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Sergio Larrain: o que é Fotografia? 14

Fotógrafo da Magnum falecido em 2012, o chileno Sergio Larrain escreveu uma carta quando seu sobrinho começou a se interessar por fotografia. Deparei-me com esse texto no (muito bom) blog da Rafaela, que me redirecionou para o original chileno.

Nesses últimos três anos de viagens, eu consegui separar bem o que fazia para o trabalho e o que reservava para mim.

Minha relação com equipamento, lentes e a própria fotografia mudou bastante, acredito que para melhor. Leia mais »

Nascer do Sol: no inverno ou no verão? 2

Recentemente um amigo me questionou sobre as cores lindíssimas do amanhecer e entardecer de inverno. E isso trouxe a discussão um papo já antigo, quase uma brincadeira que tenho com um outro amigo. Na opinião dele, o inverno nos possibilita fazer fotos mais bonitas, de colorido mais impressionante, por causa do céu mais limpo e até de certa forma do tempo mais firme.

Isso tudo é verdade e o colorido tem muito a ver com a inclinação dos raios de sol e consequentemente com a espessura maior de atmosfera que eles tem que atravessar.

Apesar de concordar com a maior parte das afirmações, discordo da parte que nos possibilita fazer melhores fotos. E sustento minha opinião no fato de que acredito ser muito mais importante o planejamento de onde o sol estará e, consequentemente, aonde o colorido irá se posicionar, do que as cores e efeitos que a estação possa trazer.

Lembrando que a discussão passa especificamente sobre amanhecer e entardecer. Não adianta termos um super arrebol, com cores surreais, cheios de nuvens salpicadas e ele estar no lugar errado, ele não fazer parte da composição que você considera boa.

Veja que isso nada mais é do que, em sua essência, planejamento.

Pensar na foto, ver de que forma ela será bem feita (e nesse caso isso passa pelo posicionamento do sol) e planejar a época para fazê-la. Se cair no inverno e suas cores fantásticas, ótimo. Se não cair, ótimo também.

Uma boa foto planejada para ser executada no verão, dificilmente será uma foto melhor se feita no inverno.

Alguns exemplos práticos do que falei até agora:

Copacabana, Flavio veloso

O mapa abaixo da foto é do dia exato que ela foi feita. Repare que o sol (raio amarelo) nasce exatamente na região atrás da estátua e no centro da foto, possibilitando que aquele colorido esteja ali e apareça uniforme na foto.

Agora, repare como seria a imagem feita seis meses depois, do mesmo local.

Veja a localização do sol (raio amarelo) e, consequentemente, a localização do colorido. Aquele famoso lusco fusco que aparece 40 minutos antes do sol nascer estaria completamente fora do quadro. A dinâmica da luz seria outra, talvez desse uma ótima primeira luz com os primeiros raios dourados varrendo a cidade, a estátua e o Pão (olha o planejamento aí…), mas em termos de amanhecer, de lusco fusco, foco da nossa discussão, seria impraticável fazer a foto da estátua-pão-céu colorido atrás.

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Agora, sabe qual é a ironia? Esta foto foi feita no inverno…rs. Mas como mencionado, isso não importa. Ela foi feita no inverno porque era a época certa de fazê-la e não porque era inverno.

Vamos ao exemplo contrário:

Essa primeira foto foi feita em meados de Novembro. Repare que o colorido se concentra nas montanhas, foco do meu interesse nesse local. Repare pela sombra do Cristo projetada e pelo mapa abaixo da imagem que o sol está à esquerda da estátua. Se fosse dezembro, ele teria se deslocado ainda mais para a esquerda e todo o colorido estaria concentrado alí nas montanhas.

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Três meses antes, data da foto abaixo, repare que o sol e, consequentemente o colorido, está completamente desconectado das montanhas. E o horizonte alí nas montanhas é bem chocho.

Sim, sim, esse fim de tarde não foi dos melhores mas deu para entender, certo? Ainda assim deu para voltar com uma boa foto explorando a composição.

Mérito total dessa cidade caótica que é a mais bonita do mundo.

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Agora, repare no mapa abaixo que se eu tivesse ido lá em julho, no auge do inverno, talvez encontrasse um fim de tarde espetacular, altamente colorido, mas para quem está indo atrás das fotos das montanhas, repare no mapa, repare que pela posição do sol poente (linha abóbora), não valeria a ida.

