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Uma Carta de Girodet 45

Eu andei afastado do blog por uns tempos por causa das viagens com o WS I LOVE MY JOB, mas já estava acumulando idéias para novos posts quando uma mexida na minha caixa de correspondência revelou uma surpresa e tanto.

Misturado entre contas a pagar, propagandas inúteis e imãs de geladeira, um envelope branco chamava a minha atenção, pensei se tratar de um convite para um encontro de Fotografia, mas o selo de postagem indicava uma procedência um tanto quanto longe: França.

A grafia do nome deixava dúvidas sobre o gênero do remetente, mas a caligrafia mostrava certa habilidade artística. O fato de ter me enviado uma carta sugeria que não era muito afeito à tecnologias, com certeza um “old school”.

Podia jurar que o nome fora escrito à pena, a impressão não era jato de tinta, nem laser, havia falhas entre os movimentos das letras.

Dava certa dó abrir aquele envelope. O nome do remetente? Anne-Louis Girodet de Roussy-Trioson.

Endymion Asleep

Em uma rápida apresentação Girodet me relatava que seu trabalho como retratista estava rendendo frutos, sua obra vinha sendo aclamada e que sua vontade de inovar o levava a testar novas possibilidades, entre elas o uso dos flashes portáteis: “Minhas janelas são enormes, Renato, mas aqui na França o Sol não aparece a toda hora”.

Havia acabado de comprar uma Nikon D90 e estava com dificuldades de entender o funcionamento de um SB-900 fora da câmera e pelo teor de suas dúvidas acredito que as respostas podem ser úteis para muita gente. “Quero dominar meus chiens, pardon! Meus “cães” como você diz por aí”.

Sem dúvida, Girodet era um homem muito gentil, merecia ser ajudado.

No interior do envelope havia um DVD com seu portfólio e suas imagens demonstravam uma aptidão fora do normal com o uso da luz, certamente a dificuldade estava na programação do flash porque aquele francês era um mestre no uso da luz natural. Disse-me que ficaria grato se eu usasse suas imagens para ilustrar o texto, talvez elas pudessem inspirar os leitores.

Realmente as fotos eram tão lindas que pareciam pinturas e o tratamento no Photoshop perfeito! (ironia mode: on)

Psyche Asleep

Deixemos Girodet explicar:

Fui tentar um exercício:

- usar meu SB900 como luz principal, simulando uma fotografia still

- quis fazer como se eu precisasse de um fundo preto e não tivesse

- usei duas imagens de barro de negras africanas, com uns 40cm de altura

- meu fundo é a parede branca de meu quarto e a base a mesa cinza clara de estudos: quero tudo preto e a luz apenas nas estatuetas

- minha D 90 com a 50mm 1.8 estava a 1 metro das imagens

- meus primeiros testes foram com o SB900 sobre a camera

- as imagens estavam a uns 40cm da parede

- tendo apenas a luz fluorescente no quarto, consegui uma imagem totalmente preta com f/8 a 1/200 ISO 200 (natural da D90)

- passei a tentar o SB em TTL, mas tudo levava a imagem simplesmente a ficar lindamente e COMPLETAMENTE iluminada

- fechei o zoom do SB pra 105mm e aí é que estourou TUDO mesmo

- trabalhei aumentando a velocidade de obturador e toda a imagem escurece (1/200 1/400 1/800)

- trabalhei fechando o diafragma e toda a imagem escurece (f8  f13  f22)

Pergunta:

a- eu estou querendo algo POSSíVEL?

b- devo faze-lo em TTL ou Manual?

c- fonte de luz perto ou longe do objeto?

d- o objeto deve estar quão longe (ou perto) da parede branca para eu conseguir uma parede preta com as figuras iluminadas?

e- porque eu estou variando a velocidade e as fotos tem ficado SUBexpostas, se a velocidade não interfere no flash?

Girodet, os “cães” estão te arrancando pedaços, cara!

