Tag estúdio

Difusores, Rebatedores e Bandeiras 5

Quer difundir bem a luz do seu flash de estúdio ou portátil mas não tem R$ 700 para comprar um softbox de 1,20m x 0,90m?

Então esqueça a vontade de chutar cavaletes políticos e aprenda a montar um acessório de iluminação extremamente versátil e praticamente de graça.

Acompanhe o passo-a-passo:

1-Arrume um suporte em metal de propaganda política:

Painel

Na última sexta-feira era possível arrumar vários de graça com os garis que os recolhiam das ruas ou esperar pela ação do vento ou da chuva.

Os tamanhos variam, mas era bem fácil encontrar quadrados de 1,5m ou até mesmo com 2m de lado, o que já garante uma difusão incrível de uma ( ou mais) modelo (s) em pé no estúdio. Um serralheiro pode fazer um igual por menos de R$ 60,00 caso não queira esperar pelo 2 turno.

2- Remova o plástico central:

Painel2

 

Os painéis de 2m ainda contam com uma barra central extremamente útil como veremos no fim do post.

Depois de retirada a parte plástica, a ferrugem na superfície pode sugerir que a peça esta perdida. Uma lixa de metal n.180 irá mostrar o quanto você está enganado:

Painel3a

Mas, claro, por R$ 60 não espere o melhor metal do mundo, uma lata pequena de Hammerite (R$20,00)  irá proteger a estrutura por um bom tempo.

A foto abaixo mostra os 3 painéis, dois já pintados de branco, com 1.5m,  e outro ainda esperando a pintura, com 2m de lado:

Paine4

Pronto, a estrutura está pronta e há três maneiras de usar:

Bandeira: para controlar ou bloquear a luz, basta mandar fazer uma capa com qualquer tecido preto resistente, como brim ou elastano.

Paine5

 

Rebatedor: se em vez de preto, o pano usado for branco, prateado ou dourado, surge um rebatedor gigante para o seu estúdio :

PES Photography and Video Reflector Studio Flag Panel

 

Difusores/ Butterfly: Troque o pano por um tecido como a seda ou um nylon rip-stop e coloque na frente ou embaixo da fonte luminosa e cria-se uma difusão impressionante com um painel desse tamanho.

mt159015

Do jeito que está, agora seria necessário a ajuda de um assistente para segurar o conjunto. Basta pedir ao serralheiro para soldar uma extensão de metal e usar uma grip head no tripé que o conjunto se mantém fixo no local ( capricha nos sacos de areia, ok?):

MD-349581

 

abaixo há um vídeo ( inglês) mostrando como espelhos e frames como esses acima podem ser usados em uma sessão de fotos:

Boa Luz e Boa Sorte!!

 

Criando um Estúdio de Luz Natural 9

Eu consegui terminar o estúdio fotográfico do Criadouro no meio de 2013, bem no início de Julho. Como dei a sorte de ser vizinho de porta de um fotógrafo publicitário e minha especialidade são os Retratos, não vi muita necessidade de criar outro fundo branco a 20 metros de um já existente. (ok, eu realmente não curto fundos brancos).

A idéia era reproduzir um pouco da minha realidade diária na TV simulando uma casa envelhecida com piso de madeira, usando uma tapadeira que gira e mostra duas texturas diferentes na “parede”, aumentando a versatilidade do cenário. A estrutura ( piso + paredes) e a pintura foram feitas em tempo recorde, dois dias apenas.

551242_597889190256681_562190940_n

Com a chegada dos equipamentos de luz eu lembro de ficar horas analisando o caminho do Sol e, graças a duas grip heads que comprei ( obrigado Carlos!), acabei canibalizando dois antigos tripés de fundo que havia aqui, deixando solitárias as duas forquilhas do suporte.

"In the American West" - Richard Avedon

“In the American West” – Richard Avedon

Nesse primeiro ano de Criadouro deu para perceber como as estações provocam mudanças significativas nas entradas de luz, quem pensou a casa tinha grande talento para fotografia: o Sol cruza diagonalmente a estrutura deixando boa luz entrar tanto pela manhã quanto pela tarde, grandes janelas estrategicamente colocadas provam o talento do arquiteto.

Lembro de ficar horas bolando um plano para criar, dentro do estúdio artificial, uma forma de usar a excelente iluminação natural disponível. Como recebo outros fotógrafos aqui para debates e cursos, achei que quanto menos se dependesse de equipamento, melhor seria o desempenho de quem ainda não tinha experiência em estúdio.

estúdio de Irving Penn

estúdio de Irving Penn

Uma velha garagem preguiçosamente vazia, dois fundos de TNT usados ( calma, mais sobre isso lá embaixo) e as duas forquilhas de fundo foram uma bela resposta para minha busca.

