Category SB-600

Luz Dura e Luz Suave 34

Eu sei:

to devendo uma resposta para o último post sobre Numero-Guia, mas um dos leitores deixou uma pergunta excelente nos comentários que rende um novo artigo:

 por que a 9m de distância a luz fica mais dura que a 1m ?”

A resposta pode ser uma pancada em quem gosta de dizer que “não curte a luz do flash” e novamente, mostra que é melhor entender de uma vez como a luz se comporta do que ficar decorando dicas e regras que não respondem nada, apenas descrevem a pergunta com outras palavras.

Dicas como: “Luz dura é aquela que produz sombras bem definidas” ou “Grandes fontes luminosas produzem luz suave, mas a distância em que ela se encontra deve ser levada em consideração, haja vista o Sol, que é a maior fonte luminosa que conhecemos, mas está tão distante de nós que relativamente vira uma fonte pequena, produzindo luz dura como o flash”.

Mesmo que eu colocasse essa definição em uma caixa de texto rosa clarinho com letrinhas brancas bem tenues e borboletinhas e coraçõezinhos amarelos verdejantes, a pergunta do Mario seguiria sem resposta.

São 2 horas da manhã e como não há Sol vou tentar criar um universo particular aqui no estúdio usando como estrela de quinta grandeza um abajur Vagabond feito na China, alimentado por uma poderosa lâmpada eletrônica (igualmente chinesa) de 20W. O corpo celeste que a orbita é um indestrutível SB-600 de 13 bilhões de anos. A fronteira desse mundo singular é um fundo branco de papel.

Como bem mostra a imagem, meu Infinito Universo é bem pequeno:

Luz dura e Luz suave

Meu Sistema Solar de baixo consumo

A distância do objeto ao fundo é de menos de 20 cm e o abajur tem 2,5 vezes o tamanho do flash. Observe o que acontece com a sombra no fundo quando eu aproximo o “Sol” do objeto:

Luz dura e Luz suave

Fonte próxima do objeto

A sombra não está tão definida assim, tem uma área “difusa” nas laterias do flash, vamos dar uma olhada de perto:

Luz dura e Luz suave

Umbra e Penumbra

A sombra do flash está claramente (ops!) dividida em 2 partes, uma delas é a parte mais interna e totalmente escura da sombra, um observador situado nesse trecho vê a fonte luminosa completamente bloqueda pelo objeto, como em um eclipse total.

Essa área recebe o nome de UMBRA ( “sombra” em latim).

Conforme o observador se desloca para os extremos do objeto, passa a ver partes da fonte luminosa que produzirão uma “quase sombra” no fundo, essas áreas de quase sombra recebem o nome de PENUMBRA ( como em “penúltimo” e “península”: quase último e quase ilha).

Lembra daquela definição: “Luz suave é aquela que produz uma transição lenta da área iluminada para a área escura”?

Pois é, essa é a forma longa de se falar “na luz suave, há penumbra“.

Veja o diagrama abaixo, vai ajudar a entender:

diagrama de Umbra e penumbra

Diagrama de umbra, penumbra e antumbra

Consegue imaginar que conforme eu afasto a minha fonte luminosa do objeto, os dois cones de penumbra ( as linhas azuis vindas do Sol no diagrama) vão se fechando? quanto mais distante a fonte estiver, as linhas azuis e vermelhas do gráfico ficarão cada vez mais próximas?

A foto abaixo mostra o que acontece com a sombra no fundo quando eu distancio o abajur dos 10 cm inicias para 8 metros do objeto:

Luz dura e Luz suave

Fonte luminosa distante 8 metros do objeto

A fonte luminosa ficou tão distante ( e relativamente tão pequena) que o objeto bloqueia por completo sua visão.  A área de penumbra sumiu, deixando o fundo marcado somente com a parte interna e mais escura da sombra.

Lembra daquela dica valiosa repetida à exaustão: “Na luz dura a velocidade de transição entre a área iluminada para a de sombra é bem rápida, produzindo contornos bem definidos”?

