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Isso É um fundo branco! 56

“Tá me achando com cara de Sandy?”

Foi assim que Cotta, Johnny Cotta, respondeu quando perguntei se poderia usá-lo como modelo para um novo post.  “Mas a luz é dura ou suave?”

Pronto, eu já tinha o modelo!

A idéia é a seguinte: você precisa fazer um retrato e possui apenas um flash para iluminar a cena, todo aquele esquema pensado de múltiplas luzes vai para o fundo da gaveta porque não há muito “equipamento” disponível.

Melhor se acostumar com a luz dura, sombras densas, esquecer do fundo e ralar para comprar um jogo de luzes decente.

Johnny Cotta se afasta uns dois metros do fundo branco…(sim, o fundo é branco!) e a câmera é ajustada em ISO 100, f/5.6 @ 1/250s. Usando o próprio SB-900 eu calculei a potência em 1/8 da carga para uma distância do flash de 1,8 metro do João.

A foto resultante está abaixo:

f/5.6 @ 1/250s, ISO 100

Previsível não? Posicionado à esquerda da foto, inevitavelmente o flash produzirá sombras duras no outro lado da imagem e como o João está distante, o fundo acaba saindo cinza, apesar de a parede ser totalmente branca.

As sombras podem ser controladas com um rebatedor, posicionei uma folha grande de isopor à direita da foto para “abrir” aquelas sombras ( elas não me incomodam, mas..), a nova foto fica assim:

f/5.6 @ 1/250s, ISO 100 (rebatedor à direita)

Ok..tudo indo bem..mas e o fundo? Como fazer aquele cinza “burro quando foge” virar branco com apenas um flash? Se ao menos eu tivesse mais dois “cães” para estourar naquela parede…Com mais equipamento eu seria um fotógrafo melhor…

Calma, tudo o que você precisa é usar a cabeça!

MOMENTO “TROCADILHO INFAME“:

A cabeça de efeito ou “grip head”

grip head e painel difusor

Um acessório poderoso e versátil, as grip heads são usadas no cinema, televisão e fotografia para fixação de scrims, bandeiras, braços extensores, booms e no caso da foto acima, uma armação de metal funcionando como um painel difusor. Por serem muito baratas vale a pena ter um punhado delas no seu arsenal pela precisão no controle e alteração da luz.

Esse tripé com o painel foi colocado entre o flash e o João e a luz que passava pelo material translúcido (um filtro difusor da Rosco, mas a frente destacável do seu softbox funciona também) perdia intensidade enquanto ganhava qualidade. A parte que vazava atingia o fundo da mesma forma que antes. Observe o resultado abaixo:

f/5.6 @ 1/250s, ISO 100, painel difusor

O fundo continua cinza, mas como não houve alteração em nenhum ajuste da câmera, o João está subexposto por cerca de 1,5 ponto que é a perda de luz causada pelo difusor. A única opção que resta é compensar essa perda abrindo 1,5 ponto na abertura, o que irá “levantar” tanto a exposição do João quanto a do fundo.

É exatamente o que eu quero!

Agora, observe a mesma imagem com a abertura já em f/3,5:

Fundo branco e luz difusa…você já nasceu com o melhor equipamento.

Boa Luz e Boa Sorte!

Uma Carta de Girodet 45

Eu andei afastado do blog por uns tempos por causa das viagens com o WS I LOVE MY JOB, mas já estava acumulando idéias para novos posts quando uma mexida na minha caixa de correspondência revelou uma surpresa e tanto.

Misturado entre contas a pagar, propagandas inúteis e imãs de geladeira, um envelope branco chamava a minha atenção, pensei se tratar de um convite para um encontro de Fotografia, mas o selo de postagem indicava uma procedência um tanto quanto longe: França.

A grafia do nome deixava dúvidas sobre o gênero do remetente, mas a caligrafia mostrava certa habilidade artística. O fato de ter me enviado uma carta sugeria que não era muito afeito à tecnologias, com certeza um “old school”.