Provavelmente, daria uma bela foto de Niterói em primeiro plano, com a ponte Rio-Niterói em contraste com a Baía de Guanabara, com o Rio de Janeiro ao fundo emoldurado pelo maciço da Tijuca envolto pelo colorido do fim de tarde espetacular… de inverno!

Mas aí, meu camarada, voltamos ao início: o planejamento é outro e ser no inverno vira detalhe.

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Fui questionado que a luz é diferente em diversos locais do mundo. Por exemplo: “em Paris a luz é outra, quase lilás, portanto…”. Portanto, vale a mesma ressalva: se o seu objetivo é fotográfico, se pretende voltar com fotos acima da média, dê uma atenção maior ao seu posicionamento.

Em outras palavras, planeje uma boa foto!

Se o lilás parisiense estiver atrás de você e a Torre Eiffel à sua frente, você nunca terá as luzes da cidade acesas, com a torre e o lilás ao fundo. Não importa que seja um fim de tarde pourpre parisienne.

Indico para os meus alunos que estão prestes a viajar que, sem grandes neuras pois nem todo mundo viaja com o objetivo estritamente fotográfico como um fotógrafo profissional, percam 20 minutos no seu planejamento de viagem para estudar onde o sol morre, onde o sol nasce, onde ele estará posicionado naquele super passeio que você está programando. Às vezes, é mais interessante ir bem cedo e não no fim do dia, como você pretendia.

Às vezes, vale a pena pedir ao guia para dar uma esticada e ficar até o sol se pôr.

Olhe a foto abaixo e me responda se não valeu planejar e acordar cedo sabendo que o sol nasceria e jogaria os primeiros raios bem laterais na cidade sagrada de Machu Picchu? Eu poderia descansar e ir de tarde ou poderia acordar muito cedo e entrar na cidade antes do sol nascer para fazer essa foto.

Eu optei pela segunda opção. Mas veja a expressão: eu optei! Não foi acaso, não foi sorte. Foi saber onde e quando se posicionar para que a luz daquele momento específico me fosse a mais favorável possível. De novo: sem neuras. Não estava a trabalho.

Estava passeando e curtindo o nascer do sol em um local mágico.

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Até a próxima! Boa viagem e boas fotos.

Flavio Veloso

Quem quiser conhecer um pouco mais do meu trabalho, abaixo vão alguns links:

Falamos em detalhes sobre planejamento fotográfico no meu Workshop de Fotografia “Paisagens Cariocas”. Para acessar as informações detalhadas, clique aqui.

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Jogando um cão na parede! 12

Uma boa dica para ampliar as possibilidades de divulgação durante uma viagem, é tentar produzir fotos “neutras”, que não façam referência ao local onde a novela está sendo gravada. Fotos com Paris ao fundo acabam sendo usadas em reportagens sobre as gravações em Paris.É um tanto estranho, mas aos poucos você se acostuma com o fato de ter que produzir boas fotos com prazo de validade bem curto. As imagens também envelhecem…

Uma das gravações acontecia nas margens do Sena, na ponte onde o músico do último vídeo toca o seu saxofone.

José Mayer e TaísPara alcançá-la era necessário passar por uma passagem subterrânea baixa e estreita, toda feita de blocos bem claros de concreto. Eu não sabia, mas eles seriam os rebatedores mais pesados que já utilizei.

Eu fotografava o ensaio de dentro da passagem, em cima de uma caixa de madeira, com uma teleobjetiva fechada nos atores. Virei-me para trocar a lente e me deparei com a imagem abaixo:

escada

Da forma como estava iluminada, a escada que dava acesso à passagem formava um padrão de listras muito interessante. Olhei para o figurino do José Mayer e pensei: “Hummm, que tal juntar tudo isso?”

Problema: o interior daquele pequeno túnel era completamente escuro…

Solução: ouvir os latidos dos cães…rsrsrs

Os atores teriam que passar por onde eu estava, então, pedi que nossa assessora Roberta segurasse um SB-800 para mim, já programado no modo REMOTE.

Como a foto teria que ser rápida, não poderia usar tripé nem a sombrinha, mas não queria uma luz dura iluminando o rosto de ninguém.

Enquanto o José Mayer caminhava de volta em direção à escada, ajustei o flash embutido da D200 para commander mode, programei o SB para funcionar em TTL mesmo, com um aumento de potência de +1 ponto.

