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Os cães estão latindo em árabe… 31

jun15

Caso seja recém-chegado aqui, não se assute: o assunto não é adestramento canino. “Cachorros eletrônicos”, ou simplesmente “cães”, foi a forma carinhosa que eu encontrei para me referir a um acessório tão criticado e desconhecido: os flashes portáteis.

Eu penso que usar números e letras para descrevê-los, como em SB-800 ou 580 EXII, só aumenta a distância entre o conhecimento e a prática, como se tivéssemos que programar um R2D2 ou o C3PO a cada tentativa de uso.

Eles são poderosos, confiáveis e topam qualquer parada e, assim como nossos amigos de nariz frio e quatro patas, devem ser compreendidos para que toda a graça que há neles seja liberada.

Essa é a idéia do blog, e do vídeo aí de cima…

Comentei no último post que estou na Jordânia fazendo as imagens de divulgação da nova novela das 20h da Rede Globo, Viver a Vida, e antes do embarque, comprei uma Sony Cybershot W110, capaz de gravar vídeos em Full HD e pequena o suficiente para caber em qualquer espaço, para tentar filmar algumas sessões de foto. Uma imagem vale mais que mil palavras…

Uma viagem como essa gera uma pressão descomunal muito antes dela começar, são vários os pedidos de fotos para todos os jornais, sites e revistas do país, além do tradicional aviso: “Na sua folga, tente fazer ensaios dos atores conhecendo e visitando locais típicos da região para tentarmos emplacar na Caras, Contigo, Quem, etc…”.

Na minha “folga”? rsrsrsrs…

Assim que cheguei em Petra, tratei de produzir as fotos mais desejadas de todas: retratos dos personagens, mostrando quem são os atores, seus figurinos e o local onde estão gravando. O vídeo mostra os dois primeiros dias de gravação na trilha que leva até um monumento de pedra chamado Monastério, são apenas 854 degraus da base até o topo, com um calor que ultrapassava os 40 graus e que abriu uma ferida no topo da minha cabeça logo nas primeiras horas.

Era o Sol de Petra dando as boas vindas, mas uns latidos vindos de dentro da mochila me diziam que os “cães” queriam ir à forra…

A luz em Petra é dura boa parte do tempo, e com montanhas claras e um piso branco ao seu redor, chega a ser difícil manter os olhos abertos sem um bom óculos escuros, acho que o vídeo mostra bem toda a intensidade luminosa do local. Não havia dúvidas se deveria ou não usar um flash, a pergunta agora era: como ele iria ser usado.

Embora os SBs sejam capazes de sincronizar em qualquer velocidade de obturador, eles perdem muita potência acima do 1/250 s (vel. de sincronismo de flash da D200) e com um sol de meio dia a ser domado, potência era tudo o que eu não podia perder, portanto, a velocidade já estava escolhida: 1/250 s.

Com um valor como esse no obturador e uma luz intensa lá fora, eu já esperava aberturas pequenas e grande profundidade de campo. Todas as fotos mostradas no vídeo foram feitas com a 17-55 f/2.8 fechada em f/8. Não havia sentido em viajar para Petra e produzir retratos com o fundo todo desfocado, a idéia era justamente o oposto disso: mostrar o ambiente onde nos encontrávamos.

A parte numérica estava resolvida, restava trabalhar a luz:

A sessão com a Taís Araújo, a protagonista Helena da novela, dá uma boa dica para melhorar o controle do Sol quando se usa um flash: procure uma sombra…

Fácil de falar e difícil de encontrar, sombras eram disputadas a tapa por beduínos, camelos, burros, turistas ensopados e parte da produção da novela. Eu não acreditei quando vi um banco de pedra ao lado de um arbusto com flores rosadas sem ninguém por perto e longe o bastante de uma muralha rochosa.

Coloquei o SB-800 em um tripé e usei uma sombrinha difusora para gerar uma luz suave, contrastando com a iluminação dura do fundo. Contraste entre as luzes era uma forma de destacar a atriz do plano de fundo, e ao colocar o tripé na lateral, revelei volumes do corpo e texturas do figurino.

