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Número-Guia e a “Potência” do Flash 28

Eu preciso agradecer ao Bruno Lorenzo por, durante uma aula particular de flash, ter feito a pergunta certa.

Tenho uma sorte incrível de ter encontrado um estúdio com uma vista indescritível de dois dos pontos mais charmosos do Rio de Janeiro:  A Pedra Bonita e a Pedra da Gávea.

Pedra Bonita e Pedra da Gávea, inspiração até para o logotipo do Criadouro

Pedra Bonita e Pedra da Gávea, inspiração até para o logotipo do Criadouro

Essas duas muralhas de granito (diga adeus aos celulares por aqui) me fazem perder boas horas em pura contemplação, mas um detalhe pequeno tem força suficiente para brigar (e muitas vezes vencer) com elas. Olhe a foto que está no cabeçalho do post e veja a imagem que aparece quando se abre o portão de entrada do Criadouro. 

Lá em cima, à esquerda, surge o campanário da Igreja de São Bartolomeu, somos vizinhos de muro. Já fiz tanta burrada na vida que é incrível ter uma Ajuda dessas tão perto de mim, nos momentos de tensão basta dar uma olhada para o lado e agradecer à Boa Companhia pela inspiração e segurança.

Torre da Igreja de São Bartolomeu

Torre da Igreja de São Bartolomeu

Bruno pediu que a aula particular simulasse os eventos noturnos ( casamentos, festas, etc..) que ele costuma fotografar e que eu o ensinasse como poderia tirar proveito de apenas um flash.

Mostrava na prática como a noção de número-guia estava sendo ensinada errada, que amarrar um conceito simples, porém extremamente poderoso, à idéia de “potência” era afastar do fotógrafo um conhecimento valioso para a compreensão do comportamento da luz.

Quem diz que o número-guia serve para medir a potência do flash, na verdade não tem a menor idéia do que seja potência e muito menos de como se usar um flash.

Consequência imediata de gente que, em busca de bajulação gratuita, teima em ensinar aquilo que não pratica.

Afastando um flash Canon da câmera do Bruno, eu tentava lhe mostrar como aquele acessório podia ser muito poderoso quando bem ajustado, ele fisgou a isca e fez a pergunta certeira:

Esse 580 EXII poderia iluminar o Campanário da Igreja daqui do Criadouro?

O flash no topo do tripé Manfrotto girou a cabeça, piscou o único olho  e sorriu para a gente..

Para entender o tamanho da distância que separa o ponto onde estávamos do campanário da Igreja, eu tive que recorrer ao Google Maps, olhe a foto abaixo:

Distância do flash ao campanário ad igreja

Distância do flash ao campanário da igreja

No ponto .1 eu estou sentado em um banco com uma câmera Canon programada para controlar um flash remotamente pelo pop-up. A partir desse momento, eu não me levantarei mais desse banco, todas as infos serão passadas pelos novos disparos do flash embutido

No ponto .2  existe um speedlight Canon 580 EXII montado em um tripé Manfrotto que se esgoela para alcançar mais de 3 metros de altura. Esse flash está programado para Slave, sua cabeça está fechada em 105mm  e irá SEMPRE disparar em carga total (1/1)

No ponto .3 está o campanário da Igreja de São Bartolomeu…distante mais de 75 METROS DO FLASH NO PONTO .2!!

PERGUNTA:

Se de acordo com as especificações,  a “potência” do 580 EXII é de 57,91 m, terá ele força suficiente para iluminar algo que está uma vez e meia além de sua “potência”?

Vamos tentar dar uma ajuda para nosso amigo luminoso mantendo a abertura da 70-200 sempre em f/2.8 e lembrando:

o flash está a 3m de mim, disparando sempre na carga total,  estou sentado em um banco com a câmera no tripé em ISO 100 e desde então nunca mais mexerei no flash, essa foi a foto que consegui:

ISO 100, f/2.8@1/250s

ISO 100, f/2.8@1/250s

Zero, nada! Como era de se esperar algo tão fraco como um flash de câmera jamais iria iluminar corretamente algo tão distante e grande como a torre de uma igreja distante 70 metros do fotógrafo, isso é trabalho para uma “big light” ou algum equipamento caríssismo que eu terei que juntar dinheiro a vida toda para comprar…

Mas, veja o que acontece quando altero a sensibilidade da câmera para ISO 400:

ISO 400, f/2.8@1/250s

ISO 400, f/2.8@1/250s

Uma leve subida no ISO da câmera fez com que o campanário fosse corretamente iluminado…mas como isso é possível se eu não toquei um dedo no flash?