Podia jurar que o nome fora escrito à pena, a impressão não era jato de tinta, nem laser, havia falhas entre os movimentos das letras.

Dava certa dó abrir aquele envelope. O nome do remetente? Anne-Louis Girodet de Roussy-Trioson.

Endymion Asleep

Em uma rápida apresentação Girodet me relatava que seu trabalho como retratista estava rendendo frutos, sua obra vinha sendo aclamada e que sua vontade de inovar o levava a testar novas possibilidades, entre elas o uso dos flashes portáteis: “Minhas janelas são enormes, Renato, mas aqui na França o Sol não aparece a toda hora”.

Havia acabado de comprar uma Nikon D90 e estava com dificuldades de entender o funcionamento de um SB-900 fora da câmera e pelo teor de suas dúvidas acredito que as respostas podem ser úteis para muita gente. “Quero dominar meus chiens, pardon! Meus “cães” como você diz por aí”.

Sem dúvida, Girodet era um homem muito gentil, merecia ser ajudado.

No interior do envelope havia um DVD com seu portfólio e suas imagens demonstravam uma aptidão fora do normal com o uso da luz, certamente a dificuldade estava na programação do flash porque aquele francês era um mestre no uso da luz natural. Disse-me que ficaria grato se eu usasse suas imagens para ilustrar o texto, talvez elas pudessem inspirar os leitores.

Realmente as fotos eram tão lindas que pareciam pinturas e o tratamento no Photoshop perfeito! (ironia mode: on)

Psyche Asleep

Deixemos Girodet explicar:

Fui tentar um exercício:

- usar meu SB900 como luz principal, simulando uma fotografia still

- quis fazer como se eu precisasse de um fundo preto e não tivesse

- usei duas imagens de barro de negras africanas, com uns 40cm de altura

- meu fundo é a parede branca de meu quarto e a base a mesa cinza clara de estudos: quero tudo preto e a luz apenas nas estatuetas

- minha D 90 com a 50mm 1.8 estava a 1 metro das imagens

- meus primeiros testes foram com o SB900 sobre a camera

- as imagens estavam a uns 40cm da parede

- tendo apenas a luz fluorescente no quarto, consegui uma imagem totalmente preta com f/8 a 1/200 ISO 200 (natural da D90)

- passei a tentar o SB em TTL, mas tudo levava a imagem simplesmente a ficar lindamente e COMPLETAMENTE iluminada

- fechei o zoom do SB pra 105mm e aí é que estourou TUDO mesmo

- trabalhei aumentando a velocidade de obturador e toda a imagem escurece (1/200 1/400 1/800)

- trabalhei fechando o diafragma e toda a imagem escurece (f8  f13  f22)

Pergunta:

a- eu estou querendo algo POSSíVEL?

b- devo faze-lo em TTL ou Manual?

c- fonte de luz perto ou longe do objeto?

d- o objeto deve estar quão longe (ou perto) da parede branca para eu conseguir uma parede preta com as figuras iluminadas?

e- porque eu estou variando a velocidade e as fotos tem ficado SUBexpostas, se a velocidade não interfere no flash?

Girodet, os “cães” estão te arrancando pedaços, cara!

Vou tentar reproduzir a sua cena aqui em casa, vejamos: uma estátua de negra africana ( safadeeeeeenhoo!!!) com 40 cm de altura afastada meio metro da parede, uma D200 com uma 50mm f/1.4  fará o papel da sua D90 a f/8 com 1/200 s de velocidade de obturador.

Coloquei tudo na mesa de café da cozinha, não tenho uma parede branca, mas como procura um fundo preto, acho que dará no mesmo. O resultado pode ser conferido na foto abaixo, ainda com a luz fluorescente da cozinha:

ISO 800, f/2.5 @ 1/80 s (sem flash)

Em ISO 200 com a abertura em F/8 e o obturador em 1/200 s a cena fica assim:

Black Piano…não tem jeito, o flash é necessário para mostrar a boneca novamente e aqui começa o martírio:  como iluminar e não clarear a cena?

