De volta ao básico… 2
Sem dúvida, um flash bem usado é capaz de aprimorar a iluminação de suas fotos, mas o que fazer quando se está sem ele?
Voltar ao tempo onde só se contava com a luz natural e procurar por quem fez o máximo com o mínimo: os mestres da pintura.
Dispor do melhor equipamento não o fará um ótimo fotógrafo, mas gastar sola de sapato em corredores de museu ajuda a aumentar o arquivo de referências visuais que a sua mente necessita, além de entregar de bandeja a solução para várias situações de luz.
Não é mais uma questão de “Será que vai funcionar?”… Funciona!
Em Abril, um novo programa estréia na grade da Globo, “Tudo Novo de Novo”, e tive que fazer fotos dos atores durante os testes de figurino.
Detalhe: não me pergunte o motivo, mas eu estava sem flash.
Solução? A mesma de séculos, procurar uma janela grande o suficiente para iluminar suavemente um ator em corpo inteiro. Graças a Deus, o estúdio I do Projac tem janelões nos 2 lados do prédio, garantindo uma luz indireta e difusa qualquer que seja a posição do Sol
Eu não sei quem colocou as arandelas amarelas na parede, mas deixo aqui meu agradecimento…rsrsrs.
O corredor não era largo o suficiente pra o uso de uma teleobjetiva, o fundo não muito interessante, mas dá para ganhar uma guerra perdendo duas batalhas.
O primeiro a entrar no “estúdio” foi o ator Marco Ricca:
A foto está tecnicamente perfeita, tudo o que seu cérebro precisa para entender que um volume, e não um plano, está sendo fotografado está presente:
Um brilho especular na direita, atrás do ator, sombras na lateral e o tom correto de sua face na esquerda. Resumindo: contraste.
Mas há um problema: eu não sou pago para fazer fotos perfeitas. Meu trabalho é criar imagens que sejam divulgáveis em várias publicações diferentes e ter metade do rosto jogado nas sombras pode ser um transtorno quando o papel que irá reproduzir a imagem é ruim como o de um jornal.
Como não posso mexer na posição da luz, só me resta alterar a posição do rosto. A imagem no começo do artigo revela o “caminho das pedras”, Da Vinci já nos ajudava séculos atrás.
Ao pedir que o ator Mario Cardoso movesse ligeiramente o rosto na direção da janela, permiti que a luz iluminasse uma parte maior , dessa forma, toda a área nobre da face está corretamente iluminada, mantendo a mesma relação de contraste da foto anterior.
Veja o resultado, desta vez em um close da atriz Marina Ruy Barbosa:
O exercício de posicionar corretamente o fotografado em relação à luz deve ser levado para dentro dos estúdios fotográficos ou quando se usa luzes portáteis como um flash.
Não há uma posição mágica de luz que garanta um resultado satisfatório, o truque está em relacionar corretamente luz e o fotografado para se chegar ao objetivo desejado.
Acho que um exemplo mais do que conhecido pode resumir visualmente tudo o que está escrito aqui:
Não é à toa que ele é o mestre dos mestres…Estude os clássicos!
Espero ter ajudado. Boa sorte!






“O exercício de posicionar corretamente o fotografado em relação à luz”
Ah! Mas ajudou sim…
Ótima postagem, Renato!
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Impressionante! Esse artigo está impecavelmente didático. Incrivel como seus desafios cotidianos parecem surgir só para alimentar o blog! E esse corredor?! Parece até que você mesmo mandou fazer! E tudo misturado com exemplo de mestres da pintura! Prefeito, Renato! Parabéns!
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