Conforme íamos subindo os degraus da trilha, as sombras desapareciam e o sol se tornava cada vez mais presente. Em vez de brigar com ele, transformei-o em um contra-luz, procurando fotografar os atores em algum local onde pudesse ter uma noção de profundidade, relativamente fácil de encontrar no meio daquela paisagem. Como iniciei com o flash na sombrinha, mantive-o assim até o final para ter um estilo de luz constante em todas as fotos.

O SB-800 estava em “REMOTE”, programado para funcionar em TTL mesmo, como os intervalos para fotografar eram curtos, não tinha nem tempo de calcular a exposição do flash em Manual, era soltar os “cães” da mochila e clicar.

Bom, ainda tem material a ser mostrado aqui, mas com um Movie Maker que travava a cada 5 minutos, eu demorei mais do que o desejado para terminar o vídeo, espero que vocês gostem e que tenha ajudado bastante.

Ah! para os amantes da batida eletrônica: meu berço foi o rock´n roll, portanto, aumentem o som…é Rage Against The Machine mandando um cover do Pink Floyd.

Boa Sorte!

A Arte Suave. 14

Semana passada eu ouvi o pedido de um amigo:

“Eu queria usar os ensinamentos e as técnicas do Jiu-Jitsu para ajudar pessoas na sua vida pessoal e profissional. Acho que a luta tem muito a ensinar sobre superação de problemas, valorização da auto estima, concentração, alimentação e respeito. Vou fazer um blog onde mostrarei tudo o que eu aprendi até hoje, mostrando também que um lutador não é um irresponsável, muito pelo contrário, é alguém que conhece seus limites e a forma de superá-los. Me ajuda com as fotos?”

Eu conheço o Mauro Verry, ou Maurinho para os íntimos, desde que eu era criança, sua história dá crédito ao seu propósito e chegar aos 50 anos com a disposição de um garoto não é para qualquer um. Ponto para o Jiu-Jitsu.

Quando escutaram a palavra fotos, os cachorros eletrônicos começaram a latir dentro da bolsa e, para ser sincero, não costumo dizer “não” para alguém que amarra seu quimono com uma faixa marrom…rsrsrs.

Coloquei 2 SB-800, 1 SB-600 e 1 SB-80dx no carro e rumei até a academia Pontal Fitness, no Recreio, onde ele treina aqui no Rio de Janeiro.

Encontrei exatamente o que esperava:

ACADEMIA

Atrás de mim e na minha direita, espelhos…na minha esquerda, uma parede branca repleta de acessórios de ginástica, logo acima, luz fluorescente, sobrou o janelão que aparece na foto. Fechei as cortinas para que a luz natural não contaminasse o ambiente e tratei de encontrar uma exposição que eliminasse a presença da luz fluorescente, essa sim, um horror em qualquer caso.

Uma das grandes vantagens de usar uma luz artificial e controlável na sua foto é a possibilidade de estabelecer relações com as outras fontes luminosas. Variando a velocidade do obturador, controla-se a quantidade de luz ambiente e a abertura do diafragma segura a potência do flash. Todo o controle na sua mão, não é mais São Pedro ou a OSRAM que ditam o caminho a seguir, são seus neurônios.

Bem, além de controle, conforto total: quando você imaginou fotografar em ISO 100, f/8 e 1/250 s dentro de uma sala, sem tripé, a qualquer hora do dia? Ponto para os flashes.

Hora se soltar a matilha:

Eu concentrei as fotos no janelão da esquerda (com 3 painéis), era o fundo mais “neutro” que eu poderia usar. Um dos SB-800 ficou na frente, apoiado em um tripé Manfrotto Nano01 com uma sombrinha translúcida, o outro 800 foi para trás, fazendo par com o SB-600, recortando quem fosse fotografado. Sobrou o 80DX, que por não fazer parte do sistema CLS da Nikon, só é usado em uma emergência. Como ele também tem uma fotocélula, pode ser disparado remotamente, mas não pode ser controlado diretamente na câmera.

