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Isso É um fundo branco! 56

“Tá me achando com cara de Sandy?”

Foi assim que Cotta, Johnny Cotta, respondeu quando perguntei se poderia usá-lo como modelo para um novo post.  “Mas a luz é dura ou suave?”

Pronto, eu já tinha o modelo!

A idéia é a seguinte: você precisa fazer um retrato e possui apenas um flash para iluminar a cena, todo aquele esquema pensado de múltiplas luzes vai para o fundo da gaveta porque não há muito “equipamento” disponível.

Melhor se acostumar com a luz dura, sombras densas, esquecer do fundo e ralar para comprar um jogo de luzes decente.

Johnny Cotta se afasta uns dois metros do fundo branco…(sim, o fundo é branco!) e a câmera é ajustada em ISO 100, f/5.6 @ 1/250s. Usando o próprio SB-900 eu calculei a potência em 1/8 da carga para uma distância do flash de 1,8 metro do João.

A foto resultante está abaixo:

f/5.6 @ 1/250s, ISO 100

Previsível não? Posicionado à esquerda da foto, inevitavelmente o flash produzirá sombras duras no outro lado da imagem e como o João está distante, o fundo acaba saindo cinza, apesar de a parede ser totalmente branca.

As sombras podem ser controladas com um rebatedor, posicionei uma folha grande de isopor à direita da foto para “abrir” aquelas sombras ( elas não me incomodam, mas..), a nova foto fica assim:

f/5.6 @ 1/250s, ISO 100 (rebatedor à direita)

Ok..tudo indo bem..mas e o fundo? Como fazer aquele cinza “burro quando foge” virar branco com apenas um flash? Se ao menos eu tivesse mais dois “cães” para estourar naquela parede…Com mais equipamento eu seria um fotógrafo melhor…

Calma, tudo o que você precisa é usar a cabeça!

MOMENTO “TROCADILHO INFAME“:

A cabeça de efeito ou “grip head”

grip head e painel difusor

Um acessório poderoso e versátil, as grip heads são usadas no cinema, televisão e fotografia para fixação de scrims, bandeiras, braços extensores, booms e no caso da foto acima, uma armação de metal funcionando como um painel difusor. Por serem muito baratas vale a pena ter um punhado delas no seu arsenal pela precisão no controle e alteração da luz.

Esse tripé com o painel foi colocado entre o flash e o João e a luz que passava pelo material translúcido (um filtro difusor da Rosco, mas a frente destacável do seu softbox funciona também) perdia intensidade enquanto ganhava qualidade. A parte que vazava atingia o fundo da mesma forma que antes. Observe o resultado abaixo:

f/5.6 @ 1/250s, ISO 100, painel difusor

O fundo continua cinza, mas como não houve alteração em nenhum ajuste da câmera, o João está subexposto por cerca de 1,5 ponto que é a perda de luz causada pelo difusor. A única opção que resta é compensar essa perda abrindo 1,5 ponto na abertura, o que irá “levantar” tanto a exposição do João quanto a do fundo.

É exatamente o que eu quero!

Agora, observe a mesma imagem com a abertura já em f/3,5:

Fundo branco e luz difusa…você já nasceu com o melhor equipamento.

Boa Luz e Boa Sorte!

Um flash, uma capa 27

Semana passada estava na cidade cenográfica de Araguaia com a incumbência de fazer um retrato dos atores Julia Lemmertz e Thiago Fragoso para um suplemento de TV do jornal Estado de São Paulo. O tempo estava nublado, não havia uma nesga de Sol e uma luz difusa e densa cobria a locação. Como a gravação estava chegando ao fim e os atores teriam que dar uma entrevista, resolvi buscar um fundo que servisse para a imagem. Encontrei uma casa cenográfica bem ao lado da gravação, com paredes de madeira na cor neutra e bem próximo dos refletores usados na cena. Um deles estava bem posicionado e era só virá-lo para a casa que eu teria uma luz boa iluminando o casal.

