Archive janeiro 2011

Nikon 50mm f/1.4G AF-S:Unboxing 80

Leve, prática, com uma ótica já excelente, clara e rápida o suficiente para ser usada em qualquer tipo de luz sem o uso de tripés ou flashes e, como se não bastasse, uma mestra na arte de compor e fotografar.

Todas essas qualidades transformaram a objetiva 50mm em um mito. Ao contrário das objetivas com zoom, uma lente fixa com essa distância focal exige que o fotógrafo se mexa para encontrar o quadro certo e conversar intimamente com o retratado, forçando-o a sair da zona de conforto e a abertura máxima de f/1.4 transforma um pequeno bocado de luz em energia suficiente para a sua criatividade pirar.

Foi a primeira lente que usei no meu começo de carreira e com ela obtive as respostas que tanto procurava, as imagens que fiz acalmaram a minha alma e um “sim, vá em frente” apareceu na minha mente depois de uma olhada em algumas delas.

Lago Sagrado de Gokyo, Nepal (5.800m)

Comprei a 50mm f/1.4 D ainda no Nepal e a mantive comigo durante 11 anos sem um problema sequer e as vezes em que ela me salvou de situações precárias de luz são incontáveis. De certa forma era ela que, carinhosamente, me conduzia durante toda a viagem. Tenho um apreço diferente por essa lente, não só por ter me ensinado coisas que eu não sabia, mas por ter sido generosa comigo durante muito tempo.

Yaks na subida para Dole

Mas como aprendi no Nepal, desapego e generosidade são necessários na nossa jornada individual: Rafa, meu produtor e amigo (também conhecido como I-Rafa e que com serenidade segurou a barra durante uma tormenta que enfrentei há pouco tempo atrás) também procura seu caminho na fotografia, achei que da mesma forma que a 50mm tinha me ajudado, poderia fazer o mesmo por ele. Agora o pequeno talismã de vidro está nas mãos dele e adquiri a nova Nikkor AF-S 50mm f/1.4 G que a Nikon lançou recentemente.

Eu fiz um vídeo mostrando pequenas diferenças entre as duas, um vídeo de “unboxing”, veja abaixo:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=dt4nYG-2d90[/youtube]

Há diferenças evidentes entre os dois modelos, a mais nova conta com um motor de autofocus na própria lente, que satisfará os donos das D40, D60, D3000 e D5000 que só podiam usar a lente antiga no modo manual, provando que “não há almoço grátis”. O motor garante um autofocus silencioso, porém, não achei tão mais rápido do que o modelo anterior. Um “muito bem-vindo” para-sol já acompanha a nova 50mm evitando o “flare” e servindo como proteção contra pequenos choques.

Uma pequena chave na lateral da lente permite escolher entre o modo manual total ou automático com “override”, ou seja, é possível reajustar o foco manualmente depois que a focagem foi feita pela câmera sem prejuízo para as engrenagens internas. Gostaria de ver esse nova lente sendo usada nos modelos que virão com autofocus durante o modo de filmagem, como já acontece com a D7000.

Com a remoção do anel de abertura a nova lente ficou confinada aos modelos eletrônicos de câmera, uma vez que a abertura só poderá ser ajustada pelos “dials” da máquina e embora exista menos elementos na lente, ela ficou mais pesada e mais cara. A antiga, da série D, sai por US$ 330,oo contra US$410 da série G (preço BH/USA). Prepare-se para gastar um pouco mais com filtros também, porque o diâmetro aumentou de 52mm para 58mm.

O que realmente me chamou atenção no modelo novo foi o diafragma com 9 lâminas (7 na antiga) e o “Super Integrated Coating (SIC)” que, segundo a Nikon, garante imagens com cores e contraste superiores e eliminação de “fantasmas” e flare. O mesmo coating está presente na nova 24-70 f/2.8 e pude constatar que o melhora é evidente, o próximo passo é fazer o mesmo com as fotos feitas com a novo 50mm AF-S f/1.4 G.

Eu levei as duas lentes para a praia da Barra aqui no Rio e fiz as mesmas imagens, coloquei a camera em um tripé e ia trocando as lentes mantendo a cena fixa.

Uma lente eu vou chamar de A a outra será B e queria que vcs tentassem descobrir qual é o modelo novo, comentários são bem-vindos.

Eu sei que é uma injustiça fazer esse teste aqui pela internet por conta de resolução e desajustes de monitores, mas como a falta de calibração será aplicada em todas as imagens, vale a tentativa.

