Archive março 2010

“Olhe nos olhos, quero ver o que você diz” 18

(para quem chegou aqui agora: esse post é uma continuação do artigo anterior, O Código Da Vinci, que vale a leitura, rsrsr).

Eu preciso aprovar os comentários antes que eles apareçam no post, peço um pouco de paciência porque tenho que fazer isso no tempo livre (tempo livre? o que é isso mesmo?? rsrsrs), mas todos são aprovados em ordem cronológica, não se preocupem.

Muitos disseram que o que gera aquele brilho no queixo da Cecília é a luz rebatendo no ferret branco e no colo da modelo. Vocês são rápidos….mas como uma luz rebatida pode brilhar se ela está em menor intensidade do que a principal? Não é uma luz de “preenchimento”?

Olhem a foto abaixo:

Lulli Muller, atriz

Como no quadro de Da Vinci, só há uma luz na cena e também uso um rebatedor para iluminar o rosto (não olhem para esses olhos por muito tempo, são de se apaixonar) da Lulli. Por que o rosto dela não está brilhando?

E lá está o maldito filete no contorno do rosto….mas esse é fácil de explicar: como estou expondo a cena pela intensidade da luz rebatida no rosto é normal que a luz do Sol “estoure”  e brilhe no contorno da face.

Então aqui vai uma provocação luminosa:

uma porta na esquerda, uma janela na direita e um buraco no telhado

Esse retrato foi feito dentro de um barraco durante as gravações da novela “Duas Caras”no Recife. Há um buraco no telhado que permite que a luz do sol atinja o rosto do pequeno ator. Lá fora uma parede branca reflete a luz solar através de uma porta na esquerda e uma janela na direita da foto, ou seja, a exposição da foto foi feita pela luz do Sol no rosto do moleque, ela está em uma intensidade maior do que a luz rebatida.

Como essa luz rebatida consegue brilhar mais do que a luz pricipal?

“it’s all right, it’s allright, she moves in mysterious ways…”

Obrigado pela participação!

Boa luz e boa sorte!!

(lembrem-se: respostas para o mistério nos comentários do post anterior, tá valendo uma camiseta!!)

O Código Da Vinci 86

No penúltimo post aqui escrito ( Procurando Potência? ) eu mencionei que 2 perguntas interessantes haviam se transformado em belos assuntos para novos artigos no blog.  Descrevi como uma simplificação desnecessária havia prejudicado a compreensão de um parâmetro muito útil para quem queria entender o comportamento dos “cães” ( o cabalístico Número Guia ) e prometi que responderia a segunda questão utilizando um “filete mágico” presente em um quadro (um não, vários) de um gênio da pintura: Leonardo Da Vinci. 

A pergunta me foi feita via Twitter por Andrea Del Verrocchio, um pizzaiolo paulista que descansa da rotina do restaurante fotografando com os “cães”: 

“Renato, recentemente adquiri 2 SB-800 e queria aprimorar a iluminação das minhas fotos, qual dica você me daria?” 

Esqueça os flashes, concentre-se na LUZ” 

O silêncio logo depois da minha resposta foi longo, mas senti que ele havia mordido a isca: 

“Pera aí, logo você, um defensor ferrenho do poder dos “cães”, me pedindo para esquecê-los? 

Os tabus que rondam os flashes portáteis são tão poderosos que inviabilizam a menor das tentativas de entendê-los, a simplificação dos manuais reforçando a idéia de que a tecnologia TTL faz todo o trabalho pesado para o fotógrafo nos transforma em meros “apertadores de botões”. Mantemos acoplados a nossa câmera um computador capaz de nos ajudar a escrever com a luz, mas desconhecemos a forma como ela pode ser escrita. 

Eu sou capaz de apostar que o que aflige boa parte dos leitores desse blog não é a operação do flash em si, mas como a luz que ele gera se comporta. E como bem disse Bono Vox, do U2: “It’s all right, it’s all right, she moves in mysterious ways…” 

E põe misterioso nisso…corretamente explicado, o funcionamento de qualquer flash leva menos de uma hora, mas a compreensão do comportamento da luz é trabalho para um punhado de anos. 

Em 1489, Leonardo Da Vinci recebe a incumbência de fazer um retrato para o Duque de Milão, Ludovico Sforza. Segundo historiadores, a retratada é Cecilia Gallerani, uma adolescente de apenas 16 anos que seria amante do Duque e que dois anos mais tarde carregaria no ventre uma prova da união com o nobre. 

Depois de um ano de trabalho, foi assim que Leonardo a retratou: 

Lady with an Ermine, 1489-1490 - Leonardo Da Vinci

 

O desenho da mão, o movimento e a expressão do animal e a forma como a menina está sentada mostram o domínio da técnica do mestre. Segundo alguns críticos, com esse quadro Da Vinci inaugurava uma forma de retratar pessoas que nos influencia até hoje. 

Há inúmeras interpretações para a presença do “ferret” no quadro, que vão desde a tentativa de mostrar a pureza da menina (pureza..sei..) como uma alusão ao segredo da gravidez, mas eu acredito que Da Vinci tinha outra intenção ao colocar um animal de pelo branco próximo ao pescoço de Cecília… 

Pelo brilho nos olhos e as sombras do nariz e da lateral esquerda do rosto é possível identificar apenas uma fonte de luz que vem de cima, como se um soft-box grande estivesse colocado ligeiramente atrás do rosto da modelo. 

Uma luz iluminando o rosto, vestido, a mão da menina e o corpo do pequeno mamífero…uma luz apenas…mas olhe atentamente para a linha do maxilar: 

Há um filete brilhante de luz que ajuda a separar a mandíbula do pescoço da modelo, realçando a sensação de tridimensionalidade de todo o rosto. É graças a essa linha que seu cérebro consegue entender que o maxilar de Cecília está projetado à frente e não no mesmo plano do pescoço. E foi exatamente por causa dessa linha que eu me fiz a mesma pergunta durante alguns bons anos:

 

Se existe apenas uma fonte de luz no quadro, como ela pode gerar um filete brilhante em uma área que está justamente na sombra? E como esse filete pode brilhar se existe apenas uma luz expondo todo o quadro?”

 (Renato, então foram duas as perguntas…)

Uma mesma luz com dois comportamentos diferentes? Será que Da Vinci está usando truques de iluminação que só a pintura permite ou isso existe no mundo real?

Débora Nascimento, atriz

Sim, existe e acredito que você mesmo usa em suas fotos e vê em muitas imagens por aí sem nem ao menos notar, ou melhor, seu cérebro nota, tanto que o faz ter impulsos estranhos como o de comprar produtos ou salivar de fome…

No início do artigo eu comentei que iria solucionar essa questão, mas porque não fazemos um pacto?

Você, caro leitor, escreve um comentário aqui nesse post explicando o que provoca esse fenômeno do filete luminoso no quadro e eu envio uma camiseta I LOVE MY JOB ( com o apoio da Udenio/Nikon Brasil) para a  caixa de correio do primeiro que acertar, inteiramente de graça?   

Corra! Você tem até o dia 30 de Abril para tentar, depois eu coloco outro post explicando a resposta. Topas?

Boa Luz e Boa Sorte!

(Para Ricardo Marques, de Sampa: Ricca, meu brother, você está fora dessa, rsrsrsrsr)

 

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