Vou tentar reproduzir a sua cena aqui em casa, vejamos: uma estátua de negra africana ( safadeeeeeenhoo!!!) com 40 cm de altura afastada meio metro da parede, uma D200 com uma 50mm f/1.4  fará o papel da sua D90 a f/8 com 1/200 s de velocidade de obturador.

Coloquei tudo na mesa de café da cozinha, não tenho uma parede branca, mas como procura um fundo preto, acho que dará no mesmo. O resultado pode ser conferido na foto abaixo, ainda com a luz fluorescente da cozinha:

ISO 800, f/2.5 @ 1/80 s (sem flash)

Em ISO 200 com a abertura em F/8 e o obturador em 1/200 s a cena fica assim:

Black Piano…não tem jeito, o flash é necessário para mostrar a boneca novamente e aqui começa o martírio:  como iluminar e não clarear a cena?

Com o flash em TTL no topo da D200 colocada a 1 m como no seu teste o resultado é o seguinte:

f/8@1/200, ISO 200, flash no topo da D200 a 1 m da boneca

A boneca e o fundo completamente “clareados”, como você mesmo mencionou. Não culpe o “cão”, ele está fazendo o que é programado para fazer: despejar luz para te safar de uma enrascada luminosa, mas como está sendo disparado no eixo da lente e está no dobro da distância da boneca para a parede, acaba contaminando o fundo também.

No painel traseiro do LCD do SB-900 consta que nessa exposição e com a cabeça em 50 mm o alcance de iluminação do flash varia de menos de 60 cm até 5,8 m, quando se ajusta a cabeça de zoom para 105 mm como foi feito por você, o novo alcance é de 60 cm até 7,3 m.

Os dois ajustes (50mm e 105mm) estão dentro da posição de onde se dispara o flash (1m), ele é capaz de variar a potência e ajustar a carga para essa variação de zomm em TTL, observe o resultado da mesma foto feita com o SB em 105mm:

f/8 @ 1/200s, ISO 200, Flash em 105mm

Em TTL a foto não deveria superexpor porque o flash tem capacidade de regular a carga dentro da distância em que você se encontrava, o mesmo não acontece em Manual. Quando se fecha o zoom da cabeça do SB, mais luz é concentrada no mesmo ponto, se não houver ajuste da carga ou da abertura, a foto sai superexposta.

Por exemplo, há 1 metro da boneca com a cabeça em 50mm, a carga correta é aproximadamente 1/32.

Flash em manual, 1 m da boneca, cabeça em 50mm

Ah! pela primeira vez azulejos brancos que parecem brancos e não cinzas, mas isso é outra história….Fechada em 105mm e mantendo a distância de 1m a foto sai dessa forma:

Flash em 105mm a 1 m da boneca

a carga correta para essa distância seria de 1/64, como não houve redução a foto está superexposta por 1 ponto. Estou assumindo que o flash estava em manual a partir de agora, ok?

Você se pergunta porque a imagem escurece quando a velocidade do obturador é alterada, haja vista que ela não está presente na fórmula que controla o flash e cita valores como 1/200, 1/400, 1/800…

O problema é que sem saber você entrou no modo de Sincronismo em Alta Velocidade (Modo FP) que faz com que seu SB funcione além da velocidade de sincronismo (1/200 na D90). Nesse modo ele dispara pequenos pulsos de luz que vão acompanhando a fresta que se forma no obturador, fazendo com que ele perca potência de forma considerável.

Veja como a foto fica com a velocidade ajustada para 1/800 s:

Minha câmera está com a função Auto FP sempre ligada, tenho que prestar atenção constantemente no ajuste da velocidade do obturador para não ter problemas na hora do clique. Você está livre de antigos limites, mas deve ficar atento.

Sua próxima dúvida bate de frente com a fórmula que controla o flash: “trabalhei fechando o diafragma e toda a imagem escurece (f8  f13  f22)”

Sim, a imagem vai escurecer porque a distância do flash à boneca e  a carga não mudaram, mas a abertura foi fechada várias vezes, reduzindo a quantidade de energia luminosa que atingia o sensor.