Com o flash em TTL no topo da D200 colocada a 1 m como no seu teste o resultado é o seguinte:

f/8@1/200, ISO 200, flash no topo da D200 a 1 m da boneca

A boneca e o fundo completamente “clareados”, como você mesmo mencionou. Não culpe o “cão”, ele está fazendo o que é programado para fazer: despejar luz para te safar de uma enrascada luminosa, mas como está sendo disparado no eixo da lente e está no dobro da distância da boneca para a parede, acaba contaminando o fundo também.

No painel traseiro do LCD do SB-900 consta que nessa exposição e com a cabeça em 50 mm o alcance de iluminação do flash varia de menos de 60 cm até 5,8 m, quando se ajusta a cabeça de zoom para 105 mm como foi feito por você, o novo alcance é de 60 cm até 7,3 m.

Os dois ajustes (50mm e 105mm) estão dentro da posição de onde se dispara o flash (1m), ele é capaz de variar a potência e ajustar a carga para essa variação de zomm em TTL, observe o resultado da mesma foto feita com o SB em 105mm:

f/8 @ 1/200s, ISO 200, Flash em 105mm

Em TTL a foto não deveria superexpor porque o flash tem capacidade de regular a carga dentro da distância em que você se encontrava, o mesmo não acontece em Manual. Quando se fecha o zoom da cabeça do SB, mais luz é concentrada no mesmo ponto, se não houver ajuste da carga ou da abertura, a foto sai superexposta.

Por exemplo, há 1 metro da boneca com a cabeça em 50mm, a carga correta é aproximadamente 1/32.

Flash em manual, 1 m da boneca, cabeça em 50mm

Ah! pela primeira vez azulejos brancos que parecem brancos e não cinzas, mas isso é outra história….Fechada em 105mm e mantendo a distância de 1m a foto sai dessa forma:

Flash em 105mm a 1 m da boneca

a carga correta para essa distância seria de 1/64, como não houve redução a foto está superexposta por 1 ponto. Estou assumindo que o flash estava em manual a partir de agora, ok?

Você se pergunta porque a imagem escurece quando a velocidade do obturador é alterada, haja vista que ela não está presente na fórmula que controla o flash e cita valores como 1/200, 1/400, 1/800…

O problema é que sem saber você entrou no modo de Sincronismo em Alta Velocidade (Modo FP) que faz com que seu SB funcione além da velocidade de sincronismo (1/200 na D90). Nesse modo ele dispara pequenos pulsos de luz que vão acompanhando a fresta que se forma no obturador, fazendo com que ele perca potência de forma considerável.

Veja como a foto fica com a velocidade ajustada para 1/800 s:

Minha câmera está com a função Auto FP sempre ligada, tenho que prestar atenção constantemente no ajuste da velocidade do obturador para não ter problemas na hora do clique. Você está livre de antigos limites, mas deve ficar atento.

Sua próxima dúvida bate de frente com a fórmula que controla o flash: “trabalhei fechando o diafragma e toda a imagem escurece (f8  f13  f22)”

Sim, a imagem vai escurecer porque a distância do flash à boneca e  a carga não mudaram, mas a abertura foi fechada várias vezes, reduzindo a quantidade de energia luminosa que atingia o sensor.

Veja como fica a imagem com o flash em 1/32 da carga a 1 metro da boneca, 1/200 s e f/16 (o correto seria f/8):

F/16 em vez de f/8

e antes que os “cães” jogassem uma pá de cal nos seus sonhos veio a pergunta:

Eu estou querendo algo POSSíVEL? Devo faze-lo em TTL ou Manual? Fonte de luz perto ou longe do objeto?

