Uma dúvida interessante… 9
O último artigo que escrevi aqui ( sobre a calculadora dentro do SB-800) gerou uma dúvida interessante em uma grande amiga e leitora do blog. Como muita gente acha o flash um grande tabu, um assunto esotérico só para iniciados, pedi sua permissão para transcrever seus pensamentos e assim tentar ajudar aqueles que têm as mesmas dificuldades que ela. Espero que gostem e qualquer dúvida é só escrever.
A troca de emails está copiada abaixo ( a dúvida mesmo está em laranja), troquei seu nome para manter o anonimato.
“Oi, Renato,
Eu achei o seu blog MUITO simpático, adorei o título (I love my job…) e o texto com a explicação está bastante claro e bem escrito. Gostei mesmo!
Estou pretendendo testar amanhã, e aí terei mais feedback para te dar, mas a parte da “calculadora” do SB ficou bem clara sim.
No entanto, eu fiquei com algumas dúvidas que antecedem a isso e talvez sejam bem bobinhas, mas vou falar assim mesmo:
1- Como você chegou aos valores f/5 com 1/40s (para o ISO escolhido de 400)? Usou o fotômetro da câmera como se não fosse usar flash? Ou apenas pensou nesses valores com base em sua experiência própria? Aliás, essa sempre foi uma dúvida minha: usando a D200 com tudo em manual, como estabelecer os valores de abertura e velocidade no caso de uso do flash – como fazer com que o fotômetro dela considere que eu vou usar flash? Esse é o motivo pelo qual sempre optei pelo TTL, e mesmo assim eu ajustava abertura e velocidade no chute…
2- E, se ia usar flash, porque se preocupou em uma velocidade que permitisse segurar a câmera sem uso do tripé??
Desculpe se estou fazendo perguntas pouco inteligentes, mas fiquei empacada aí; acho que seu tiver resposta para como saber a velocidade e abertura que vou usar, consigo seguir a orientação que você deu relacionada à distancia do objeto ao flash para chegar à potência correta. Mas se não souber como chegar a isso, continuo com o problema de ter que experimentar várias aberturas/tempos antes de me decidir…
Será que me fiz entender???
Bjs!
Gertrudes” (nome fictício, rsrsr)
Esqueça por alguns instantes que eu irei usar flashes na foto, ok?
Eu estipulei o valor f/5 e usei o fotômetro da câmera para calcular a velocidade correta. Eu usava uma grande angular, sabia que mesmo com aberturas maiores eu ainda teria uma boa profundidade de campo. Era isso que eu desejava, não queria que nenhum integrante da banda saísse fora de foco, ajudei colocando-os em uma linha, quase no mesmo plano.
Eu penso que antes de fazer a foto vc já deve ter uma certeza sobre o que quer mostrar na imagem : foco ou movimento. Nessa, em particular, eu queria foco nos rostos todos contra um fundo ainda com detalhes, mas não muito nítido. Estipulei uma abertura média, poderia ser 5.6, 4, 6.3, mas fixei no f/5.
Congelar o movimento deles era a minha segunda preocupação. Com a abertura já fixada, eu usei o fotômetro para medir a velocidade correta e encontrei o 1/40s, suficiente para congelar leves movimentos. Ajudei pedindo que não se mexessem durante os cliques.
Perfeito, vc tem os dados para a sua foto. Eu cliquei, e o resultado foi uma foto com a exposiçõa perfeita, mas sem nehuma dramaticidade, eram só 4 homens vestidos de preto contra uma parede cinza toda pichada. Fotografávamos às 17 horas de um dia muito nublado, a luz vinha de um gigantesco soft-box no céu, não havia nenhuma sombra nos rostos, nenhuma cor atrativa, nenhum volume, uma certa monotonia…a iluminação natural poderia ser perfeita para um nú, mas não para um retrato de integrantes de uma banda de rock.
Eu poderia ter parado ali e pedido para que eles voltassem em outro dia, quando o sol estivesse presente, fazendo uma luz mais diferenciada…mas eu tinha comigo um par de luzes articiais, relativamente potentes e movidas a bateria, então, por que não usá-las e acabar com aquela foto ali mesmo?