Veja como fica a imagem com o flash em 1/32 da carga a 1 metro da boneca, 1/200 s e f/16 (o correto seria f/8):

F/16 em vez de f/8

e antes que os “cães” jogassem uma pá de cal nos seus sonhos veio a pergunta:

Eu estou querendo algo POSSíVEL? Devo faze-lo em TTL ou Manual? Fonte de luz perto ou longe do objeto?

Sim é possível, mas definitivamente deve-se soltar o flash do topo de sua câmera. Você quer controlar a distribuição de luz na sua foto e determinar a posição de onde ela é disparada é a melhor forma de se fazer isso.

vai catar coquinho né, Girodet?

Quanto mais afastada a luz estiver do assunto, maiores são as chances de contaminação do fundo (imaginando-se, claro, que haja um fundo próximo do motivo). É uma implicação direta da lei do Inverso do Quadrado da Distância (I= 1/d^2).

Como eu desejo um fundo totalmente escuro, devo aproximar a luz da boneca. Quanto? Ora, quem determinará isso será o tamanho do meu quadro.

Ao enquadrar a boneca verticalmente eu consigo aproximar bem o flash e usando qualquer direção de luz diferente do eixo da lente faço com que a iluminação não atinja a área do fundo que está sendo fotografada. É o fotógrafo controlando a luz da cena e não a espalhando indiscriminadamente pela foto.

Uma outra possibilidade para “forçar” a luz a não atingir o fundo é usar um modificador como uma colméia ou um snoot para controlar o tamanho do feixe de luz, na foto abaixo usei um cine-foil (ou uma cartolina preta) na cabeça do flash como bandeira. Veja o resultado:

Quando se trabalha em espaços pequenos o controle das áreas iluminadas é fundamental, nessa última foto até o disparo do “built-in” flash estava jogando luz no fundo, tive que colocar a mão na frente dele para evitar a “contaminação”.

Fico por aqui! Boa luz e Boa Sorte!

e siga o @i_lovemyjob no twitter para surpresas em breve!

Mademoiselle Lange As Venus

Uma capa em 15 minutos. 81

Eu estava pedindo meu almoço na praça de alimentação do Projac quando, ao olhar para trás, reparei que a Adriana segurava um rádio e sorria estranhamente para mim:

“Que bom te encontrar Renato, preciso de uma foto para a capa do CD de Viver a Vida até amanhã às 14 horas…”

Adeus, almoço!  Perguntei como o Jayme queria a foto e com um clique no rádio eu ouvi a resposta dele:

Solar!”

Enquanto caminhava em direção ao estúdio A, o SB-800 arfava no meu peito, mas dessa vez iria precisar de uma ajuda do arsenal luminoso dentro dos estúdios de gravação.

Para a minha tranquilidade o cenário montado simulava uma pousada em Búzios. A associação foi imediata: pousada, Búzios, praias, sol…”SOLAR”! Tinha encontrado o ambiente certo para as fotos!

Enquanto procurava o fundo ideal, acertava com o iluminador do estúdio todos os detalhes da foto. Tudo estranhamente se encaixava: A Taís Araújo chegaria no dia seguinte às 11 h, tinha uma hora para maquiagem, cabelo,  figurino e de meio dia a uma da tarde eu clicaria a capa, liberando o estúdio para as gravações. Perfeito!

Mas para sobreviver no mundo da TV, você deve esperar pelo inesperado!

Quando entrei no estúdio na manhã seguinte, em vez de uma solar pousada em Búzios, encontro um frio hotel no Rio, tão gelado quanto a minha cara de espanto. Uma alteração de última hora havia mudado o roteiro de gravação e me colocado em maus lençóis…Procurei pela Taís e ela já estava praticamente pronta e eu ainda sem lugar para fotografar. Pensei em fazer a foto no nosso estúdio fotográfico, mas outro fotógrafo estava lá, corri para fora do prédio e dei de cara com o SB deitado embaixo de uma árvore, se protegendo do sol escaldante do verão carioca. Ele sorria descaradamente para mim, quase dizendo “eu te avisei, né?”