Sim é possível, mas definitivamente deve-se soltar o flash do topo de sua câmera. Você quer controlar a distribuição de luz na sua foto e determinar a posição de onde ela é disparada é a melhor forma de se fazer isso.

vai catar coquinho né, Girodet?

Quanto mais afastada a luz estiver do assunto, maiores são as chances de contaminação do fundo (imaginando-se, claro, que haja um fundo próximo do motivo). É uma implicação direta da lei do Inverso do Quadrado da Distância (I= 1/d^2).

Como eu desejo um fundo totalmente escuro, devo aproximar a luz da boneca. Quanto? Ora, quem determinará isso será o tamanho do meu quadro.

Ao enquadrar a boneca verticalmente eu consigo aproximar bem o flash e usando qualquer direção de luz diferente do eixo da lente faço com que a iluminação não atinja a área do fundo que está sendo fotografada. É o fotógrafo controlando a luz da cena e não a espalhando indiscriminadamente pela foto.

Uma outra possibilidade para “forçar” a luz a não atingir o fundo é usar um modificador como uma colméia ou um snoot para controlar o tamanho do feixe de luz, na foto abaixo usei um cine-foil (ou uma cartolina preta) na cabeça do flash como bandeira. Veja o resultado:

Quando se trabalha em espaços pequenos o controle das áreas iluminadas é fundamental, nessa última foto até o disparo do “built-in” flash estava jogando luz no fundo, tive que colocar a mão na frente dele para evitar a “contaminação”.

Fico por aqui! Boa luz e Boa Sorte!

e siga o @i_lovemyjob no twitter para surpresas em breve!

Mademoiselle Lange As Venus

O Amor é Lindo! 30

Uma semana depois de fotografar o Ricardo Blat com o abajur, tive a chance de entrar no estúdio para fazer as fotos para a divulgação de sua nova peça, “O Amor é Lindo”, um monólogo sobre casamento e as relações marido x mulher. Ricardo interpreta tanto o homem quanto a mulher e ver esses personagens, Bibiana e Albuquerque, aparecerem na frente da minha câmera foi hilário.

As fotos foram feitas no estúdio Fábrica, em Copacabana, e o clima de descontração permaneceu durante toda a sessão. Rafa, o super assistente, fez algumas imagens que podem ser vistas no filme abaixo:

O primeiro retrato foi do próprio Ricardo, necessário para completar o jogo de fotos feitas com o abajur. Usei 3 tochas Mako 2002+, uma com um beauty dish na frente como luz principal e as outras duas atrás dele, com 2 softboxes grandes, como luz de recorte. Precisava de uma foto de corpo inteiro do ator, mas os softboxes acabavam aparecendo na imagem. No início pensei em limpar depois no Photoshop, mas a simetria foi tão interessante que as tochas serviram de moldura para o retrato. Resolvi deixar assim mesmo…

O resultado está aqui:

Retrato pronto, faltava agora as fotos dos dois personagens. Enquanto Ricardo se transformava em Bibiana, eu e Rafa adicionávamos mais uma tocha “estourando o fundo” para facilitar o trabalho do designer da capa, Ronaldo. As três tochas principais funcionam na mesma exposição (se não me engano f/11) e a tocha do fundo, posicionada de forma que o corpo de “Bibiana” a escondesse, está um ponto mais potente. Como é um estúdio pequeno, o uso do fotômetro é essencial para evitar retorno e contaminação de outras áreas por luzes diferentes (aliás, o uso do fotômetro é essencial em qualquer caso dentro de um estúdio. Fuja de quem te aconselha o contrário, seus olhos e o LCD da câmera são facilmente enganáveis. Um bom vídeo explicando isso pode ser encontrado na rede social do I LOVE MY JOB – obrigado Julio Sene!)