A carga não foi alterada, a potência do flash permaneceu a mesma ( aliás, qual a potência de um 580? ou um SB-910?), mas o meu número-guia claramente ficou maior, o que está acontecendo?

Outra perda com a associação da idéia de potência: se o campanário estivesse a 80 ou 60 metros, a luz o atingiria com a mesma intensidade…como?

 PERGUNTA

Se em ISO 400 um flash comum consegue iluminar algo distante 75 metros, o que acontece com uma noiva fotografada a 3 metros de distância em ISO 3200 e f/2.8? A tendência a vaporizar pessoas é um erro do flash ou do fotógrafo?

Você já nasceu com o melhor equipamento, pare um pouco e pense nas perguntas, aguardo seu comentário!

BOA LUZ E BOA SORTE!

 

 

 

 

 

Número-Guia (NG): o mito 47

A situação é sempre a mesma em qualquer local que eu vá: o fotógrafo com seu flash portátil reclamando de que precisa de um equipamento mais “potente” para ser usado em externas durante o dia.

“Que vença o Sol, Renato, que tenha um Número-Guia grande…”.

Quando eu pergunto qual a razão para querer um valor muito alto, invariavelmente vem a gracinha: “isso é papo de quem tem número-guia pequeno, cara”

Brincadeiras à parte, a questão é quase fálica mesmo, mais uma das ingratas consequências da associação da sensação de potência com um valor cujo significado passa longe disso, como se o fotógrafo se tornasse um super-homem quando comprasse uma “Big Light”.

Na verdade, dependendo da situação, ele pode até ficar limitado. Espero que as duas situações descritas abaixo e as quatro perguntas decorrentes ajudem a entender melhor esse conceito.

Acompanhe o raciocínio:

 

2 flashes de NG diferentes situados a mesma distância da “modelo”

Eu estou dentro de um estúdio e quero fazer um retrato usando apenas um flash, na esquerda da foto eu tenho um Zulmman Exo Power Mega Omni Ultra Higher Light Package Mini 2e, cujo Número Guia chega a inacreditáveis “200″ enquanto que na direita da foto está o seu flash portátil, um pequeno e versátil “cão”, de número-guia de apenas “40″. Trocando em miúdos: o Zulmman é 5 vezes mais “potente” que o seu flash portátil, correto?

Ambos estão posicionados a 2 metros da nossa modelo tailandesa chamada Linda. OPS!

“MOMENTO Tymothy Wilson: FOTÓGRAFO ROMÂNTICO E LEVEMENTE RETARDADO”

Oi Turminha! eu estou nesse estúdio lindo fazendo lindas fotos da nossa linda modelo chamada Linda! Que incrível! eu não entendo como ninguém teve a idéia de fazer uma sessão fofa de fotos com uma linda modelo chamada Linda! Seria uma linda concidência, não é mesmo?

A Linda me disse que está muito satisfeita de fotografar aqui no Brasil, ela acompanha inúmeros fotógrafos pelo Facebook e se impressiona como nenhum deles fotografa pessoas chatas, noivas esquizôfrênicas, crianças inquietas, grávidas inseguras. Todos são abençoados nessa terra!

Vou pegar minha camisa Abercrombie & Fitch na lavanderia e volto logo, posto uma foto no Instagram quando chegar lá, tá? Bjs grandes

“FIM DO MOMENTO Tymothy Wilson: FOTÓGRAFO ROMÂNTICO E LEVEMENTE RETARDADO

Bom, como eu ia dizendo, os flashes estão posicionados a 2 metros da modelo e a câmera está ajustada ( ISO 100) para 1/250s em f/5.6.