A árvore onde ele estava proporcionava uma grande área de sombra, bloqueando a luz dura do Sol do meio-dia e garantindo uma iluminação indireta e suave vinda de todos os lados e ainda poupava alguns litros de suor da Taís.

Embora confortável, aquele ambiente era uma sinuca de bico fotográfica: fotometre na sombra e ganhe um fundo estourado, fotometre o fundo e veja uma silhueta de Taís na capa de um CD…

Procure por uma exposição intermediária e o resultado pode ser conferido abaixo:

Taís Araújo

D200, ISO 100, f/5.6 e 1/80 s, o mundo é visto por uma 70-200 f/2.8

É a luz que excita sua vista, a leve explosão luminosa atrás da atriz ganha a guerra pela atenção dos seus olhos, mas você quer exatamente o oposto. A Taís está lá, mas perde para um arbusto em chamas.

Há 2 soluções aqui: diminuir a intensidade luminosa do fundo ou despejar mais luz na área de sombra. “Mais luz” foi a senha para o SB pular para um tripé Manfrotto.

D200, ISO 100, f/5.6 e 1/80 s, ainda com a 70-200

Câmera, lente, distância focal, abertura, obturador e a pose e enquadramento são os mesmos nas duas imagens e ainda assim, elas são completamente diferentes. É a luz fazendo seu trabalho (e como amo esse trabalho…rsrsr).

A segunda imagem mostra o volume do corpo e cabelo, a textura da pele e do vestido, destaca a atriz do fundo e ainda confere um brilho nos olhos dela. Coitado do arbusto em chamas…

Durante o workshop de flash eu comentei que havia feito essa foto com 2 SBs, mas o hábito me levou a um erro: a luz principal é um flash Atek a bateria, um Shine 500, montado em uma sombrinha branca difusora. Ele foi posicionado logo a minha direita, bem no eixo do rosto da Taís. Nosso fotógrafo paulista Zé Paulo Cardeal está agachado abaixo do quadro segurando um rebatedor prata para diminuir as sombras no pescoço.

O SB-800 (Com um gel 1/2 CTO) está lá atrás, funcionando como uma contraluz e sendo disparado pelo Atek. Esse é outro trunfo dos SB’s: no modo SU-4, eles podem ser disparados por qualquer outro flash, desde a mais simples Cybershot da vida até o mais poderoso flash de estúdio. Qualquer flash, de qualquer marca. Os cães não te abandonam!

Nikon SU-4

o SU-4 da Nikon é, na verdade, um disparador remoto (vendido separadamente) que pode ser usado em alguns flashes e câmeras antigas da marca, mas tanto o SB-800 como o 900 têm um módulo desses embutido.

PARA PROGRAMAR O MODO SU-4 NO SB-800:

página de configuração do SB-800

1-Com o flash no modo normal de operação, mantenha apertado o botão central “SEL” por aprox. 3 seg. O SB entra na página de configuração, na esquerda do painel há 2 colunas com ícones de função, procure pelo ícone que mostra um “raio” entrando e saindo de um flash.

2-Com o ícone selecionado, pressione “SEL” por 1 seg. Use os botões “+” e “-” para navegar entre as opções a sua direita: OFF, MASTER, MASTER RPT, REMOTE E SU-4. Escolha o SU-4 e aperte novamente o “SEL” por mais 3 seg para ativar a escolha.

3-Nesse modo, use o botão “MODE” para alternar entre o modo AUTO e o MANUAL.

No modo AUTO, o flash calcula a potência correta baseado no disparo da unidade master. Funciona bem na maioria dos casos, mas eu prefiro deixar as coisas sob o meu controle, escolhendo sempre o modo MANUAL. Através das teclas “+’e “-” consegue-se mudar a potência do SB, o correto é usar um fotômetro para calcular a carga correta, mas no caso da foto acima, a pressa me fez confiar nos meus olhos e no LCD da câmera tanto para ajustar a potência do SB quanto a do Atek.