-“Zé, posso fazer um retrato seu aqui mesmo? Coisa rápida!”

-“Claro!”

Eu não tinha total certeza de que aqulo iria funcionar, mas não custava tentar. Pedi que a Roberta girasse a cabeça do flash na diração da quina entre o teto e a parede da passagem e disparei, rezando para que ninguém descesse a escada naquele momento e que o aumento da carga fosse suficiente para compensar a perda de luz rebatida.

Uma olhada no monitor da câmera mostrou que Alguém Lá em Cima me atendeu:

José Mayer

Ponto para os cães!

Fico por aqui, boa sorte!!

Eles viraram poliglotas… 24

jul20

O vídeo deste post encerra as produções feitas durante a viagem de gravação da novela Viver a Vida. Falta colocar um ou dois posts comentando sobre uns retratos feitos com os cães, mas isso é rapidinho.

Agora já estou tentando produzir um novo material com as cenas feitas aqui nos Lençóis, o pouco que já consegui está bem legal, tem até carro debaixo d´água e manguezal com mais de 10 metros de altura. Eta, país porreta!!

Mais alguns dias e já tem coisa nova por aqui.

Algumas observações sobre o vídeo:

ele começa sem som mesmo…

É um tango eletrônico que ambienta as fotos, de um grupo argentino muito bom: Bajo Fondo.

Por que eu escolhi um tango se as cenas se passam em Paris?

Bom, Pierre, nosso motorista, me disse certa vez que adorava passar um tempo em Buenos Aires porque se sentia em casa: arquitetura parecida, bons vinhos, ótima comida e lindas mulheres.

-Você já esteve no Rio, Pierre?

Ele fez biquinho e disse: “No,no”.

Tadinho do francês…

Bom, deixando a brincadeira de lado:

-na cena com a Alinne Moraes na cadeira de rodas, é praticamente impossível perceber que existe um castelo atrás do lago, sua máquina fotográfica tem o mesmo problema: não consegue registrar uma variação tão grande de luz. Com os flashes eu coloco a luz natural onde quiser, é só variar a velocidade do obturador. Ponto para os cães!

-Olhe novamente revistas como a Caras e Contigo! e observe que a foto que abre a matéria SEMPRE tem o retratado no lado direito. Você vira a página e já dá de cara com a informação que precisa.

A Taís Araújo está no lado esquerdo da foto nos Jardins de Monet, mas um “flip” no photoshop resolve o problema.

Não dá para ver, mas sem o flash os jardins desapareceriam em uma superexposição. Os cães levam vantagem, de novo.

-Não perca tempo tentando aprender sobre posicionamento de luz em filmes ou séries de TV. Para mostrar o que acontece no meio da sessão, o diretor se vê obrigado a afastar as luzes das modelos, o que faz com que uma mega sombrinha de alguns milhares de euros da Broncolor acabe iluminando as costas da Taís Araújo.

Afaste a luz e troque potência por abrangência, iluminando o fundo de suas fotos. Quanto mais perto da modelo, mais controle você tem, é uma consequência da lei do inverso do quadrado, I=1/d2 (eu sei,eu sei..estou devendo um post sobre isso…)

-Mesmo com a mega sombrinha e uma modelo como a Taís, às vezes não dá tempo…vire-se com o que você tem disponível.

Nas fotos com a Taís e a torre Eiffel:

Eu recebi uma pergunta interessante no primeiro post sobre as gravações: “Como é o relacionamento em uma viagem quando outro fotógrafo divide o espaço com você?”

Resposta: estamos todos no mesmo barco, na sessão de fotos, eu recebo um auxílio luxuoso de Fernando Torquatto, ele é quem segura um dos cães para mim.

Veja novamente o vídeo e observe que quando a câmera mostra só a Torre Eiffel, o azul do céu aparece muito bem, enquanto ela viaja para mostrar a Taís Araújo em uma área de sombra, uma superexposição detona o céu.

Só um flash devolve o azul para você, no tom e intensidade que escolher. Ponto para os cães, novamente.

Na foto do José Mayer e Taís Araújo:

Você será obrigado a fazer alguns “bonecos”: fotos dos atores olhando para a câmera como se fossem os personagens.

Enquanto isso não acontece, momentos de descontração e sorrisos genuínos passam rapidamente pela sua frente. Fique atento!

