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O bebe chinês, o bom senso e o flash 12

Na semana passada uma notícia causou um rebuliço no mundo da fotografia: um bebê chinês sem nome, morador de uma província sem nome, ficou cego depois que um tio sem nome o fotografou usando o flash de um celular sem marca e a equipe de um hospital sem nome confirmou a cegueira sem exames.

A história levantou a questão: “afinal, um bebê pode ser fotografado com flash?”

Mais do que usar um flash a pergunta deveria ser: “Afinal, deve-se usar o bom senso na hora de se fotografar um bebe? ou qualquer outro assunto?”

É óbvio que notícia é falsa do início ao fim, mas o único dado que ela fornece é suficiente para se ter todas as informações sobre o comportamento da luz na foto sem que se dê um click sequer!

O texto não informa nada sobre as pessoas envolvidas no fato mas, curiosamente, é super preciso em relação o flash, segundo o repórter ele foi disparado a 25 centímetros do rosto do bebê.

A essa distância até mesmo um cego se incomodaria com o clarão do disparo, mas se há um flash, então é possível calcular a abertura usada na fotografia graças a fórmula do número guia: abertura x distância.

A 25 centímetros é possível afirmar que uma abertura pequena foi utilizada gerando uma grande profundidade de campo e como o flash está muito próximo, a iluminação ficará toda concentrada no rosto da criança

Algo diferente e inesperado para fotos de newborn, que normalmente trabalham com profundidades de campo apertadas com todos os planos da imagem igualmente iluminados.

Essa poderia até ser uma brecha, uma vantagem para que você começasse a produzir imagens diferentes da imensa maioria, destacando-se, assim, do seu concorrente. Mas é melhor esperar o próximo workshop daquele guru da administração e marketing para fotógrafos que nunca pegou numa camera na vida, não é mesmo?

Vários fotógrafos trataram de avisar seus clientes que só usavam luz natural, mas o que eu não entendo é que com certeza esses estúdios usam janelas que não estão viradas o tempo todo para o melhor da luz e nem sempre é possível ter o sol na intensidade correta para uma exposição ideal.

O fotógrafo acaba trabalhando com ISOs elevados e baixas velocidades de obturador para compensar a pouca entrada de luz, ou seja:

Você gastou alguns mil dólares para comprar um equipamento excelente e acaba operando em sensibilidades tão altas que diminuem todas as qualidades que fizeram sua câmera e lente tão caras!

Que tal usar um equipamento de iluminação portátil, leve, discreto, que não depende de energia elétrica, pode ser usado em ISOS baixos, na abertura que você quiser, em velocidades altas e ainda por cima, consegue simular perfeitamente a iluminação natural que você tanto adora?

Esse acessório iluminação é o seu flash portátil!

Ao invés de 25 cm de distância, que tal usá-lo mais longe do assunto? Evitando, assim, a perturbação do disparo direto e garantindo a abertura grande e a pouca profundidade de campo que você tanto busca.

A vantagem de usar o flash afastado é que o que se perde de intensidade, ganha-se em abrangência de luz. Esse é o mistério por trás da fórmula do inverso do quadrado da distância

http://goo.gl/A7aSRH

Luana com por do Sol às 21h (http://goo.gl/A7aSRH)

A ênfase na queda da intensidade da luz é tão grande que se perde o grande barato da iluminação: com um flash apenas se consegue muita coisa.

Você pode mais com menos!

Esse é o truque que Deus usou quando afastou o sol para 150 milhões de quilômetros da Terra, se fosse possível estar em Mercúrio agora, eu e você seríamos vaporizados por uma luz extremamente suave, porém, de pouca abrangência

Ainda resta uma dúvida: com o flash afastado, a luz não fica cada vez mais dura?

Sim, duríssima! Mas quem adora a luz natural não pode criticar a dureza do Flash, pois as duas luzes são absolutamente iguais em qualidade.

Você não coloca uma cortina ou um modificador para suavizar a luz que entra pela sua janela? Faça exatamente a mesma coisa com o flash, mas usando ISOs baixos e velocidade altas, tudo que você precisa para uma foto ideal de forma tranqüila e rápida, a qualquer hora do dia ( e da noite) e em qualquer lugar!

