Tag flashes

Uma Carta de Girodet 45

Eu andei afastado do blog por uns tempos por causa das viagens com o WS I LOVE MY JOB, mas já estava acumulando idéias para novos posts quando uma mexida na minha caixa de correspondência revelou uma surpresa e tanto.

Misturado entre contas a pagar, propagandas inúteis e imãs de geladeira, um envelope branco chamava a minha atenção, pensei se tratar de um convite para um encontro de Fotografia, mas o selo de postagem indicava uma procedência um tanto quanto longe: França.

A grafia do nome deixava dúvidas sobre o gênero do remetente, mas a caligrafia mostrava certa habilidade artística. O fato de ter me enviado uma carta sugeria que não era muito afeito à tecnologias, com certeza um “old school”.

Podia jurar que o nome fora escrito à pena, a impressão não era jato de tinta, nem laser, havia falhas entre os movimentos das letras.

Dava certa dó abrir aquele envelope. O nome do remetente? Anne-Louis Girodet de Roussy-Trioson.

Endymion Asleep

Em uma rápida apresentação Girodet me relatava que seu trabalho como retratista estava rendendo frutos, sua obra vinha sendo aclamada e que sua vontade de inovar o levava a testar novas possibilidades, entre elas o uso dos flashes portáteis: “Minhas janelas são enormes, Renato, mas aqui na França o Sol não aparece a toda hora”.

Havia acabado de comprar uma Nikon D90 e estava com dificuldades de entender o funcionamento de um SB-900 fora da câmera e pelo teor de suas dúvidas acredito que as respostas podem ser úteis para muita gente. “Quero dominar meus chiens, pardon! Meus “cães” como você diz por aí”.

Sem dúvida, Girodet era um homem muito gentil, merecia ser ajudado.

No interior do envelope havia um DVD com seu portfólio e suas imagens demonstravam uma aptidão fora do normal com o uso da luz, certamente a dificuldade estava na programação do flash porque aquele francês era um mestre no uso da luz natural. Disse-me que ficaria grato se eu usasse suas imagens para ilustrar o texto, talvez elas pudessem inspirar os leitores.

Realmente as fotos eram tão lindas que pareciam pinturas e o tratamento no Photoshop perfeito! (ironia mode: on)

Psyche Asleep

Deixemos Girodet explicar:

Fui tentar um exercício:

- usar meu SB900 como luz principal, simulando uma fotografia still

- quis fazer como se eu precisasse de um fundo preto e não tivesse

- usei duas imagens de barro de negras africanas, com uns 40cm de altura

- meu fundo é a parede branca de meu quarto e a base a mesa cinza clara de estudos: quero tudo preto e a luz apenas nas estatuetas

- minha D 90 com a 50mm 1.8 estava a 1 metro das imagens

- meus primeiros testes foram com o SB900 sobre a camera

- as imagens estavam a uns 40cm da parede

- tendo apenas a luz fluorescente no quarto, consegui uma imagem totalmente preta com f/8 a 1/200 ISO 200 (natural da D90)

- passei a tentar o SB em TTL, mas tudo levava a imagem simplesmente a ficar lindamente e COMPLETAMENTE iluminada

- fechei o zoom do SB pra 105mm e aí é que estourou TUDO mesmo

- trabalhei aumentando a velocidade de obturador e toda a imagem escurece (1/200 1/400 1/800)

- trabalhei fechando o diafragma e toda a imagem escurece (f8  f13  f22)

Pergunta:

a- eu estou querendo algo POSSíVEL?

b- devo faze-lo em TTL ou Manual?

c- fonte de luz perto ou longe do objeto?

d- o objeto deve estar quão longe (ou perto) da parede branca para eu conseguir uma parede preta com as figuras iluminadas?

e- porque eu estou variando a velocidade e as fotos tem ficado SUBexpostas, se a velocidade não interfere no flash?

Girodet, os “cães” estão te arrancando pedaços, cara!

Vou tentar reproduzir a sua cena aqui em casa, vejamos: uma estátua de negra africana ( safadeeeeeenhoo!!!) com 40 cm de altura afastada meio metro da parede, uma D200 com uma 50mm f/1.4  fará o papel da sua D90 a f/8 com 1/200 s de velocidade de obturador.