A garagem nada mais é que um grande “U” com 6 metros em cada lado, coberta com telhas de amianto e com pilares colocados a 3 metros de distância entre eles, poderiam facilmente servir como tripés para as forquilhas..hummm…a cabeça começou a entrar em parafuso:

“Se eu trocasse duas telhas de amianto por outras de plástico leitoso branco (R$ 60,00 cada na Leroy Merlin) poderia aproveitar o Sol a partir das 13 horas até o fim do dia e ainda teria uma luz rebatida na parede amarela da casa, trocando em miúdos fotográficos: luz difusa e quente vinda do alto e pelas laterais, em calorosa e tropical quantidade e praticamente de graça! Um sonho se realizando!

telhas sendo rocadas

telhas sendo rocadas

Uma das minhas críticas aos livros de “17 trilhões de esquemas de luz testados e aprovados” é que a ênfase é tão grande em posições “mágicas” de luz que o leitor, ao tentar reproduzir o que vê, frustra-se por não entender que o que há de mágico é o perfeito arranjo entre a modelo e o esquema criado.

Normalmente o fotógrafo iniciante dispõe a iluminação de uma forma, fica mudo, clica oito mil vezes, reza para que o resultado saia igual ao da revista enquanto a modelo se coloca em posições completamente desfavoráveis à iluminação criada. Posicionar uma cabeça de flash é metade do trabalho, mas você não fotografa um tripé!

Esqueça a luz, olhe a modelo!

Como agora na garagem a posição é fixa, se eu quiser controlar contraste e sombras, obrigatoriamente devo parar, observar e mover o retratado, além disso, o grau de contato é maior já que não há trambolhos luminosos em volta dispersando a atenção.

Marcio Scavone no curso de Retrato usando o estúdio, 14 participantes.

Marcio Scavone no curso de Retrato usando o estúdio, 14 participantes.

Com a “fonte luminosa” montada, faltava agora aproveitar os pilares da garagem como tripés para fixação do fundo. Um suporte para três rolos de papel está em R$ 160,00 nas lojas especializadas, mas com um pouco de paciência e uma boa loja de materiais de construção dá para gastar bem menos. A lista abaixo mostra o que eu usei, adaptações são bem-vindas:

listaDe baixo para cima:

1 – Um par de mão francesa de alumínio ( não enferruja) com uns 30 cm de comprimento, em perfil U.

2- as forquilhas pré-existentes

3- 2 parafusos de 3/8 de polegada  ( aqueles típicos de cabeça de tripé)

4- uma broca de 9,5mm para metal (9,5 mm = 3/8 de polegada)

5- um bom arco de serra

 

furo 38

 Use a broca de 9,5mm para aumentar o furo pré-existente, na mão francesa de 30 cm dá para colocar 3 forquilhas em linha.

parafuso cortado

Aqui é a parte mais chata do processo, eu cortei o parafuso para que encaixasse perfeitamente dentro do U da mão francesa, é uma tarefa relativamente fácil se você possuir um arco de serra que não fale chinês. A foto abaixo explica o motivo do corte:

forquilha presa

Entendeu? Agora com 2,8mm, o parafuso é travada pelo perfil U, fazendo com que a forquilha não rode em falso. A sua mão francesa é uma barra chata? sem problemas, trave com uma porca.

fundo

Voilá! Em menos de duas horas e pela metade do preço o suporte ficou pronto, agora é aproveitar!!

Veja o resultado em algumas fotos:

Carlos e Mônica

Carlos e Mônica

Gabriele Nery, f/4@1/200s ISO 100

Gabriele Nery, f/4@1/200s ISO 100

 

 

INÍCIO DO MOMENTO DÚVIDA:

Renato, eu vi você usando um fundo de TNT no suporte, mas eu acho que fica tão feio, aquelas marquinhas do tecido ficam aparecendo a toda hora quando fotografo…”

Você deve usar aberturas maiores para desfocar o fundo, o fato de se enxergar detalhes do material  já é parte da resposta…

“Mas no meu estúdio eu só consigo aberturas muito pequenas, mesmo comprando o mais profissional e potente dos flashes, o Zulman Omini Mega Power Ultra Hecta Pro IIe, que tem potência de 100!

Você caiu em uma armadilha e não está percebendo, 100 o que? Estranho todos os fabricantes falando sobre a “potência” de suas luzes e escondendo as informações que permitiriam a comparação entre elas, mas isso fica para outro post!