PERGUNTA 1:

Qual deve ser a quantidade de energia ( não a carga) que o Zulmman 200 deve disparar na cena para expor corretamente a foto para a abertura dada?

A- 5 vezes menor que o flash portátil

B- 35 vezes maior ( 200/5.6)

C- rigorosamente a mesma que o flash portátil

 

Reflita bem e vamos para a segunda situação:

Se um Número Guia alto já mexe com os brios de um fotógrafo, imagine quando ele descobre que pode “overpower the Sun” com o flash!

Para quem não sabe, o significado de “overpower” é:  subdue by force, ou em bom português: subjugar pela força.

Que super-homem que nada, você agora é um Deus!!

Graças ao flash adquire-se o poder de diminuir ou eliminar a presença da luz natural e você não fica mais surpreso ao assistir no Youtube fotógrafos americanos ou europeus com seus caríssimos flashes de estúdio subexpondo a luz natural vinda quase do Círculo Polar Ártico.

É um tanto irônico que eles chamem aquela bola amarela tênue que corre deitada no horizonte de “Sun” e colocar o flash às 6 da tarde a 50 cm do rosto das modelos de “overpower”.

Vá ao meio dia para a Linha do Equador e descubra o que é “Sun” e o trabalho que ele dá para “subdue by force”.

E é exatamente essa a segunda situação: com a retirada do fundo, descobre-se que o estúdio fora montado em uma praia carioca ( é uma montagem grotesca, por favor, mas a idéia vale):

2 flashes na praia, f/8 e ISO 100

os flashes estão na mesma posição, 2 metros da modelo, a camera continua ajustada em ISO 100 e f/8 só que agora toda a potência do flash será usada para controlar aquela luz do fundo, produzindo uma imagem parecida com essa:

PERGUNTA 2:

Qual deve ser a quantidade de energia ( não a carga) que o Zulmman 200 deve disparar na cena para expor corretamente a foto para a abertura dada ?

A- 5 vezes menor que o flash portátil

B- 35 vezes maior ( 200/5.6)

C- rigorosamente a mesma que o flash portátil

PERGUNTA 3:

Qual deve ser o ajuste de energia para sub ou superexpor o fundo?

A- 1 ponto a mais

B- 1 ponto a menos

C- acho que a potência do meu flash não interfere no fundo…

Essas são situações que confundem muito a cabeça dos fotógrafos iniciantes e acho que se você pensou corretamente já deve estar se fazendo a inevitável…

…PERGUNTA 4:

Qual é uma das grandes vantagens de se ter uma “Big Light”? Por que eu preciso de um flash com NG bem alto?

 

Comentários são mais do que bem-vindos, espero que possamos debater Fotografia e não equipamento ou marcas, ando um pouco farto disso tudo, acredito mesmo que:

VOC6E JÁ NASCEU COM O MELHOR DOS EQUIPAMENTOS, APRENDA A USÁ-LO A SEU FAVOR!

Só lembrando:

agora em Setembro tem Workshop I LOVE MY JOB em São Paulo (22/23), no estúdio de um dos melhores fotógrafos do país: Gal Oppido. Não perca essa oportunidade!

Deixe seu comentário e quem gostou compartilhe!

abraços!

Boa luz e Boa sorte!

12 meses em 2 horas 45

Meu nada saudoso notebook pifou de vez no meio desse ano e a única coisa que consegui recuperar foi seu “gigantesco” HD de 80 GB. O calor insuportável que fez hoje no Rio de Janeiro foi a desculpa perfeita para ficar no ar-condicionado dando uma olhada no material que ele guardava. Algumas surpresas boas apareceram e uma delas acabou virando esse post aqui no blog (outras estão no forno).

