Archive agosto 2009

Não faça fotos, crie imagens! 20

Em muitos posts eu comento sobre a possibilidade de “estabelecer relações” com a luz natural como uma das várias vantagens de usar um flash, mas acho que nunca consegui ilustrar todas as etapas do processo.

Alguns comentários que recebi mostram que algumas dúvidas interessantes ainda persistem, principalmente sobre medição da luz, e tive a chance de encontrar a situação perfeita para tentar eliminá-las na semana passada, durante uma pauta de divulgação do programa “Aline” da Rede Globo.

A gravação acontecia na praia de Copacabana, perto da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, que vem sendo constantemente depredada desde que ali foi instalada (humm..rimou!…rsrrs…)

O que leva um imbecil a destruir uma escultura colocada em uma das praias mais conhecidas do mundo ainda é um mistério para mim, provavelmente deve odiar o Rio de Janeiro e ser incapaz de fazer uma rima simples, mas fiquei feliz em fazer fotos que seriam usadas em uma campanha de concientização da população.

Detalhe: a gravação acontecia às 5 da manhã e mesmo detestando acordar cedo, aquele nascer do sol me fez agracer a Deus por morar em uma cidade abençoada e simplesmente magnífica. Lotada de problemas, é verdade, mas magnífica!

Bom, voltando ao trabalho:

Ainda faltavam fotos que mostrassem os três protagonistas juntos e como o Sol subia rapidamente no horizonte, a gravação corria em ritmo frenético, tempo era tudo o que eu não dispunha. Aproveitei uma mudança de equipamento e a presença dos três atores na cena e corri atrás do meu retrato.

Uma dica rápida: acostume-se com o fato das imagens não existirem ainda, elas serão criadas por você.

A foto que existe na sua cabeça muitas vezes não está diante dos seus olhos e como sua câmera é bem menos sensível que o seu cérebro, sozinha ela não poderá te ajudar.

Quando você entende que sua câmera não passa de uma ferramenta limitada, aprende que as infomações que ela fornece são apenas sugestões. Você está no comando.
Nascer do Sol, Copa[15]

Esse era o nascer do sol em Copacabana às 5:47 da manhã. Uma foto relativamente fácil de fazer, o único problema era que estava ali para fazer fotos de 3 atores contra esse cenário:

Bernardo, Maria e Pedro, contraluz[11]

Todo manual de fotografia comenta que o melhor da luz se encontra nas primeiras horas da manhã e no final da tarde. É verdade; porém, nem sempre a melhor luz está na posição ideal.

De onde estava eu conseguia enxergar todos os detalhes da cena, desde os rostos dos atores até a explosão solar atrás deles. Nossos olhos são muito tolerantes com grandes variações de contraste, mas sua câmera não…

Ao travar a exposição no nascer do sol, ela jogou todo o restante da foto em densas sombras. Se não fosse pelo refletor à direita (fora do quadro), mal se distinguiria um ator do outro.

Faça a leitura da luz na sombra e descubra que a razão de você estar ali às 5 da matina se transformou em um fundo branco estourado e sem graça.

Você está perdido: não pode mexer a sua posição, a dos atores e muito menos a do Sol, sua câmera não acompanha a sensibilidade dos seus olhos e seu chefe não vai gostar da piadinha: “eu só fotografo com luz natural”, ao receber a sua foto tecnicamente perfeita, porém, inútil.

Usar um filtro como o densidade neutra graduada (ou até mesmo um polarizador) reduz a quantidade de luz da foto, diminuido o alto contraste da cena, mas te joga no mundo das baixas velocidade de obturador…você está sem tripé e os atores não param de se mexer.

A única solução disponível é “jogar” luz nas áreas de sombra, revelando o rosto dos atores e mantendo o obturador em velocidades tranquilas para segurar a câmera na mão.

Para vencer a Física, a Estética solta os cachorros!
Bernardo, Maria e Pedro, contraluz Flash 14

A foto acima é, na verdade, uma sobreposição de 2 “camadas”: uma com o fundo exposto corretamente e os atores na sombra, e a outra com a área iluminada somente pelo flash.

É a velocidade do obturador que junta tudo. E o flash que separa…

Sua nova exposição terá as 2 variáveis de sempre, obturador e abertura, mas controladas por equipamentos distintos.

A velocidade do obturador dirá quanto da iluminação natural aparecerá na foto, o diafragma, por sua vez, quanto de luz incidirá na área que vc quer iluminar.

Brinque com esses valores e inúmeras opções surgem, não é mais o humor de São Pedro, mas seu gosto pessoal que determina qual a melhor delas.

I Love My Job

Na foto que abre esse post, a minha única preocupação inicial foi a abertura do diafragma. Queria uma que garantisse o foco nos atores e ainda mostrasse detalhes do fundo. Escolhi f/7.1 com a D200 em ISO 800.

Com a abertura ajustada, medi a luz na área iluminada do céu, evitando incluir o sol no enquadramento.