Luz dura e Luz suave

Luz distante e a umbra resultante

Pois é, é a forma longa de se falar: “na luz dura, não há penumbra”

E repare também como a afastamento da fonte luminosa alterou a distribuição de luz  na foto, na primeira a luz não atinge o todo o fundo como na última imagem…por que será mesmo? :)

Luz dura e Luz suave

distribuição de luz

Deus foi carinhoso ao colocar o último planeta rochoso a 150 milhões de quilômetros do Sol, trocou qualidade de luz pela existência de olhos que pudessem admirá-la.

A luz tem um comportamento envolvente, sedutor e realmente fácil de entender, sei que às vezes umas fórmulas estranhas aparecem para assombrar, mas quanto mais firula se coloca na frente, pior é o resultado. Não existem atalhos.

Boa Luz e Boa Sorte!

 

P.S: Minha vida deu uma mudada boa nesses últimos meses, consegui encontrar o espaço ideal para ministrar workshops, receber outros fotógrafos e manter meu estúdio. Isso é papo para outro post, mas peço que vocês curtam a página que abri no facebook para enviar as atualizações, basta clicar aqui

abraços!

O White Balance 79

Responda rapidamente e sem a ajuda do Google:

O que é cor? O que é temperatura? O que é luz?

Se a sua mente travou com essas perguntas, imagine há dois séculos atrás. A forma como os físicos amarraram esses três conceitos foi revolucionária, criou os alicerces para o surgimento da Mecânica Quântica e permitiu que um pequeno botão com as letras W e B fosse colocado no corpo de sua câmera fotográfica. Toda vez que é pressionado, ele abre as portas de um laboratório alemão em 1860.

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Raw Raica 61

Era uma noturna de sexta-feira e eu me encontrava dentro da boate da cidade cenográfica da novela Insensato Coração, em uma das cenas os personagens de Lázaro Ramos e Guilherme Leme se encontram com a modelo Raica Oliveira e lá estava na minha pauta: “fazer uma bonitona da Raica”.

Não há muito o que se  falar sobre o termo “bonitona”: fazer a foto mais bonita possível para posterior divulgação nos jornais. Eu curto fazer “bonitonas”, elas normalmente aparecem na coluna do Ancelmo Gois, do Jornal “O Globo” de Domingo, é uma forma gostosa de começar bem o dia.

Ter a Raica Oliveira na sua frente facilita muito o trabalho de se fazer uma “bonitona” e como o cenário da boate ajudava, eu tratei logo de encontrar um canto próximo da gravação onde pudesse ter a ajuda dos iluminadores sem atrapalhar o andamento das cenas.

Esse era o meu plano A: do lado de fora da boate, uma parede cercada de fotos, quadros e uma decoração interessante me serviria como um ótimo fundo, ainda não tinha visto a Raica nem seu figurino, mas tratei de deixar pronta uma luz salvadora porque o tempo seria inevitavelmente curto.

O cenário do Plano A era esse:

ISO 3200, f/3.5@1/250

Bolas de cerâmica iluminadas em primeiro plano, pinturas ao fundo, umas velas para dar clima e uma luzinha embaixo da mesa para realce, e o que era melhor, tudo ao lado de um refletor que não estava sendo usado. Perguntei se eles precisariam daquele refletor e se poderiam me emprestar um isopor. A galera da iluminação é boa demais e em segundos tudo estava montado, pensei em usar o refletor como contra-luz e rebatê-la no isopor para iluminar suavemente a Raica no meio do cenário. Uma figurante serviu de “stand-in” para testar o esquema de luz.

O plano A ficou assim:

ISO 3200, f/3.5@1/160s

Um pouco de luz vazava para o fundo, mas uma “bandeira” eliminaria isso na execução da foto e uns ajustes na modelo melhorariam a posição da luz e das sombras no rosto. Com uns acertos rápidos, nasceria ali a minha “bonitona”.

Chegou a vez da Raica fazer a sua participação, um lindo vestido preto cobria-lhe o corpo e cairia bem no cenário A, fazia as fotos de divulgação da cena já pensando no momento de clicar a “bonitona”.

A gravação foi rápida e eu me apresentei, dizendo que precisava de uma foto para divulgar a participação dela na novela, que não levaria muito tempo, pois já tinha preparado tudo e em poucos segundos ela estaria liberada.

