Não faça fotos, crie imagens! 18
Em muitos posts eu comento sobre a possibilidade de “estabelecer relações” com a luz natural como uma das várias vantagens de usar um flash, mas acho que nunca consegui ilustrar todas as etapas do processo.
Alguns comentários que recebi mostram que algumas dúvidas interessantes ainda persistem, principalmente sobre medição da luz, e tive a chance de encontrar a situação perfeita para tentar eliminá-las na semana passada, durante uma pauta de divulgação do programa “Aline” da Rede Globo.
A gravação acontecia na praia de Copacabana, perto da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, que vem sendo constantemente depredada desde que ali foi instalada (humm..rimou!…rsrrs…)
O que leva um imbecil a destruir uma escultura colocada em uma das praias mais conhecidas do mundo ainda é um mistério para mim, provavelmente deve odiar o Rio de Janeiro e ser incapaz de fazer uma rima simples, mas fiquei feliz em fazer fotos que seriam usadas em uma campanha de concientização da população.
Detalhe: a gravação acontecia às 5 da manhã e mesmo detestando acordar cedo, aquele nascer do sol me fez agracer a Deus por morar em uma cidade abençoada e simplesmente magnífica. Lotada de problemas, é verdade, mas magnífica!
Bom, voltando ao trabalho:
Ainda faltavam fotos que mostrassem os três protagonistas juntos e como o Sol subia rapidamente no horizonte, a gravação corria em ritmo frenético, tempo era tudo o que eu não dispunha. Aproveitei uma mudança de equipamento e a presença dos três atores na cena e corri atrás do meu retrato.
Uma dica rápida: acostume-se com o fato das imagens não existirem ainda, elas serão criadas por você.
A foto que existe na sua cabeça muitas vezes não está diante dos seus olhos e como sua câmera é bem menos sensível que o seu cérebro, sozinha ela não poderá te ajudar.
Quando você entende que sua câmera não passa de uma ferramenta limitada, aprende que as infomações que ela fornece são apenas sugestões. Você está no comando.
![Nascer do Sol, Copa[15]](http://www.ilovemyjob.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/08/Nascer-do-Sol-Copa15-300x200.jpg)
Esse era o nascer do sol em Copacabana às 5:47 da manhã. Uma foto relativamente fácil de fazer, o único problema era que estava ali para fazer fotos de 3 atores contra esse cenário:
Todo manual de fotografia comenta que o melhor da luz se encontra nas primeiras horas da manhã e no final da tarde. É verdade; porém, nem sempre a melhor luz está na posição ideal.
De onde estava eu conseguia enxergar todos os detalhes da cena, desde os rostos dos atores até a explosão solar atrás deles. Nossos olhos são muito tolerantes com grandes variações de contraste, mas sua câmera não…
Ao travar a exposição no nascer do sol, ela jogou todo o restante da foto em densas sombras. Se não fosse pelo refletor à direita (fora do quadro), mal se distinguiria um ator do outro.
Faça a leitura da luz na sombra e descubra que a razão de você estar ali às 5 da matina se transformou em um fundo branco estourado e sem graça.
Você está perdido: não pode mexer a sua posição, a dos atores e muito menos a do Sol, sua câmera não acompanha a sensibilidade dos seus olhos e seu chefe não vai gostar da piadinha: “eu só fotografo com luz natural”, ao receber a sua foto tecnicamente perfeita, porém, inútil.
Usar um filtro como o densidade neutra graduada (ou até mesmo um polarizador) reduz a quantidade de luz da foto, diminuido o alto contraste da cena, mas te joga no mundo das baixas velocidade de obturador…você está sem tripé e os atores não param de se mexer.
A única solução disponível é “jogar” luz nas áreas de sombra, revelando o rosto dos atores e mantendo o obturador em velocidades tranquilas para segurar a câmera na mão.
Para vencer a Física, a Estética solta os cachorros!

A foto acima é, na verdade, uma sobreposição de 2 “camadas”: uma com o fundo exposto corretamente e os atores na sombra, e a outra com a área iluminada somente pelo flash.
É a velocidade do obturador que junta tudo. E o flash que separa…
Sua nova exposição terá as 2 variáveis de sempre, obturador e abertura, mas controladas por equipamentos distintos.
A velocidade do obturador dirá quanto da iluminação natural aparecerá na foto, o diafragma, por sua vez, quanto de luz incidirá na área que vc quer iluminar.
Brinque com esses valores e inúmeras opções surgem, não é mais o humor de São Pedro, mas seu gosto pessoal que determina qual a melhor delas.
Na foto que abre esse post, a minha única preocupação inicial foi a abertura do diafragma. Queria uma que garantisse o foco nos atores e ainda mostrasse detalhes do fundo. Escolhi f/7.1 com a D200 em ISO 800.
Com a abertura ajustada, medi a luz na área iluminada do céu, evitando incluir o sol no enquadramento.
O fotômetro zerou no 1/250s, fiz um clic de teste e achei o céu muio escuro, diminui a velocidade para 1/125 e encontrei o tom que me agradava.
Liguei o SB-800, o LCD me indicava que os atores estavam dentro do alcance do flash para a abertura escolhida, mudei para o modo REMOTE em TTL e pedi que um amigo o segurasse.
Em 1/125 com f/7.1, fiz a foto. Coloquei um gel 1/2 CTO no focinho do cão para dar uma aquecida geral na foto, como se pode ver abaixo:
Aquela foi apenas uma das possibilidades de imagem, uma ligeira mudança no obturador altera a luz do fundo, uma variação na abertura (ou diminuíndo a potência do flash) controla a luz do primeiro plano.
Criatividade. Liberdade. Independência. Ponto para os cães. De novo.
Aproveite a comunidade aberta no Orkut para obter respostas e conhecer gente nova, coloque sua dúvida lá, já temos 75 (ops!! 77!)pessoas querendo ajudar, e o número não para de crescer.
Boa sorte!
![Bernardo, Maria e Pedro, contraluz[11]](http://www.ilovemyjob.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/08/Bernardo-Maria-e-Pedro-contraluz11-300x201.jpg)

