Archive julho 2013

Duas Luzes a 45º: o mito 30

A terça-feira passada começou com a necessidade de produzir um retrato bem interessante de uma das atrizes da nova temporada de “Malhação”. Eu e a assessora do programa conferimos a agenda do nosso estúdio e marcamos a foto para a quinta, acertamos alguns detalhes sobre a produção e parti para uma gravação noturna do novo seriado.

Meia hora depois lá estava ela na cidade cenográfica, com a expressão triste, ainda dentro do carrinho elétrico: “Renato, não vai dar tempo, temos que produzir a foto agora!”

Vai parecer estranho vindo de um fotógrafo conhecido pela habilidade com os flashes portáteis, mas as coisas complicam um pouco quando não se pode contar com a luz natural e toda iluminação disponível está concentrada somente no set de gravação…e você está sem os flashes portáteis!!

Não havia alternativa, a foto tinha que ser produzida ali. A primeira providência é (rezar..rs) encontrar alguma fonte luminosa com intensidade suficiente para iluminar a sua cena (se você for leitor do blog vai lembrar da foto da Raica, feita com apenas 2 azulejos de luz). Espalhadas pelo chão aquelas luzinhas de natal chinesas eram uma opção, mas o que me chamou a atenção mesmo foram 2 totens usados na decoração do hotel cenográfico:

fundo

Eram móveis, produziam uma luz difusa incrível da cabeça aos pés de uma pessoa e com a intensidade de f/4@1/125 em ISO 800… e ainda não seriam utilizados durante um bom tempo pela Arte.

Pronto! ali estava o meu estúdio!

Como a atriz ainda participava de outra foto e uma entrevista, chamei uma amiga,  Thammy, para servir de stand-in e testar a iluminação.  Posicionei os totens a 45 graus, a mesma distância, como mostra o esquema abaixo:

esquema_luz1

Thammy nem esperou uma orientação minha, viu as duas fontes de luz e se posicionou entre elas, é o jeito mais natural de pensar, muitas modelos ( e muitos fotógrafos) acham que o “melhor” da luz só pode estar nessa área interna e sem querer cria-se uma luz “chapada”,  “flat” ou seja lá o termo bonitinho que queira usar para descrever essa iluminação. Duas luzes de mesma potência dispostas a mesma distância de algo são excelentes para reproduzir quadros e Thammy está longe de se parecer com um quadro.

Thammy_blog

O fato de ter parado dentro da área iluminada não significa que ela tenha que ficar ali para sempre. Você pode controlar o contraste de sua foto sem variar potência ou distância da fonte, mas pedindo que a modelo se movimente, como no caso abaixo, indo para a fronteira do meu “softbox” de madeira:

teste

O set de luz é rigorosamente o mesmo, idem para câmera, lentes e exposição, foi apenas a modelo que se movimentou um pouco para frente, porém, veja como aumentou consideravelmente o contraste da foto:

Thammy_blog-2

compare o antes e depois:

Juntas

Eu já bati nesse tecla um monte de vezes, mas não custa lembrar: a luz deve ser sua amiga, não há escapatória, dica, conselho ou quadradinho colorido em blog muderno que de jeito na foto se o fotógrafo não entende como sua luz se comporta e pare de tentar encontrar aquela posição “mágica de luz”, o que existe é uma coordenação perfeita entre a luz e sua modelo. Olhe para a modelo! A luz é o início, não o fim.

Uma vez acertada a posição, foi curtir o momento!

Abaixo algumas fotos do teste com a Thammy:

Juntas2

Boa Luz e Boa Sorte!

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