Uma vez determinada, ela deveria se manter constante em todos os outros cliques já que todas as fotos seriam montadas em uma só imagem e luzes diferentes iriam denunciar a montagem. Como fotografava mulheres de 10 aos 50 anos, optei por uma luz suave em toda a foto. Posicionei 2 SB-800 adaptados em grandes soft-boxes de 120 cm x 90 cm a 45 graus da atriz.  Esse arranjo de luz pode deixar a foto totalmente sem graça se os dois flashes dispararem na mesma potência, uma forma perfeita de se fotografar um quadro, por exemplo, mas eu ainda queria sombras no corpo da Lica para dar uma sensação de volume, logo, um dos flashes disparava na carga correta e o outro 1 ponto abaixo, só para “abrir” as sombras. Na foto abaixo, o SB na esquerda dispara a 1/2 carga e o da direita em 1/4.

D200 em ISO 100, f/5.6 - 1/250s

Dois SBs ainda rosnavam na bolsa loucos para iluminar aquele fundo, mas como a foto seria recortada (não por mim, rsrrs), acabei deixando-os quietos.

Como eu ainda não sabia qual posicionamento daria aos flashes nas fotos das outras atrizes, cliquei mais algumas vezes a Lica com o esquema invertido, o da direita agora disparava em 1/2 carga e o da esquerda em 1/4, garantindo fotos com sombras na mesma direção qualquer que fosse o arranjo nas outras fotos (o que não adiantou muito como veremos logo no final).  Por questão de praticidade e espaço eu colocarei aqui as fotos que foram escolhidas pelo jornal para montar a capa. Eu fiz uma pequena edição não muito criteriosa para aumentar as chances de sucesso da montagem, mas sinto uma falta danada do braço direito da atriz na foto escolhida…

Abaixo um pequeno vídeo mostrando o esquema e alguns cliques da sessão, espero que gostem, porque ainda estou levando uma”pequena surra” do IMovie:

Fim da primeira sessão, hora de pensar no segundo dia: Como teria que juntar 5 mulheres de alturas completamente diferentes e uma delas ainda era uma criança,  pensei em acomodar as duplas seguintes de atrizes em um sofá que mantemos na sala de imprensa. Haveria espaço para dividir as atrizes em áreas específicas (facilitando a união das fotos) e ainda deixaria um pedaço vazio para o logotipo do suplemento do jornal. Como a Lica fora fotografada em pé poderia entrar atrás do sofá, deixando margens para possíveis ajustes posteriores.

Montei o sofá na diagonal para facilitar a penetração da luz e evitar que uma atriz produzisse sombra na outra e posicionei 2 flashes, um SB-600 em REMOTE e outro SB-80 DX (que não participa do sistema CLS da Nikon, mas dispara em conjunto graças a uma fotocélula embutida) bem próximos ao painel bordô escolhido como fundo da foto.

Corri nos estúdios A e F e comentei com as atrizes que já estava com tudo pronto para as fotos, assim que elas terminassem a gravação poderiam me encontrar lá pronto para clicar. Eu e os cães! os mesmos SBs-800 do dia anterior já estavam em seus tripés com os softboxes. A mesma configuração do dia anterior: ASA 100, f/5.6 e 1/2 carga em um e 1/4 da carga em outro. Como a posição em que ficariam não iria mudar, não precisaria remanejar o esquema de luz.

Lilia Cabral e Paloma Bernardi foram as primeiras a aparecer, coloquei uma delas sentada e outra por trás do sofá, usando o recosto como banco de apoio. A foto escolhida pelo jornal foi essa:

Lilia Cabral e Paloma Bernardi

Tudo estaria certo se não fosse por um detalhe: ao pressionar o braço contra o corpo e jogar todo o peso em cima da mão esquerda, um volume nada agradável se formou na altura do tríceps da Paloma. Sim, há o “Liquify” no Photoshop, mas porque não corrigir tudo na hora do clique com um simples pedido: “Paloma, descansa o peso no outro lado do corpo, por favor?”

E aqui fica uma pergunta óbvia: “Se eu notei a imperfeição, porque enviei a foto?” Tsc..tsc..tsc…A Lei de Murphy já é implacável e você ainda dá um mole desses…

Bom, faltava  a Giovanna Antonelli e a Clara Castanho e  sobrava o lado direito do sofá, adivinha onde elas ficaram:

Giovanna Antonelli e Clara Castanho

Bem…e após um furioso tratamento no Photoshop (reclamações com o jornal, por favor), a capa ficou pronta:

Ponto para os cães!! Novamente! E se você chegou até aqui e ficou com vontade de fazer o mesmo com os seus SBs não perca a oportunidade de participar do Workshop de Flash que acontecerá nos dias 24/25 Abril, aqui no Rio.

Corra! Ainda há vagas, mais informações aqui.

Abraços

Boa Luz e Boa Sorte!

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