Posicionei uma delas atrás dos caras, para que eles “saltassem” do fundo, era uma luz de separação, e outra na minha lateral esquerda, mais acima da altura da cabeça deles, dando volumes aos rostos graças às sombras agora presentes.
Eu precisava saber em qual intensidade essas luzes deveriam funcionar para não alterar a minha exposição escolhida, f/5 com 1/40 s. A sua câmera não tem idéia que vc está “usando um flash”, mesmo em TTL. Tudo que vc faz quando conecta um à câmera é informá-la que vc deseja alterar o contraste da foto, mas não a sua exposição.
Acho que agora vc já sabe como calcular essa intensidade, o próprio acessório de iluminação informa o valor correto para vc.
Eu cliquei algumas vezes e o resultado foi muito melhor: mais dramaticidade, mais volume nos rostos e mais atenção ao primeiro plano, só que em alguns momentos, as luzes falharam: lá estava a mesma foto corretamente exposta, mas totalmente xoxa….
Use a câmera como se não houvesse flash, faça a exposição que estiver na sua cabeça e depois ilumine artifcialmente as áreas que vc deseja alterar. Os flashes são apenas uma luz a mais que vc joga na foto, elas só precisam ser medidas para se encaixarem na exposição.
Vc poderia colocar mais uma luz direcionada para o fundo, dando um efeito qualquer, ou outra iluminando a parte esquerda da nuca deles, outra em qualquer lugar que te desse vontade, desde que elas estivessem com as intensidades corretas para o seu f/5 inicial. As únicas variáveis que interessam ao seu flash são: a distância que ele está do objeto fotografado e a abertura que vc está utilizando (NG (potência)= abertura x distância).
Só que naquela foto havia uma outra variável que me preocupava: o fundo estava sendo iluminado pela luz natural, que vinha caindo rapidamente. Eu tinha que ser ágil e ir diminuindo a velocidade para conseguir ainda mostrar o fundo, mas em pouco tempo ela alcançaria valores ( 1/4, 1/2, 1s) que não congelariam os leves movimentos dos retratados, o resultado seria uma foto sobreposta com a imagem congelada pelo flash e outra mostrando os borrões de movimento de seus corpos.
Chegaria uma hora em que nem com um tripé eu conseguiria segurar o movimento deles…e tb não queria ficar imobilizado por um tripé em caso de fuga rápida (eu estava com medo de ladrões…rsrsr)
Eu usava flash, mas ainda dependia da luz natural para iluminar grande parte do fundo da minha foto, por isso a preocupação com o tripé. O barato de ter vários flashes é que eu poderia colocar mais um iluminando o fundo e não me preocupar mais com a luz ambiente, já que todas as áreas da foto seriam iluminadas artficialmente, poderia continuar com a câmera na mão até mesmo de noite. Velocidade de obturador não era mais preocupação, poderia colocar 1/250 e mexer à vontade….
Percebe a liberdade que essa possibilidade te dá?
Compliquei demais? tentei ir seguindo uns passos para vc entender que não está colocando um painel de Jumbo 747 no topo da sua câmera, por mais que os fabricantes insistam em afirmar o contrário. Eles são apenas lanternas poderosas, mas controláveis.
Espero ter ajudado…qualquer coisa escreva!
Bjs
Renato
Abraços e boa sorte!







Parabéns… cada dia aprendo mais com seu blog! Em breve estarei em seu WS… assim que eu retornar para o Brasil, se Deus permitir!
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Olá Renato, sou seu fã cara e tenho aprendido muito lendo seu blog, mas não sou seu admirador somente pela excelencia do seu trabalho, mas também por partilhar todas essas informações e suas experiencias com nós pobres mortais, rs. Em relação a esse texto, tenho uma grande dúvida, no caso se a fotografia fosse feita a noite ou em um estúdio fechado sem qualquer tipo de iluminação, além dos cães, claro. Como você controla a exposição, no meu caso com apenas dois SB’s (1 -600 e 1 -900). Sei que a pergunta é um tanto amadora, porém, é uma dúvida que vem me pertubando e precisava perguntar. Obrigado
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@Ricardo Marques,
Oi Ricardo!
Obrigado pelo comentário! espero que esteja ajudando!