Conversei com os iluminadores e pedi que quando a gravação acabasse o refletor fosse mexido, eles prontamente concordaram. Fiquei tranquilo durante um tempo, parte da cena foi gravada e o casal de atores veio em nossa direção, atrás deles ecoou a voz do diretor de fotografia; “Leva esse refletor aí para fazer o close dentro do carro”. Fiquei tranquilo por pouco tempo, lá estava indo embora a minha luz querida…

Eu estava com uma D3s e um SB-900 e fazer a foto dos atores com o flashão estourando direto neles não era uma boa opção. Embora a D3s seja a melhor câmera digital que eu já tenha usado ( é assutadora!) , ela não conta com um flash embutido, o que me obriga a carregar 2 SB-900, um ajustado para “Master” e outro em “Remote”. Nesse caso eu só tinha o “Master”…que não parava de me olhar como quem dissesse: “não te falei para levar ajuda?”.

Nossa assessora se vira para mim e fala: “Renato, faz as foto agora que depois eles se concentram só para a entrevista”…”Ok, Ok”, respondi com a cabeça pensando em várias soluções…

Essa é a foto feita sem flash:

ISO 100, f/4@1/250

Eu não tinha visto os atores antes de escolher a casa como fundo, os tons da foto toda estavam parecidos, mas o que me incomodava mais eram as sombras nos olhos, sabia de antemão que o papel onde a foto seria impressa escureceria ainda mais aquela área, o que não era nada agradável. Dá para tratar no Photoshop, mas a foto seria enviada momentos depois para São Paulo, não havia tempo de tratamento extra e o pensamento “depois eu trato no Photoshop” não contribui em nada para seu aperfeiçoamento como fotógrafo, alguns detalhes podem ser corrigidos na hora, de forma simples e rápida, com resultados melhores. Tudo o que eu precisava naquele momento era de um segundo flash…e ele veio de carrinho elétrico em cima da D90 do fotógrafo do site da novela.

“Fábio, vc vai usar esse SB-900 agora? Pode me ajudar a rebater uma luz?”

“Lógico!” E lá fomos eu e Fábio para perto da casa, no caminho arrumei um isopor grande e ajustei o 2 flash para “REMOTE”, programando aquele que eu carregava para “MASTER”, no modo TTL. A grande vantagem dos tons pastéis da casa e da roupa dos atores é que eles estavam bem próximos de um cinza médio, facilitando muito a medição TTL. Veja a mesma foto acima em preto e branco:

ISO 100, f/4@1/250s

Aponte sua câmera e o flash em TTL (respeitando os limites de alcance do SB) e não há como errar em uma foto assim. Pedi ao Fábio que ficasse do meu lado, segurando o flash dele voltado para o rebatedor de isopor e disparei, repare a diferença:

ISO 100, f/4@1/250s

Em poucos segundos a foto foi melhorada, o isopor gerou uma luz mais suave e posicionado acima dos atores obrigou as sombras a desaparecerem atrás deles, evitando a sombra característica (e horrorosa) do flash no topo da câmera. Note que nas 2 fotos a exposição permaneceu inalterada, o flash só cumpriu seu papel. Ponto para os cães! De novo!

Foi só voltar à redação, eviar para São Paulo e esperar o Domingo chegar:

Capa TV Estadão

A sessão não demorou mais do que 5 minutos e em alguns cliques eu mudei o WB da câmera para dar uma “aquecida” nas fotos, a capa acima mostra um exemplo disso, não teve “depois eu coloco um filtro amarelo no Photoshop”. Os cães fazem mágica!

Eu atualizei a agenda do blog com as datas do WS I LOVE MY JOB de Flash Criativo, não perca a oportunidade de entender o que seu flash é capaz de fazer.

Rio: 22/23 JAN

Cuiabá: 05/06 FEV

Brasíla:12/13 FEV

Clique aqui para se inscrever e veja o vídeo com os depoimentos dos participantes do último WS em Vitória aqui.

E aproveito para desejar “BOA LUZ e BOA SORTE”em 2011 para todos vocês

Remote TTL: Filial do Inferno 33

É curioso, mas eu quase não publiquei o o último post escrito aqui, sobre a medição dos flashes em TTL , porque achei que estava muito “simples”, afinal usei uma parede e um pano preto para explicar conceitos um tanto quanto obscuros. Foi justamente essa simplicidade que gerou tantos comentários e elogios, os quais agradeço de coração. A repercussão foi tão grande que o acesso ao blog triplicou da noite para o dia. Obrigado a todos que leram e comentaram.