Uma dica: o que eu fiz foi uma estupidez. Use o fotômetro sempre e se afaste de quem diz que as digitais tornaram o uso desse equipamento dispensável. Confie nele, em um ambiente ensolarado como aquele é fácil ser confundido pelo LCD da câmera. Um fotômetro simples e barato é melhor que nenhum fotômetro. Compre um e mantenha-o sempre consigo.

PARA PROGRAMAR O MODO SU-4 NO SB-900:

SB-900 EM SU-4

1- Pressione o botão “OK” por 2 segundos, a página de configuração aparece.

2- Gire o “dial” até o quarto ícone, SU-4.

3- Aperte “ok” e selecione “ON” para ativar a função. Confirme com o botão “ok” novamente.

4-Aperte em “EXIT” na esquerda do painel.

Note que o flash volta a operação normal, mas ao mexer a alavanca a direita para o modo “REMOTE”, é o modo SU-4 que aparece.

Pronto, as portas da versatilidade foram abertas!

Depois de todos os ajustes necessários, cliquei o máximo que pude, gravei um DVD com as fotos em RAW e entreguei para o motoboy que já me esperava na portaria.

Depois de um tratamento básico no Photoshop (não feito por mim) e uma fusão de imagens no fundo, a capa ficou pronta:

Capa do CD Viver a Vida

Agora no trabalho temos a chance de filmar eventos interessantes graças à aquisição de um Nokia N85, um celular capaz de fazer vídeos em VGA com uma qualidade mais do que aceitável. Se você achava o trabalho fotográfico complicado depois do advento das digitais, imagine agora com a possibilidade de gravar e fotografar com o mesmo equipamento e com mídias que aceitam essa revolução. É melhor se preparar, pois nosso ofício acaba de entrar em uma nova fase: tudo ao mesmo tempo agora!!

Um pequeno vídeo da sessão fotográfica pode ser visto abaixo:

ou em caso de pane geral, clique aqui para ver o video na página da Rede Globo.

Eu estava com saudades disso aqui, desculpem pelo sumiço! A vida voltou ao normal!

Ponto para os cães! Sempre!

Boa sorte em 2010. Verdade e Coragem para todos!

abraços

Um flash, duas luzes. 11

Tinha chegado cedo ao Projac para resolver uns assuntos na internet (me mudei há pouco e estava sem conexão em casa). Toca o telefone do departamento, a ligação era para mim.

-“Oi Renato, aqui é da Arte da novela Caras e Bocas, precisamos de uma ajuda sua…temos que fazer uma foto da atriz que vai representar a personagem da Flávia Alessandra adolescente. Eu tenho uma foto de referência aqui. Você pode nos ajudar?”

-“Tô descendo, me encontra na porta do estúdio…”.

Adeus internet, adeus tempo livre.

A foto de referência era essa:

Flavia Alessandra

Uma reengenharia no processo revela o modo como a foto foi feita: sol como contraluz e um rebatedor no lado esquerdo.

Básico, tranquila de se fazer…

Encontrei a produtora de arte e a atriz, o único que resolveu não aparecer foi o Sol. A produtora sacou: “Tinha que ficar igual à foto, é para um quadro. Sem sol dá para resolver, agora?”

O SB-800 olhou para mim e sorriu. “Dá”.

Pedi um isopor no estúdio enquanto calculava a potência correta do SB, com o flash a 2 metros de distância das costas da atriz, ASA 100, f/4, o valor foi de 1/32 da carga total. Eu aumentei para 1/16 para ganhar um pouco mais da luz que rebatia no isopor.

Posicionei a atriz Thalita Ribeiro na frente de um fundo neutro, nosso estagiário Thiago segurava o flash lá atrás, na distância correta, e a produtora segurava o isopor bem próximo do rosto. O flash estava em “REMOTE”, com o zoom fechado em 105mm, para concentrar o facho de luz bem nos cabelos.