Em Fevereiro o pessoal da internet da Rede Globo decidiu fazer um calendário da antiga temporada de Malhação e combinaram comigo de fazer as fotos depois de tudo acertado com os atores e a produção. Eram 16 pessoas para fotografar na Cidade Cenográfica onde a novelinha se desenrolava e o tempo era escasso, muito escasso: 2 horas apenas até o início das gravações no estúdio. Eu tinha que ser rápido…com um assobio 3 “cães” já tinham pulado para a bolsa, felizes da vida e prontos para a ação. Foi só adicionar uns soft-boxes médios caso eu quisesse modificar a luz e o jogo de iluminação estava pronto. Rumamos para a cidade cenográfica e começamos a sessão de fotos.

O vídeo abaixo mostra as condições de luz (começamos às 10 da manhã) e a quantidade de locais diferentes que serviram de locação. Em todas as fotos os flashes funcionaram em TTL e o resultado foi gratificante e surpreendente por conta do pouco tempo que tivemos. Vejam o vídeo que logo abaixo eu comento alguns detalhes de algumas fotos (é muito provável que vocês tenham que assistir ao vídeo algumas vezes):

A primeira foto foi com a atriz Cris Peres, que está dentro de uma sala de aula. Um flash está à esquerda da atriz com um soft-box e outro logo atrás dela, fazendo uma luz de “recorte”, os dois funcionam no grupo A, ou seja, disparam na mesma potência. O grande problema é que a fotografo do lado de fora e a luz do flash embutido da D200 era bloqueada pela parede da sala. Como o sistema CLS da Nikon depende que todos os flashes estejam em um mesmo raio de visão, esse é o exemplo perfeito para se usar um rádio flash para disparar os SBs.

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Só que eu não uso radio-flashes…eles só fazem uma coisa, enquanto um flash pode fazer várias, e dependendo da marca do rádio, pode custar mais caro que um flash. A solução para essa foto foi posicionar o terceiro SB na menor carga possível (1/128) , no Grupo B, bem na frente da janela da sala de aula e apontá-lo para o sensor do flash lá de dentro. Esse flash auxiliar e em menor potência era “visto” pelo flash embutido da D200 e fazia uma triangulação luminosa com os outros 2, disparando todo o conjunto. Simples e rápido e sem depender de mais um equipamento extra.

Na foto abaixo eu posicionei o ator Murilo Couto ( Beto) de frente para o Sol, funcionando como luz principal. Como fotografo ligeiramente de baixo e as sombras projetadas já indicam que estamos chegando próximo do meio-dia, pedi que ele olhasse em direção ao Sol para que a luz preenchesse todo o seu rosto, evitando sombras duras nos olhos e nariz. Esse ajuste da face ajudou na intenção de mostrar a força física do personagem. Os mesmos SBs da foto anterior agora estão atrás do ator e as cabeças dos flashes foram fechadas ( usei um snoot de cine-foil) de tal forma que só iluminassem parte da cabeça, dando destaque à expressão facial. Veja o resultado abaixo:

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Voltamos para a mesma sala de aula da primeira foto e dessa vez um SB foi utilizado para simular a luz do Sol entrando pela janela. Ele está posicionado atrás dos atores e o segundo SB foi montado novamente no soft-box suavizando a luz que chegava no casal. Vejam o resultado:

casal

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As próximas duas fotos mostram a vantagem de se entender perfeitamente o conceito de número-guia do flash, ele guarda informações sobre como a luz se distribui em uma imagem. Eu tinha que fazer fotos de corpo inteiro de 2 atrizes e o tempo nublou de uma hora para a outra. Nos dois casos apenas um SB adaptado no softbox foi usado, mas a distância em que ele se encontrava das modelos me ajudou a ter uma luz mais abrangente em vez de uma mais potente. O vídeo de making of mostra onde o SB estava na foto da atriz Mariana Molina, na escadaria vermelha. Observem a qualidade da luz nas duas fotos:

Mariana Molina

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A chave para a compreensão dos mistérios da luz do flash está guardada de forma simples no conceito de número-guia e aprender a usá-lo a seu favor é o que eu tento explorar nos Workshops I LOVE MY JOB. No final de Novembro tive a chance de encontrar duas turmas cariocas que se empolgaram com essa descoberta, vejam o que eles tem a dizer sobre o curso:

