Criando um Estúdio de Luz Natural

31 dez
2013

Eu consegui terminar o estúdio fotográfico do Criadouro no meio de 2013, bem no início de Julho. Como dei a sorte de ser vizinho de porta de um fotógrafo publicitário e minha especialidade são os Retratos, não vi muita necessidade de criar outro fundo branco a 20 metros de um já existente. (ok, eu realmente não curto fundos brancos).

A idéia era reproduzir um pouco da minha realidade diária na TV simulando uma casa envelhecida com piso de madeira, usando uma tapadeira que gira e mostra duas texturas diferentes na “parede”, aumentando a versatilidade do cenário. A estrutura ( piso + paredes) e a pintura foram feitas em tempo recorde, dois dias apenas.

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Com a chegada dos equipamentos de luz eu lembro de ficar horas analisando o caminho do Sol e, graças a duas grip heads que comprei ( obrigado Carlos!), acabei canibalizando dois antigos tripés de fundo que havia aqui, deixando solitárias as duas forquilhas do suporte.

"In the American West" - Richard Avedon

“In the American West” – Richard Avedon

Nesse primeiro ano de Criadouro deu para perceber como as estações provocam mudanças significativas nas entradas de luz, quem pensou a casa tinha grande talento para fotografia: o Sol cruza diagonalmente a estrutura deixando boa luz entrar tanto pela manhã quanto pela tarde, grandes janelas estrategicamente colocadas provam o talento do arquiteto.

Lembro de ficar horas bolando um plano para criar, dentro do estúdio artificial, uma forma de usar a excelente iluminação natural disponível. Como recebo outros fotógrafos aqui para debates e cursos, achei que quanto menos se dependesse de equipamento, melhor seria o desempenho de quem ainda não tinha experiência em estúdio.

estúdio de Irving Penn

estúdio de Irving Penn

Uma velha garagem preguiçosamente vazia, dois fundos de TNT usados ( calma, mais sobre isso lá embaixo) e as duas forquilhas de fundo foram uma bela resposta para minha busca.

A garagem nada mais é que um grande “U” com 6 metros em cada lado, coberta com telhas de amianto e com pilares colocados a 3 metros de distância entre eles, poderiam facilmente servir como tripés para as forquilhas..hummm…a cabeça começou a entrar em parafuso:

“Se eu trocasse duas telhas de amianto por outras de plástico leitoso branco (R$ 60,00 cada na Leroy Merlin) poderia aproveitar o Sol a partir das 13 horas até o fim do dia e ainda teria uma luz rebatida na parede amarela da casa, trocando em miúdos fotográficos: luz difusa e quente vinda do alto e pelas laterais, em calorosa e tropical quantidade e praticamente de graça! Um sonho se realizando!

telhas sendo rocadas

telhas sendo rocadas

Uma das minhas críticas aos livros de “17 trilhões de esquemas de luz testados e aprovados” é que a ênfase é tão grande em posições “mágicas” de luz que o leitor, ao tentar reproduzir o que vê, frustra-se por não entender que o que há de mágico é o perfeito arranjo entre a modelo e o esquema criado.

Normalmente o fotógrafo iniciante dispõe a iluminação de uma forma, fica mudo, clica oito mil vezes, reza para que o resultado saia igual ao da revista enquanto a modelo se coloca em posições completamente desfavoráveis à iluminação criada. Posicionar uma cabeça de flash é metade do trabalho, mas você não fotografa um tripé!

Esqueça a luz, olhe a modelo!

Como agora na garagem a posição é fixa, se eu quiser controlar contraste e sombras, obrigatoriamente devo parar, observar e mover o retratado, além disso, o grau de contato é maior já que não há trambolhos luminosos em volta dispersando a atenção.

Marcio Scavone no curso de Retrato usando o estúdio, 14 participantes.

Marcio Scavone no curso de Retrato usando o estúdio, 14 participantes.

Com a “fonte luminosa” montada, faltava agora aproveitar os pilares da garagem como tripés para fixação do fundo. Um suporte para três rolos de papel está em R$ 160,00 nas lojas especializadas, mas com um pouco de paciência e uma boa loja de materiais de construção dá para gastar bem menos. A lista abaixo mostra o que eu usei, adaptações são bem-vindas:

listaDe baixo para cima:

1 – Um par de mão francesa de alumínio ( não enferruja) com uns 30 cm de comprimento, em perfil U.