Coloquei tudo na mesa de café da cozinha, não tenho uma parede branca, mas como procura um fundo preto, acho que dará no mesmo. O resultado pode ser conferido na foto abaixo, ainda com a luz fluorescente da cozinha:

ISO 800, f/2.5 @ 1/80 s (sem flash)

Em ISO 200 com a abertura em F/8 e o obturador em 1/200 s a cena fica assim:

Black Piano…não tem jeito, o flash é necessário para mostrar a boneca novamente e aqui começa o martírio:  como iluminar e não clarear a cena?

Com o flash em TTL no topo da D200 colocada a 1 m como no seu teste o resultado é o seguinte:

f/8@1/200, ISO 200, flash no topo da D200 a 1 m da boneca

A boneca e o fundo completamente “clareados”, como você mesmo mencionou. Não culpe o “cão”, ele está fazendo o que é programado para fazer: despejar luz para te safar de uma enrascada luminosa, mas como está sendo disparado no eixo da lente e está no dobro da distância da boneca para a parede, acaba contaminando o fundo também.

No painel traseiro do LCD do SB-900 consta que nessa exposição e com a cabeça em 50 mm o alcance de iluminação do flash varia de menos de 60 cm até 5,8 m, quando se ajusta a cabeça de zoom para 105 mm como foi feito por você, o novo alcance é de 60 cm até 7,3 m.

Os dois ajustes (50mm e 105mm) estão dentro da posição de onde se dispara o flash (1m), ele é capaz de variar a potência e ajustar a carga para essa variação de zomm em TTL, observe o resultado da mesma foto feita com o SB em 105mm:

f/8 @ 1/200s, ISO 200, Flash em 105mm

Em TTL a foto não deveria superexpor porque o flash tem capacidade de regular a carga dentro da distância em que você se encontrava, o mesmo não acontece em Manual. Quando se fecha o zoom da cabeça do SB, mais luz é concentrada no mesmo ponto, se não houver ajuste da carga ou da abertura, a foto sai superexposta.

Por exemplo, há 1 metro da boneca com a cabeça em 50mm, a carga correta é aproximadamente 1/32.

Flash em manual, 1 m da boneca, cabeça em 50mm

Ah! pela primeira vez azulejos brancos que parecem brancos e não cinzas, mas isso é outra história….Fechada em 105mm e mantendo a distância de 1m a foto sai dessa forma:

Flash em 105mm a 1 m da boneca

a carga correta para essa distância seria de 1/64, como não houve redução a foto está superexposta por 1 ponto. Estou assumindo que o flash estava em manual a partir de agora, ok?

Você se pergunta porque a imagem escurece quando a velocidade do obturador é alterada, haja vista que ela não está presente na fórmula que controla o flash e cita valores como 1/200, 1/400, 1/800…

O problema é que sem saber você entrou no modo de Sincronismo em Alta Velocidade (Modo FP) que faz com que seu SB funcione além da velocidade de sincronismo (1/200 na D90). Nesse modo ele dispara pequenos pulsos de luz que vão acompanhando a fresta que se forma no obturador, fazendo com que ele perca potência de forma considerável.

Veja como a foto fica com a velocidade ajustada para 1/800 s:

Minha câmera está com a função Auto FP sempre ligada, tenho que prestar atenção constantemente no ajuste da velocidade do obturador para não ter problemas na hora do clique. Você está livre de antigos limites, mas deve ficar atento.

Sua próxima dúvida bate de frente com a fórmula que controla o flash: “trabalhei fechando o diafragma e toda a imagem escurece (f8  f13  f22)”

Sim, a imagem vai escurecer porque a distância do flash à boneca e  a carga não mudaram, mas a abertura foi fechada várias vezes, reduzindo a quantidade de energia luminosa que atingia o sensor.