Não há nenhum ajuste nas fotos no Photoshop, elas saíram do cartão diretamente para o post, todas foram feitas em ISO 100 é só clicar que elas aparecem em tamanho grande e a a observação dos detalhes é favorecida, liguem o som e curtam a viagem:

LENTE A -f/1.4 @1/2.500 s

LENTE B - f/1.4@1/2500s

Ainda mantendo a abertura de f/1.4, mais duas para comparação:

LENTE A - f/1.4@1/400s

LENTE B - f/1.4@1/400s

Agora vamos mostrar o fundo, ajustando a abertura para f/16, mantendo a foto do beijo do casal ( eu sou um cara romântico..rsr):

LENTE A - f/16@ 1/3s

LENTE B - f/16 @ 1/3s

Agora mais duas imagens em f/5.6:

LENTE A - f/5.6@ 1/80s

LENTE B - F/5.8@1/80s

As duas últimas, dessa vez em f/4:

LENTE A - f/4@1/1000s

LENTE B - f/4@1/1000s

A visualização em tamanho grande garante a resposta do desafio (há uma forma de “colar” na resposta também, mas aí perde a graça), as diferenças são sutis, você seria capaz de dizer qual é a nova Nikkor AF-S 50mm f/1.4 G?

Por favor, deixem seus comentários e compartilhem!!

E não esqueçam: dias 5/6 de Fevereiro estarei em Cuiabá e logo depois, no final de semana dos dias 12/13, em Brasiília para mais dois WS de Flash Criativo  I LOVE MY JOB, clique aqui para se inscrever, as vagas estão acabando!

Boa Luz e Boa Sorte!

Raw Raica 61

Era uma noturna de sexta-feira e eu me encontrava dentro da boate da cidade cenográfica da novela Insensato Coração, em uma das cenas os personagens de Lázaro Ramos e Guilherme Leme se encontram com a modelo Raica Oliveira e lá estava na minha pauta: “fazer uma bonitona da Raica”.

Não há muito o que se  falar sobre o termo “bonitona”: fazer a foto mais bonita possível para posterior divulgação nos jornais. Eu curto fazer “bonitonas”, elas normalmente aparecem na coluna do Ancelmo Gois, do Jornal “O Globo” de Domingo, é uma forma gostosa de começar bem o dia.

Ter a Raica Oliveira na sua frente facilita muito o trabalho de se fazer uma “bonitona” e como o cenário da boate ajudava, eu tratei logo de encontrar um canto próximo da gravação onde pudesse ter a ajuda dos iluminadores sem atrapalhar o andamento das cenas.

Esse era o meu plano A: do lado de fora da boate, uma parede cercada de fotos, quadros e uma decoração interessante me serviria como um ótimo fundo, ainda não tinha visto a Raica nem seu figurino, mas tratei de deixar pronta uma luz salvadora porque o tempo seria inevitavelmente curto.

O cenário do Plano A era esse:

ISO 3200, f/3.5@1/250

Bolas de cerâmica iluminadas em primeiro plano, pinturas ao fundo, umas velas para dar clima e uma luzinha embaixo da mesa para realce, e o que era melhor, tudo ao lado de um refletor que não estava sendo usado. Perguntei se eles precisariam daquele refletor e se poderiam me emprestar um isopor. A galera da iluminação é boa demais e em segundos tudo estava montado, pensei em usar o refletor como contra-luz e rebatê-la no isopor para iluminar suavemente a Raica no meio do cenário. Uma figurante serviu de “stand-in” para testar o esquema de luz.

O plano A ficou assim:

ISO 3200, f/3.5@1/160s

Um pouco de luz vazava para o fundo, mas uma “bandeira” eliminaria isso na execução da foto e uns ajustes na modelo melhorariam a posição da luz e das sombras no rosto. Com uns acertos rápidos, nasceria ali a minha “bonitona”.

Chegou a vez da Raica fazer a sua participação, um lindo vestido preto cobria-lhe o corpo e cairia bem no cenário A, fazia as fotos de divulgação da cena já pensando no momento de clicar a “bonitona”.

A gravação foi rápida e eu me apresentei, dizendo que precisava de uma foto para divulgar a participação dela na novela, que não levaria muito tempo, pois já tinha preparado tudo e em poucos segundos ela estaria liberada.

“Lógico, vamos até lá! Vai ser um prazer”, ela disse gentilmente. “Não precisa nem andar muito”, eu disse brincando, “está tudo aqui do la….” e quando apontei para o cenário A ele não existia mais. Haviam retirado o refletor e o isopor no tripé desaparecido. E eu não tinha pensado em um plano B.