A idéia era fazer retratos do Mauro, de 2 de seus alunos e de todos juntos. Montei uma disposição que criava uma luz com boa dramaticidade e versátil para qualquer situação.

O esquema pode ser mostrado aqui:

esquema principal

Repare que os dois flashes de trás garantem uma luz de recorte qualquer que seja a posição do “modelo” (na foto, o flash da esquerda não disparou, tinha entrado em stand by), a luz principal, na sombrinha, me dá uma luz suave que pode ser movida conforme o retratado varia a posição do corpo. Com pouco mais de 1 Kg, é fácil e rápido mudar o tripé de lugar. Se tivesse apenas que fotografar o Mauro, teria chegado esse tripé para muito mais perto dele, assim evitava que o fundo fosse iluminado, mas como iria fotografar também um grupo de 3 pessoas, deixei o conjunto pronto para todas as situações. Como o fundo será recortado no PS, não me preocupei muito (mentira, como verão mais abaixo..rsrsr…e só por curiosidade, o fundo da foto que abre esse post é o original, sem tratamento).

Já tinha a exposição que eu queria,  f/8 com 1/250s, bastava encontrar a potência correta dos flashes, distantes 2 metros de onde as pessoas ficariam, o próprio SB-800 é capaz de fazer isso sem sustos: 1/8 da potência total, longa vida para as baterias!

Todos os três flashes estão no canal 1 e no grupo A…eu sei…tem um SB-600 lá atrás que tem um número guia quase 30% menor que seu irmão mais velho, o 800, como ele pode estar no mesmo grupo dos demais?

Bom, NAQUELA posição, ele funciona como uma luz especular, que nada mais é do que um reflexo da fonte luminosa, mesmo em uma potência menor (ou maior), ele gera o mesmo brilho que o flash ao lado. A luz tem seus mistérios…

Tudo pronto, é só fazer a fila:

grupo 1

Nessa foto do grupo, tive que juntar o Mauro, os lutadores Athos Guimarães e Lívia Huber (que saiu da Áustria para treinar no Brasil) bem próximos um do outro para evitar o espaço entre as cortinas, usei um dos painéis como fundo e coloquei uma pequena tira de gel CTO para dar uma aquecida, era só um teste…

A disposição do grupo evitou que a luz da direita chegasse nas costas do Mauro, mas pelo menos ganhei um fundo limpo que não precisava ser recortado no PS.

grupo 2

Não há uma posição mágica que garanta a melhor luz, o que existe é o correto posicionamento dos retratados em relação à luz utilizada, como se pode ver na foto ao lado. Com o esquema de luz definido, só tive que ajustar a posição de cada um na foto para que cada flash fizesse seu trabalho de recorte e preenchimento

Espero que vocês lembrem que um dos flashes ainda estava descansando na bolsa, um SB-80 DX, junto com algumas gelatinas coloridas.

Um fundo cor “branco blargh” é mais do que uma razão para utilizá-lo, é uma ordem!

Iluminando o fundo, garanto contraste de luz e de cor ao mesmo tempo, como mostra o retrato da Lívia, abaixo:

Livia Huber

Você tem todo o direito de não gostar do fundo vermelho e eu tenho o dever de ter possibilidades na minha manga, com apenas outro pedaço de gelatina, eu posso dar o tom que quiser no fundo, como elas são pequenas, muito leves e dobráveis, cabem em qualquer lugar da bolsa. Adicionei um gel azul, em vez do vermelho, no retrato do Mauro, logo abaixo, desta vez com o quimono em vez do terno:

MAURO VERRY2

Eu encontrei um obstáculo pela frente: uma locação onde tinha todas as desculpas para não produzir nenhuma imagem interessante, mas com a ajuda de amigos eletrônicos e outros de carne e osso, muita concentração e gosto pelo que eu faço, consegui reverter a situação em meu favor, exatamente o propósito inicial do Mauro: as técnicas certas podem mudar um mundo…

Fico por aqui, boa sorte!