No último post, “Reflexos no Código Da Vinci“, eu comentei sobre a propriedade que a luz especualar tem de revelar a textura do material que ela ilumina. A foto da atriz Carolinie Figueiredo mostra um exemplo disso. Um SB está montado no soft-box bem a sua frente e outro está posicionado atrás dela, de forma que o ângulo de incidência seja o mesmo de reflexão da luz, o brilho especular gerado no armário atrás dela permite que você entenda que ele é feito de metal e não de madeira, por exemplo. Veja esse comportamento da luz na foto abaixo:

Carolinie Fugueiredo

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Durante o workshop de Recife, feito no último final de semana, conseguimos trabalhar isso muito bem, os depoimentos dos participantes, com um sotaque delicioso, pode ser visto no vídeo abaixo:

A foto mais legal da sessão eu deixei por último. Dessa vez era a a hora de fotografar o Fiuk dentro de uma biblioteca e tive que usar os 3 flashes juntos pela primeira vez. Dois deles estão atrás do ator, fazendo a luz especular em seu rosto e corpo e há um terceiro flash escondido na foto. Observe  imagem e veja se consegue dizer onde o SB foi posicionado:

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Coloquei uma folha de papel dentro da cartola preta e pedi ao ator que segurasse o flash de forma que sua luz rebatesse na folha branca e voltasse em seu rosto! Mesmo longe do alcance do flash embutido da D200, os outros flashes estourando lá atrás conseguiam atingir o interior da cartola, fazendo-o disparar, dando um efeito mais dramático na foto.

Em apenas 2 horas 16 pessoas form fotografadas com os flashes funcionando em TTL o tempo todo, me dando uma liberdade e versatilidade para criar que é diícil ser reproduzida com as tochas grandonas de estúdio. Entender como os flashinhos podem ser úteis e poderosos libera a sua mente para se preocupar com o que realmente importa na foto: sua criatividade.

Até o final de Dezembro, 2 Workshops ainda vão acontecer, um em Vitória, nos dias 11/12 de Dezembro (praticamente esgotado, resta 1 vaga apenas) e outro em Brasília nos dias 18/19. Na agenda do blog você encontra todas as informações para fazer sua inscrição, e começamos 2011 já com outro WS aqui no Rio e em Cuibá, não perca as novas atualizações do I LOVE MY JOB e esperem por mais novidades boas muito em breve.

Caso queiram ver todas as fotos do calendário, é só clicar aqui

Espero que tenham gostado!

Boa Luz e Boa Sorte!!

Procurando Potência? 60

Eu recebi por email duas perguntas interessantes essa semana que se transformaram em bons motivos para novos posts aqui no blog. A primeira vinha de São Paulo e foi respondida com a ajuda de um filete luminoso em um quadro antigo, mas também pudera, o pintor era um gênio.

A outra veio de longe, da Escócia, e me chamou atenção porque foi feita por um engenheiro aposentado que passara os últimos anos aperfeiçoando motores a vapor. Quando longe das caldeiras, ele relaxava brincando com seus SBs. Mandou uma foto sua (que aparece no cabeçalho do post) feita com um SB-800 com sombrinha, montado em velho tripé de ferro. Diz ele:

Renato boa tarde, tudo bem?

Bom primeiramente queria agradecer pelas informações passadas no seu blog, venho acompanhando seu trabalho e aprendendo muito, isso me motiva cada vez mais.

Ficou só uma dúvida que meus amigos da Sociedade Lunar enrolam e não respondem:
Com o SB-800 eu consigo saber que potência usar no flash. Defino como será minha foto, informo a abertura e defino a potência de acordo com distância  entre o flash e objeto estabelecida por mim. Até aí sem problemas. Mas existe algum calculo que me mostre qual potência eu usarei no flash, porque pelo cálculo, NG= F x D, eu acho o numero guia do Flash e não qual a Potência a ser usada. Então a dúvida é:  se eu não tivesse esse sistema no meu flash como eu definiria se o flash ficaria em 1/8, ou 1/16 ou 1/128??

Muito obrigado desde já e desculpa amolar.