Fiquei olhando para a Raica alguns instantes, ela olhando para mim e eu pensando: “E agora, mané?” A gravação rolava solta no saguão, só me restava o segundo andar da boate para não atrapalhar o andamento das cenas.

“Vamos lá para cima, Raica? Ela topou. Eu não tinha a menor idéia do que havia lá “em cima”, luz eu tinha certeza que não e eu só contava com um flash SB-900 no topo da D3s. Aqui eu farei um comentário que pode parecer um pouco pedante de minha parte, mas a falta de um flash pop-up no corpo da D3s me faz uma falta danada, já que ter que carregar 2 flashes junto com o corpo da câmera e de duas lentes igualmente pesadas fazem com que eu pareça o corcunda de Notre Dame no final do dia. Junte tudo isso com a minha careta e o Quasímodo ganha facilmente de mim.

A foto abaixo mostra o que havia lá “em cima”: paredes e teto cobertos de preto, mesas pretas, lâmpadas dicróicas no teto e pequenas luminárias do tamanho de um azulejo médio em cima de cada mesa. Rebater o flash seria impossível com aquela profusão de preto em todos os cantos e estourar um flash direto em uma modelo como a Raica seria um crime.

“Se não há solução, solucionado está”, já dizia minha vó: eu tinha um fundo preto a minha disposição e uma modelo linda vestida de preto.

Precisava agora “soltá-la” daquele fundo e arrumar um jeito de iluminá-la da melhor maneira possível. Como não tinha “cão”, ia ter que caçar com gatos, olhem o tamanho dos “gatinhos”:

luminárias de mesa

Eu teria que me virar e uma das grandes vantagens da D3s é a superba qualidade de imagem em ISOs elevados. Perde-se de um lado, mas ganha-se muito de outro.

Eu pedi que a Raica se sentasse no canto da mesa, de tal forma que a luz dicróica embutida no teto servisse como um contra-luz no cabelo e em parte das costas. Essas duas luminárias de mesa estavam ligadas em um mesmo fio conectado a uma tomada no chão, um dos fios era mais longo que o outro o suficiente para iluminar na altura do rosto da modelo. Uma figurante que descansava por ali segurou a luminária para mim. O outro fio era pequeno demais, mas mesmo assim conseguia iluminar o corpo e o vestido da Raica pela altura da cintura, pedi que outra figurante segurasse o segundo “azulejo de luz”. Daquela posição eu conseguiria um brilho especular mesmo com uma luz de mesma potência, esse assunto já foi discutido aqui no blog.

O esquema de luz pode ser entendido melhor no diagrama abaixo:

Subi o ISO da D3s para 6400 e abri o diagragma da 24-70 f/2.8 para f/3,5, a velocidade do obturador batia em 1/125s. Eu mesmo não acreditava que aquilo era possível e a cara das figurantes mostrava o mesmo espanto. Cliquei algumas vezes na esperança de conseguir captar uma luz de boate que volta e meia aparecia no fundo, uma rápida olhada no monitor mostrou que eu havia conseguido. O resultado final está abaixo:

ISO 6400, f/3.5@1/125s

Eu ia terminar esse post dizendo: “ponto para os gatos”, mas na verdade é ponto para os “cães” novamente. A possibilidade de usá-los fora câmera permite que o fotógrafo entenda o comportamento da luz e suas conseqüências em uma foto e uma vez entendido, esse aprendizado pode ser levado para qualquer outro aparato de iluminação, facilitando a sua vida em situações extremas, como no caso acima. Um flash é muito mais que um acessório de iluminação, é um mestre na arte de entender a luz e usá-la com bom senso e beleza.

Ponto para os cães! Novamente

Boa Luz e Boa Sorte

P.S: não perca a oportunidade de fazer mais com o equipamento que vc já tem, haverá um WS I LOVE MY JOB nesse fim de semana (22/23) aqui no RJ e logo depois estarei em Cuiabá e Brasília, clique na agenda e se inscreva. E São Paulo está a caminho!