Um flash, duas luzes. 11

Tinha chegado cedo ao Projac para resolver uns assuntos na internet (me mudei há pouco e estava sem conexão em casa). Toca o telefone do departamento, a ligação era para mim.

-“Oi Renato, aqui é da Arte da novela Caras e Bocas, precisamos de uma ajuda sua…temos que fazer uma foto da atriz que vai representar a personagem da Flávia Alessandra adolescente. Eu tenho uma foto de referência aqui. Você pode nos ajudar?”

-“Tô descendo, me encontra na porta do estúdio…”.

Adeus internet, adeus tempo livre.

A foto de referência era essa:

Flavia Alessandra

Uma reengenharia no processo revela o modo como a foto foi feita: sol como contraluz e um rebatedor no lado esquerdo.

Básico, tranquila de se fazer…

Encontrei a produtora de arte e a atriz, o único que resolveu não aparecer foi o Sol. A produtora sacou: “Tinha que ficar igual à foto, é para um quadro. Sem sol dá para resolver, agora?”

O SB-800 olhou para mim e sorriu. “Dá”.

Pedi um isopor no estúdio enquanto calculava a potência correta do SB, com o flash a 2 metros de distância das costas da atriz, ASA 100, f/4, o valor foi de 1/32 da carga total. Eu aumentei para 1/16 para ganhar um pouco mais da luz que rebatia no isopor.

Posicionei a atriz Thalita Ribeiro na frente de um fundo neutro, nosso estagiário Thiago segurava o flash lá atrás, na distância correta, e a produtora segurava o isopor bem próximo do rosto. O flash estava em “REMOTE”, com o zoom fechado em 105mm, para concentrar o facho de luz bem nos cabelos.

Com a D200 em commander mode, cliquei:

Thalita Ribeiro

Voilá…um sol portátil que não queima o bolso do colete!

Boa sorte!

“Be quick or be dead”… 7

Uma das vantagens do uso dos SB-800/600 é a rapidez com que eles ficam prontos para a “batalha”. Em questão de segundos consegue-se mudar da operação normal para “remote” e vice-versa.

Quando tudo no seu trabalho conspira contra você, velocidade se torna um grande trunfo.

Essa foto é um exemplo bem interessante. No início de toda novela, nós temos a obrigação de retratar todos os atores, seus pares, filhos, foto na vertical, horizontal, bastidores, cenas, viagens..resumindo: tudo que renda bons espaços de divulgação em jornais, revistas e sites. É uma verdadeira campanha de guerra! Lógico que nem sempre é possível, já que a gravação de uma novela obedece a regras típicas de uma linha de montagem, mas quando se fareja uma boa oportunidade, você tem que estar preparado.

Um espaço bem disputado é a coluna do Ancelmo Gois, do Jornal “O Globo”. Aos domingos ele publica o que nós chamamos de “Bonitona”: uma foto de alguma atriz ou apresentadora que esteja fazendo algo de relevante no cenário cultural. Se essa atriz/apresentadora for um belo exemplo do poder da miscigenação brasileira, as chances aumentam consideravelmente.

Era o caso da atriz Lucy Ramos, sem dúvida alguma, uma mulata de traços irretocáveis.

Enquanto fotografava nos estúdios uma cena da nova novela “Paraíso”, vi que poderia tentar a bonitona daquela semana. Esperei a gravação terminar e perguntei se poderia fazer um retrato dela. “Lógico, mas tem que ser rápido porque preciso trocar esse figurino…”. Ela tinha um sorriso desconcertante. O assistente de estúdio me trouxe de volta à Terra com um grito: “Renatão, você tem 5 minutos!!!

Aprenda uma coisa: quando um assistente de estúdio diz “5 minutos”, você dispõe de apenas 2. O tempo voava…

As luzes internas do cenário já haviam sido desligadas, as únicas funcionando eram as que ficavam do lado de fora e simulavam a luz do sol entrando pelas janelas. A parte externa dos cenários não recebe acabamento, logo, a iluminação era rebatida em gigantescas pranchas de madeira crua, resultado: uma luz suave e com um leve tom amarelado, perfeita para a pele da atriz. Pronto! Eu já tinha a minha luz principal.