Veja como fica a imagem com o flash em 1/32 da carga a 1 metro da boneca, 1/200 s e f/16 (o correto seria f/8):

F/16 em vez de f/8

e antes que os “cães” jogassem uma pá de cal nos seus sonhos veio a pergunta:

Eu estou querendo algo POSSíVEL? Devo faze-lo em TTL ou Manual? Fonte de luz perto ou longe do objeto?

Sim é possível, mas definitivamente deve-se soltar o flash do topo de sua câmera. Você quer controlar a distribuição de luz na sua foto e determinar a posição de onde ela é disparada é a melhor forma de se fazer isso.

vai catar coquinho né, Girodet?

Quanto mais afastada a luz estiver do assunto, maiores são as chances de contaminação do fundo (imaginando-se, claro, que haja um fundo próximo do motivo). É uma implicação direta da lei do Inverso do Quadrado da Distância (I= 1/d^2).

Como eu desejo um fundo totalmente escuro, devo aproximar a luz da boneca. Quanto? Ora, quem determinará isso será o tamanho do meu quadro.

Ao enquadrar a boneca verticalmente eu consigo aproximar bem o flash e usando qualquer direção de luz diferente do eixo da lente faço com que a iluminação não atinja a área do fundo que está sendo fotografada. É o fotógrafo controlando a luz da cena e não a espalhando indiscriminadamente pela foto.

Uma outra possibilidade para “forçar” a luz a não atingir o fundo é usar um modificador como uma colméia ou um snoot para controlar o tamanho do feixe de luz, na foto abaixo usei um cine-foil (ou uma cartolina preta) na cabeça do flash como bandeira. Veja o resultado:

Quando se trabalha em espaços pequenos o controle das áreas iluminadas é fundamental, nessa última foto até o disparo do “built-in” flash estava jogando luz no fundo, tive que colocar a mão na frente dele para evitar a “contaminação”.

Fico por aqui! Boa luz e Boa Sorte!

e siga o @i_lovemyjob no twitter para surpresas em breve!

Mademoiselle Lange As Venus

12 meses em 2 horas 45

Meu nada saudoso notebook pifou de vez no meio desse ano e a única coisa que consegui recuperar foi seu “gigantesco” HD de 80 GB. O calor insuportável que fez hoje no Rio de Janeiro foi a desculpa perfeita para ficar no ar-condicionado dando uma olhada no material que ele guardava. Algumas surpresas boas apareceram e uma delas acabou virando esse post aqui no blog (outras estão no forno).

Em Fevereiro o pessoal da internet da Rede Globo decidiu fazer um calendário da antiga temporada de Malhação e combinaram comigo de fazer as fotos depois de tudo acertado com os atores e a produção. Eram 16 pessoas para fotografar na Cidade Cenográfica onde a novelinha se desenrolava e o tempo era escasso, muito escasso: 2 horas apenas até o início das gravações no estúdio. Eu tinha que ser rápido…com um assobio 3 “cães” já tinham pulado para a bolsa, felizes da vida e prontos para a ação. Foi só adicionar uns soft-boxes médios caso eu quisesse modificar a luz e o jogo de iluminação estava pronto. Rumamos para a cidade cenográfica e começamos a sessão de fotos.

O vídeo abaixo mostra as condições de luz (começamos às 10 da manhã) e a quantidade de locais diferentes que serviram de locação. Em todas as fotos os flashes funcionaram em TTL e o resultado foi gratificante e surpreendente por conta do pouco tempo que tivemos. Vejam o vídeo que logo abaixo eu comento alguns detalhes de algumas fotos (é muito provável que vocês tenham que assistir ao vídeo algumas vezes):

A primeira foto foi com a atriz Cris Peres, que está dentro de uma sala de aula. Um flash está à esquerda da atriz com um soft-box e outro logo atrás dela, fazendo uma luz de “recorte”, os dois funcionam no grupo A, ou seja, disparam na mesma potência. O grande problema é que a fotografo do lado de fora e a luz do flash embutido da D200 era bloqueada pela parede da sala. Como o sistema CLS da Nikon depende que todos os flashes estejam em um mesmo raio de visão, esse é o exemplo perfeito para se usar um rádio flash para disparar os SBs.

clique para aumentar

Só que eu não uso radio-flashes…eles só fazem uma coisa, enquanto um flash pode fazer várias, e dependendo da marca do rádio, pode custar mais caro que um flash. A solução para essa foto foi posicionar o terceiro SB na menor carga possível (1/128) , no Grupo B, bem na frente da janela da sala de aula e apontá-lo para o sensor do flash lá de dentro. Esse flash auxiliar e em menor potência era “visto” pelo flash embutido da D200 e fazia uma triangulação luminosa com os outros 2, disparando todo o conjunto. Simples e rápido e sem depender de mais um equipamento extra.