“Lógico, vamos até lá! Vai ser um prazer”, ela disse gentilmente. “Não precisa nem andar muito”, eu disse brincando, “está tudo aqui do la….” e quando apontei para o cenário A ele não existia mais. Haviam retirado o refletor e o isopor no tripé desaparecido. E eu não tinha pensado em um plano B.

Fiquei olhando para a Raica alguns instantes, ela olhando para mim e eu pensando: “E agora, mané?” A gravação rolava solta no saguão, só me restava o segundo andar da boate para não atrapalhar o andamento das cenas.

“Vamos lá para cima, Raica? Ela topou. Eu não tinha a menor idéia do que havia lá “em cima”, luz eu tinha certeza que não e eu só contava com um flash SB-900 no topo da D3s. Aqui eu farei um comentário que pode parecer um pouco pedante de minha parte, mas a falta de um flash pop-up no corpo da D3s me faz uma falta danada, já que ter que carregar 2 flashes junto com o corpo da câmera e de duas lentes igualmente pesadas fazem com que eu pareça o corcunda de Notre Dame no final do dia. Junte tudo isso com a minha careta e o Quasímodo ganha facilmente de mim.

A foto abaixo mostra o que havia lá “em cima”: paredes e teto cobertos de preto, mesas pretas, lâmpadas dicróicas no teto e pequenas luminárias do tamanho de um azulejo médio em cima de cada mesa. Rebater o flash seria impossível com aquela profusão de preto em todos os cantos e estourar um flash direto em uma modelo como a Raica seria um crime.

“Se não há solução, solucionado está”, já dizia minha vó: eu tinha um fundo preto a minha disposição e uma modelo linda vestida de preto.

Precisava agora “soltá-la” daquele fundo e arrumar um jeito de iluminá-la da melhor maneira possível. Como não tinha “cão”, ia ter que caçar com gatos, olhem o tamanho dos “gatinhos”:

luminárias de mesa

Eu teria que me virar e uma das grandes vantagens da D3s é a superba qualidade de imagem em ISOs elevados. Perde-se de um lado, mas ganha-se muito de outro.

Eu pedi que a Raica se sentasse no canto da mesa, de tal forma que a luz dicróica embutida no teto servisse como um contra-luz no cabelo e em parte das costas. Essas duas luminárias de mesa estavam ligadas em um mesmo fio conectado a uma tomada no chão, um dos fios era mais longo que o outro o suficiente para iluminar na altura do rosto da modelo. Uma figurante que descansava por ali segurou a luminária para mim. O outro fio era pequeno demais, mas mesmo assim conseguia iluminar o corpo e o vestido da Raica pela altura da cintura, pedi que outra figurante segurasse o segundo “azulejo de luz”. Daquela posição eu conseguiria um brilho especular mesmo com uma luz de mesma potência, esse assunto já foi discutido aqui no blog.

O esquema de luz pode ser entendido melhor no diagrama abaixo:

Subi o ISO da D3s para 6400 e abri o diagragma da 24-70 f/2.8 para f/3,5, a velocidade do obturador batia em 1/125s. Eu mesmo não acreditava que aquilo era possível e a cara das figurantes mostrava o mesmo espanto. Cliquei algumas vezes na esperança de conseguir captar uma luz de boate que volta e meia aparecia no fundo, uma rápida olhada no monitor mostrou que eu havia conseguido. O resultado final está abaixo:

ISO 6400, f/3.5@1/125s

Eu ia terminar esse post dizendo: “ponto para os gatos”, mas na verdade é ponto para os “cães” novamente. A possibilidade de usá-los fora câmera permite que o fotógrafo entenda o comportamento da luz e suas conseqüências em uma foto e uma vez entendido, esse aprendizado pode ser levado para qualquer outro aparato de iluminação, facilitando a sua vida em situações extremas, como no caso acima. Um flash é muito mais que um acessório de iluminação, é um mestre na arte de entender a luz e usá-la com bom senso e beleza.