Parabéns pelo trabalho Renato.

Cordialmente,

James Watt.

Ora Mr.Watt, eu que devo agradecer pelo seu trabalho e vou tentar mostrar que o senhor já conhece a resposta, só que ela está mascarada por uma aproximação bizarra.

Para efeito prático usarei o SB-800 como exemplo, mas todos os conceitos descritos aqui valem para qualquer tipo de flash, dos speedlights até as tochas de estúdio.

Antes de mexer com a fórmula matemática acima, vale a pena entender o significado do cabalístico “número-guia”. Uma rápida busca no Google nos leva a zilhões de sites com a mesma informação:

“O número-guia (NG) é um indicador da potência de um flash. Quanto mais alto o NG, mais potente o flash.”

A aproximação contida nessa afirmação é devastadora em dois sentidos, complicando o entendimento do flash, acaba por adiar o contato do fotógrafo com o que realmente importa na foto: o comportamento da luz.

Como bem disse Watt, o número guia é expresso como:

NG= distância do FLASH x abertura, ou simplesmente NG= d x f .

Aqui a Matemática começa a mostrar as garras: como a abertura é um número adimensional e a distância é calculada em metros, o resultado dessa multiplicação também tem que ser expresso em metros. Péra aí!!! Se o NG é uma referência da potência de alguma coisa, como ele pode ser expresso em uma unidade de distância?

O manual do flash confirma o nosso espanto, está lá: em ISO 100 e com a cabeça do flash em 35mm, o SB-800 tem um número-guia de 38 METROS, ou seja, naquelas condições, toda a intensidade luminosa que o flash oferece ilumina 38 metros a sua frente.

O número-guia expressa o alcance do flash e nos ajuda a entender sua relação direta com o ISO da câmera e a posição da cabeça de zoom do aparelho.

Atrelar esse significado a uma potência  sugere que ele é incapaz de iluminar algo distante 40 metros, o que não é verdade: feche a cabeça de zoom para 105mm, ainda em ISO 100, e o NG dispara para 56 metros.

Não importa o valor da potência, mas sim o que você é capaz de fazer com ela. Além disso, começar a conhecer um acessório carregado de antigos tabus por uma unidade tão amigável quanto o metro é bem mais agradável ( e correto) do que um “joule por segundo”.

Com o valor do número-guia é possível determinar a posição exata do seu flash para cada diafragma de sua lente, como na tabela abaixo:

NG 38 (SB-800 em 35mm/ ISO 100)
f/ 2.8 4 5.6 8 11 16 22
m 13 9.5 6,7 4.8 3.4 2.4 1.7

Esses valores em metros aparecem no painel do SB no modo Manual, com a carga em 1/1 e a cabeça em 35mm. Basta variar a abertura e o flash faz a conta para você, foi com um SB que eu preenchi a tabela.

Eles são uma referência numérica de como a luz se comportará na sua foto antes mesmo dela acontecer.

Por exemplo, se eu quisesse fazer um retrato utilizando uma abertura f/4 teria que colocar meu flash a 9,5m da pessoa para obter uma exposição correta da luz do flash. Muitos problemas podem surgir daí:  eu não tenho esse recuo todo no estúdio onde trabalho ou se preferisse fazer em um local externo, provavelmente encontraria postes, árvores, placas, pessoas, carros, paredes bloqueando parte da luz.

A distância em que se coloca o flash também altera a qualidade e o comportamento da luz:  a 9,5 metros do assunto o flash troca intensidade por abrangência luminosa, fazendo com que uma luz dura atinja tanto a pessoa quanto o fundo onde ela está (considerando-se que a pessoa esteja bem próxima do fundo).

Mesmo com toda a precisão matemática, esses valores são referenciais, uma tentativa daquela caixinha preta luminosa de te ajudar a entender a sua foto sem perda de tempo, bateria ou equipamento extra, eles podem (e devem) ser alterados conforme a sua necessidade e criatividade.

Para evitar todos os problemas acima, eu preciso aproximar o flash da pessoa, posso escolher uma posição onde já conheça uma informação, como por exemplo: 1,7 m.