Com a D200 em commander mode, cliquei:

Thalita Ribeiro

Voilá…um sol portátil que não queima o bolso do colete!

Boa sorte!

Colocando tudo para funcionar… 24

Nos últimos artigos eu falei sobre a vantagem do uso do flash, da possibilidade de usá-los fora da câmera e havia prometido mostrar como programar tanto o flash quanto a câmera para operar no modo “remote”.

Semana passada estive em Cuiabá para fazer as fotos de divulgação da nova novela das 6 da Rede Globo, “Paraíso”, e tive boas oportunidades para usar o sistema.

Eu saí do Rio com a incumbência de fazer uma foto de todos os peões reunidos. Já em Cuibá, aproveitei um intervalo nas gravações e reuni os atores para uma rápida sessão fotográfica.

Eu posicionei o grupo no limite da sombra de uma árvore a minha direita, fazendo com que o Sol funcionasse como uma contra-luz e jogando os atores em uma área mais escura. Embora os SBs consigam sincronizar em qualquer velocidade, começam a perder potência quando operam acima de 1/250s e potência era tudo o que eu queria para vencer a pequena fornalha logo acima de nossas cabeças. Ao posicionar todos na sombra, dei uma folga e uma leve vantagem para os flashinhos. Sim, foram 2 flashes usados: um SB-800 a minha direita acoplado a uma sombrinha difusora e um SB-600 atrás dos atores, a minha esquerda, sem qualquer acessório modificador de luz. Ambos estavam apoiados em tripés Manfrottos Nano 001, funcionando no Grupo A e no canal 1

O esquema está (mal) ilustrado abaixo:

esquema de luz

Com a D200 em ISO 100 e a velocidade travada em 1/250s, bastava encontrar a abertura correta para o valor do obturador: f/8. Confortável, não?

Uma olhada rápida no monitor da câmera e a foto estava quase lá: o fundo corretamente exposto e os atores subexpostos pela sombra, os flashinhos iriam resolver o problema e melhorar o contraste da cena.

Para ajustar o sistema, você deve programar uma função no flash e outra na câmera. Vamos a elas:

Ajustando o SB-800:

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1-Mantenha o botão “SEL” pressionado por uns 3 segundos aproximadamente. Isso fará com que o LCD mude para o menu de ajustes . Atenção: as opções do menu podem variar dependendo da câmera e se o flash está conectado a ela ou não.

22- Usando as setas do botão principal (em vermelho), navegue pelas funções até que a opção, assinalada em vermelho na foto (2 raiozinhos entrando e saindo do flash), esteja marcada. Aperte novamente o botão “SEL” e as opções à direita se tornam selecionáveis.

53- Depois de apertar o “SEL”no passo anterior, use o “+” e “-” para escolher a opção “REMOTE”. Mantenha pressionado o botão “SEL” novamente por uns 3 segundos e ….

…Voilá! Seu flash está pronto! Vale mencionar que nessa etapa, o botão da direita e da esquerda (com o desenho das arvorezinhas) controlam o tamanho do facho de luz (com o domo difusor instalado, a cabeça fica fixa em 14mm) e apertando-se o botão “SEL” novamente, junto com o “+” e o “-”, altera-se o grupo e o canal utilizado. Como disse acima, meus 2 flashes estão operando no canal 1 e no grupo A, não preciso mexer em mais nada. Toda e qualquer operação agora será controlada pela câmera e enviada ao flash a cada novo disparo!

Nesse modo, o flash remoto só funciona quando o sensor percebe o disparo do “built-in flash” ou de outro SB-800 instalado no topo da câmera, funcionando como “MASTER”.

Para voltar à operação normal, refaça os passos acima de trás para frente…

Se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia…mas caso você nunca tenha programado o flash antes, eu o aconselharia a treinar esses passos até que o processo fique bem entendido, deixar para testar tudo na hora da foto só vai te trazer problemas…Pratique!