Ponto para os cães! Novamente

Boa Luz e Boa Sorte

P.S: não perca a oportunidade de fazer mais com o equipamento que vc já tem, haverá um WS I LOVE MY JOB nesse fim de semana (22/23) aqui no RJ e logo depois estarei em Cuiabá e Brasília, clique na agenda e se inscreva. E São Paulo está a caminho!

Um flash, uma capa 27

Semana passada estava na cidade cenográfica de Araguaia com a incumbência de fazer um retrato dos atores Julia Lemmertz e Thiago Fragoso para um suplemento de TV do jornal Estado de São Paulo. O tempo estava nublado, não havia uma nesga de Sol e uma luz difusa e densa cobria a locação. Como a gravação estava chegando ao fim e os atores teriam que dar uma entrevista, resolvi buscar um fundo que servisse para a imagem. Encontrei uma casa cenográfica bem ao lado da gravação, com paredes de madeira na cor neutra e bem próximo dos refletores usados na cena. Um deles estava bem posicionado e era só virá-lo para a casa que eu teria uma luz boa iluminando o casal.

Conversei com os iluminadores e pedi que quando a gravação acabasse o refletor fosse mexido, eles prontamente concordaram. Fiquei tranquilo durante um tempo, parte da cena foi gravada e o casal de atores veio em nossa direção, atrás deles ecoou a voz do diretor de fotografia; “Leva esse refletor aí para fazer o close dentro do carro”. Fiquei tranquilo por pouco tempo, lá estava indo embora a minha luz querida…

Eu estava com uma D3s e um SB-900 e fazer a foto dos atores com o flashão estourando direto neles não era uma boa opção. Embora a D3s seja a melhor câmera digital que eu já tenha usado ( é assutadora!) , ela não conta com um flash embutido, o que me obriga a carregar 2 SB-900, um ajustado para “Master” e outro em “Remote”. Nesse caso eu só tinha o “Master”…que não parava de me olhar como quem dissesse: “não te falei para levar ajuda?”.

Nossa assessora se vira para mim e fala: “Renato, faz as foto agora que depois eles se concentram só para a entrevista”…”Ok, Ok”, respondi com a cabeça pensando em várias soluções…

Essa é a foto feita sem flash:

ISO 100, f/4@1/250

Eu não tinha visto os atores antes de escolher a casa como fundo, os tons da foto toda estavam parecidos, mas o que me incomodava mais eram as sombras nos olhos, sabia de antemão que o papel onde a foto seria impressa escureceria ainda mais aquela área, o que não era nada agradável. Dá para tratar no Photoshop, mas a foto seria enviada momentos depois para São Paulo, não havia tempo de tratamento extra e o pensamento “depois eu trato no Photoshop” não contribui em nada para seu aperfeiçoamento como fotógrafo, alguns detalhes podem ser corrigidos na hora, de forma simples e rápida, com resultados melhores. Tudo o que eu precisava naquele momento era de um segundo flash…e ele veio de carrinho elétrico em cima da D90 do fotógrafo do site da novela.

“Fábio, vc vai usar esse SB-900 agora? Pode me ajudar a rebater uma luz?”

“Lógico!” E lá fomos eu e Fábio para perto da casa, no caminho arrumei um isopor grande e ajustei o 2 flash para “REMOTE”, programando aquele que eu carregava para “MASTER”, no modo TTL. A grande vantagem dos tons pastéis da casa e da roupa dos atores é que eles estavam bem próximos de um cinza médio, facilitando muito a medição TTL. Veja a mesma foto acima em preto e branco:

ISO 100, f/4@1/250s

Aponte sua câmera e o flash em TTL (respeitando os limites de alcance do SB) e não há como errar em uma foto assim. Pedi ao Fábio que ficasse do meu lado, segurando o flash dele voltado para o rebatedor de isopor e disparei, repare a diferença:

ISO 100, f/4@1/250s

Em poucos segundos a foto foi melhorada, o isopor gerou uma luz mais suave e posicionado acima dos atores obrigou as sombras a desaparecerem atrás deles, evitando a sombra característica (e horrorosa) do flash no topo da câmera. Note que nas 2 fotos a exposição permaneceu inalterada, o flash só cumpriu seu papel. Ponto para os cães! De novo!