O problema estava lá atrás, no portão de saída do estúdio: negro como a noite…. Embora eu já namorasse essa porta como elemento de minhas fotos a um certo tempo, não queria que ela se fundisse com o cabelo da atriz. A reprodução no papel jornal iria piorar ainda mais a situação. Solução?Providenciar uma luz de separação!

Tirei o SB-800 da câmera e o coloquei no modo “remote” em menos de 5 segundos, programei a D200 para disparar o flash em TTL mesmo e pedi que o nosso estagiário de fotografia, Thiago Prado Neris, o segurasse atrás da atriz, fazendo um angulo de 45 graus.

Um fundo negro, uma atriz negra com uma blusa branca…hummm…um prato cheio para um erro do fotômetro da câmera, mas nem me preocupei com isso: no ângulo em que ele segurava, qualquer que fosse o “desacerto” do flash, se ele disparasse a +1, 0 ou -1, o resultado seria o mesmo: um brilho proporcionado pelo reflexo da fonte luminosa, uma luz especular. Era isso o que procurava…

A temperatura de cor dos refetores de estúdio é de 3.200 K, o WB da D200 estava ajustado para o mesmo valor, coloquei um gel “full CTO” (aquele “celofane” laranja que vem dentro da caixinha que acompanha o SB-800) para baixar a sua temperatura de cor, acionei o flash embutido e me lembrei de um detalhe importante: em ISO 800 e na distância em que eu me encontrava, mesmo ajustando o flashinho para “–” no commander mode da D200, o pré-flash era captado pelo sensor. Observe essa fora da atriz Luli Muller, feita na mesma lullisituação:  é possível notar uma sombra azulada na porta branca bem atrás dela,  típica de flash na câmera , resultado da falta de gel de correção no buil-in flash.

A luz frontal do flashinho embutido revelava detalhes do rosto que estariam escondidos pela sombra da luz principal, isso era bom, mas o tom azulado eu não teria como corrigir, não havia tempo de recortar um filete de CTO tão pequeno, por mais que houvesse vários rolos de CTO por todo o estúdio…o assistente já se dirigia para onde eu estava fotografando (ele tinha dito 5 minutos, não é?). O Photoshop iria resolver essa parada….

Pedi que ela se virasse para a luz principal, o Thiago levantou o flash, eu fechei o enquadramento da foto na cintura da atriz e cliquei algumas vezes. O primeiro clique ocorreu ás 15:43 h de uma quinta feira, 05/02, o último deles às 15:45 do mesmo dia….um recorde! rsrsrsrs…

O resultado final pode ser visto logo abaixo:

Lucy Ramos

Note como a luz do flashinho embutido “abriu” as sombras do rosto e como a falta de gel deu uma coloração azulada ao brilho dos olhos dela (e em toda a área de sombra do rosto).

Ok, ok, luz caretinha, mas que funciona sempre ( e vamos combinar: EU TINHA 2 MINUTOS!!!rsrsrs )

Ah! se eu emplaquei a “bonitona”?

Dá uma olhada aqui:

http://flickr.com/photos/800asas/3266815326/in/photostream/

Abraços e boa sorte!

Colocando tudo para funcionar… 24

Nos últimos artigos eu falei sobre a vantagem do uso do flash, da possibilidade de usá-los fora da câmera e havia prometido mostrar como programar tanto o flash quanto a câmera para operar no modo “remote”.

Semana passada estive em Cuiabá para fazer as fotos de divulgação da nova novela das 6 da Rede Globo, “Paraíso”, e tive boas oportunidades para usar o sistema.

Eu saí do Rio com a incumbência de fazer uma foto de todos os peões reunidos. Já em Cuibá, aproveitei um intervalo nas gravações e reuni os atores para uma rápida sessão fotográfica.