Na foto abaixo eu posicionei o ator Murilo Couto ( Beto) de frente para o Sol, funcionando como luz principal. Como fotografo ligeiramente de baixo e as sombras projetadas já indicam que estamos chegando próximo do meio-dia, pedi que ele olhasse em direção ao Sol para que a luz preenchesse todo o seu rosto, evitando sombras duras nos olhos e nariz. Esse ajuste da face ajudou na intenção de mostrar a força física do personagem. Os mesmos SBs da foto anterior agora estão atrás do ator e as cabeças dos flashes foram fechadas ( usei um snoot de cine-foil) de tal forma que só iluminassem parte da cabeça, dando destaque à expressão facial. Veja o resultado abaixo:

clique para aumentar

Voltamos para a mesma sala de aula da primeira foto e dessa vez um SB foi utilizado para simular a luz do Sol entrando pela janela. Ele está posicionado atrás dos atores e o segundo SB foi montado novamente no soft-box suavizando a luz que chegava no casal. Vejam o resultado:

casal

clique para aumentar

As próximas duas fotos mostram a vantagem de se entender perfeitamente o conceito de número-guia do flash, ele guarda informações sobre como a luz se distribui em uma imagem. Eu tinha que fazer fotos de corpo inteiro de 2 atrizes e o tempo nublou de uma hora para a outra. Nos dois casos apenas um SB adaptado no softbox foi usado, mas a distância em que ele se encontrava das modelos me ajudou a ter uma luz mais abrangente em vez de uma mais potente. O vídeo de making of mostra onde o SB estava na foto da atriz Mariana Molina, na escadaria vermelha. Observem a qualidade da luz nas duas fotos:

Mariana Molina

clique para aumentar

Clique para aumentar

A chave para a compreensão dos mistérios da luz do flash está guardada de forma simples no conceito de número-guia e aprender a usá-lo a seu favor é o que eu tento explorar nos Workshops I LOVE MY JOB. No final de Novembro tive a chance de encontrar duas turmas cariocas que se empolgaram com essa descoberta, vejam o que eles tem a dizer sobre o curso:

No último post, “Reflexos no Código Da Vinci“, eu comentei sobre a propriedade que a luz especualar tem de revelar a textura do material que ela ilumina. A foto da atriz Carolinie Figueiredo mostra um exemplo disso. Um SB está montado no soft-box bem a sua frente e outro está posicionado atrás dela, de forma que o ângulo de incidência seja o mesmo de reflexão da luz, o brilho especular gerado no armário atrás dela permite que você entenda que ele é feito de metal e não de madeira, por exemplo. Veja esse comportamento da luz na foto abaixo:

Carolinie Fugueiredo

Clique para aumentar

Durante o workshop de Recife, feito no último final de semana, conseguimos trabalhar isso muito bem, os depoimentos dos participantes, com um sotaque delicioso, pode ser visto no vídeo abaixo:

A foto mais legal da sessão eu deixei por último. Dessa vez era a a hora de fotografar o Fiuk dentro de uma biblioteca e tive que usar os 3 flashes juntos pela primeira vez. Dois deles estão atrás do ator, fazendo a luz especular em seu rosto e corpo e há um terceiro flash escondido na foto. Observe  imagem e veja se consegue dizer onde o SB foi posicionado:

Clique para aumentar

Coloquei uma folha de papel dentro da cartola preta e pedi ao ator que segurasse o flash de forma que sua luz rebatesse na folha branca e voltasse em seu rosto! Mesmo longe do alcance do flash embutido da D200, os outros flashes estourando lá atrás conseguiam atingir o interior da cartola, fazendo-o disparar, dando um efeito mais dramático na foto.