“mas Renato, você tem escrito menos posts ultimamente…”

Eu vou mudar isso em 2014 ( plagiadores, alegrai-vos!!), mas enquanto isso curta a página do Criadouro e entenda a razão:

www.facebook.com/CriadouroCarioca

FIM DO MOMENTO DÚVIDA

Fico por aqui! Um 2014 repleto de coragem para todos vocês!

 

abraços

 

 

Duas Luzes a 45º: o mito 30

A terça-feira passada começou com a necessidade de produzir um retrato bem interessante de uma das atrizes da nova temporada de “Malhação”. Eu e a assessora do programa conferimos a agenda do nosso estúdio e marcamos a foto para a quinta, acertamos alguns detalhes sobre a produção e parti para uma gravação noturna do novo seriado.

Meia hora depois lá estava ela na cidade cenográfica, com a expressão triste, ainda dentro do carrinho elétrico: “Renato, não vai dar tempo, temos que produzir a foto agora!”

Vai parecer estranho vindo de um fotógrafo conhecido pela habilidade com os flashes portáteis, mas as coisas complicam um pouco quando não se pode contar com a luz natural e toda iluminação disponível está concentrada somente no set de gravação…e você está sem os flashes portáteis!!

Não havia alternativa, a foto tinha que ser produzida ali. A primeira providência é (rezar..rs) encontrar alguma fonte luminosa com intensidade suficiente para iluminar a sua cena (se você for leitor do blog vai lembrar da foto da Raica, feita com apenas 2 azulejos de luz). Espalhadas pelo chão aquelas luzinhas de natal chinesas eram uma opção, mas o que me chamou a atenção mesmo foram 2 totens usados na decoração do hotel cenográfico:

fundo

Eram móveis, produziam uma luz difusa incrível da cabeça aos pés de uma pessoa e com a intensidade de f/4@1/125 em ISO 800… e ainda não seriam utilizados durante um bom tempo pela Arte.

Pronto! ali estava o meu estúdio!

Como a atriz ainda participava de outra foto e uma entrevista, chamei uma amiga,  Thammy, para servir de stand-in e testar a iluminação.  Posicionei os totens a 45 graus, a mesma distância, como mostra o esquema abaixo:

esquema_luz1

Thammy nem esperou uma orientação minha, viu as duas fontes de luz e se posicionou entre elas, é o jeito mais natural de pensar, muitas modelos ( e muitos fotógrafos) acham que o “melhor” da luz só pode estar nessa área interna e sem querer cria-se uma luz “chapada”,  “flat” ou seja lá o termo bonitinho que queira usar para descrever essa iluminação. Duas luzes de mesma potência dispostas a mesma distância de algo são excelentes para reproduzir quadros e Thammy está longe de se parecer com um quadro.

Thammy_blog

O fato de ter parado dentro da área iluminada não significa que ela tenha que ficar ali para sempre. Você pode controlar o contraste de sua foto sem variar potência ou distância da fonte, mas pedindo que a modelo se movimente, como no caso abaixo, indo para a fronteira do meu “softbox” de madeira:

teste

O set de luz é rigorosamente o mesmo, idem para câmera, lentes e exposição, foi apenas a modelo que se movimentou um pouco para frente, porém, veja como aumentou consideravelmente o contraste da foto:

Thammy_blog-2

compare o antes e depois:

Juntas

Eu já bati nesse tecla um monte de vezes, mas não custa lembrar: a luz deve ser sua amiga, não há escapatória, dica, conselho ou quadradinho colorido em blog muderno que de jeito na foto se o fotógrafo não entende como sua luz se comporta e pare de tentar encontrar aquela posição “mágica de luz”, o que existe é uma coordenação perfeita entre a luz e sua modelo. Olhe para a modelo! A luz é o início, não o fim.

Uma vez acertada a posição, foi curtir o momento!

Abaixo algumas fotos do teste com a Thammy:

Juntas2

Boa Luz e Boa Sorte!

Da Noite para o Dia 28

Vou demorar mais tempo para escrever esse artigo que fazer a foto que o originou, mas vamos lá, eu estava com saudades de escrever aqui!

Passei o dia de Domingo, 14 de abril, testando as possbilidades do estúdio que estou montando no Criadouro, chamei a minha equipe, a modelo Luana Nasck e montamos algumas situações interessantes de foto.

A casa tem janelões e portas amplas, proporcionando uma iluminação natural muito boa, com o sol que faz aqui no Rio de Janeiro a chance de se ter boa luz é quase certa. Quase.

Naquele domingo, chovia canivetes.

A luz caiu rapidamente e uma das produções pedia um dia ensolarado entrando pelas janelas: uma pin-up estilizada fotografada na chuva e quase sem luz não pegava bem.