Eu posicionei o grupo no limite da sombra de uma árvore a minha direita, fazendo com que o Sol funcionasse como uma contra-luz e jogando os atores em uma área mais escura. Embora os SBs consigam sincronizar em qualquer velocidade, começam a perder potência quando operam acima de 1/250s e potência era tudo o que eu queria para vencer a pequena fornalha logo acima de nossas cabeças. Ao posicionar todos na sombra, dei uma folga e uma leve vantagem para os flashinhos. Sim, foram 2 flashes usados: um SB-800 a minha direita acoplado a uma sombrinha difusora e um SB-600 atrás dos atores, a minha esquerda, sem qualquer acessório modificador de luz. Ambos estavam apoiados em tripés Manfrottos Nano 001, funcionando no Grupo A e no canal 1

O esquema está (mal) ilustrado abaixo:

esquema de luz

Com a D200 em ISO 100 e a velocidade travada em 1/250s, bastava encontrar a abertura correta para o valor do obturador: f/8. Confortável, não?

Uma olhada rápida no monitor da câmera e a foto estava quase lá: o fundo corretamente exposto e os atores subexpostos pela sombra, os flashinhos iriam resolver o problema e melhorar o contraste da cena.

Para ajustar o sistema, você deve programar uma função no flash e outra na câmera. Vamos a elas:

Ajustando o SB-800:

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1-Mantenha o botão “SEL” pressionado por uns 3 segundos aproximadamente. Isso fará com que o LCD mude para o menu de ajustes . Atenção: as opções do menu podem variar dependendo da câmera e se o flash está conectado a ela ou não.

22- Usando as setas do botão principal (em vermelho), navegue pelas funções até que a opção, assinalada em vermelho na foto (2 raiozinhos entrando e saindo do flash), esteja marcada. Aperte novamente o botão “SEL” e as opções à direita se tornam selecionáveis.

53- Depois de apertar o “SEL”no passo anterior, use o “+” e “-” para escolher a opção “REMOTE”. Mantenha pressionado o botão “SEL” novamente por uns 3 segundos e ….

…Voilá! Seu flash está pronto! Vale mencionar que nessa etapa, o botão da direita e da esquerda (com o desenho das arvorezinhas) controlam o tamanho do facho de luz (com o domo difusor instalado, a cabeça fica fixa em 14mm) e apertando-se o botão “SEL” novamente, junto com o “+” e o “-”, altera-se o grupo e o canal utilizado. Como disse acima, meus 2 flashes estão operando no canal 1 e no grupo A, não preciso mexer em mais nada. Toda e qualquer operação agora será controlada pela câmera e enviada ao flash a cada novo disparo!

Nesse modo, o flash remoto só funciona quando o sensor percebe o disparo do “built-in flash” ou de outro SB-800 instalado no topo da câmera, funcionando como “MASTER”.

Para voltar à operação normal, refaça os passos acima de trás para frente…

Se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia…mas caso você nunca tenha programado o flash antes, eu o aconselharia a treinar esses passos até que o processo fique bem entendido, deixar para testar tudo na hora da foto só vai te trazer problemas…Pratique!

Bom, o flash está ajustado, basta agora programar uma função da câmera. Eu estava usando uma D200, já tive a chance de usar uma D300 e a mesma função é que deve ser escolhida: “e3-Built in flash”. Acredito que na D700 seja a mesma coisa. Correções são bemvindas!

Ajustando a D200:

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1- Aperte o botão “Menu” na parte de trás da câmera e selecione a terceira aba à esquerda: “Custom Setting Menu”. Navegue até a opção

e Bracketing/Flash

2 2- Uma vez escolhida, vá até a sub-opção “e3 Built-in flash“. Aqui você pode optar por 4 possibilidades de operação do flash embutido da D200: “TTL” (default), “M”, onde a carga é escolhida

manualmente, “Repeating Flash”, quando o flash dispara de forma estroboscópica e aquela que nos interessa “C- Commander Mode”

Como o próprio nome indica, o flash embutido se torna o controlador de até 2 grupos de flash (A,B), cada grupo podendo conter até 10 flashes em “remote”, e dos canais de operação do sistema como um todo.