Em apenas 2 horas 16 pessoas form fotografadas com os flashes funcionando em TTL o tempo todo, me dando uma liberdade e versatilidade para criar que é diícil ser reproduzida com as tochas grandonas de estúdio. Entender como os flashinhos podem ser úteis e poderosos libera a sua mente para se preocupar com o que realmente importa na foto: sua criatividade.

Até o final de Dezembro, 2 Workshops ainda vão acontecer, um em Vitória, nos dias 11/12 de Dezembro (praticamente esgotado, resta 1 vaga apenas) e outro em Brasília nos dias 18/19. Na agenda do blog você encontra todas as informações para fazer sua inscrição, e começamos 2011 já com outro WS aqui no Rio e em Cuibá, não perca as novas atualizações do I LOVE MY JOB e esperem por mais novidades boas muito em breve.

Caso queiram ver todas as fotos do calendário, é só clicar aqui

Espero que tenham gostado!

Boa Luz e Boa Sorte!!

“Reflexos” no Código Da Vinci 25

Eu sei, eu sei, eu sei…prometi a resposta ao mistério do quadro apresentado no post “O Código Da Vinci” para o dia 30 de Abril, mas de lá até agora aconteceram tantas coisas na minha vida que dariam vários posts, pena que não sobre fotografia…Eu peço desculpas pelo atraso, mas vou tentar responder hoje. E vai ser difícil entregar a camisa a um só leitor porque foram várias as participações, muitos falaram apenas em rebatedor, o que está “quase” correto, mas só um deles falou primeiro exatamente o conceito descrito aqui, o nome do ganhador está no final do post….

Para aqueles que não o leram eu recomendo que o façam agora, clicando aqui e aproveitem para ver o complemento da discussão no post seguinte, “Olhe nos olhos, quero ver o que você diz”, assim a resposta tende a ficar mais clara.

Tudo começou quando comentei sobre o quadro de Leonardo Da Vinci, “Lady with an Ermine”, de 1489, mostrado abaixo:

Lady with an Ermine, 1489-1490 - Leonardo Da Vinci

Eu perguntava se Da Vinci havia mesmo usado uma luz apenas na pintura e , se isso fosse verdade, como poderia surgir um brilho de intensidade maior que a própria fonte luminosa na linha da maxila da modelo, justamente em uma área de sombra, como se pode ver no detalhe abaixo:

Muitos comentaram que provavelmente havia um espelho refletindo a luz original e outros fizeram abstrações curiosas sobre um comportamento tão corriqueiro da luz e explorado à exaustão na publicidade que mostra como podemos viciar nossos olhos e deixar de percerber detalhes importantes para profissionais que trabalham com iluminação.

A resposta pode ser vista em qualquer final de tarde e originalmente eu iria fazer um vídeo simples usando o Sol como referência, mas como não para de chover aqui no Rio e o blog fala sobre flashes, resolvi, então, usar apenas um SB-900 montado em um softbox médio para ilustrar o conceito e sua poderosa utilização. Vamos aos detalhes, sigam as fotos abaixo, por favor:

f/5.6 @ 1/250s com 1/16 do SB-900

Essa é Daniela, sendo iluminada por um SB-900 em 1/16 da carga, colocado à direita da foto, distante 1,4 m dela. A exposição correta para essa distância seria f/8, mas como o softbox rouba potência, tive que abrir um stop no diafragma para evitar uma subexposição. Não se preocupe em anotar esses valores, o importante é entender o conceito que será mostrado na seqüência, ok?

O diagrama de luz abaixo pode ajudar a entender a disposição da luz:

clique para aumentar

Uma vez encontradas a abertura, a potência e a distância do flash, mantido o raio de 1,4 m a exposição de minha foto deve ser a mesma sempre, certo? CERTO? Bem, veja a foto abaixo, dessa vez com o SB-900 colocado ligeiramente atrás dela, e com a mesma exposição:

f/5.6@1/250s, 1/16 do SB-900, ISO 100

veja o diagrama de luz, para entender onde o SB-900 está (lembre-se de que as fotos estão sempre na mesma exposição:

clique para aumentar

A primeira foto mostra o tom da pele e a camisa preta da Daniela corretamente expostas, mas bastou uma mudança no posicionamento da luz para que um “brilho intenso” em sua face aparecesse, mesmo a exposição sendo a mesma nas duas fotos. O que está acontecendo aqui?