Bom, o flash está ajustado, basta agora programar uma função da câmera. Eu estava usando uma D200, já tive a chance de usar uma D300 e a mesma função é que deve ser escolhida: “e3-Built in flash”. Acredito que na D700 seja a mesma coisa. Correções são bemvindas!

Ajustando a D200:

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1- Aperte o botão “Menu” na parte de trás da câmera e selecione a terceira aba à esquerda: “Custom Setting Menu”. Navegue até a opção

e Bracketing/Flash

2 2- Uma vez escolhida, vá até a sub-opção “e3 Built-in flash“. Aqui você pode optar por 4 possibilidades de operação do flash embutido da D200: “TTL” (default), “M”, onde a carga é escolhida

manualmente, “Repeating Flash”, quando o flash dispara de forma estroboscópica e aquela que nos interessa “C- Commander Mode”

Como o próprio nome indica, o flash embutido se torna o controlador de até 2 grupos de flash (A,B), cada grupo podendo conter até 10 flashes em “remote”, e dos canais de operação do sistema como um todo.

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3- Entre na opção “commander mode” e 4 ajustes podem ser feitos: os modos de operação do flash embutido, do grupo A, do grupo B e os canais de uso.

4 Eu sempre deixo o flash embutido funcionando  em “–”. Isso garante que ele não participe da exposição da cena, apenas dispare o pré-flash que irá acionar os flashes remotos. Na correria dos estúdios, muitas vezes os grupos A e B ficam em TTL, me concentro apenas em medir corretamente a luz, como o sistema nesse caso depende da avaliação do fotômetro, qualquer erro de leitura será passado ao flash, arruinando suas fotos.

No caso da foto dos peões, o grupo A foi colocado em “M” (manual), me garantindo controle total da foto e precisão na exposição. É impossível o uso de fotômetro de mão nesses casos, mas o próprio SB-800 te dá a carga a ser usada, veja como fazer isso aqui.

Bom, o valor encontrado para a foto dos peões foi de 1/8 da carga total, sendo que o tripé com o SB-800 estava a uns 2 metros do assunto ( e o zoom da cabeça posicionado em 50 mm). Todos as variáveis necessárias estão calculadas: abertura, distância do flash ao assunto e carga de operação do flash. Como o SB-600 também estava agrupado no A, bastava colocá-lo a uns 2 metros atrás dos peões e pronto! É só “largar o dedo!”.

Sei que parece uma bobeira, mas não esqueça de dois detalhes básicos: levante o flash embutido e aperte o “enter” depois de ajustar os valores para o “commander mode”.

Ficou faltando o “como ajustar o SB-600″, não? Ok, vamos a ele..Devo adiantar que se você acha a interface do SB-800 complicada, vai detestar a do SB-600! Como falei antes, a prática leva à perfeição!

Ajustando o SB-600:

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1-Esse é o painel traseiro do SB-600 quando ele está desconectado da câmera. Há uma dica para acessar o menu de funções escrita no próprio aparelho: uma seta branca com as iniciais CSM (de custom) ligando o botão “zoom” e o “-”, na parte esquerda inferior do painel. Pressione esse 2 botões simultâneamente por uns 3 segundos e o painel de funções aparecerá.

Diferentemente do 800, aqui as funções não são tão óbvias assim, mas apertando os botões “+”  e “-”, pode-se navegar pelas diversas funções, como por exemplo: iluminação do painel, zoom automático da cabeça, tempo do “stand by”,  luz auxiliar de foco e um “raiozinho” solto no LCD. É essa que nos interessa, como na foto abaixo:

22- O “OFF” no painel indica que a função remote está desligada. Aperte o botão “mode” e a função muda para “ON”, mostrando que a opção foi selecionada. (foto abaixo)

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3-Clique novamente por 3 segundos no “ZOOM” e no “-” e o painel muda de volta para a função de modo REMOTE, como na foto que segue:

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Pronto, o SB está programado! uma dica para perceber se tudo deu certo é olhar a parte dianteira do aparelho: 2 luzes vermelhas ficam piscando quando o modo remote é acionado. Uma boa função que falta no SB-800…assim como a indicação de bateria fraca que só o 600 tem (ok, o SB-900 também possui).