Eu acho estranho que toda hora surjam inúmeros “Mestres da Luz” “Senhores da foto”, Magos da iluminação, especialistas em “sei lá o quê top master omni blém blém” que não tem trabalhos publicados, mas falam sobre o flash todo dia a toda hora em vídeos, cursos, palestras e uma notícia como essa mostra que a o mistério persiste e a confusão ainda reina.

Com única informação precisa garimpada na notícia, todo o esquema e o comportamento da luz surgem no seu cérebro sem um único disparo da câmera e nem desespero do fotógrafo.

Seu flash pode lhe ensinar a ser um fotógrafo mais versátil e seguro e iluminar pode ser mais divertido e fácil do que parece.

Fico por aqui!

Boa Luz e Boa Sorte!

Teleobjetivas achatam planos? 38

Sim! E mamíferos como os coelhos colocam ovos de chocolate na Páscoa…

Eu tirei 10 dias de férias bem merecidas e a proposta desse post é bem simples:

Farei duas fotos com a câmera no tripé, mantendo fixa a exposição e alterando apenas a distancia focal, na primeira imagem será usada uma 50mm (tanto faz se f/ 1.4 ou f/ 1.8) e na segunda, uma 85mm (também não importa a abertura máxima).

Antes, acho que vale a pena explicar o que é a “distancia focal” de uma objetiva:

 é a distância, em milímetros, entre o ponto de convergência da luz até o ponto – sensor ou filme - onde a imagem focalizada será projetada.

Eu sei.. não ajuda muito, é o tipo de definição que pede um mergulho mais profundo, até porque é la no fundo que se encontram as respostas para angulo de visão, distancia focal e tamanho de imagem, mas você terá que enfrentar catetos, tangentes e o Teorema de Pitágoras, como a maioria dos fotógrafos atualmente quer as respostas prontas, eu vou ficar por aqui, ok?

 

50mm (f/4@ 1/25s, ISO 1600)

50mm (f/4@ 1/25s, ISO 1600)

Aqui esta nossa primeira imagem, tentei fazer um vídeo mostrando todo o post, mas com um vento de -2 graus entrando pelas frestas da roupa ficava difícil falar ou pensar em alguma coisa.

Ela mostra Thaisa, minha engenheira sagaz, sentada em um banco com um arbusto e um pequeno prédio ao fundo, a câmera esta no tripé e o próximo passo é clicar a mesma cena, desta vez com uma 85mm, na mesma exposição:

85mm (f/4@1/25s, ISO 1600)

85mm (f/4@1/25s, ISO 1600)

WOW!

Olha a diferença no enquadramento e como esse post está tendendo a terminar como todos aqueles que você já leu recomendando escolher com calma sua teleobjetiva e observar como distancias focais maiores tendem a isolar o assunto principal e ACHATAR OS PLANOS DA IMAGEM, fazendo com que a Thaisa fique mais próxima do prédio ao fundo e do arbusto.

Normalmente, esses posts também sugerem a compra uma objetiva que você ainda não tem e cujo preço bate facilmente na casa de alguns mil dólares, o que te deixa chupando dedo e se achando a pior das criaturas e, como sempre, associando uma boa fotografia a equipamentos caros.

O que eu acho estranho nesse mundo onde é cada vez mais fácil dar um zoom em uma foto no monitor da câmera ou em programas como Lightroom ou Photoshop, é que não se tenha percebido que todas as imagens usadas para mostrar esse efeito de achatamento de planos, acabam provando justamente o contrário.

Observe novamente a imagem feita com a 50mm (note os fios de cabelo caindo pelo rosto da Thaisa, ok?):

50mm (f/4@ 1/25s, ISO 1600)

50mm (f/4@ 1/25s, ISO 1600)

Ainda na câmera, sem ajuda de qualquer programa de edição, usei o comando interno “TRIM” ( algumas modelos permitem que se ajuste a imagem ainda dentro da câmera) e dei um corte mais fechado na imagem, veja:

50mm "cropada" (f4@ 1/25s , ISO 1600

50mm “cropada” (f4@ 1/25s , ISO 1600)

ainda é a mesma 50mm, exatamente a mesma imagem, mas agora compare esse novo corte com a 85mm:

85mm (f/4@1/25s, ISO 1600)

85mm (f/4@1/25s, ISO 1600)

Como se esperava, o fundo ficou mais desfocado, consequência imediata de se aumentar a distancia focal de uma objetiva, mas cade o bendito achatamento de planos?