Foi só voltar à redação, eviar para São Paulo e esperar o Domingo chegar:

Capa TV Estadão

A sessão não demorou mais do que 5 minutos e em alguns cliques eu mudei o WB da câmera para dar uma “aquecida” nas fotos, a capa acima mostra um exemplo disso, não teve “depois eu coloco um filtro amarelo no Photoshop”. Os cães fazem mágica!

Eu atualizei a agenda do blog com as datas do WS I LOVE MY JOB de Flash Criativo, não perca a oportunidade de entender o que seu flash é capaz de fazer.

Rio: 22/23 JAN

Cuiabá: 05/06 FEV

Brasíla:12/13 FEV

Clique aqui para se inscrever e veja o vídeo com os depoimentos dos participantes do último WS em Vitória aqui.

E aproveito para desejar “BOA LUZ e BOA SORTE”em 2011 para todos vocês

12 meses em 2 horas 45

Meu nada saudoso notebook pifou de vez no meio desse ano e a única coisa que consegui recuperar foi seu “gigantesco” HD de 80 GB. O calor insuportável que fez hoje no Rio de Janeiro foi a desculpa perfeita para ficar no ar-condicionado dando uma olhada no material que ele guardava. Algumas surpresas boas apareceram e uma delas acabou virando esse post aqui no blog (outras estão no forno).

Em Fevereiro o pessoal da internet da Rede Globo decidiu fazer um calendário da antiga temporada de Malhação e combinaram comigo de fazer as fotos depois de tudo acertado com os atores e a produção. Eram 16 pessoas para fotografar na Cidade Cenográfica onde a novelinha se desenrolava e o tempo era escasso, muito escasso: 2 horas apenas até o início das gravações no estúdio. Eu tinha que ser rápido…com um assobio 3 “cães” já tinham pulado para a bolsa, felizes da vida e prontos para a ação. Foi só adicionar uns soft-boxes médios caso eu quisesse modificar a luz e o jogo de iluminação estava pronto. Rumamos para a cidade cenográfica e começamos a sessão de fotos.

O vídeo abaixo mostra as condições de luz (começamos às 10 da manhã) e a quantidade de locais diferentes que serviram de locação. Em todas as fotos os flashes funcionaram em TTL e o resultado foi gratificante e surpreendente por conta do pouco tempo que tivemos. Vejam o vídeo que logo abaixo eu comento alguns detalhes de algumas fotos (é muito provável que vocês tenham que assistir ao vídeo algumas vezes):

A primeira foto foi com a atriz Cris Peres, que está dentro de uma sala de aula. Um flash está à esquerda da atriz com um soft-box e outro logo atrás dela, fazendo uma luz de “recorte”, os dois funcionam no grupo A, ou seja, disparam na mesma potência. O grande problema é que a fotografo do lado de fora e a luz do flash embutido da D200 era bloqueada pela parede da sala. Como o sistema CLS da Nikon depende que todos os flashes estejam em um mesmo raio de visão, esse é o exemplo perfeito para se usar um rádio flash para disparar os SBs.

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Só que eu não uso radio-flashes…eles só fazem uma coisa, enquanto um flash pode fazer várias, e dependendo da marca do rádio, pode custar mais caro que um flash. A solução para essa foto foi posicionar o terceiro SB na menor carga possível (1/128) , no Grupo B, bem na frente da janela da sala de aula e apontá-lo para o sensor do flash lá de dentro. Esse flash auxiliar e em menor potência era “visto” pelo flash embutido da D200 e fazia uma triangulação luminosa com os outros 2, disparando todo o conjunto. Simples e rápido e sem depender de mais um equipamento extra.