Uma vez ajustado o flash, novamente todos os comandos passam a ser feitos pela câmera, as únicas alterações possíveis são o ajuste do facho de luz da cabeça, apertando-se o botão “ZOOM” e a mudança de grupo e canal, bastando apertar o botão “mode” seguido do “+” ou do “-”.

Escrito assim, parece mais confuso do que realmente é, depois que se pega o “jeito”, tudo se ajusta em questão de segundos e o melhor de tudo é que uma vez estipuladas a abertura e a distância flash-assunto, dá para se fotografar o que quiser, basta não se alterar nenhuma das variáveis, como nas fotos abaixo:

Eriberto Leão

Eriberto Leão e Alexandre Nero

Eriberto Leão

Alexandre NeroThomy Da Fiori

Bom, eu vou ficando por aqui…espero que tenha ajudado!

Boa sorte!

Usando um SB-800 em um softbox. 19

Carol ABRE

Sempre que desejava uma luz mais suave ao usar os flashes da Nikon fora da câmera, optava pelas sombrinhas difusoras. Apesar de simularem o comportamento de um hazy-light, não são tão precisas no controle da iluminação quanto um soft-box tradicional.

Estava à procura de um tipo de acessório que permitisse o encaixe de um hazy de estúdio, como os da Mako ou da Atek, mas que fosse rápido de instalar, leve o suficiente para ser carregado em uma pequena bolsa e que tivesse uma aparência profissional, diferente daqueles que parecem fabricados no fundo de um quintal qualquer, com barras de metal retorcidas e porcas e parafusos se soltando a todo instante.

De vez em quando a correria diária não nos permite notar o óbvio, usava o acessório que tanto procurava no estúdio do trabalho e nunca havia percebido que ele se encaixava com perfeição no meu propósito.

A Mako produz um adaptador para octo/soft boxes grandes que funciona como se tivesse sido projetado exclusivamente para os SBs (testei também com um 580 EX II da Canon). A precisão do encaixe é milimétrica e a perda de luz não é tão grande quanto eu pensava. Basta adaptar a sapata que acompanha o SB-800 (AS-19) de um lado e o anel de encaixe do soft-box do outro e o sistema fica pronto para uso em segundos. Veja as fotos abaixo:

mako 1 mako 2

mako 3 mako 4

Utilizei um hazy de 0,80 m X 0,60 m que andava abandonado lá em casa para fotografar a pequena “Menina Maravilha” que ilustra o início desse artigo (não é por que é minha filha,  mas existe algo mais lindo no mundo?rsrsrs). Tive que abrir o diafragma em 1,5 ponto para compensar a perda de luz, mas o resultado é mais do que satisfatório e só aumenta as possibilidades de uso do sistema wireless de flash da Nikon.

O adaptador custa R$ 126,00 (+ 15% de IPI) na fábrica e o anel para o soft box em alumínio sai por R$ 44,00 (sem o IPI, existe também um modelo em plástico reforçado custando R$ 33,00, mas acho o de alumínio mais resistente e durável).

Ainda tive a chance de brincar mais um pouquinho com o sistema, aproveitando a paciência da minha modelo favorita. Veja o resultado abaixo:

Carol

Um SB-800 com um gel full CTO à esquerda da câmera, logo atrás da Carolzinha, fazendo um ângulo de 45 graus com seu lindo rostinho, montado no adaptador com o haze de 80 cm x 60 cm já instalado. Tarde da noite, quase madrugada adentro ( o que ela estava fazendo acordada até essa hora…), e a D200 em “commander mode”  em ISO 100 e f/14!!

Fantásticas as possibilidades, não?

Abraços e boa sorte!

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