-Um vestido vermelho…uma atriz…um flash…a figurinista também está sorrindo.É contagiante…

-Fale com o fotografado. Ele não tem idéia do que você está fazendo. Nas fotos com o José Mayer, eu peço que ele movimente o rosto na direção da luz e ele pergunta: “É só o rosto, né?”

Não era…e uma mão fora do lugar pode arruinar a foto.

-Mesmo com os cães rosnando na bolsa, não substime a luz natural.

Fico por aqui, espero que tenham gostado. Boa sorte!!

O Canil 28

O segundo vídeo que mostrei aqui começava com dois animais: um tentava comentar os equipamentos que trazia na mochila, o outro arrumou um jeito muito convincente de fazê-lo desistir…rsrsrs…

Quando finalmente terminei a gravação, ela durava mais de 20 minutos e tinha o áudio péssimo por causa do vento. Seria inviável colocar aqui.

Em alguns comentários nos vídeos, eu fui perguntado sobre a marca dos tripés, sombrinhas e adaptadores que apareciam nas imagens, pensei que seria ainda mais útil se mostrasse o que eu levo em uma viagem como a da Jordânia/Paris. A idéia não é escrever sobre as características técnicas de cada item, isso você pode encontrar aqui, mas fazer um breve relato sobre o que é necessário para se fazer um trabalho como esse, tanto dentro da mochila quanto fora dela.

Câmeras

Nikon D200

Nikon D200: Sinceramente eu duvidei que ela agüentasse o tranco, mas depois de vários trabalhos realizados sem que nenhum problema ocorrese, ela cativou um espaço no meu coração.

Não importa se debaixo de neve na Áustria ou no deserto escaldante da Jordânia, é tirar da mochila, ligar e se divertir.

Com grip MBD200, ela tem melhor “pegada” e permite clicar um dia inteiro sem sinal de exaustão das baterias. Um cavalo de batalha, dos bons.

Nikon D2h

Nikon D2H: Saindo às pressas de uma final chuvosa do BBB, ela escorregou da minha mão e quicou 3 vezes em uma escada de alvenaria. Minha alma gelou…apertei o disparador e ela continuou clicando, estava intacta. Usar uma dessas é entender porque as Nikon são famosas por sua resistência. Na Paraíba, durante as gravações da minissérie “A Pedra do Reino”, 10 dos seus 11 pontos de foco não funcionavam e levou banhos de champanhe no final das gravações. Grudava na minha mão, mas continuava clicando.

Com apenas 4 Mpixels e de tecnologia “ultrapassada”, ela nos serve como câmera de back-up, como teima em substituir a D200, nunca mais foi usada, mas uma palavra me vem na cabeça quando a vejo: “indestrutível”.

Objetivas

Nikon 17-55 f/2.8

Nikkor DX 17-55 f/2.8G AF-S ED:

Essas letrinhas no nome são abreviações para: rápida, silenciosa e irritantemente nítida.

Usada para fotografar paisagens, fotos de grupo, cenas e retratos abertos, essa objetiva praticamente não sai da minha câmera.

Perfeita para retratos até a linha da cintura, mais do que isso já distorce a face do fotografado. A trava do pára-sol não funciona direito, um leve esbarrão e ele vai para o chão.

Custa um caminhão de dinheiro, mas é um investimento para a vida toda, que se paga com o tempo de uso. Minha resposta quando me perguntam se Sigmas, Tamrons e Tokinas não fazem a mesma coisa pela metade do preço: “Sem dúvida, mas não por muito tempo…”

Nikon 70-200 f/2.8

Nikkor 70-200 f/2.8 G AF-S VR ED:

Use e se apaixone, simples assim…

O bom de se usar uma grande angular como a 17-55 aí de cima é que ela te permite ficar bem próximo dos atores, fazendo desde planos mais abertos, até closes mais fechados.

A parte ruim é que ela te deixa embaixo de um “boom”, um microfone muito sensível que vai levar os “clac”, “clac”,”clac” do espelho de sua câmera até os ouvidos tensos do diretor. Um clique fora de hora é um esporro na hora certa. Afastar-se alguns metros e encontrar uma brecha que te permita fotografar em silêncio é a especialidade dessa objetiva. O “VR” do nome é a abreviação de “Vibration Reduction”, uma tecnologia que permite que, dentro de um estúdio escuro e sem tripés, você fotografe o esperado beijo dos protagonistas de uma novela em ISO 800, f/2.8, 1/10 s e tudo saia sem uma tremida sequer.