Na foto abaixo eu posicionei o ator Murilo Couto ( Beto) de frente para o Sol, funcionando como luz principal. Como fotografo ligeiramente de baixo e as sombras projetadas já indicam que estamos chegando próximo do meio-dia, pedi que ele olhasse em direção ao Sol para que a luz preenchesse todo o seu rosto, evitando sombras duras nos olhos e nariz. Esse ajuste da face ajudou na intenção de mostrar a força física do personagem. Os mesmos SBs da foto anterior agora estão atrás do ator e as cabeças dos flashes foram fechadas ( usei um snoot de cine-foil) de tal forma que só iluminassem parte da cabeça, dando destaque à expressão facial. Veja o resultado abaixo:

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Voltamos para a mesma sala de aula da primeira foto e dessa vez um SB foi utilizado para simular a luz do Sol entrando pela janela. Ele está posicionado atrás dos atores e o segundo SB foi montado novamente no soft-box suavizando a luz que chegava no casal. Vejam o resultado:

casal

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As próximas duas fotos mostram a vantagem de se entender perfeitamente o conceito de número-guia do flash, ele guarda informações sobre como a luz se distribui em uma imagem. Eu tinha que fazer fotos de corpo inteiro de 2 atrizes e o tempo nublou de uma hora para a outra. Nos dois casos apenas um SB adaptado no softbox foi usado, mas a distância em que ele se encontrava das modelos me ajudou a ter uma luz mais abrangente em vez de uma mais potente. O vídeo de making of mostra onde o SB estava na foto da atriz Mariana Molina, na escadaria vermelha. Observem a qualidade da luz nas duas fotos:

Mariana Molina

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A chave para a compreensão dos mistérios da luz do flash está guardada de forma simples no conceito de número-guia e aprender a usá-lo a seu favor é o que eu tento explorar nos Workshops I LOVE MY JOB. No final de Novembro tive a chance de encontrar duas turmas cariocas que se empolgaram com essa descoberta, vejam o que eles tem a dizer sobre o curso:

No último post, “Reflexos no Código Da Vinci“, eu comentei sobre a propriedade que a luz especualar tem de revelar a textura do material que ela ilumina. A foto da atriz Carolinie Figueiredo mostra um exemplo disso. Um SB está montado no soft-box bem a sua frente e outro está posicionado atrás dela, de forma que o ângulo de incidência seja o mesmo de reflexão da luz, o brilho especular gerado no armário atrás dela permite que você entenda que ele é feito de metal e não de madeira, por exemplo. Veja esse comportamento da luz na foto abaixo:

Carolinie Fugueiredo

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Durante o workshop de Recife, feito no último final de semana, conseguimos trabalhar isso muito bem, os depoimentos dos participantes, com um sotaque delicioso, pode ser visto no vídeo abaixo:

A foto mais legal da sessão eu deixei por último. Dessa vez era a a hora de fotografar o Fiuk dentro de uma biblioteca e tive que usar os 3 flashes juntos pela primeira vez. Dois deles estão atrás do ator, fazendo a luz especular em seu rosto e corpo e há um terceiro flash escondido na foto. Observe  imagem e veja se consegue dizer onde o SB foi posicionado:

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Coloquei uma folha de papel dentro da cartola preta e pedi ao ator que segurasse o flash de forma que sua luz rebatesse na folha branca e voltasse em seu rosto! Mesmo longe do alcance do flash embutido da D200, os outros flashes estourando lá atrás conseguiam atingir o interior da cartola, fazendo-o disparar, dando um efeito mais dramático na foto.

Em apenas 2 horas 16 pessoas form fotografadas com os flashes funcionando em TTL o tempo todo, me dando uma liberdade e versatilidade para criar que é diícil ser reproduzida com as tochas grandonas de estúdio. Entender como os flashinhos podem ser úteis e poderosos libera a sua mente para se preocupar com o que realmente importa na foto: sua criatividade.

Até o final de Dezembro, 2 Workshops ainda vão acontecer, um em Vitória, nos dias 11/12 de Dezembro (praticamente esgotado, resta 1 vaga apenas) e outro em Brasília nos dias 18/19. Na agenda do blog você encontra todas as informações para fazer sua inscrição, e começamos 2011 já com outro WS aqui no Rio e em Cuibá, não perca as novas atualizações do I LOVE MY JOB e esperem por mais novidades boas muito em breve.

Caso queiram ver todas as fotos do calendário, é só clicar aqui

Espero que tenham gostado!

Boa Luz e Boa Sorte!!

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