Vavá Torres, um mago na caracterização dos personagens e a figurinista Ticiana Passos deram o toque final tanto na Bibiana quanto no Albuquerque. Eu cliquei 100 fotos em RAW para cada um e depois selecionamos 8 delas no próprio estúdio. Tudo muito rápido e tranquilo. As fotos escolhidas para o cartaz da peça foram essas aqui:

Albuquerque

e sua esposa, Bibiana:

Bibiana

Portanto, se você estiver em Juiz de Fora, MG, no dia 13 de agosto, corra para o Teatro Pró-Música e se divirta com o talento do Ricardo. O texto é hilário! O cartaz da peça está aqui:

Ah! Se é possível fazer a mesma foto usando os “cães”em vez das tochas? Sim, perfeitamente possível, só não levei os bichos porque sabia que iria encontrar luz no estúdio, era menos uma bolsa para carregar. Os cães estão meio bravos comigo ultimamente…rsrsrs

Boa luz e boa sorte!

Isso não é um fundo branco! 37

Sandy abre

A semi-final do quadro “Soletrando”, do Caldeirão do Huck, aconteceu nessa semana no Projac. Além do ótimo professor Sergio Nogueira, a cantora Sandy participou como jurada. Quando as assessoras souberam que ela estaria presente, eu escutei:

“Ah! Renato, aproveita essa chance e faz uma foto bonita dela, para a gente tentar emplacar em alguma coluna…Ela está no estúdio F…”

Como o estúdio fica próximo da nossa sala de imprensa, passei por lá e peguei uma sombrinha rebatedora grande e tratei de fazer a foto. Minha idéia era usar uma superfície metálica e aproveitar o brilho gerado pelo flash para criar um halo brilhante de luz atrás da cabeça da cantora. 2 efeitos diferentes com uma luz só, vinda do SB que eu trazia comigo.

A única porta grande o suficiente que encontrei ficava fora do estúdio, longe do camarim onde ela estava. Restava o pior dos trabalhos: convencê-la a ir até lá, fora do ar condicionado e próximo do público…Eu fui até o camarim e comecei a pensar em um plano B…

Encontrei a assessora da Sandy, Rogéria, e comentei sobre a minha idéia, ela rebateu de imediato: “não dá para fazer por aqui? Ela já está toda maquiada, pronta”. Olhou para os lados e me perguntou: “Não dá para fazer perto daquela parede de tijolos de vidro?”. O plano B apareceu como um estalo e eu brinquei: “qual parede, aquela branca?…”que parede branca? É aquela de tijolos”

“Pois é, para mim, ela é uma parede branca”. Olhei para o SB e ele piscou para mim, tinha entendido a brincadeira. Sabia que mais uma vez, iríamos tirar leite de pedra.

Aqui está o que a Rogéria, assessora, viu:

Sandy1

Ela está a minha esquerda, segurando o SB colado na sombrinha, sem tripé, sem nada.

A D200, com uma 17-55 f/2.8, funciona com ISO 400, abertura 3.5 e 1/100 s. O SB está em REMOTE, em TTL mesmo. O retrato tinha que ser feito em segundos, deixei o trabalho pesado para os japonesinhos dentro do flash…

A luz que ilumina os tijolinhos do fundo vem do Sol.

Resultado?

Uma foto sem a menor graça, contra um fundo que eu já devo ter fotografado umas duzentas vezes seguidas, que nunca me disse nada…

Acho que já escrevi aqui que se pode usar as sombras para esconder detalhes indesejáveis, ou usar a luz para lavá-los da foto e já disse, também, que a vantagem de usar um flash é a possibilidade de estabelecer relações com a luz natural.

Com a exposição do rosto garantida pela abertura correta e o flash, bastava variar a velocidade de obturador para “brincar” com aquela parede insossa.

Se eu fizesse uma subexposição, usando uma velocidade mais alta, sumiria com a luz natural nos tijolos, mas manteria a textura deles. Mas, e se eu GRADUALMENTE diminuísse a velocidade do obturador até que nenhuma textura aparecesse?