Vamos lá: eu controlaria da mesma forma que anteriormente, só que não precisaria me preocupar com a queda da luz natural. A abertura controlaria a intensidade dos flashes e manteria a minha velocidade de obturador em 1/250.
Caso quisesse iluminar o fundo, eu teria que jogar outro flash lá atrás, com a potência de acordo com a abertura que estava utilizando, sacou?
qualquer dúvida escreva, ok?
abração
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Olá! Sou da revista Sentidos e gostaria de falar com você a respeito de uma foto que tirou da Alinne Moraes e a Globo nos cedeu. Por favor me mande seu telefone, no priscilasampaio@escala.com.br, ou me ligue no (11) 3855-1006
obrigada!
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Renato, beleza no sb 800 informa a distancia, mas acho que o sb 600 não né, ai como fica?
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Renato, boa noite.
Parabéns pelo seu trabalho, espero que você dê um WS aqui em MG para poder participar, tenho uma dúvida.
Entendo que utilizando a câmara no manual eu tenho controle sobre a profundidade de campo e sobre congelar ou dar movimento a cena. Minha dúvida é qual a utilidade do flash em manual uma vez que se no lugar de um sb600 e outro sb800 você tivesse dois sb600 o que mudaria. Pois entendo que o sb800 que você regulou em 1,6m de distancia em F5 no TTL faria a mesma leitura utilizando o sb600.
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Renato Miranda Reply:
novembro 12th, 2011 at 02:52
Olá Leandro, vc me escreveu bem no dia do meu aniversário..rsrs…vamos lá: não entendi a parte em que vc pergunta “qual a utilidade do flash em manual..”. Gosto de usar em manual porque me livro de erros de interpretação do fotômetro em TTL, acho mais preciso. Se estivesse usando 2 SB-600 teria que utilzar um deles um pouco mais próximo do grupo, pois ele tem um NG menor que o 800, só que o SB-600 não permite esse cálculo. Eu teria a mesma leitura de exposição da cena,mas teria que recalcular a do flash. Não sei se te respondi direito..me escreva, ok?
abração
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Renato obrigado por ter me respondido e desculpe o incomodo (Nem no dia do seu aniversário te dão descanso…rsrsrsrs)
Outra pergunta …rsrsrs, quando você utiliza o flash no modo manual como você usou o sb800 neste post que escreveu, você fotômetrou e fez com que a luz natural atingisse apenas a estação e a luz do flash atingisse o grupo, então a pergunta é:
O sb600 ou sb800 utilizando em modo automático conseguiria fazer uma leitura adequada, pois penso que ele tentaria iluminar o fundo e o grupo ao invés de iluminar apenas o grupo. Como você conseguiria ter o controle para que o flash no modo automático atingisse apenas o grupo e não interferisse no fundo que estaria sendo iluminado apenas pela luz natural?
Obs: Tenho fotografado formatura para uma empresa, mas pretendo começar a fotografar casamentos e o ISO da D90 gera bastante ruído. A partir de qual máquina eu consigo ter um ISO 3200 com baixo ruído. Sobre flash o que me aconselha SB800 ou SB900, lembrando que não possuo muita grana.
Quanto ao aniversário, parabéns, que essa sua liberalidade em compartilhar informações lhe tragam cada vez mais reconhecimento e sucesso, Deus abençoe você e sua família. Cê é o cara vei. E se precisar de algum voluntário quando vier em BH pode contar comigo, to querendo sugar não viu é ajudar mesmo, mas é claro que vou sugar um pouquinho de informações tb né…rsrsrs (Mesmo sendo voluntário vou pagar viu pode ficar tranqüilo que não sou folgado não). E apaga algumas coisas se quiser se não o comentário vai ficar grande pra caramba. Abraços.
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Renato Miranda Reply:
novembro 18th, 2011 at 12:14
@Leandro, Vc consegue fazer esse controle com a distância do flash ao assunto ( e do assunto em relação ao fundo tb). Quanto mai slonge o flash estiver, mais luz chega no fundo. Vc tem que entender a lei do inverso do quadrado da distância, falando assim parece complicadíssimo, mas não é. Faça testes variando a posição do flash e perceberá o que estou te falando, mesmo no automático.
abração, passandopor BH eu te dou um toque!
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