Naquele texto, eu usava o flash no topo da câmera e havia deixado um “gancho” na esperança de que alguém fizesse a pergunta que gerou esse novo post, um complemento igualmente simples ao assunto anterior. A pergunta foi feita por um dos leitores, Jefferson Palladino:

Muito bom o texto, uma única dúvida, esse método pode ser usado também com o flash fora da câmera?!

Não só pode, Jefferson, como deve ser usado: o problema não está no posicionamento dos flashes e sim para onde se aponta a câmera ao fazermos a medição da luz.

Eu fiz mais dois testes simples, igualmente fáceis de se reproduzir para que vocês tenham a chance de treinar e compreender, já que novas e desafiadoras questões surgem quando começamos a usar os flashes em posições diferentes da usual.

O primeiro teste consiste em fotografar uma xícara de café branca em cima de uma mesa igualmente branca.

“O TESTE DA XÍCARA BRANCA ILUMINADA COM FLASH FORA DA CÂMERA”

Um SB-900 funcionava como “MASTER” no topo da D3s e outro SB-900 foi posicionado em um tripé, no modo REMOTE TTL,  à direita da foto.

Eu enchi o quadro com a mesa e a xícara e cliquei sem compensação alguma, a imagem resultante está abaixo:

f/11@ 1/250s, ISO 100

Novamente escolhi uma exposição baixa o suficiente para cancelar a iluminação fluorescente da minha cozinha e como explicado no post anterior, o padrão cinza 18% prevaleceu, fazendo com que o flash disparasse uma potência menor que a ideal. Percebe-se claramente que tanto a xícara quanto a mesa estão longe de serem brancas, mas acinzentadas.

Compensei o flash MASTER que estava na D3s em +1.7 e fiz um novo disparo mantendo o mesmo quadro. Observe o resultado:

f/11@ 1/250s, ISO 100, Flash MASTER em +1,7

Agora sim, uma xícara branca em cima de uma mesa branca!

Vamos agora ao outro extremo na escala de contraste: uma camisa (surrada) preta em cima de um tecido preto (amassado)

“O TESTE DA CAMISA SURRADA PRETA EM CIMA DE UM TECIDO PRETO AMASSADO COM O FLASH FORA DA CÂMERA”

Mantendo o flash na mesma posição e sem nehuma compensação, cliquei novamente com o quadro preenchido com os tons de preto. Olhem a foto abaixo:

f/11@ 1/250s, ISO 100, flash sem compensação

Ok, eu avisei que a camisa era velha..:).  Agora ocorreu o inverso, o flash disparou mais luz que o ideal, “estourando”os pretos para que se transformassem em cinza. Tal qual nos testes do post anterior…

Foi só compensar para -1,7 o flash MASTER que as coisas voltaram ao normal. Aqui vale um lembrete: uma vez ajustados para REMOTE, os flashes viram unidades “burras”, que respondem ao comando do flash MASTER, não há como compensar os flashes externos.

f/11@ 1/250s, ISO 100, Flash MASTER em -1,7

Não importa se você usa um flash apenas no topo da câmera para iluminar sua foto, ou se há 300 flashes em modo REMOTE na cena, uma vez apontada para o tom errado, sua máquina irá propagar esse erro adiante. Concentre-se em acertar a exposição da foto e o domínio dos “cães” vem a reboque.

É por isso que no modo COMMANDER presente em alguns modelos da Nikon, há um espaço para se compensar a exposição do flash no menu da câmera, como se pode ver na imagem abaixo:

É possível compensar a exposição do flash de +3 a -3 stops na fileira à direita onde se lê “Comp.”. A mesma possibilidade existe tanto no SB-800 quanto no SB-900 no modo MASTER. Use-as e seja feliz!!

Boa Luz e Boa Sorte!