Os resultados estão aqui:

FUNDO

FUNDO meio

FUNDO BRANCO

Tudo o que fiz foi selecionar alguns valores mais lentos do que o 1/100 s iniciais e encontrar aquele que me desse o branco sem textura que eu procurava. Acho desnecessário indicar os valores corretos, por que dificilmente vocês vão encontrar a mesma condição de luz, o importante é o conceito por trás da técnica, até porque como os valores foram ficando baixos demais, subi a sensibilidade da câmera para ISO 800 no meio do processo.

Logo, em ISO 800, com f/3.2 (garantindo o foco apenas no rosto) e com 1/30 s, iluminei com o flash o rosto da Sandy e lavei com o sol a parede de tijolos irritantes. Lá estava a parede branca que a Rogéria não conseguia enxergar.

“A luz do sol é o melhor dos detergentes”

Sandy

Sem photoshop para recortar o fundo, apenas uma leve alteração de contraste no rosto

Simples, rápido e eficiente!

Fico por aqui…

Boa sorte!

A Arte Suave. 14

Semana passada eu ouvi o pedido de um amigo:

“Eu queria usar os ensinamentos e as técnicas do Jiu-Jitsu para ajudar pessoas na sua vida pessoal e profissional. Acho que a luta tem muito a ensinar sobre superação de problemas, valorização da auto estima, concentração, alimentação e respeito. Vou fazer um blog onde mostrarei tudo o que eu aprendi até hoje, mostrando também que um lutador não é um irresponsável, muito pelo contrário, é alguém que conhece seus limites e a forma de superá-los. Me ajuda com as fotos?”

Eu conheço o Mauro Verry, ou Maurinho para os íntimos, desde que eu era criança, sua história dá crédito ao seu propósito e chegar aos 50 anos com a disposição de um garoto não é para qualquer um. Ponto para o Jiu-Jitsu.

Quando escutaram a palavra fotos, os cachorros eletrônicos começaram a latir dentro da bolsa e, para ser sincero, não costumo dizer “não” para alguém que amarra seu quimono com uma faixa marrom…rsrsrs.

Coloquei 2 SB-800, 1 SB-600 e 1 SB-80dx no carro e rumei até a academia Pontal Fitness, no Recreio, onde ele treina aqui no Rio de Janeiro.

Encontrei exatamente o que esperava:

ACADEMIA

Atrás de mim e na minha direita, espelhos…na minha esquerda, uma parede branca repleta de acessórios de ginástica, logo acima, luz fluorescente, sobrou o janelão que aparece na foto. Fechei as cortinas para que a luz natural não contaminasse o ambiente e tratei de encontrar uma exposição que eliminasse a presença da luz fluorescente, essa sim, um horror em qualquer caso.

Uma das grandes vantagens de usar uma luz artificial e controlável na sua foto é a possibilidade de estabelecer relações com as outras fontes luminosas. Variando a velocidade do obturador, controla-se a quantidade de luz ambiente e a abertura do diafragma segura a potência do flash. Todo o controle na sua mão, não é mais São Pedro ou a OSRAM que ditam o caminho a seguir, são seus neurônios.

Bem, além de controle, conforto total: quando você imaginou fotografar em ISO 100, f/8 e 1/250 s dentro de uma sala, sem tripé, a qualquer hora do dia? Ponto para os flashes.

Hora se soltar a matilha:

Eu concentrei as fotos no janelão da esquerda (com 3 painéis), era o fundo mais “neutro” que eu poderia usar. Um dos SB-800 ficou na frente, apoiado em um tripé Manfrotto Nano01 com uma sombrinha translúcida, o outro 800 foi para trás, fazendo par com o SB-600, recortando quem fosse fotografado. Sobrou o 80DX, que por não fazer parte do sistema CLS da Nikon, só é usado em uma emergência. Como ele também tem uma fotocélula, pode ser disparado remotamente, mas não pode ser controlado diretamente na câmera.