Infelizmente ( ou felizmente, dependendo do lado em que se esteja):

Teleobjetivas não achatam planos.

Até porque se há algo no universo que obteve êxito em ser achatado foi a noção de “plano”.

Quando se aumenta a distancia focal de uma objetiva,por exemplo, indo de uma 24mm para uma 50mm, de uma 85mm para uma 200mm, além da imediata diminuição da profundidade de campo, ocorre um aumento do tamanho da imagem projetada dentro da câmera.

Como seu sensor permanece com o tamanho inalterado, ele capta agora um pedaço menor da imagem, dando a impressão de que o objeto fotografado esta mais perto, quando na verdade sua imagem é que está aumentando.

dia8.4_thumb[1]

Justamente pela falta daquele mergulho mais profundo lá de cima, pela pressa em se obter resultados imediatos e pela mania de querer crescer na fotografia ouvindo “dicas” de gente que nem portfólio tem é que sua mente está sendo ludibriada por conceitos bobos.

Mas, se seus próprios olhos estão sendo enganados, como você espera se desenvolver em um profissão que depende, essencialmente, de um olhar aguçado?

Boa Luz e Boa Sorte!

 

PS: o teclado é italiano, alguns erros eu vou corrigir na volta, ok?

PS(2): eu não parei de escrever aqui, estou usando o pouco tempo que me sobra para reunir os melhores fotógrafos do pais para cursos presenciais no meu estudio, o Criadouro. Em 2 anos teve muita coisa boa, vem conhecer o espaço!

PS(3): eu consigo contar de cabeça pelo menos 4 posts que foram literalmente surrupiados daqui e vendidos em curso on-line por ai, dá pelo menos o crédito, meu velho…fica deselegante isso…

High Speed Sync 30

O nome assusta, High Speed Sync,  e para piorar a explicação depende de um conceito levemente nebuloso: a velocidade de sincronismo.

No último post sobre o Domo Difusor eu levei uma chamada wolverínica de Henry Cartier-Bresson, ele mesmo, em um comentário nada sutil sobre minhas deficiências sobre iluminação.

Pensei que Nosso Pai fosse dar uma explicação à altura sobre o tema, mas contentou-se com a trolada mesmo.

O curioso é que me lembrei de uma frase lida na excelente biografia “O Olhar do Século“, escrita por Pierre Assouline, em que o pai do fotojornalismo afirma:

Não se deve  chicotear a água antes de pescar”

Uma clara crítica ao uso do flash na fotografia, mas em compensação já estive em Recife e Cuiabá ( ou em Wadi Rum na Jordânia, com os flashes fotografando a 50 graus na sombra) e pude ver como uma fornalha passando por cima de sua cabeça muda o seu ponto de vista em relação à mítica luz natural.

É fácil perceber que em um país tropical como o nosso a exposição durante a parte mais quente do dia pode chegar facilmente a 1/250s e f/16, é a regra Sunny16 adaptada para um sol muito mais forte.

O problema é que 1/250s é a velocidade de sincronismo de muitas câmeras digitais modernas, ou seja, sem o modo de Sincronização Rápida ( o High Speed Sync do título) presente nos flashes atuais, você teria que se contentar sempre com aberturas muito pequenas toda vez que fosse usar um flash.

Um forte argumento a favor dos “cães” é a capacidade de sincronizar em qualquer velocidade de obturador ( com uma grave perda de potência), mas como a percepção de movimento é controlada pelo obturador, seria possível congelar movimentos rápidos com o uso de velocidades elevadas de obturação e um flash dedicado?

