Archive maio 2009

Isso não é um fundo branco! 37

Sandy abre

A semi-final do quadro “Soletrando”, do Caldeirão do Huck, aconteceu nessa semana no Projac. Além do ótimo professor Sergio Nogueira, a cantora Sandy participou como jurada. Quando as assessoras souberam que ela estaria presente, eu escutei:

“Ah! Renato, aproveita essa chance e faz uma foto bonita dela, para a gente tentar emplacar em alguma coluna…Ela está no estúdio F…”

Como o estúdio fica próximo da nossa sala de imprensa, passei por lá e peguei uma sombrinha rebatedora grande e tratei de fazer a foto. Minha idéia era usar uma superfície metálica e aproveitar o brilho gerado pelo flash para criar um halo brilhante de luz atrás da cabeça da cantora. 2 efeitos diferentes com uma luz só, vinda do SB que eu trazia comigo.

A única porta grande o suficiente que encontrei ficava fora do estúdio, longe do camarim onde ela estava. Restava o pior dos trabalhos: convencê-la a ir até lá, fora do ar condicionado e próximo do público…Eu fui até o camarim e comecei a pensar em um plano B…

Encontrei a assessora da Sandy, Rogéria, e comentei sobre a minha idéia, ela rebateu de imediato: “não dá para fazer por aqui? Ela já está toda maquiada, pronta”. Olhou para os lados e me perguntou: “Não dá para fazer perto daquela parede de tijolos de vidro?”. O plano B apareceu como um estalo e eu brinquei: “qual parede, aquela branca?…”que parede branca? É aquela de tijolos”

“Pois é, para mim, ela é uma parede branca”. Olhei para o SB e ele piscou para mim, tinha entendido a brincadeira. Sabia que mais uma vez, iríamos tirar leite de pedra.

Aqui está o que a Rogéria, assessora, viu:

Sandy1

Ela está a minha esquerda, segurando o SB colado na sombrinha, sem tripé, sem nada.

A D200, com uma 17-55 f/2.8, funciona com ISO 400, abertura 3.5 e 1/100 s. O SB está em REMOTE, em TTL mesmo. O retrato tinha que ser feito em segundos, deixei o trabalho pesado para os japonesinhos dentro do flash…

A luz que ilumina os tijolinhos do fundo vem do Sol.

Resultado?

Uma foto sem a menor graça, contra um fundo que eu já devo ter fotografado umas duzentas vezes seguidas, que nunca me disse nada…

Acho que já escrevi aqui que se pode usar as sombras para esconder detalhes indesejáveis, ou usar a luz para lavá-los da foto e já disse, também, que a vantagem de usar um flash é a possibilidade de estabelecer relações com a luz natural.

Com a exposição do rosto garantida pela abertura correta e o flash, bastava variar a velocidade de obturador para “brincar” com aquela parede insossa.

Se eu fizesse uma subexposição, usando uma velocidade mais alta, sumiria com a luz natural nos tijolos, mas manteria a textura deles. Mas, e se eu GRADUALMENTE diminuísse a velocidade do obturador até que nenhuma textura aparecesse?

Os resultados estão aqui:

FUNDO

FUNDO meio

FUNDO BRANCO

Tudo o que fiz foi selecionar alguns valores mais lentos do que o 1/100 s iniciais e encontrar aquele que me desse o branco sem textura que eu procurava. Acho desnecessário indicar os valores corretos, por que dificilmente vocês vão encontrar a mesma condição de luz, o importante é o conceito por trás da técnica, até porque como os valores foram ficando baixos demais, subi a sensibilidade da câmera para ISO 800 no meio do processo.

Logo, em ISO 800, com f/3.2 (garantindo o foco apenas no rosto) e com 1/30 s, iluminei com o flash o rosto da Sandy e lavei com o sol a parede de tijolos irritantes. Lá estava a parede branca que a Rogéria não conseguia enxergar.

“A luz do sol é o melhor dos detergentes”

Sandy

Sem photoshop para recortar o fundo, apenas uma leve alteração de contraste no rosto

Simples, rápido e eficiente!

Fico por aqui…

Boa sorte!

Basta uma foto para eu ganhar o dia… 7

A descrição de como essa foto foi feita está aqui, mas eu jurava que ela não sairia no jornal…

Esse é um post rápido, apenas para fechar o que foi escrito na postagem original.

É certo que trabalhamos além do normal, mas acordar no domingo pela manhã e ver o resultado do seu esforço e criatividade estampado em milhares de jornais na cidade em que você vive, dá uma felicidade indescritível.

E pensar que há 9 anos atrás eu me perguntava se teria capacidade de desempenhar a minha profissão…

Acredite nos seus sonhos, mesmo que só você o sonhe!

Boa sorte!

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