É a pedida certa para retratos fechados com um desfoque maravilhoso e para cenas muito longe, ou para quando se é obrigado a fotografar uma onça-de-bode raivosa dentro de um viveiro fechado e ainda ter alguns metros de vantagem para correr se tudo der errado…

Pesa mais que a D200 com grip, meia hora no teu pescoço e o seu queixo encosta no peito, mas eu abandonaria minha famíla por ela…rsrsrs

Nikon 24-85 f/2.8-4

Nikon AF 24-85 f/2.8-4:

O 2.8 engana facilmente, mas a verdade é que um leve giro no anel de zoom e ela já fecha em direção ao f/4. É lenta e ruidosa quando comparada as demais, mas igualmente nítida como elas. Como a 17-55 fica na câmera o tempo todo, acaba sujeita a quedas e problemas com maior freqüência, uso-a como back-up para a lente principal e uma chavezinha no corpo da objetiva revela uma excelente qualidade: uma função macro capaz de produzir fotos maravilhosas. De um tempo para cá, as três que temos na Globo ficaram temperamentais: focam 1 metro atrás do assunto quando usadas com aberturas maiores que f/4, mas em macro funcionam que é uma beleza.

Nikon 50mm f/1.4

AF Nikkor 50mm f1.4D:

Humm…eu poderia escrever horas a fio sobre essa objetiva. Usá-la é descobrir o significado da frase de Cartier-Bresson: “Fotografia é uma viagem a partir da realidade”.

Leve, rápida, barata (menos de 300 dólares) e nítida como nenhuma outra, acredito que a Nikon fez recentemente um “upgrade” no modelo, essa lente entra em ação quando todas as outras falham, e as supera com louvor. Na D200 ela perde um pouco da mística por conta do fator de corte de 1,5x, que a transforma em uma 75mm, mas o f/1.4 é mais do que um motivo para comprá-la, é uma ordem!

A minha é um amuleto comprado no Nepal que não me abandona jamais, se eu estiver com uma câmera, ela está junto comigo.

Dispensa tripé, flash e qualquer outro acessório e ainda te ensina muito sobre composição, enquadramento e luz. Fotografar com ela na câmera é embarcar em uma aula de fotografia com uma professora sensual e misteriosa. Sem meias palavras: um tesão de lente!

Flashes:

SB-800

Speedlight SB-800:

Sério…eu preciso comentar?:)

Revolucionou a forma como eu encaro a fotografia e é o motivo da existência desse blog. Leve, prático, potente, preciso como um bisturi e ainda sincroniza em qualquer velocidade, se não bastasse, ainda funciona com 4 pilhas AA, fáceis de se encontrar em qualquer lugar do mundo. O compartimento para a quinta pilha foi uma maneira engenhosa de se contornar um problema, pena que não existam pacotes com 5 pilhas por aí…Com o advento do SB-900, sua interface ficou confusa, mas é meu “cão” de estimação. Mesmo com o SB-900 na mochila, ainda me pego usando-o sempre que necessário.

Depois que descobri um adaptador que permite o uso de vários modificadores de luz como beauty dishes, soft-boxes, sombrinhas e panelas, os flashes pesadões de estúdio estão mofando no armário lá de casa. Acho desnecessário dizer que sou apaixonado por eles, tornaram o ato de iluminar muito mais gostoso, rápido e divertido. Não entendo o motivo de não possuírem a informação de pouca bateria no painel e os leds que indicam o modo “remote” presente até no irmão mais novo, o SB-600. Quase chorei quando descobri que a Nikon havia parado de fabricá-los…portanto, corra! Em sites como o E-bay, é possível encontrar pechinchas por menos de 200 dólares.

SB-900

Speedlight SB-900:

Para ser honesto com vocês, eu ainda não tive tempo de ler todo o manual do flash, mas uso-o como se ele não tivesse um. Tem uma interface tão amigável que deixa o 800 e o 600 no chinelo, e a chave que liga os modos “Remote” e “master” no canto do aparelho veio para facilitar a minha vida. É uma usina de força portátil que drena pilhas alcalinas em poucas horas, mas é uma delícia vê-lo em ação.