Há uma lei simples na Ótica que afirma o seguinte:

O ângulo de incidência da Luz é igual ao ângulo de reflexão.”

Isso explica o brilho misterioso na foto, o que você está vendo é o reflexo da fonte luminosa na superfície em que ela está incidindo, a imagem abaixo exemplifica essa lei de forma bem evidente:

f/5.6@1/250, 1/16 do SB-900, ISO 100

Bastou a Daniela colocar um óculos escuros para que o softbox aparecesse refletido na lente, como é a reflexão da própria fonte de luz, aquele trecho tem uma exposição maior que a abertura da objetiva consegue suportar sem superexpor a imagem, causando o “estouro” na lente do óculos e na face. Esse tipo de “brilho” se chama reflexão especular (ou specular highlight, em inglês).

Um outro aspecto interessante que deve ser levado em consideração é que mesmo que eu reduza a carga do flash “acidentalmente”, o brilho especular ainda aparece, como na foto abaixo, onde reduzi de 1/16 para 1/32 a carga do SB-900, veja o resultado:

f/5.6@1/250s, ISO 100 FLASH EM 1/32 DA CARGA!!!

Exatamente por ser um reflexo de uma fonte luminosa cuja exposição é muito maior, um erro na abertura ou na carga do flash ainda produz o efeito do brilho, esse posicionamento em flashes em TTL pode salvar algumas fotos….

Espero que a essa altura o leitor já esteja fazendo uma pergunta bem interessante: “Renato, se o angulo de incidência da luz deve ser igual ao de reflexão”, na primeira foto da Daniela o brilho especular não deveria aparecer, já que daquele angulo o softbox também não produziria o mesmo efeito?

Vamos rever a primeira foto da Daniela, porque a pergunta é importante:

f/5.6 @ 1/250s com 1/16 do SB-900

Sim, desse ângulo onde está posicionado, parte da luz do softbox reflete na pele e deveria produzir um brilho intenso, não? Mas pense comigo: a pele humana necessita da luz para realizar algumas reações químicas, como a produção de melanina e de vitamina D, por isso ela tem um baixo índice de reflexão, a pele absorve muito mais luz do que reflete e é por isso que mesmo que você esteja no Japão, Portugal ou qualquer canto do planeta sabe que esse material é “pele humana”, porque a lei da Ótica ainda se manifesta aqui:

f/5.6@1/250s, ISO 100, SB-900 em 1/16 da carga

Mesmo que você não tenha me acompanhado na produção dessa imagem e viva do outro lado do mundo, consegue perceber que é um retrato de um ser humano usando um óculos com armação de metal e lentes de plástico. Essa é a vantagem de se tirar proveito do brilho especular: ele revela a textura da superfície daquilo que o fotógrafo está iluminando. Pare um segundo agora e pegue qualquer revista e veja como fotos de comida, nús, carros abusam do reflexo especular para provocar seus sentidos de um jeito sutil, inconsciente..é a luz posicionada de uma maneira que mexa poderosamente com seu cérebro.

Agora vamos voltar ao toque genial de Da Vinci:

Sim, ele usou apenas uma luz na pintura toda. Observe a sombra no nariz e mãos da modelo e perceba que a luz vem de cima, ligeiramente atrás da garota, produzindo um brilho especular nas bochechas do rosto, nariz, testa e costas, revelando o “viço” de uma pele de uma menina de 16 anos e o furão branco está genialmente colocado de forma que a luz incida sobre sua cabeça e rebata na linha do maxilar da menina, produzindo outro brilho especular. É um rebatedor vivo, de 4 patas, mas que está cuidadosamente colocado, se sua cabeça estivesse em outra posição, ele continuaria a rebater luz para cima, mas não geraria o brilho. O genial desse detalhe é que esse especular serve como separador das áreas de sombra do rosto e do pescoço, sem ele, o admirador do quadro veria uma massa de pele em um plano só, o brilho serve para que o expectador da obra entenda que os volumes do rosto e do pescoço estão em planos diferentes, reproduzindo uma terceira dimensão em uma tela, que por definição, só pode ter duas: comprimento e largura. E como diria Bono Vox:  “It’s all right, it’s all right, she moves in mysterious ways…”