![CTO[11]](http://www.ilovemyjob.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/08/CTO11-300x201.jpg)







Mais mastigado impossível. Bela didática.
Renato, uma coisa que ainda me deixa em dúvida é quanto à regulagem manual do flash. Aquela tabela no manual dos SB, com intensidade de disparo, posição do zoom, ISO, distância, deve levar em consideração que velocidade de obturador, já que diferentes velocidades me darão diferentes exposições? É com a velocidade de sincronismo que consigo a exposição correta, no modo manual?
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Caraca… impressionante. As suas fotografias são composições estéticas comparáveis às grandes obras clássicas da pintura… tudo bem que é uma mega puxada de saco… mas acho muito foda conciliar tempo pouco + péssimas condições de luz + criatividade + cachorros = imagem memorável. Parabéns!
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Grande Renato, não tem muito o que falar, a não ser te agradecer pelas aulas e parabenizá-lo pelo trabalho: cada dia mais impressionante e com uma qualidade irretocável.
Parabéns!!!
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Show!
Mais uma vez…
PARABÉNS!!!
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Parabens. Como sempre, show de aula. Bjo.
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Aí Renato, ótimo texto. Tenho que tentar alguma coisa assim, apesar de que meu cachorro ainda não pode largar a coleira (fica no off-camera cord =P).. mas deve dar pra brincar um pouco….
Valeu aí! Abraço!
André
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Já pedi autorização para participar da sua cominidade.
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Renato, acompanho seu blog há um bom tempo até, e agora participo de sua comunidade no orkut, gostaria principalmente de parabeniza-lo pela iniciativa tanto no Blog quanto no Orkut.
É impressionante essa sua vontade de compartilhar conhecimento.
Parabéns pelas fotos, ficaram ótimas ( como sempre ).
Ia enviar um scrap para você, mas é bloqueado, e as 1 da manhã o sono não deixa eu procurar um e-mail pra contato hehehe.
abraços!
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Como sempre este é o Cara "O Cara dos Cachorros" rs…, é uma verdadeira aula, tudo muito bem explicado. Só não entende quem não quer!!! Parabéns Renato pessoas como vc que estamos precisando, fala tudo sem esconder nada. Penso aqui comigo como deve ser fazer uma aula com um cara deste ao vivo? Deve ser fantástico, nós, ele e os cachororos . Abraço Ricardo
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Ui.. pra mim que estou começando agora neste novo hobby(FOTOGRAFIA) simplismente adorei seu blogger..vem para Amazônia que vc vai pirra na
fauna e na Flora que temos!!!Irado…
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Renato, parabéns. Finalmente tô desmistificando o flash.
Tenho uma dúvida; no post de 8.3.09 você disse ter ajustado o flash no modo Remote e em TTL pra -1 ponto.
Não achei essa possibilidade no SB 800. Pergunto, esse -1 ponto foi na mediçao de luz pela câmera?
Grato, aguardo sua resposta.
antonio355@hotmai.com
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Também atuo absorvendo e testando conceitos de strobist a partir do strobist.com, mas a forma como voce apresenta as coisas sempre surpreende pela didatica. Tô entrando na comunidade do orkut. Parabens
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Eu fico babando na tua didática…só não aprende quem não quer!!!
Bota os cachorros na mala e vem conhecer a Catedral de Maringá!!!!
Bjo
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Uma verdadeira aula!! Parabéns pelo blog, pelo trabalho e pela arte!!!
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Aprendi a aliar a luz ambiente com o flash num WS do Bispo. Realmente é o "pulo do gato". Parabéns pelo blog e obrigado pelas dicas. Abraço.
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Muito bom, Renatão! A foto ficou duca!
Gosto da esquentada do gel, mas sou sempre reticente a usá-lo nas minhas fotos.
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Renato , estou descobrindo seu blog hoje, é mole?, estava procurando dicas para uso do SB 900, fiquei muito feliz de achar seu blog, e gostaria de compartilhar essas informações tão importantes. Vi
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Renato Miranda Reply:
fevereiro 7th, 2010 at 02:22
Olá Vera! Antes tarde do que nunca, né? Obrigado pelos elogios e pode deixar que coloco bem grande para vc achar a data certa do WS, ainda falta acertar uns detalhes…
bjs
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