Consta com o aviso de exaustão de bateria no painel e tem leds que piscam quando o modo remote é acionado, mesmo à distância dá para perceber quando tudo está funcionando como deveria. É o “macho alfa” do canil pelo peso, tamanho e potência, mas ainda sonho com o SB-1000 que, espero, terá a chave seletora do 900 e o botão central do 800, achei meio desnecessário espalhar tantos botões com tantas funções pelo painel traseiro do flash. Resolveram um problema criando outro. Se estiver com 500 dólares sobrando nem pisque, compre-o, caso esteja com o orçamento apertado, o SB-600 é um senhor flash que foi muito mal interpretado, é uma ótima opção pelo valor gasto.

Filtros:

É uma questão de gosto, haja vista a quantidade de opções disponíveis, mas eu uso apenas 3 deles:

Filtro Polarizador Tiffen Tiffen 77mm Circular Wide Angle Polarizer Filter:

O nome impressiona, mas não é nada demais: um polarizador circular cujo diâmetro (77mm) serve para as 2 objetivas principais (a 17-55 e a 70-200) e que é fino o suficiente para não causar vinhetas na foto quando usado com a grande angular. Usado basicamente para fotos de paisagem e em conjunto com esse aí de baixo.

Tiffen 81B

Tiffen 81b:

Tecnicamente falando é um filtro de conversão que reduz a temperatura de cor de 3.500K para 3.200k. É graduado em 5 versões, de A até F, sendo o F o mais potente. Esteticamente falando, elimina o “azulado” das fotos, dando uma aparência mais quente para a pele e paisagens. Uso de vez em quando junto com os flashes, para dar uma aquecida geral na foto. Quando usado com o polarizador, vira um buraco negro na frente da lente, sugando toda a luz que entra e te obrigando a usar um tripé. Sei que dá para fazer o mesmo efeito no Photoshop, mas quando você sai de um hotel às 5 da matina e só volta às 8 da noite, a última coisa que quer fazer é perder horas na frente de um laptop ajustando fotos que poderiam ter sido corrigidas em 5 segundos com o uso de filtros certos. Poupa tempo e te faz acordar melhor no dia seguinte.

Filtro Cokin de Densidade Neutra Graduada( 2)

Filtro de Densidade Neutra Graduada (Cokin):

É uma forma pomposa de chamar um pedaço quadrado de acrílico com um degradê de cinza que vai até a metade do filtro. Esse degradê reduz a entrada de luz na lente e permite fotos mais equilibradas de cenas com grande diferença de luz. Uso muito em paisagens quando o sol está se pondo e preciso mostrar algo de interessante no solo. Para usar o filtro com precisão, um adaptador para o diâmetro de sua lente e um porta filtros da Cokin são necessários. Quebra um galho absurdo, a superfície de acrílico risca com facilidade, mas evita que você tenha que fazer coisas bizarras como um HDR.

Tripé de Câmera:

Manfrotto 055PROb

Manfrotto 055PROb:

Eu sei…eles são pesados e difíceis de carregar, depois de 1 hora caminhando com um nas costas, dá vontade de jogar longe, mas quando surge a oportunidade de usá-lo você agradece a Deus por ter levado um.

Mais do que um simples acessório, eu considero um bom tripé um equipamento vital para a fotografia.

Feito de alumínio e com qualidade italiana, o 055 PROB é um tripé versátil e tem ótima relação custoXbenefício. Sua coluna central pode ser reduzida, deixando o tripé no nível do chão ou colocada de cabeça para baixo e lateralmente, ampliando as possibilidades de foto e melhorando a sua vida em fotos macro.

Eu uso com 2 cabeças: uma com manetes que controlam o movimento em 3 direções (não me lembro o código agora) e uma ballhead também Manfrotto, a 486RC2. Prefiro a cabeça com manetes pela precisão de uso, mas como despacho o tripé dentro da mala de roupas em viagens, a ballhead acaba sendo mais leve e ocupando menos espaço.

Tripé de iluminação e cabeça adaptadora:

Manfrotto Nano01

Manfrotto Nano 01b:

É para cá que os “cães” saltam quando saem da mochila. Pequenos, leves e resistentes, os Nano da Manfrotto são a companhia perfeita para os flashinhos. Fechados ficam com menos de 70cm e abertos alcançam quase 2 metros de altura com a cabeça adaptadora. Não incomodam muito quando amarrados no fundo da mochila, mas seu maior trunfo é também seu pior defeito: pesando menos de 1 quilo, ficam instáveis com a menor brisa, adicione uma sombrinha grande e veja seu flash se espatifar no chão.