2- as forquilhas pré-existentes

3- 2 parafusos de 3/8 de polegada  ( aqueles típicos de cabeça de tripé)

4- uma broca de 9,5mm para metal (9,5 mm = 3/8 de polegada)

5- um bom arco de serra

 

furo 38

 Use a broca de 9,5mm para aumentar o furo pré-existente, na mão francesa de 30 cm dá para colocar 3 forquilhas em linha.

parafuso cortado

Aqui é a parte mais chata do processo, eu cortei o parafuso para que encaixasse perfeitamente dentro do U da mão francesa, é uma tarefa relativamente fácil se você possuir um arco de serra que não fale chinês. A foto abaixo explica o motivo do corte:

forquilha presa

Entendeu? Agora com 2,8mm, o parafuso é travada pelo perfil U, fazendo com que a forquilha não rode em falso. A sua mão francesa é uma barra chata? sem problemas, trave com uma porca.

fundo

Voilá! Em menos de duas horas e pela metade do preço o suporte ficou pronto, agora é aproveitar!!

Veja o resultado em algumas fotos:

Carlos e Mônica

Carlos e Mônica

Gabriele Nery, f/4@1/200s ISO 100

Gabriele Nery, f/4@1/200s ISO 100

 

 

INÍCIO DO MOMENTO DÚVIDA:

Renato, eu vi você usando um fundo de TNT no suporte, mas eu acho que fica tão feio, aquelas marquinhas do tecido ficam aparecendo a toda hora quando fotografo…”

Você deve usar aberturas maiores para desfocar o fundo, o fato de se enxergar detalhes do material  já é parte da resposta…

“Mas no meu estúdio eu só consigo aberturas muito pequenas, mesmo comprando o mais profissional e potente dos flashes, o Zulman Omini Mega Power Ultra Hecta Pro IIe, que tem potência de 100!

Você caiu em uma armadilha e não está percebendo, 100 o que? Estranho todos os fabricantes falando sobre a “potência” de suas luzes e escondendo as informações que permitiriam a comparação entre elas, mas isso fica para outro post!

“mas Renato, você tem escrito menos posts ultimamente…”

Eu vou mudar isso em 2014 ( plagiadores, alegrai-vos!!), mas enquanto isso curta a página do Criadouro e entenda a razão:

www.facebook.com/CriadouroCarioca

FIM DO MOMENTO DÚVIDA

Fico por aqui! Um 2014 repleto de coragem para todos vocês!

 

abraços

 

 

9 Responses to Criando um Estúdio de Luz Natural

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Andrea Elkind

dezembro 31st, 2013 at 12:23

Muito bom Renato! O novo espço ficou ótimo e a dica é 10.
Bjs e um grande novo ano!

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Renato Miranda

dezembro 31st, 2013 at 12:30

Obrigado Andrea! Bjs e excelente 2014!!

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Alicia Leite Fernandes

janeiro 6th, 2014 at 11:55

Parabéns!!! Quem faz o que gosta nunca vai trabalhar…Chapplin

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Renato Miranda

janeiro 6th, 2014 at 11:57

Obrigado Alicia! Volte sempre!

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anna pestilli

janeiro 17th, 2014 at 18:11

Vc é ótimo Renatis, competente e econômico. Bj grande.

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taniaarmond

janeiro 24th, 2014 at 18:12

Maravilha…
Era o site que eu precisava para criar.
Obrigada por compartilhar seus conhecimentos e suas idéias geniais.

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Renato Miranda

janeiro 24th, 2014 at 21:52

Obrigado você pela leitura Tania, volte sempre! abração

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Enzo

março 3rd, 2014 at 16:34

Parabéns, encontrei seu site procurando informações sobre uso de flash Speedlight, ja guardei em meus favoritos!

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Renato Miranda

março 6th, 2014 at 01:51

Obrigado Enzo! Volte sempre! qualquer coisa escreva! abração

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