Os “cães” em TTL: INFERNO 125

Eu passei o finalzinho da noite de uma sexta-feira 13 em uma discussão impressionante sobre o modo TTL em flashes com alguns amigos que me acompanham no Twitter (@heidertorres, @wefers, @namuchila, @felipeschiavon)  e achei curioso como 3 letras tem o poder de colocar a cabeça de um fotógrafo dentro de um vespeiro furioso.

Quando terminamos de conversar me deu vontade de escrever esse post comentando sobre a mais badalada tecnologia presente nos flashes atuais, tida como a solução definitiva para qualquer tipo de foto, mas que na verdade confunde muita gente experiente. Ouso dizer que sua incompreensão é a causa de muito fotógrafo deixar de usar os flashes: “Meu Deus, se nem com isso eu consigo boas fotos, melhor fotografar sem eles”. Só que pensando assim, o fotógrafo limita sua atuação e diminui seus ganhos.

Sem dúvida a tecnologia envolvida no processo TTL (Through the Lens) é algo admirável, mas antes de tudo, faz-se necessário entender o que ocorre no momento do clique, mas como tudo se passa na velocidade da luz, nossos olhos tem dificuldade de compreender todas as etapas tanto na câmera quanto no flash.

A chave para entender o sistema TTL está justamente onde ele falha e para mostrar isso, vou fazer 4 experiências simples, que podem ser repetidas em qualquer lugar e aconselho que vocês as refaçam, porque uma vez entendido e praticado, as chances de erro caem a zero.

Para provar que a falha é do processo e não de modelos de câmera, todas as fotos abaixo foram feitas com uma arrasadora Nikon D3s, uma das melhores (e mais caras) câmeras disponíveis no mercado, a objetiva usada foi uma nova 24-70 f/2.8, tão arrasadora quanto a câmera.

O primeiro teste consiste em tirar uma foto de uma parede branca, sim, uma simples parede branca iluminada apenas pela luz natural, sem o uso do flash. Eu o chamarei de “O Teste da Parede Branca”, só para ficar mais dramático e imponente:)

O TESTE DA PAREDE BRANCA

O visor da câmera foi preenchido pelo tom branco e zerei a exposição “perfeita” recomendada pelo fotômetro, como se pode observar na foto abaixo:

f/4.5@1/500s, ISO 800

A imagem mostra claramente uma parede cinza médio e não um branco neve como a da minha sala. Foi o fotômetro que errou? Os japoneses da Nikon cochilaram em algum ponto na produção de uma câmera de mais de 5.000 dólares ou algo está acontecendo que eu não sei?

A resposta é: NÃO! Sua câmera e fotômetro estão corretos.

Nós, seres humanos, só conseguimos medir alguma coisa quando a comparamos com um padrão reconhecido e calibrado. Se a parede que fotografei tem 2 metros de altura, estou afirmando que o padrão reconhecido internacionalmente e chamado “metro” está se repetindo 2 vezes naquele comprimento.  O mesmo ocorre com o “segundo”, o “litro” e todas as demais unidades conhecidas. Sem elas não conseguiríamos viver em uma sociedade e nem fotografar, porque quando medimos a luz de uma cena, a estamos comparando com a reflexão que ela teria em um cartão cinza 18%

Ou seja, ao apontar minha câmera para a parede branca e zerar o “deus” fotômetro, eu pedi que o branco fosse transformado em cinza e foi isso que ela magistralmente fez (e é só isso o que ela sabe fazer). Espero que aqui o leitor compreenda que o fotômetro não é o senhor de suas fotos, ele só indica onde está o tom médio da sua imagem e que não há exposição perfeita, o fotógrafo é o dono da situação. Como eu não desejo uma parede cinza e sim branca, basta deixar que mais luz atinja o sensor. Provavelmente aquele livro “How to Take Great Pictures”, que descansa na sua estante, comenta que basta aumentar 1 stop para que o cinza se transforme em branco, mas isso não é verdade para todas as situações, vá para uma praia com areias claras ou uma montanha nevada e comece a lutar contra o fotômetro. Não há mais sentido em guardar regrinhas estabelecidas quando se pode olhar e julgar a exposição no monitor da sua câmera.