Acompanhando a tabela, nota-se que nessa distância o flash despeja tanta luz que a tabela me indica um abertura f/22, só que eu fotografo em f/4, estou 5 f/stops além da exposição correta. Como cada abertura de diafragma permite a entrada do dobro de luz, uma quantidade 32 vezes além da ideal estoura no sensor da câmera. Como não quero mudar a abertura e muito menos a distância, a única solução é diminuir a quantidade de luz, logo, deve-se utilizar 1/32 da carga inicial.

É esse o valor que aparece no painel do SB: 1/32 da carga em f/4 e 1,7 m. Teste agora com o seu equipamento, perca o medo, é realmente simples!

Lógico que todas as variações possíveis são impossíveis de se memorizar ou anotar, mas todas elas já foram testadas, comprovadas e embutidas no flash pela fábrica, um batalhão de estagiários com olhos puxados teve um trabalho danado para que você só precise informar a abertura que deseja fotografar e variar a carga até que encontre a distância ideal de posicionamento do flash.  Simples e seguro, sem a necessidade de nenhum equipamento extra, calculadora ou uma prece…rsrsrsr.

Espero que tenha ajudado, Mr.Watt!

Boa Sorte!

A Arte Suave. 14

Semana passada eu ouvi o pedido de um amigo:

“Eu queria usar os ensinamentos e as técnicas do Jiu-Jitsu para ajudar pessoas na sua vida pessoal e profissional. Acho que a luta tem muito a ensinar sobre superação de problemas, valorização da auto estima, concentração, alimentação e respeito. Vou fazer um blog onde mostrarei tudo o que eu aprendi até hoje, mostrando também que um lutador não é um irresponsável, muito pelo contrário, é alguém que conhece seus limites e a forma de superá-los. Me ajuda com as fotos?”

Eu conheço o Mauro Verry, ou Maurinho para os íntimos, desde que eu era criança, sua história dá crédito ao seu propósito e chegar aos 50 anos com a disposição de um garoto não é para qualquer um. Ponto para o Jiu-Jitsu.

Quando escutaram a palavra fotos, os cachorros eletrônicos começaram a latir dentro da bolsa e, para ser sincero, não costumo dizer “não” para alguém que amarra seu quimono com uma faixa marrom…rsrsrs.

Coloquei 2 SB-800, 1 SB-600 e 1 SB-80dx no carro e rumei até a academia Pontal Fitness, no Recreio, onde ele treina aqui no Rio de Janeiro.

Encontrei exatamente o que esperava:

ACADEMIA

Atrás de mim e na minha direita, espelhos…na minha esquerda, uma parede branca repleta de acessórios de ginástica, logo acima, luz fluorescente, sobrou o janelão que aparece na foto. Fechei as cortinas para que a luz natural não contaminasse o ambiente e tratei de encontrar uma exposição que eliminasse a presença da luz fluorescente, essa sim, um horror em qualquer caso.

Uma das grandes vantagens de usar uma luz artificial e controlável na sua foto é a possibilidade de estabelecer relações com as outras fontes luminosas. Variando a velocidade do obturador, controla-se a quantidade de luz ambiente e a abertura do diafragma segura a potência do flash. Todo o controle na sua mão, não é mais São Pedro ou a OSRAM que ditam o caminho a seguir, são seus neurônios.

Bem, além de controle, conforto total: quando você imaginou fotografar em ISO 100, f/8 e 1/250 s dentro de uma sala, sem tripé, a qualquer hora do dia? Ponto para os flashes.

Hora se soltar a matilha:

Eu concentrei as fotos no janelão da esquerda (com 3 painéis), era o fundo mais “neutro” que eu poderia usar. Um dos SB-800 ficou na frente, apoiado em um tripé Manfrotto Nano01 com uma sombrinha translúcida, o outro 800 foi para trás, fazendo par com o SB-600, recortando quem fosse fotografado. Sobrou o 80DX, que por não fazer parte do sistema CLS da Nikon, só é usado em uma emergência. Como ele também tem uma fotocélula, pode ser disparado remotamente, mas não pode ser controlado diretamente na câmera.