Já estava escuro quando a Luana ficou pronta e se você é daqueles românticos que adora dizer que só fotografa com iluminação natural, teria que se contentar com isso:

corredor sem flash

ISO 6.400, f/4@1/100s

 

Sensacional né? Câmera em ISO 6.400, objetiva em f/4 e velocidade de obturador em 1/100s.

Por mais que o algoritmo anti-ruído de sua câmera seja eficiente, a imagem já surge degradada.

Ah, claro! Você pode rebater o flash, tanta parede e teto brancos devem ajudar:

ISO 6.400, f/4@1/100s

Sábia decisão: clarear ainda mais algo que já estava ruim, a exposiçao não mudou nada, o flash só realçou detalhes que se queria esconder e a qualidade da imagem continua na sarjeta.

Você começa a empacotar as coisas e pede uma pizza de presunto para apaziguar os ânimos do pessoal e de repente dois latidos ecoam no corredor:  são dois SB-800 carregando filtros CTO voando escada abaixo!!

Bons garotos! A pizza vai ficar para depois..

Um deles foi correndo para fora da porta, exatamente onde a tampa do ar condicionado foi estrategicamente retirada ( para que radio-flashes, não é mesmo? rs).

O próximo passo foi aniquilar a iluminação local, reduzindo a sensibilidade do sensor para ISO 100, mantendo o f/4 e usando uma velocidade de 1/250s.

Por que essa exposição? Porque eu quero, não dependo mais da iluminação local, posso escolher onde, quanto e como usar a iluminação que eu quiser.

Programei esse flash para REMOTE no canal 1 e no grupo A, coloquei uma sombrinha difusora e ajustei o commander mode da D800 para TTL, o resultado é esse:

ISO 100, f/4@1/250, flash remoto fora da porta

Opa! As coisas começaram a mudar, para melhor, mas eu ainda queria um tom mais quente na foto, então coloquei um gel CTO – aquele filtro laranja que acompanha o seu flash – para reduzir a temperatura de cor do flash (para entender de uma vez por todas o que é White Balance, clique aqui)

Veja a diferença no resultado:

ISO 100, f/4@1/250s, flash fora com CTO

 

Estamos chegando lá! Agora tinha o tom que queria na imagem, resolvi colocar outro SB-800 com o mesmo CTO na parte de cima da escada, funcionando como um contra-luz para a Luana, no mesmo grupo A e canal 1, ambos funcionando em TTL. O resultado final pode ser visto abaixo:

E aí São Pedro, tudo bem?

Não se esqueça: eram 8 horas da noite, um breu total e chovia muito lá fora, apenas dois flashes fora de fabricação e com sombrinhas de R$ 50 foram usadas na foto.

Eu sei que te fizeram acreditar que fotos boas só são possíveis em horas mágicas e com acessórios caríssimos, mas isso não é verdade, você já nasceu com o melhor equipamento. Use-o!

P.S: como os flashes já estavam prontos, a pizza ficou fria..rsr, veja o que rolou mais tarde:

Luana no Criadouro, ISO 100, f/4@ 1/250s

 

Luana no Criadouro, 4 Sbs

Mande um email para renatorochamiranda@gmail.com e venha fazer sua foto conosco! Estou te esperando!

Boa Luz e Boa Sorte!

Special Kids no Rio! 4

Essa eu não poderia deixar de postar aqui no blog. A Special Kids Photography, uma ONG do meu amigo Rubens Vieira, além de ser uma grande parceira aqui do I LOVE MY JOB, realiza um trabalho fantástico e emocionante usando a fotografia como instrumento de inclusão social, quebrando barreiras de preconceito e ensinando fotógrafos a trabalhar com crianças com necessidades especiais. Uma visita no site da Special Kids já mostra o alcance e o sucesso de sua jornada e quanto ainda falta para conscientizar fotógrafos em um país tão grande quanto o nosso. Tem sido um trabalho de formiguinha, mas essas formiguinhas tem ido cada vez mais longe, e dessa vez elas vão estar aqui no Rio, no dia 11 de Dezembro, para um workshop para fotógrafos interessados. As informações estão no cartaz aqui em baixo e eu pediria a todos os leitores que compartilhassem esse link com todos que conheçam, vejam os sorrisos nas fotos do site e vão entender o porque.

E em breve, aqui no I LOVE MY JOB, uma entrevista em vídeo com o Rubens, onde poderão tirar mais dúvidas sobre o assunto e conhecer esse trabalho lindo! Só falta ajustar alguns detalhes…muito em breve!

Abraços

Boa Luz e Boa Sorte!

I LOVE MY JOB utiliza WordPress com FREEmium Theme.
As modificações foram feitas por Carlos Alberto Ferreira