Voltando ao teste…eu refiz a foto, abrindo o diafragma (ou o obturador) para que mais luz atingisse o sensor.

f/2.8@ 1/320s, ISO 800

Observe a nova exposição, o fotômetro indica uma superexposição de 1 2/3 de stop acima da recomendada, se eu seguisse a regrinha do “aumente um stop e tenha branco” ainda não teria o branco. E para ser bem sincero, não me satisfiz com o resultado, poderia ter subido ainda mais a exposição, mas começaria a perder a textura da parede, então, parei por aí.

Estamos em um extremo da escala de contraste, no branco, será que na outra ponta ocorre algo parecido? É hora de fazermos um segundo teste, desta vez fotografando algo em um tom bem escuro, preto mesmo.

“O TESTE DO PANO PRETO”

Como não há paredes pretas aqui em casa (nem nunca haverá, pelo amor de Deus!) eu apenas fixei com fita crepe um tecido preto que tenho aqui em casa em uma parede e zerei o fotômetro com o pano enchendo o quadro. A foto resultante está aí embaixo:

f/2.8@ 1/25, ISO 6.400

Não é nem de longe a imagem de um tecido preto, mas de um cinza ( e só por curiosidade: compare com o cinza do teste anterior, veja como estão bem próximos!). Como falei no primeiro teste, o fotômetro de sua câmera só sabe fazer uma coisa: apontar-lhe qual será o tom médio de sua foto. Quando enchi o quadro com o tom escuro e zerei o fotômetro, novamente a câmera pensou que eu queria um cinza e não um preto, deixando que mais luz entrasse pela objetiva, “lavando”o preto até que se chegasse ao tom de cinza médio.

Nas páginas daquele mesmo livro “How To Take Great Pictures” há um outra dica: ao fotografar tons escuros, basta baixar 1 stop que o preto aparece…será mesmo? veja a exposição que tive que encontrar para ter o preto do tecido.

f/2.8@ 1/80s, ISO 6.400

Foram 2 pontos acima do valor recomendado pelo fotômetro. As fotos foram feitas em um dia nublado com grande variação de luz, ora abria um pouco de sol, ora voltava a nublar, daí a razão de alterações tão grandes, mas a idéia é apenas mostrar que o sistema TTL está totalmente baseado em uma comparação com um cinza médio e infelizmente várias situações que encontramos estão longe do tom padrão ( que tal noivas em vestidos brancos reluzentes e noivos em ternos pretos?)

Os dois testes acima foram feitos somente com luz natural, mas o que acontece quando não há luz disponível e dependemos do flash para iluminar corretamente nossas imagens? Hora de mais dois testes, usando a mesma parede e o mesmo tecido preto, só que dessa vez, eles serão iluminados por um SB-900 no topo da câmera.

“O TESTE DA PAREDE BRANCA ILUMINADA COM FLASH”

Nesse teste eu preciso eliminar a presença da luz natural, como escrevo essa parte do texto a noite, foi uma tarefa relativamente fácil: em ISO 100, com f/5.6@ 1/250 s, e ainda sem o flash ligado, a foto abaixo mostra a minha parede “branca”:

f/5.6@ 1/250s, ISO 100, SEM flash

Aqui não há erro algum de fotômetro, não houve foi tempo suficiente para a luz sensibilizar o sensor da câmera. O “cão” vai entrar em ação! Liguei o SB-900 no modo TTL, me certifiquei de que estava no alcance correto da luz e disparei mantendo a mesma exposição. Observe a imagem resultante:

f/5.6@ 1/250s, ISO 100, flash em TTL

Ok, esse disparo aconteceu na velocidade da luz, é aqui que muitos fotógrafos tropeçam, mas vou tentar explicar com palavras o diálogo entre flash e câmera:

(SB-900) – Sra. D3s, essa é uma parede branca, o que a senhora quer que eu faça?

(D3s) – Ora, Sr. Sb-900, a única coisa que eu sei fazer, mas não estou conseguindo por conta desses ajustes da exposição. O senhor poderia iluminar essa parede de forma que ela se pareça com um cinza 18%?

(SB-900) – Claro! Isso é moleza para mim!