E a camisa I LOVE MY JOB com o patrocínio da Udênio do Brasil vai para Paulo Machado, que deu uma resposta mais completa: “É uma luz especular, gerada pelo angulo de incidencia da luz na região. A luz vindo tanto da janela quanto da porta mesmo tendo “potência” menor gera um brilho maior nas bordas por concentrar os raios de luz em uma única região, desta forma ela parece mais forte, mas nada mais é do que uma luz concentrada pelo angulo da superficie onde está refletindo”

E não percam a chance de conhecer mais sobre flashes e os mistérios da luz, há 4 WS de Flash I LOVE MY JOB em andamento, 2 aqui no Rio, 1 em Recife e outro em Vitória, maiores informações aqui:

http://www.ilovemyjob.com.br/blog/agenda/

abraços

Boa Luz e Boa Sorte!!

WS de Flash em Vitória 2

Antes de tudo quero agradecer à participação de todos no bate-papo de ontem no twitcast, foi simplesmente fabuloso, falamos sobre flash, iluminação, fotografia, equipamento e principalmente sobre os Workshops, acho que deu para tirar muitas dúvidas e empolgar muita gente. Esse post aqui vai servir para empolgar mais gente ainda, dessa vez os fotógrafos que moram no Espírito Santo: A Mosaico Imagens, dos fotógrafos Gabriel Lordello e Tadeu Bianconi, e o I LOVE MY JOB irão ministrar um WS I LOVE MY JOB de FLASH em Vitória, nos dias 11 e 12 de Dezembro (fim de semana).

Daqui a pouco eu coloco na AGENDA aqui do blog, onde todas as informações sobre os demais WS no Rio, em Recife e esse novo de Vitória podem ser obtidas, mas vocês podem tirar suas dúvidas e marcar as reservas diretamente com o Gabriel, no telefone: (27) 3227 5242 ou pelo email dele: glordello@gmail.com.

Não percam essa oportunidade, estou aproveitando as férias para impulsionar esses WS! Vamos agitar!

abraços

Boa Luz e Boa Sorte!

Workshop em RECIFE! 1

Esse post é para a alegria dos leitores que moram em Recife: Em Novembro, nos dias 27 e 28 (sab/dom), eu estarei na cidade ministrando um Workshop de Flash Criativo I LOVE MY JOB.

Não posso deixar de agradecer ao fotógrafo da Folha de Pernambuco Igo Bione (sim, o mesmo que ganhou o concurso internacional da Ellesse) e ao Lucas, diretor da Agência Comuniquê, local onde ocorrerá o evento, pela imensa ajuda e dedicação na organização do curso, sem eles seria impossível cumprir esse desafio. A todos, um sincero “obrigado”!

As informações sobre reserva de vagas, condições de pagamento, endereço da agência e tudo mais relativo ao curso podem ser encontradas no link “AGENDA WS” bem aí em cima, na barra laranja superior do blog.

Foram horas varando a madrugada pelo MSN e celular tentando formatar da melhor forma o workshop e acho que conseguimos uma fórmula bem legal, como recebo muitos emails do pessoal do Nordeste, taí uma bela oportunidade de trocarmos experiências e informações.

A Comuniquê fez até um cartaz para quem quiser divulgar aí em Recife, espalhem pelos Orkuts, Facebooks e Twitter para nos ajudar a concretizar esse sonho!

Conto com o apoio de vocês! Nos vemos em Novembro!

Informações: (81) 3033-1801 / flash@comuniquebr.com

Boa Luz e Boa Sorte!

I LOVE MY JOB utiliza WordPress com FREEmium Theme.
As modificações foram feitas por Carlos Alberto Ferreira