Para cada flash dentro da mochila, vai um tripé fora dela. Em viagem fazem companhia ao 055PRO dentro da mala de roupa, junto com as sombrinhas.

Manfrotto Swivel Umbrella Adapter

Manfrotto 026 Swivel Umbrella Adapter (Lite-Tite):

Você trabalha muito, poupa uma grana suada para comprar um novo flash e economiza justamente na peça que irá segurá-lo, carregado, a 2 metros do chão?

Para montar qualquer SB no adaptador da Manfrotto, basta enroscar a sapata que acompanha o flash no parafuso da parte de cima da figura. Retire o parafuso da parte de baixo e encaixe o adaptador na cabeça do tripé.

As bolsas pretas que acompanham os flashes tem um compartimento específico para guardar as sapatas. No SB-900 fica do lado de fora, no 800 e 600 na parte de dentro.

Manfrotto bag Uma bolsa como a Manfrotto minibag mantém 2 tripés com adaptadores e 2 sombrinhas médias bem amararrados e protegidos embaixo da mochila.

A Mochila:

Lowe Pro PhotoTrekker Classic2

LowePro PhotoTrekker Classic:

Tudo que está aí em cima e mais: canivete, um Gretag color checker, caneta, bloco de anotações, cabos USB e de vídeo, carregadores de baterias de câmera, pilhas sobressalentes, manuais de câmera e flash, filtro solar, caderneta de vacinação, fita crepe, tesoura, adaptador universal de tomadas, lanterna Maglite pequena, cabe confortavelmente dentro dessa mochila.

É impressionante a quantidade de coisas que ela é capaz de carregar. Foi comprada a 10 anos atrás e está precisando de um banho, mas não tem um fiapo fora do lugar. Já pegou neve, areia, frio, calor escaldante, água, vento, é arrastada no chão, prensada em caçambas de barcos e carros e se comporta como se nada a afetasse.

Guarda todo o seu material em áreas separadas que você mesmo pode montar de acordo com a necessidade e cabe sem problemas no compartimento de bagagem dos aviões. Está sempre contigo e preparada para ação, foi, sem dúvida, o melhor investimento que eu fiz, protege meu equipamento todo sem chamar a atenção dos “amigos do alheio”. Essa merece uma condecoração pelos serviços prestados…

Algumas coisas que facilitam sua vida e não dá para carregar na mochila:

Botas Salomon

Para fazer fotos diferentes, você vai pisar em locais diferentes. Mantenha seus pés protegidos…

óculos Rayban

…assim como seus olhos.

sapos

Passe a gostar de anfíbios, porque será inevitável: você vai engolir alguns sapos…

tolerãncia…na viagem para a Jordânia, havia na equipe beduínos e gente de Israel, Síria, Líbano, Egito, Nova Zelândia, França, Transilvânia (!!), Estados Unidos, Colombia, Venezuela, Kwait, Palestina e brasileiros de todos os cantos e classes socias. Desenvolver a tolerância e paciência com hábitos e culturas diferentes dos seus não só o fará um melhor fotógrafo, como irá te transformar como pessoa, para melhor, bem melhor. A cada viagem que faço minha paixão pelo meu país aumenta consideravelmente, assim como o encanto com tudo e todos que estão fora dele.

Comporte-se bem e seja educado, lembre-se de que és um embaixador de sua cidade e país, as notícias sobre o Brasil não são as melhores lá fora, ajude a mudar alguns conceitos e veja a maravilha que é se relacionar de verdade, sem a ajuda de um computador.

orelha

Você nasceu com 2 ouvidos e uma boca: escute o que os outros irão falar e guarde tudo com você. Deixe as fofocas de lado, concentre-se no seu trabalho.

fé

Tenha fé e pense positivamente. Tudo vai dar certo, mas não seja estúpido: se você falha ao se preparar, prepare-se para falhar.

A Aventura pode ser louca, mas o aventureiro tem que ser lúcido. Organize-se e planeje bem o que vai fazer durante o dia. Tenha sempre um plano B e C na cabeça, muitas vezes eles é que dão certo, e finalmente:

sorriso

SORRIA, SEMPRE!

O AMOR É A ÚNICA RESPOSTA

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Boa sorte!

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