E velozmente cordiais, câmera e flash se ajustam para transformar uma parede branca em cinza. O SB-900 despejou menos luz do que era desejado….humm..a primeira experiência já nos mostrou a resposta para esse problema, basta abrir mais a abertura e eu volto a ter o branco, não é? NÃO É?

Pois bem, eu vou extrapolar e tentar uma nova foto, dessa vez com o diafragma 2 pontos mais aberto, em vez de f/5.6, vou usar f/2.8, eu quero um branco sem textura, veja o resultado na imagem abaixo:

f/2.8@1/250s, ISO 100, flash em TTL

Oh..oh…algo está errado! As duas fotos estão idênticas, mesmo eu tendo escancarado a abertura para deixar mais luz entrar no sensor….só que não há mais luz para entrar no sensor, sua foto depende exclusivamente da iluminação vinda do flash!!! Eis o que eles falaram no momento do disparo:

(D3s) – Senhor SB-900, nosso ilustre fotógrafo agora ajustou a abertura para f/2.8, o senhor poderia recalcular a sua potência para manter a parede cinza?

(SB-900) – Claro! Isso é moleza para mim!

Como eu ainda estou enchendo o quadro com um tom diferente do cinza médio, câmera e flash se ajustam mutuamente para manter o padrão sempre, qualquer que seja a abertura que se utilize. O SB sempre despejará uma intensidade menor do que a esperada. A solução mais básica é aumentar a intensidade diretamente no flash, já que é ele que está comandando a iluminação. Refiz as duas fotos, com as mesmas exposições, só que agora o flash estava ajustado em +1,7.

O Sb-900 se virou para a câmera e disse:

(SB-900) – Prezada senhora, nosso querido fotógrafo aumentou minha intensidade em +1,7, ok?

(D3s) – Ok, mas avise para ele que o resultado será algo bem próximo de um branco e não um cinza 18%…

(SB-900) – Mas acho que é isso que ele está querendo, vamos ver, vou recalcular minha potência para fazê-lo feliz, ok?

(D3s) – ok, infelizmente não há nada que eu possa fazer…

Veja o resultado das duas novas fotos com as mesmas exposições, só que com o flash ajustado para +1,7:

f/5.6@ 1/250s, ISO 100. Flash em +1,7

f/2.8@ 1/250s, ISO 100, flash em +1,7

O branco que eu desejava apareceu, vamos ver como se comportam câmera e flash quando utilizados para fotografar o mesmo tecido preto colado na parede.

“O TESTE DO TECIDO PRETO ILUMINADO COM FLASH”


Vou fazer as mesmas fotos com as exposições em f/5.6 e f/2.8, com o flash sem alteração alguma, veja o resultado abaixo:

f/5.6@1/250s, ISO 100, Flash em TTL

f/2.8@1/250s, ISO 100, flash em TTL

Nenhuma das duas fotos mostra o tom correto do tecido preto, estão ligeiramente estourados, o SB-900 usou uma potência maior do que deveria para iluminar a cena, tentando levar o preto próximo ao cinza. Vamos ver o que acontece quando diminuo em -1,7 a intensidade do flash, acompanhe as 2 imagens, feitas nas mesmas exposições anteriores:

f/5.6@1/250s, ISO 100, Flash em TTL -1,7

f/2.8@1/250 s, ISO 100, Flash em TTL-1,7

Agora sim! um tecido preto corretamente exposto com um leve ajuste de compensação diretamente feito no flash. Por mais que o fotômetro de sua câmera teime em trazer a imagem para um tom médio, a correção no flash desfaz o desentendido e corrije a exposição da cena.