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3- Entre na opção “commander mode” e 4 ajustes podem ser feitos: os modos de operação do flash embutido, do grupo A, do grupo B e os canais de uso.

4 Eu sempre deixo o flash embutido funcionando  em “–”. Isso garante que ele não participe da exposição da cena, apenas dispare o pré-flash que irá acionar os flashes remotos. Na correria dos estúdios, muitas vezes os grupos A e B ficam em TTL, me concentro apenas em medir corretamente a luz, como o sistema nesse caso depende da avaliação do fotômetro, qualquer erro de leitura será passado ao flash, arruinando suas fotos.

No caso da foto dos peões, o grupo A foi colocado em “M” (manual), me garantindo controle total da foto e precisão na exposição. É impossível o uso de fotômetro de mão nesses casos, mas o próprio SB-800 te dá a carga a ser usada, veja como fazer isso aqui.

Bom, o valor encontrado para a foto dos peões foi de 1/8 da carga total, sendo que o tripé com o SB-800 estava a uns 2 metros do assunto ( e o zoom da cabeça posicionado em 50 mm). Todos as variáveis necessárias estão calculadas: abertura, distância do flash ao assunto e carga de operação do flash. Como o SB-600 também estava agrupado no A, bastava colocá-lo a uns 2 metros atrás dos peões e pronto! É só “largar o dedo!”.

Sei que parece uma bobeira, mas não esqueça de dois detalhes básicos: levante o flash embutido e aperte o “enter” depois de ajustar os valores para o “commander mode”.

Ficou faltando o “como ajustar o SB-600″, não? Ok, vamos a ele..Devo adiantar que se você acha a interface do SB-800 complicada, vai detestar a do SB-600! Como falei antes, a prática leva à perfeição!

Ajustando o SB-600:

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1-Esse é o painel traseiro do SB-600 quando ele está desconectado da câmera. Há uma dica para acessar o menu de funções escrita no próprio aparelho: uma seta branca com as iniciais CSM (de custom) ligando o botão “zoom” e o “-”, na parte esquerda inferior do painel. Pressione esse 2 botões simultâneamente por uns 3 segundos e o painel de funções aparecerá.

Diferentemente do 800, aqui as funções não são tão óbvias assim, mas apertando os botões “+”  e “-”, pode-se navegar pelas diversas funções, como por exemplo: iluminação do painel, zoom automático da cabeça, tempo do “stand by”,  luz auxiliar de foco e um “raiozinho” solto no LCD. É essa que nos interessa, como na foto abaixo:

22- O “OFF” no painel indica que a função remote está desligada. Aperte o botão “mode” e a função muda para “ON”, mostrando que a opção foi selecionada. (foto abaixo)

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3-Clique novamente por 3 segundos no “ZOOM” e no “-” e o painel muda de volta para a função de modo REMOTE, como na foto que segue:

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Pronto, o SB está programado! uma dica para perceber se tudo deu certo é olhar a parte dianteira do aparelho: 2 luzes vermelhas ficam piscando quando o modo remote é acionado. Uma boa função que falta no SB-800…assim como a indicação de bateria fraca que só o 600 tem (ok, o SB-900 também possui).

Uma vez ajustado o flash, novamente todos os comandos passam a ser feitos pela câmera, as únicas alterações possíveis são o ajuste do facho de luz da cabeça, apertando-se o botão “ZOOM” e a mudança de grupo e canal, bastando apertar o botão “mode” seguido do “+” ou do “-”.

Escrito assim, parece mais confuso do que realmente é, depois que se pega o “jeito”, tudo se ajusta em questão de segundos e o melhor de tudo é que uma vez estipuladas a abertura e a distância flash-assunto, dá para se fotografar o que quiser, basta não se alterar nenhuma das variáveis, como nas fotos abaixo:

Eriberto Leão

Eriberto Leão e Alexandre Nero

Eriberto Leão

Alexandre NeroThomy Da Fiori

Bom, eu vou ficando por aqui…espero que tenha ajudado!

Boa sorte!

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