A idéia era fazer retratos do Mauro, de 2 de seus alunos e de todos juntos. Montei uma disposição que criava uma luz com boa dramaticidade e versátil para qualquer situação.

O esquema pode ser mostrado aqui:

esquema principal

Repare que os dois flashes de trás garantem uma luz de recorte qualquer que seja a posição do “modelo” (na foto, o flash da esquerda não disparou, tinha entrado em stand by), a luz principal, na sombrinha, me dá uma luz suave que pode ser movida conforme o retratado varia a posição do corpo. Com pouco mais de 1 Kg, é fácil e rápido mudar o tripé de lugar. Se tivesse apenas que fotografar o Mauro, teria chegado esse tripé para muito mais perto dele, assim evitava que o fundo fosse iluminado, mas como iria fotografar também um grupo de 3 pessoas, deixei o conjunto pronto para todas as situações. Como o fundo será recortado no PS, não me preocupei muito (mentira, como verão mais abaixo..rsrsr…e só por curiosidade, o fundo da foto que abre esse post é o original, sem tratamento).

Já tinha a exposição que eu queria,  f/8 com 1/250s, bastava encontrar a potência correta dos flashes, distantes 2 metros de onde as pessoas ficariam, o próprio SB-800 é capaz de fazer isso sem sustos: 1/8 da potência total, longa vida para as baterias!

Todos os três flashes estão no canal 1 e no grupo A…eu sei…tem um SB-600 lá atrás que tem um número guia quase 30% menor que seu irmão mais velho, o 800, como ele pode estar no mesmo grupo dos demais?

Bom, NAQUELA posição, ele funciona como uma luz especular, que nada mais é do que um reflexo da fonte luminosa, mesmo em uma potência menor (ou maior), ele gera o mesmo brilho que o flash ao lado. A luz tem seus mistérios…

Tudo pronto, é só fazer a fila:

grupo 1

Nessa foto do grupo, tive que juntar o Mauro, os lutadores Athos Guimarães e Lívia Huber (que saiu da Áustria para treinar no Brasil) bem próximos um do outro para evitar o espaço entre as cortinas, usei um dos painéis como fundo e coloquei uma pequena tira de gel CTO para dar uma aquecida, era só um teste…

A disposição do grupo evitou que a luz da direita chegasse nas costas do Mauro, mas pelo menos ganhei um fundo limpo que não precisava ser recortado no PS.

grupo 2

Não há uma posição mágica que garanta a melhor luz, o que existe é o correto posicionamento dos retratados em relação à luz utilizada, como se pode ver na foto ao lado. Com o esquema de luz definido, só tive que ajustar a posição de cada um na foto para que cada flash fizesse seu trabalho de recorte e preenchimento

Espero que vocês lembrem que um dos flashes ainda estava descansando na bolsa, um SB-80 DX, junto com algumas gelatinas coloridas.

Um fundo cor “branco blargh” é mais do que uma razão para utilizá-lo, é uma ordem!

Iluminando o fundo, garanto contraste de luz e de cor ao mesmo tempo, como mostra o retrato da Lívia, abaixo:

Livia Huber

Você tem todo o direito de não gostar do fundo vermelho e eu tenho o dever de ter possibilidades na minha manga, com apenas outro pedaço de gelatina, eu posso dar o tom que quiser no fundo, como elas são pequenas, muito leves e dobráveis, cabem em qualquer lugar da bolsa. Adicionei um gel azul, em vez do vermelho, no retrato do Mauro, logo abaixo, desta vez com o quimono em vez do terno:

MAURO VERRY2

Eu encontrei um obstáculo pela frente: uma locação onde tinha todas as desculpas para não produzir nenhuma imagem interessante, mas com a ajuda de amigos eletrônicos e outros de carne e osso, muita concentração e gosto pelo que eu faço, consegui reverter a situação em meu favor, exatamente o propósito inicial do Mauro: as técnicas certas podem mudar um mundo…

Fico por aqui, boa sorte!

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