Mas então em um casamento ou um show, por exemplo, onde os tons passam longe do cinza médio eu preciso ficar controlando a intensidade do flash a todo instante, isso não deixa o fotógrafo mais lento? De certa forma sim, mas há uma forma de contornar o problema que é usar o “spot meter” de sua câmera para travar a exposição no tom médio certo (existem outras formas, mas esse post é uma explicação geral, deixo a parte mais detalhada para um outro post, ok?) e todos os outros tons da imagem “caem” nos lugares certos. Eu fiz o seguinte: imprimi a imagem do cinza que apareceu lá em cima no primeiro teste e colei na parede branca, fotografei, aqui está o resultado:

f/5.6@1/250 s, ISO 100, Flash TTL, spot meter no centro do quadrado cinza

agora colei a mesma impressão no centro do pano preto e refiz a mesma exposição, todas as 2 fotos com a compensação do flash zerada, observe a foto resultante:

f/5.6@1/250 s, ISO 100, Flash TTL, spotmeter no centro do quadrado cinza

Como concentrei a exposição no centro do retângulo acinzentado graças ao modo “spot meter”, a comparação da luz da cena foi feita de acordo com o padrão cinza 18% de seu fotômetro interno e o flash foi disparado na intensidade correta, trazendo todos os tons restantes para seus respectivos lugares, sem qualquer ajuste no SB.

Praticamente todas as câmeras atuais trazem o “spotmeter” entre os modos de medição de luz e muitas delas ainda contam com um botão na traseira de seus corpos com a seguinte inscrição “AE-L/AF-L”.

Essas siglas significam: “Auto Exposure Lock/ Auto Focus Lock”, ou seja, uma vez apertado, ele trava a exposição e/ou o foco no tom que vc escolher, seu trabalho em um casamento, por exemplo, onde o flash é praticamente indispensável, é buscar o tom correto e travar sua exposição ali. Sim, você terá que apertar alguns botões a mais, mas garante um rendimento melhor de suas fotos e horas a menos na edição e tratamento sacais na frente de um computador.

Entender como sua câmera expõe uma foto é a chave para o domínio do flash. Os testes acima são facílimos de serem repetidos, eu aconselho que vocês treinem e entendam os conceitos antes de partirem para um trabalho específico. Você, seu equipamento, sua reputação e seus clientes agradecerão.

Sei que o texto foi longo, mas o assunto merecia, espero ter ajudado!

Boa Luz e Boa sorte!!

Dourado e os Cães 14

 Esse post é tão rápido quanto o vídeo que o acompanha. Estou em uma pequena área que serve de entrada auxiliar para a casa do Big Brother Brasil no dia seguinte à final do programa. Como os três finalistas estavam lá para uma seqüência de reportagens, surgiu a idéia de fazer umas fotos diferenciadas.

Eu fiz alguns cliques pelo gramado e no interior da casa, mas essa área de entrada representava um desafio para uma imagem que eu tinha na cabeça.

Não há absolutamente nada de interessante dentro da pequena sala e uma fileira de luzes fluorescentes no teto mostra todos os detalhes existentes. É o tipo de situação onde você precisa mais esconder do que iluminar e como disse outras vezes aqui no blog, às vezes, o que você vê como um problema pode camuflar uma grande solução.

Meu primeiro plano da imagem eu já tinha: Marcelo Dourado, vencedor do programa. Precisava urgentemente encontrar um fundo interessante para minha foto…e o que encontrei matou dois problemas de uma vez só: ao expor a foto pela calha de luz, joguei o restante da sala em uma escuridão total, incluindo o Dourado.

hehehe…Dois cães começaram a latir alto, eles adoram o escuro!

Um SB-900 está na mão de um amigo que começa a se iniciar na fotografia, ele ainda segura o Nokia N85 que fez o pequeno vídeo. Nossa assessora foi lá para trás com outro SB-900. Há uma razão para ela estar naquela posição: normalmente jornalistas carregam consigo um pequeno bloco de notas que funciona com perfeição como uma bandeira para o flash, bloqueando a luz que entraria na minha lente graças a posição onde o SB se encontrava.

O sistema inteiro funciona em TTL, foi só ajustar e curtir…acredite: tudo não levou mais do que 5 minutos.

Curta você também, e se você está no Sul do país e tem vontade de fazer o mesmo com seus ” cães”, não perca a oportunidade, dia 5 e 6 de Junho eu estarei na pousada do Ilheu, em Floripa,  ministrando mais um workshop de flash!

Para maiores informações, clique aqui ou veja o depoimento que os participantes do Rio fizeram logo depois do curso (valeu galera!!) no Flickr.

Ponto para os cães! Boa Luz e Boa Sorte!

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