A idéia era fazer retratos do Mauro, de 2 de seus alunos e de todos juntos. Montei uma disposição que criava uma luz com boa dramaticidade e versátil para qualquer situação.

O esquema pode ser mostrado aqui:

esquema principal

Repare que os dois flashes de trás garantem uma luz de recorte qualquer que seja a posição do “modelo” (na foto, o flash da esquerda não disparou, tinha entrado em stand by), a luz principal, na sombrinha, me dá uma luz suave que pode ser movida conforme o retratado varia a posição do corpo. Com pouco mais de 1 Kg, é fácil e rápido mudar o tripé de lugar. Se tivesse apenas que fotografar o Mauro, teria chegado esse tripé para muito mais perto dele, assim evitava que o fundo fosse iluminado, mas como iria fotografar também um grupo de 3 pessoas, deixei o conjunto pronto para todas as situações. Como o fundo será recortado no PS, não me preocupei muito (mentira, como verão mais abaixo..rsrsr…e só por curiosidade, o fundo da foto que abre esse post é o original, sem tratamento).

Já tinha a exposição que eu queria,  f/8 com 1/250s, bastava encontrar a potência correta dos flashes, distantes 2 metros de onde as pessoas ficariam, o próprio SB-800 é capaz de fazer isso sem sustos: 1/8 da potência total, longa vida para as baterias!

Todos os três flashes estão no canal 1 e no grupo A…eu sei…tem um SB-600 lá atrás que tem um número guia quase 30% menor que seu irmão mais velho, o 800, como ele pode estar no mesmo grupo dos demais?

Bom, NAQUELA posição, ele funciona como uma luz especular, que nada mais é do que um reflexo da fonte luminosa, mesmo em uma potência menor (ou maior), ele gera o mesmo brilho que o flash ao lado. A luz tem seus mistérios…

Tudo pronto, é só fazer a fila:

grupo 1

Nessa foto do grupo, tive que juntar o Mauro, os lutadores Athos Guimarães e Lívia Huber (que saiu da Áustria para treinar no Brasil) bem próximos um do outro para evitar o espaço entre as cortinas, usei um dos painéis como fundo e coloquei uma pequena tira de gel CTO para dar uma aquecida, era só um teste…

A disposição do grupo evitou que a luz da direita chegasse nas costas do Mauro, mas pelo menos ganhei um fundo limpo que não precisava ser recortado no PS.

grupo 2

Não há uma posição mágica que garanta a melhor luz, o que existe é o correto posicionamento dos retratados em relação à luz utilizada, como se pode ver na foto ao lado. Com o esquema de luz definido, só tive que ajustar a posição de cada um na foto para que cada flash fizesse seu trabalho de recorte e preenchimento

Espero que vocês lembrem que um dos flashes ainda estava descansando na bolsa, um SB-80 DX, junto com algumas gelatinas coloridas.

Um fundo cor “branco blargh” é mais do que uma razão para utilizá-lo, é uma ordem!

Iluminando o fundo, garanto contraste de luz e de cor ao mesmo tempo, como mostra o retrato da Lívia, abaixo:

Livia Huber

Você tem todo o direito de não gostar do fundo vermelho e eu tenho o dever de ter possibilidades na minha manga, com apenas outro pedaço de gelatina, eu posso dar o tom que quiser no fundo, como elas são pequenas, muito leves e dobráveis, cabem em qualquer lugar da bolsa. Adicionei um gel azul, em vez do vermelho, no retrato do Mauro, logo abaixo, desta vez com o quimono em vez do terno:

MAURO VERRY2

Eu encontrei um obstáculo pela frente: uma locação onde tinha todas as desculpas para não produzir nenhuma imagem interessante, mas com a ajuda de amigos eletrônicos e outros de carne e osso, muita concentração e gosto pelo que eu faço, consegui reverter a situação em meu favor, exatamente o propósito inicial do Mauro: as técnicas certas podem mudar um mundo…

Fico por aqui, boa sorte!

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