O vídeo abaixo é autoexplicativo, mostra duas fotos, uma feita com f/4 e 1/250s em ISO 100, com um SB-900 (carga 1/64 e 75mm) afastado 1,5m de uma furadeira, essa aqui:

1/250s@f/4, ISO 100

1/250s@f/4, ISO 100

e a segunda foto feita com o mesmo flash em carga total ( zoom de 105mm), a mesma abertura f/4 mas agora a velocidade cravada em 1/8.000s..

1/8.000s@f/4, ISO 100

1/8.000s@f/4, ISO 100

Qual delas vence essa disputa? Uma velocidade maior com flash congela melhor o movimento?

Percebe-se claramente que a imagem com 1/250s congela mais o movimento angular do mandril que a outra, feita com 1/8.000s, mas como isso é possível? e qual a verdadeira vantagem de sincronizar com velocidades altas de obturador?

Comentários são bem vindos e não deixe de visitar a agenda do blog na I LOVE MY WALL, tem cursos excelentes boa por lá..depois não diz que eu não avisei..rs

 

Boa Luz e Boa Sorte!

O Domo Difusor 57

No último post eu mostrei como a sensibilidade do sensor afeta diretamente o alcance da iluminação do flash e como a noção de potência do flash associado ao Número-Guia não correspondia à realidade.

Um dos leitores do blog, Leandro Dias, fez uma pergunta que deu origem a esse novo post ( e obrigado a Liana e Suellen pela realização):

O Número-Guia não é uma verdade absoluta então?

A pergunta certa na hora certa, uma característica dos leitores do blog é justamente a qualidade das perguntas, alguns posts bons vieram delas e dessa vez não será diferente.

Não, Leandro, o número-guia não é fixo ou absoluto, está diretamente associado ao ISO de sua câmera e a posição do zoom da cabeça de flash ( ou ao refletor parabólico no caso de uma tocha de estúdio). Como visto no post passado, variando o ISO o alcance da iluminação também mudava, mas o que acontece quando se varia a posição do zoom?

O vídeo abaixo é um início de resposta, eu o termino com uma pergunta e quem quiser participar é só deixar a resposta nos comentários aqui do blog. Eu menciono um post antigo sobre qualidade de luz no vídeo, aqui está o link para ele, vale a leitura, ajudará na resposta.

 

Boa luz e boa sorte!!

 

 

Fotografia de Gestantes no Criadouro 2

Anota na agenda!

Sábado, dia 8 de Fevereiro, de 9h às 18h, tem a segunda edição do Curso de Fotografia de Gestante com a fotógrafa paulista Fernanda Giarato.

No final de 2013 ela esteve pela primeira vez no Criadouro e o curso foi um sucesso!

participantes praticam com a modelo

participantes praticam com a modelo

Turma cheia, duas gestantes como modelos e a Fernanda soube explorar todas as possibilidades de iluminação natural da casa, criando fotos incríveis.

Há dois álbuns de fotos no facebook, ficou bem legal o resultado, clique aqui  e aqui para ver! Vale a pena, agora com novos jardins e outros cantinhos fotográficos o curso promete!

A idéia é mostrar todo o processo, desde o primeiro contato com a grávida, contratos, iluminação natural, produção, poses, direção, tratamento e montagem do álbum, para quem está começando ou tem dúvidas de como entrar nesse ramo, é uma oportunidade excelente

A turma é pequena, novamente teremos duas grávidas para fotografar e o investimento pode ser parcelado em até 18x diretamente no aplicativo Facileme dentro da página do Criadouro, clique no link abaixo para mais informações:

https://www.facileme.com.br/app/p/312110

Galera prestando atenção

Galera prestando atenção

Para quem mora fora do Rio, o Criadouro tem parceria com três pousadas/hotéis distantes 5 minutos do estúdio, cujas diárias começam em R$ 70,00, mande um email ou comentário que indico os links.

É isso, espero vocês aqui! ( e em breve: curso de Diagramação e Iluminação Profissional no Criadouro, em Março! Aguardem!

Fotógrafos são pessoas felizes!

Fotógrafos são pessoas felizes!

 

Boa Luz e Boa Sorte!

 

 

 

 

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