O fotômetro zerou no 1/250s, fiz um clic de teste e achei o céu muio escuro, diminui a velocidade para 1/125 e encontrei o tom que me agradava.

Liguei o SB-800, o LCD me indicava que os atores estavam dentro do alcance do flash para a abertura escolhida, mudei para o modo REMOTE em TTL e pedi que um amigo o segurasse.

Em 1/125 com f/7.1, fiz a foto. Coloquei um gel 1/2 CTO no focinho do cão para dar uma aquecida geral na foto, como se pode ver abaixo:

BernardoMariaePedrocontraluzflash14tCTO[11]

Aquela foi apenas uma das possibilidades de imagem, uma ligeira mudança no obturador altera a luz do fundo, uma variação na abertura (ou diminuíndo a potência do flash) controla a luz do primeiro plano.

Criatividade. Liberdade. Independência. Ponto para os cães. De novo.

Aproveite a comunidade aberta no Orkut para obter respostas e conhecer gente nova, coloque sua dúvida lá, já temos 75 (ops!! 77!)pessoas querendo ajudar, e o número não para de crescer.

Boa sorte!

Os cães vão mudar de casa… 11

ago16

…no mundo real eles já mudaram, e enfrentam agora a incompetência generalizada do meu provedor de acesso à internet que não consegue transferir minha assinatura para meu novo prédio, que, curiosamente, fica na rua atrás da minha casa antiga, do meu quarto eu vejo o meu velho edifício…

Enquanto não resolvo esse transtorno, atuo nos bastidores. Peço desculpas pelo sumiço (ainda tive que trabalhar uns dias em Búzios), mas acho que demora será muito bem recompensada.

O que começou como uma brincadeira tímida há quase um ano atrás, tomou uma proporção que eu jamais pude imaginar ou prever.

O blog cresce em uma velocidade difícil de acompanhar e o serviço Blogspot está ficando pequeno para tantas exigências.

Na época que resolvi escrever sobre fotografia, me inscrevi também no WordPress e mantenho a conta até hoje.

Até o final do mês de agosto, é para lá que vamos, com novo layout, novo nome de domínio e vários serviços que faltavam por aqui, como, por exemplo, um serviço de busca interno.

Como está ficando difícil de responder a todas a perguntas que recebo por aqui, resolvi abrir uma comunidade no Orkut, a I LOVE MY JOB, para que vocês possam se encontrar, trocar experiências e aproveitar a presença de outros fotógrafos para que suas dúvidas sejam sanadas. Eu sou o moderador, mas ela é aberta a todos, aproveitem e usem bastante. Para se ter uma idéia da velocidade da coisa, embora aberta há poucos dias e sem divulgação em lugar algum, já existem 10 membros cadastrados e algumas postagens básicas. Agradeço a confiança e aproveito para dizer que essa experiência tem sido fantástica, já recebi emails que me fizeram chorar de alegria e outros que encheram de entusiasmo, eu que achei que não seria lido por ninguém, agora me preocupo com tanta responsabilidade.

Um próximo passo é montar outro grupo, desta vez no Flickr ou em outro site similar, para que nós possamos mostrar nossas fotos e os resultados do desenvolvimento do uso do flash.

Bom, estou aberto a sugestões e dicas, é só deixar um comentário.

Mas nem tudo são flores, e agora terei que ser um pouco mais sério e duro.

Há poucos dias atrás, alguém retirou um frame do vídeo com as fotos em Paris e usou como foto de abertura em uma comunidade no Orkut sobre a novela Viver a Vida.

Eu preciso deixar bem claro que, embora seja eu o autor das fotos, elas pertencem por contrato a Rede Globo. Juridicamente, só a empresa pode decidir o que fazer com elas. O que vocês veem aqui ou no Flickr, nada mais é do que um acordo de cavalheiros: eu não faço nehuma estupidez e ela me deixa divulgar o meu trabalho (e o dela tb). Difícil é estancar a estupidez dos outros.

Por isso existem prédios lotados de advogados em várias cidades do país trabalhando exclusivamente para a Rede Globo. Se algum de vocês quiser enfrentar essa guerra desnecessária, boa sorte, mas por favor, não façam isso com o meu trabalho. É um desreipeito e, acima de tudo, um crime.

Deu uma confusão danada, quase que tenho que parar de escrever aqui e por pouco não fui obrigado a trocar o nome do blog para “I LOVED MY JOB”. Acho que deu para entender o que disse, não?

É tempo de compartilhar e a própria Rede Globo tem interesse em DIVULGAR minhas fotos, basta pedir pelo canal correto. Não foi a primeira, nem será a última vez que isso aconteceu, mas não podia deixar de expressar a minha indignação e perplexidade com a falta de entendimento desse novo tempo.

Reflitam e boa sorte!

I LOVE MY JOB utiliza WordPress com FREEmium Theme.
As modificações foram feitas por Carlos Alberto Ferreira