Um flash, uma capa 27

Semana passada estava na cidade cenográfica de Araguaia com a incumbência de fazer um retrato dos atores Julia Lemmertz e Thiago Fragoso para um suplemento de TV do jornal Estado de São Paulo. O tempo estava nublado, não havia uma nesga de Sol e uma luz difusa e densa cobria a locação. Como a gravação estava chegando ao fim e os atores teriam que dar uma entrevista, resolvi buscar um fundo que servisse para a imagem. Encontrei uma casa cenográfica bem ao lado da gravação, com paredes de madeira na cor neutra e bem próximo dos refletores usados na cena. Um deles estava bem posicionado e era só virá-lo para a casa que eu teria uma luz boa iluminando o casal.

Conversei com os iluminadores e pedi que quando a gravação acabasse o refletor fosse mexido, eles prontamente concordaram. Fiquei tranquilo durante um tempo, parte da cena foi gravada e o casal de atores veio em nossa direção, atrás deles ecoou a voz do diretor de fotografia; “Leva esse refletor aí para fazer o close dentro do carro”. Fiquei tranquilo por pouco tempo, lá estava indo embora a minha luz querida…

Eu estava com uma D3s e um SB-900 e fazer a foto dos atores com o flashão estourando direto neles não era uma boa opção. Embora a D3s seja a melhor câmera digital que eu já tenha usado ( é assutadora!) , ela não conta com um flash embutido, o que me obriga a carregar 2 SB-900, um ajustado para “Master” e outro em “Remote”. Nesse caso eu só tinha o “Master”…que não parava de me olhar como quem dissesse: “não te falei para levar ajuda?”.

Nossa assessora se vira para mim e fala: “Renato, faz as foto agora que depois eles se concentram só para a entrevista”…”Ok, Ok”, respondi com a cabeça pensando em várias soluções…

Essa é a foto feita sem flash:

ISO 100, f/4@1/250

Eu não tinha visto os atores antes de escolher a casa como fundo, os tons da foto toda estavam parecidos, mas o que me incomodava mais eram as sombras nos olhos, sabia de antemão que o papel onde a foto seria impressa escureceria ainda mais aquela área, o que não era nada agradável. Dá para tratar no Photoshop, mas a foto seria enviada momentos depois para São Paulo, não havia tempo de tratamento extra e o pensamento “depois eu trato no Photoshop” não contribui em nada para seu aperfeiçoamento como fotógrafo, alguns detalhes podem ser corrigidos na hora, de forma simples e rápida, com resultados melhores. Tudo o que eu precisava naquele momento era de um segundo flash…e ele veio de carrinho elétrico em cima da D90 do fotógrafo do site da novela.

“Fábio, vc vai usar esse SB-900 agora? Pode me ajudar a rebater uma luz?”

“Lógico!” E lá fomos eu e Fábio para perto da casa, no caminho arrumei um isopor grande e ajustei o 2 flash para “REMOTE”, programando aquele que eu carregava para “MASTER”, no modo TTL. A grande vantagem dos tons pastéis da casa e da roupa dos atores é que eles estavam bem próximos de um cinza médio, facilitando muito a medição TTL. Veja a mesma foto acima em preto e branco:

ISO 100, f/4@1/250s

Aponte sua câmera e o flash em TTL (respeitando os limites de alcance do SB) e não há como errar em uma foto assim. Pedi ao Fábio que ficasse do meu lado, segurando o flash dele voltado para o rebatedor de isopor e disparei, repare a diferença:

ISO 100, f/4@1/250s

Em poucos segundos a foto foi melhorada, o isopor gerou uma luz mais suave e posicionado acima dos atores obrigou as sombras a desaparecerem atrás deles, evitando a sombra característica (e horrorosa) do flash no topo da câmera. Note que nas 2 fotos a exposição permaneceu inalterada, o flash só cumpriu seu papel. Ponto para os cães! De novo!

Foi só voltar à redação, eviar para São Paulo e esperar o Domingo chegar:

Capa TV Estadão

A sessão não demorou mais do que 5 minutos e em alguns cliques eu mudei o WB da câmera para dar uma “aquecida” nas fotos, a capa acima mostra um exemplo disso, não teve “depois eu coloco um filtro amarelo no Photoshop”. Os cães fazem mágica!

Eu atualizei a agenda do blog com as datas do WS I LOVE MY JOB de Flash Criativo, não perca a oportunidade de entender o que seu flash é capaz de fazer.

Rio: 22/23 JAN

Cuiabá: 05/06 FEV

Brasíla:12/13 FEV

Clique aqui para se inscrever e veja o vídeo com os depoimentos dos participantes do último WS em Vitória aqui.

E aproveito para desejar “BOA LUZ e BOA SORTE”em 2011 para todos vocês

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As modificações foram feitas por Carlos Alberto Ferreira